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Se você lê o ProFootball assiduamente, sabe que essa coluna costumeiramente é basicamente um apanhado dos acontecimentos semanais com minhas opiniões sobre os mesmos. Porém, estamos no fim de junho, período em que os minicamps já se encerraram e os training camps ainda estão a algumas semanas de começar.

Dessa forma, até o fim de julho, a coluna vai se transformar numa espécie de Power Ranking pré-2018 sobre os mais variados temas: na semana passada foram quarterbacks, hoje são os técnicos, e assim vai. Mais uma vez: o importante é você se lembrar que estamos em junho e isso é só um aquecimento para a temporada que está chegando, certo?

10. Mike Tomlin, Pittsburgh Steelers

São as últimas quatro temporadas consecutivas com pelo menos dez vitórias na temporada regular e duas visitas ao Super Bowl ao longo da carreira de Mike Tomlin no Pittsburgh Steelers. É justo dizer que o trabalho de Tomlin em Pittsburgh é muito acima da média se postas apenas estatísticas em jogo. Todavia, os pedidos para a saída do treinador do cargo começam a aparecer com mais recorrência, dado os sucessivos fracassos na pós-temporada por parte do time.

Pode-se argumentar que os Steelers são o time mais talentoso da AFC a esse ponto e isso deve ser suficiente para assegurar mais um título da AFC North. Mas a incapacidade do time de ir mais longe nos últimos anos, mesmo em situações bastante favoráveis para tal, pode pesar bastante contra a permanência de Tomlin no cargo se Pittsburgh tiver mais uma decepção em janeiro. Se lembram quando os Broncos dispensou John Fox em 2015 por conta dos fracassos na pós-temporada mesmo com este sendo o treinador mais vitorioso da história da franquia na temporada regular? Não é inimaginável tal cenário aqui. Tomlin precisa voltar a apresentar resultados, e rápido.

9. Kyle Shanahan, San Francisco 49ers

Essa é uma posição mais baseada em projeção do que em resultados em si, já que Shanahan concluiu sua primeira temporada como treinador principal de uma equipe com apenas 6 vitórias. Entretanto, contexto se faz totalmente necessário aqui: desde que Kyle pôde trabalhar com um quarterback minimamente decente pós-troca por Jimmy Garoppolo, os 49ers permaneceram invictos.

Shanahan é um mestre quando o assunto se torna o molde de ataques – os Falcons de 2016, sob seu comando, tiveram um dos melhores ataques da história da NFL. Mesmo que isso não tenha se traduzido em vitórias, os 49ers de 2017 também foram bastante divertidos, especialmente na parte final da temporada. Ainda não há uma certeza do quão alto é o teto de San Francisco sob o comando de Shanahan, mas as chances desse potencial ser totalmente alcançado são boas.

8. Dan Quinn, Atlanta Falcons

Falamos acima sobre o ataque dos Falcons, mas o quão bom é o desenvolvimento dos jogadores – principalmente os de defesa – selecionados por Atlanta desde que Dan Quinn assumiu o posto de treinador principal? As três classes anteriores foram muito produtivas para a organização e, a julgar pela última classe, a tendência se manterá em 2018.

Outro fator que faz Quinn merecer bastante crédito é o quão bem os Falcons reagiram em 2017 depois do traumático Super Bowl LI, onde venciam por 25 pontos e não conquistaram o título. Atlanta regrediu em desempenho principalmente pela mudança no comando do sistema ofensivo, mas não parecia haver qualquer resquício de que o time sofria psicologicamente com os reflexos do fracasso no Super Bowl. Quinn enfatizou esse ponto ao longo da última offseason e deu certo.

7. Pete Carroll, Seattle Seahawks

Carroll esteve junto de Bill Belichick no top 3 por muito tempo, embora seu estilo de comando – bem menos rígido, deixando os jogadores expressarem-se livremente – fosse um contraste do treinador dos Patriots. Tal estilo, especialmente com relação aos jogadores da defesa, não resultou somente em rosas por todo o tempo: ao longo da dissolução da Legion of Boom, os jogadores dos Seahawks questionaram abertamente por diversas vezes o modus operandi da coaching staff,

Ao mesmo tempo, é exatamente esse estilo (mais próximo de seus jogadores a um nível pessoal) que ainda nos faz confiar em Carroll: mesmo numa situação de reconstrução do elenco, os Seahawks tem um quarterback competente e, a julgar pelo período que o treinador comandou a franquia, lapidar o potencial dos jogadores jovens é algo que Carroll sabe fazer.

6. Sean McVay, Los Angeles Rams

A reviravolta comandada por McVay em Los Angeles foi tão intensa que, durante a temporada de novas contratações de treinadores em janeiro, muito se comentou sobre os times procurando o “próximo McVay”: um nome jovem, criativo e atraente, principalmente com mentalidade ofensiva.


Com apenas 32 anos de idade, McVay não possui nem mesmo 10 anos de experiência como treinador – em qualquer nível. Ainda assim, os Rams confiaram no seu trabalho em Washington e trouxeram-no com a missão de ressurgir Jared Goff. O plano deu certo e, ademais, McVay recebeu as honras de treinador do ano. Em 2018, Los Angeles juntou um time cheio de superestrelas – o que também pode resultar em egos. A pouca experiência do treinador para lidar com isso é uma questão interessante.

