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1. Jimmy Garoppolo, atual quarterback, estrela, salvação, MVP, Deus e dono do San Francisco 49ers deu uma declaração bastante… interessante, no início da semana.


“Mesmo quando eu era criança, com meus irmãos, seja onde for que eu jogasse eu sempre literalmente pensava que venceria. Eu não vencia, mas sempre pensava isso. Quando eu fui para New England, quando cheguei lá, eu pensei “Sou melhor que esse cara [Brady]”, falou.

Mas você, na sua cabeça,você acredita que é melhor que Tom Brady? – perguntou Joon Lee, autor da matéria no Bleacher. “Sempre foi uma confiança silenciosa”, diz Jimmy.”

É claro que Jimmy Garoppolo não é melhor que Tom Brady, não era em New England e muito provavelmente nunca será. Todavia, não há nada de errado em demonstrar essa autoconfiança, ou acreditar nisso, etc. Nenhum quarterback na história da liga se auto-declarou o segundo melhor, provavelmente.

Eu vou escrever mais detalhadamente sobre Garoppolo nos próximo dias. Sobre a declaração em si, nenhum problema: a preocupação maior seria se ele não tivesse essa confiança. Aliás, isso não causou problema em New England de modo algum, e a prova disso é que o grupo de conversa de quarterbacks entre Brady, Garoppolo e Jacoby Brissett (que esteve com os Patriots em 2016) ainda existe.

Garoppolo é bastante respeitado em New England, a ponto de Belichick lhe enviar uma mensagem depois de cada jogo dele em Santa Clara. E, claro, todo o drama da última temporada sob o último ano de contrato de Jimmy e o quão interessado estava seu treinador em transformá-lo no franchise quarterback dos Patriots – no que significaria abdicar do melhor quarterback da história da NFL.

Garoppolo não é melhor que Brady. Que bom que ele pense isso.

2. Ainda na NFC West, os Rams tomaram duas decisões importantes na última semana, assinando extensões contratuais gigantes a Brandin Cooks e Todd Gurley, antigas escolhas de primeira rodada e que estavam perto do fim de seus contratos – Cooks tinha apenas mais uma temporada sobrando no antigo acordo, e Gurley duas.

Mais do que a velha história do valor dos contratos de running back, Los Angeles está segurando dois jogadores que, embora MUITO bons, são, digamos… substituíveis, considerando as posições. Cooks é um legítimo recebedor #1, mas você não tem problemas em conseguir algo próximo, ao menos, da produção dele por um valor bem menor. No caso de Gurley, running backs não duram, blá-blá-blá, você já está cansado de ouvir sobre isso. O valor aproximado de seu contrato atual é de 6 anos e 71 milhões de dólares, com ao menos 45 milhões garantidos.

E esse não é nem o maior problema com relação aos valores. Cooks semana passada, Gurley nessa, Suh na free agency, Talib via trade, Marcus Peters e Jared Goff chegando… sentiu falta de algum nome? Bom, pois é. Os Rams tem o melhor jogador defensivo da NFL e negligenciam cada vez mais a situação contratual de Aaron Donald. Que, surpresa! Começou greve hoje.

São quatro temporadas na liga que resultaram em quatro Pro Bowls, três indicações ao All-Pro e, mais recentemente, a indicação de melhor jogador defensivo de 2017.

Donald já fez holdout no último training camp e não atuou na primeira partida da temporada. Deveria ter sido prioridade renovar o contrato do jogador, mesmo que isso significasse um número que ainda não tivesse sido atingido na história da NFL – 20 milhões por ano para um jogador de defesa, talvez? Ele certamente é digno disso – e a tendência era de novo holdout se as exigências do jogador não forem atingidas, já que seu contrato vale apenas sete milhões em 2018. Aconteceu.

Existe também a possibilidade da franchise tag em 2019, mas seria muito melhor não arriscar perder uma mega estrela da liga, ainda que isso tenha um custo alto.

3. Existe outra situação contratual de running back interessante se desenrolando e o desfecho dessa não deve ser tão complicado. Os Cardinals deveriam estender o quanto antes o contrato de David Johnson, e uma média anual aproximada de 13-14 milhões de dólares por temporada seria ideal para ambos os lados.

Para exercício de imaginação, vamos imaginar um contrato de 4 anos e 56 milhões de dólares (14M/Y). O time consegue segurar o principal membro ofensivo por um bom período de tempo e por um preço não tão ruim para a posição se considerarmos que, em três anos de carreira profissional, Johnson acumula uma média de 140 carregadas por ano – muito, muito pouco. Para o jogador, é um valor alto para um running back, mesmo que ele seja o foco do ataque. Dependendo de como o contrato for modelado, ele seria o jogador mais bem pago da NFL em 2019. Para o bem de ambos os lados, Steve Keim precisa resolver isso logo.

