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Gastar muito na Free Agency é a solução para os problemas dos Giants?

Gastar muito na Free Agency é a solução para os problemas dos Giants?

Se você acompanhou a temporada passada da NFL com um pouco mais de atenção você provavelmente sabe do desempenho defensivo terrível dos Giants. Pensando em números, podemos dizer, por exemplo, que em 2015 a equipe foi a pior da liga no quesito jardas cedidas por partida (420,3) e a terceira pior em pontos cedidos (442).

Ironicamente nada disso custou o emprego do coordenador defensivo Steve Spagnuolo, mas mesmo assim o sentimento geral entre a diretoria e os torcedores da franquia era que algo radical precisava ser feito o mais rápido possível, até porque defesas fortes costumavam ser uma marca dos Giants – basta lembrarmos de Lawrence Taylor ou então da linha defensiva que amassou Tom Brady em 2007.

Após esta breve contextualização, fica um pouco mais fácil de compreender o que aconteceu na última quarta-feira, data de abertura da Free Agency. Jerry Reese, general manager do time, decidiu tentar resolver o problema de uma vez por todas – literalmente custando o que custar. Em apenas um dia, New York gastou a bagatela de 204 milhões de dólares com os contratos de quatro jogadores defensivos: Jason Pierre-Paul (contrato de um ano e 10,5 milhões de dólares), Janoris Jenkins (cinco anos e 62,5 milhões), Damon Harrison (cinco anos e 46,25 milhões de dólares) e Olivier Vernon (cinco anos e 85 milhões de dólares).

Por que os Giants gastaram tanto? Estes atletas valem tudo isso?

A resposta mais simples e óbvia para a primeira pergunta é: eles tinham dinheiro de sobra para gastar neste momento e muitos buracos na defesa. Os Giants eram uma das franquias com mais espaço livre no salary cap, logo era natural que eles fossem às compras na Free Agency. As chegadas de um defensive end (Vernon), um cornerback (Jenkins) e um defensive tackle (Harrison), além da renovação com Pierre-Paul, fazem todo o sentido do mundo se pensarmos nas necessidades do time.

O único asterisco em tudo isso foi o valor desembolsado, pois New York evidentemente pagou um preço inflacionado demais por estes atletas – a exceção foi Pierre-Paul, o qual pode até ser considerado uma barganha. Vernon é um pass rusher jovem e indiscutivelmente talentoso, porém seu contrato astronômico terá uma média anual de salário maior do que J.J. Watt (17 milhões contra 16,6 milhões). Jenkins era talvez o melhor cornerback disponível no mercado, entretanto no momento ele não merecia ser o segundo mais bem pago da NFL em sua posição, ficando atrás apenas de Darrelle Revis – obviamente Jenkins não se ajudou ao afirmar na quinta-feira que a sua meta para 2016 é deixar de ser preguiçoso no final dos jogos. Até mesmo o vínculo de Harrison foi considerado um pouco exagerado por conta de sua quantia garantida (24 milhões).

Podemos citar pelo menos dois motivos para toda esta ostentação. O primeiro deles é a ânsia dos Giants em assegurar que seus alvos principais não fossem para outro lugar – Vernon, por exemplo, foi disputado com os Jaguars. Ao oferecer contratos tão valiosos fica claro que a equipe não entrou nestas negociações pensando em perder.

Já o segundo motivo pode ser explicado pela lei da oferta e procura. Em 2016 o número de franquias com bastante espaço no salary cap é um pouco acima do normal, ou seja, há uma maior disposição para se gastar dinheiro. Isto evidentemente inflaciona os jogadores, sobretudo os mais disputados. Exemplos não faltam: o acordo de quatro anos e 72 milhões dos Texans com Brock Osweiler, ou mesmo os 90 milhões dados pelos Jaguars a Malik Jackson por seis anos de vínculo.

Confira aqui a cobertura completa do Mercado Livre 2016 da NFL

Mas enfim, os problemas foram solucionados ou não?

Apesar dos valores assustadores, a sensação é de que os Giants fizeram certo ao abrir a carteira para contratar três dos melhores free agents disponíveis. A equipe precisava desesperadamente adicionar talento à sua fraca defesa e foi isso o que ela fez. Com quase 48 milhões de dólares livres na folha salarial, New York pôde se dar ao luxo de pagar um pouco a mais para ficar com os atletas que queria.

Mas, finalmente respondendo a pergunta que dá título a este texto, isso ainda está longe de resolver todos os problemas. Antes de mais nada devemos lembrar que, como já foi dito aqui, a Free Agency serve para buscar peças pontuais e não montar um time. As chegadas de Vernon, Jenkins e Harrison com certeza são um upgrade, porém não são uma solução definitiva – ainda mais para a pior defesa da NFL de 2015. Não existem milagres; a construção de uma equipe sólida passa belo bom trabalho nos Drafts e não ocorre de uma hora para outra. O triste exemplo dos Dolphins está sempre nos lembrando disso.

Ademais, os Giants ainda possuem muitos buracos em seu elenco e precisam de reforços em várias posições: um offensive lineman, um safety, linebackers – a equipe já se movimentou neste sentido assinando com Keenan Robinson na quinta-feira -, um kicker e talvez até mesmo um wide receiver – confiar na saúde de Victor Cruz é um tiro no escuro.

As contratações de quarta-feira fizeram bastante barulho e significaram um importante passo na tentativa dos Giants de arrumar a casa, contudo é um exagero afirmar, por exemplo, que o time mudou de patamar e instantaneamente se tornou um postulante ao Super Bowl. A reforçada linha defensiva, no papel, tem chances de ser uma das mais temidas da NFL, mas ainda sim devemos esperar para ver como as novas peças se encaixarão.

Resta saber se os torcedores e a mídia “corneta” de New York terão paciência para entender tudo isso ou se a cobrança por grandes resultados será imediata.

Pós-graduando em jornalismo esportivo, apaixonado tanto pela bola redonda quanto oval, escreve sobre futebol americano desde 2015, quando o ProFootball ainda se chamava The Concussion. Ao todo, conta com mais de 300 textos publicados sobre NFL e college football.

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