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5. Sean Payton, New Orleans Saints

A capacidade de Sean Payton de se adaptar as circunstâncias que 2017 lhe apresentou lhe rendem uma alta posição nesse ranking. Os Saints, que durante toda a estadia de Payton na Louisiana foram um time primariamente focados em passar a bola, aproveitaram-se de uma linha ofensiva muito acima da média e uma efetiva dupla de corredores em Mark Ingram e Alvin Kamara e tiraram o peso das costas de Drew Brees. O resultado? Por precisamente uma jogada, New Orleans não disputou a final da NFC contra o Philadelphia Eagles.

Nenhum treinador venceu mais jogos por New Orleans do que ele e, mesmo com três anos medíocres antes de 2017, o trabalho com os calouros no ano passado colocou a organização anos à frente. Os Saints já venceram tudo com Payton, então a fórmula não é segredo; se o jeito de jogar do ano passado se manter e os resultados também, New Orleans terá um candidato a treinador do ano.

4. Doug Marrone, Jacksonville Jaguars

Marrone talvez esteja uma posição abaixo do que deveria nessa lista, mas teremos a resposta para isso na temporada que se avizinha. Foi um excelente primeiro ano em Jacksonville, suficiente para apagar a péssima imagem deixada pela saída repentina e sem qualquer explicação de Buffalo em 2014 – ele deixou os Bills depois da primeira temporada vitoriosa em 10 anos na véspera do ano novo.

O treinador impôs uma mudança geral na cultura em Jacksonville e isso se traduziu numa temporada onde os Jaguars quase destronaram os Patriots na AFC mesmo com o tão contestado Blake Bortles comandando o time. A proposta de Marrone foi clara desde sua promoção: deixar a equipe mais física, ganhando os jogos com um jogo terrestre imponente e uma linha ofensiva mais forte e pesada. Vários treinadores moldam seus elencos visando um estilo de jogo específico; Doug merece crédito por obter resultado fazendo isso.

3. Mike Zimmer, Minnesota Vikings

O desenvolvimento dos Vikings nos quatro anos de Mike Zimmer no comando do time é muito difícil de ser replicado. O time se tornou a maior ameaça para os Packers na NFC North, desenvolveu muito bem o potencial dos jogadores draftados desde 2014 e ficou a apenas um jogo de voltar ao Super Bowl depois de 41 anos.

O mais impressionante em todo o trabalho de Zimmer, contudo, é o quão bem o time atuou mesmo sem estabilidade na principal posição do jogo: o treinador contou com Teddy Bridgewater, que estava ainda em desenvolvimento após chegar à liga profissional, em 2014 e 2015; Sam Bradford foi o titular por todo o ano de 2016 depois de uma grave lesão de Bridgewater, e os Vikings de 2017 tiveram de contar com Case Keenum por toda a temporada, mesmo que a expectativa fosse do jogador como o terceiro quarterback no elenco. Muito da mensagem que Zimmer procura passar para o elenco de Minnesota é “sem desculpas”, e as dificuldades com um passador mostram isso.

2. Bill Belichick, New England Patriots

Partilho da opinião de que Bill Belichick é o melhor treinador da história. O sucesso que ele manteve nos últimos quase vinte anos em New England é bastante difícil de replicar, e os cinco títulos de Super Bowl (e mais três participações sem sucesso) são a melhor prova do quão triunfal é a estadia de Belichick em Foxborough desde 2000.

Duas são então as razões pela qual ele não lidera essa lista: a primeira é que o líder dela acabou de vencê-lo no Super Bowl da forma que Belichick se especializou em bater seus adversários: com execução perfeita e com uma dose de sucesso nas trick plays; a segunda é que a offseason em New England tem sido muito mais tumultuada do que o normal, principalmente com relação a um possível incômodo dentre Belichick e seu principal companheiro ao longo das últimas duas décadas, Tom Brady. No fim das contas, os Patriots sabem manter o foco dentro de campo e deixar as distrações serem apenas distrações. Mas Belichick não é o líder aqui.


1. Doug Pederson, Philadelphia Eagles

Em dois anos, Pederson foi de “o treinador menos qualificado da história da liga” para o atual treinador vencedor do Super Bowl, batendo o maior vencedor da história na final. Os Eagles são um excelente caso de análise desde que Doug assumiu o time: a mudança na cultura da equipe, tão contestada durante a passagem de Chip Kelly, prova que os jogadores podem ser ativos politicamente ao mesmo tempo em que demonstram altíssimo nível dentro de campo.

Pederson é uma mente ofensiva brilhante, capaz de estar sempre um passo a frente mesmo contra as melhores cabeças defensivas da liga – Zimmer e Belichick que o digam. Ele se mostrou capaz de adaptar o modo dos Eagles de jogarem mesmo quando o time perdeu três de seus grandes jogadores ao longo da última temporada, se mostrando aberto a trick plays e a uma fundação ofensiva provinda do College que foi essencial para o primeiro Super Bowl da organização. Os jogadores o amam e ele adquiriu cada vez mais o respeito do front office: se nas primeiras etapas do trabalho Pederson parecia alheio as tomadas de decisão importante, é agora evidente o quanto Howie Roseman, general manager da franquia, respeita a opinião de Doug nas tomadas de decisão.

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