4. Eu não acredito que a discussão sobre o hino americano virou pauta de novo. Com o anúncio dos Dolphins na semana passada que os jogadores que protestarem dentro do campo durante o hino americano poderão ser punidos com multas e suspensões, a mesma onda de opiniões com relação a ajoelhar ou não enquanto o hino toca voltou à tona. A discussão não vai sair de cena tão cedo e a medida que a temporada se aproximar, provavelmente mais notícias surgirão. É entediante notar o quanto isso tira o foco do football.

5. Eu acho que as minhas expectativas sobre os Falcons são maiores do que sobre os Saints. New Orleans foi claramente o time superior em 2017 e a princesinha dos que torcem contra os favoritos – na última temporada, Eagles e Vikings. No caso de Atlanta, a grande maioria dos analistas acreditava que o time tinha grande chance de repetir a campanha de 2016 e conquistar novamente a conferência nacional, o que se revelou uma grande decepção.

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Ainda assim, os Saints terminaram uma “excelente” temporada regular com 11-5 e os Falcons terminaram uma “decepcionante” temporada regular com 10-6 – ou, melhor ainda, venceram sete dos últimos dez jogos do ano, depois que Steve Sarkisian percebeu que seria uma boa ideia montar o ataque em volta de suas melhores armas. Isso não é algo contra o time da Louisiana e sim uma confiança maior no time da Georgia, o qual já disse que acredito ser a terceira força da NFC.

6. Na coluna de segunda-feira, o Curti falou sobre o quão as expectativas dos Bears se transformarem no Rams de 2017 são exageradas e como diversos fatores (calendário, força da divisão, a própria inexperiência, etc) podiam frear esse desenvolvimento.

Não é mesmo um processo rápido e não depende só deles. Mas eu ainda acho que Chicago vai ser o time sensação da NFC. A quantidade de talento que desembarcou em Illinois durante a offseason não é pouca, e quem acompanhou o trabalho de Matt Nagy em Kansas City sabe que criatividade e produção não faltarão. Fica a cargo de Mitchell Trubisky capitalizar nesse sistema, e isso é algo que eu apostaria dinheiro.

7. Ainda falando sobre os Bears e aproveitando que eu estou responsável pela prévia de temporada da equipe, começaremos a publicar nossos previews de temporada na semana que vem – e a grande maioria deles será exclusiva dos assinantes do ProClub. Você pode assinar o plano de sua preferência aqui, e deixamos a nossa promessa de que vale a pena. Quase um mês de trabalho incessante de toda a equipe.

8. Provavelmente, não há nenhum recebedor na NFL tão subestimado quanto Marvin Jones. Ele é apenas o segundo recebedor em Detroit, mas é o complemento perfeito para Golden Tate no outside. Além disso, sua média salarial anual é de 8 milhões por temporada, um valor incrivelmente baixo se comparado a sua produção.

Na última segunda-feira, perguntei no Twitter qual era o recebedor mais subestimado da liga na opinião dos meus seguidores, e a imensa quantidade de respostas com o nome de Doug Baldwin e quase nenhuma com o nome de Marvin Jones prova dois pontos: 1) Jones, mesmo vindo de três temporadas bastante consistentes como o recebedor #2 de seus times (Bengals em 2015, Lions em 2016/2017), não recebe a devida atenção e 2) Baldwin não é assim tão subestimado.

9. Como alguém que sofre de ansiedade, não é difícil de entender a ausência de Josh Gordon no início dos training camps em Cleveland. Saúde mental é algo muito mais importante do que futebol americano, e eu não acredito nem por um segundo que isso tem a ver com uma possível reincidência de doping. A pressão que Gordon sofre por conta das expectativas de sua volta é imensa e é melhor que ele se ausente brevemente para se preparar melhor quanto a isso do que procure outros meios de lidar com o peso em sua cabeça e volte ao lugar ruim de onde ele demorou tanto para sair.


10. Os times estão oficialmente reportando para os training camps nessa semana, então a NFL finalmente está num período relevante novamente. Dessa forma, fica aqui a dica sobre o que é relevante ou não é: disputas por posição e prevenir lesões são MUITO importantes. Resultados de pré-temporada e greves de jogadores insatisfeitos com seu contrato não são. Ademais, não se esqueça em que essa é a época em que os 32 times da liga tem jogadores na melhor forma da carreira e que vão competir pelo Super Bowl. Ou seja: nada de empolgar.

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