“RODAPE"
Debate

Debate: Joe Flacco é um quarterback de elite?

Ele ganhou um Super Bowl e cresce nos playoffs. Na temporada regular, contudo, tem atuações parecidas com as de Eli Manning – isto é, inconstantes. Mas se você perguntar para um torcedor do Baltimore Ravens, dificilmente ele irá dizer que quer outro quarterback comandando sua equipe.

Com argumentos dos dois lados, resta saber: Joe Flacco é um quarterback de elite? Para (tentar) responder a essa pergunta, novamente nos valemos da coluna Debate, a qual semanalmente foca em colocar os leitores dentro do site como redatores.

A coluna “Debate” é um exemplo de uma das metas do nosso programa de sócios do site: veja aqui como você pode nos ajudar a ter ainda mais conteúdo de alta qualidade no ProFootball

Um redator do ProFootball argumenta algo – tese – sobre um dado assunto. Há leitores que pensam diferente e mostram através de seus argumentos – antítese. Você, lendo os dois lados, decide para si qual a conclusão e faz sua síntese.

Nesta semana, então, a pergunta é simples: Joe Flacco é um quarterback de Elite?

Antes de arbitrar se Joe Flacco integra o seleto grupo de quarterbacks de elite, uma coisa é fundamental: definir o que seria “elite”. Há quem diga que é aquele signal caller que passa para dezenas de touchdowns e milhares de jardas; há quem defenda que o que conta são as atuações nos jogos de playoffs, e há aqueles que acreditam que o número de Super Bowls qualificam certos quarterbacks para esse grupo.

Para a discussão em tela, vamos definir um quarterback de elite da seguinte maneira: aquele que de consegue ter bons números na temporada regular, de forma consistente; um jogador no qual a equipe pode confiar para se manter na disputa pela pós-temporada mesmo com falhas em outros setores do time, que consegue ser o ponto de equilíbrio do elenco, despontando nas adversidades e brilhando em situações favoráveis e desfavoráveis, seja na temporada regular ou pós-temporada.

Vamos lá então?

Joe Flacco é um quarterback de elite

Por Luis Paulo Valois, leitor do ProFootball

Top 10 entre os quarterbacks da NFL. No mínimo. Realmente, analisando friamente, seus números em temporada regular não são absurdos como dos gênios considerados “elite quarterbacks“. Mas já diria o sábio: “Nunca subestime o coração de um campeão!”.

Flacco já provou ser um quarterbacks sólido e que cresce nos momentos críticos (secundária do Broncos que o diga). Foi o primeiro quarterback calouro a conseguir duas vitórias fora de casa em Playoffs, primeiro quarterback a ganhar pelo menos um jogo de Playoffs em cada um dos seus 5 primeiros anos na liga, fora os números surreais que teve na pós-temporada que culminou no segundo Super Bowl do Ravens (inclusive sendo MVP do jogo)…

Muitos argumentam que ele precisou da tradicional e temida defesa de Baltimore pra tanto sucesso. Bom, aqui é um Raven que vos fala e, garanto: ele já salvou muito a nossa pele. Com atuações que corria gelo nas veias e crescendo de produção quando separam-se os homens dos meninos, os elites dos não-elites. Se ele se encaixa nessa grife, na verdade pouco me importa. Contanto que continue vencendo. E isso ele sabe fazer como pouquíssimos.

Por Peu Moraes, leitor do ProFootball

Claro que sim! O sistema de jogo do ataque dos Ravens sempre foi montado no power running, e por conta disso seus números nunca foram lá grande coisa (comparado aos tops: Manning, Brady, Rodgers, Brees) na temporada regular. Porém desde que entrou na liga, ele é o quarterback que tem mais vitórias em playoffs e é o que mais ganhou jogos fora de casa nos playoffs na história da NFL. Ele é clutch nas horas que importam, apesar de não ter stats tão altos na temporada regular.

Por Caíque Pacheco, leitor do ProFootball

Pra mim ele é sim um quarterback de elite por muitos motivos. Ele além de ganhar um Super Bowl contra um adversário que era amplamente favorito, conseguiu fazer os Ravens bater de frente com a maioria das maiores franquias atuais. Fez os Patriots se tornarem fregueses na própria casa e inúmeros outros.

A diferença é que ele depende mais do time, que nos ultimos anos perdeu peças importantíssimas e não repôs a altura. Se pararmos pra analisar ele é no mesmo nível do Brady, a diferença é que os Patriots têm um elenco muito melhor, mas se Baltimore hoje representa perigo a alguem e chegou/chega aos playoffs é graças a sua genialidade

Por Natanael Duarte Neto, sócio do ProFootball – veja aqui como se tornar um e ter lugar cativo nesta coluna

Flacco foi escolhido na primeira rodada do Draft de 2008. Na sua temporada de estreia, ele tornou-se o primeiro quarterback novato a conquistar duas vitórias fora de casa nos playoffs. Além disso, foram 11 vitórias na sua primeira temporada regular. Nas temporadas seguintes, Flacco bateu alguns recordes da franquia: passes completos (63,1%), rating (88,9), touchdowns aéreos (161) e jardas aéreas (25.531).

Com Flacco, os Ravens conquistaram dois títulos divisionais (2011 e 2012) e o Super Bowl em 3/2/2013. Ele se destaca nos momentos decisivos da temporada. São 10 vitórias em 15 jogos de pós-temporada. Ele detém o recorde de mais vitórias fora de casa nos Playoffs (7). Flacco é um quarterback de elite, pois tem um desempenho consistente e acima da média na NFL. Ele pode não ser um quarterback capaz de fazer jogadas extraordinárias, mas não tem tantos altos e baixos como alguns quarterbacks talentosos da NFL. Com wide receivers saudáveis, Flacco já provou que ele tem condições de liderar sua equipe até o Super Bowl. O seu braço forte é uma arma potente no jogo de passe. Com um quarterback consistente e que comete poucos erros como Flacco, uma equipe tem muito mais chance de ser campeão.

Screen Shot 2016-05-20 at 11.29.17 AM

Joe Flacco não é um quarterback de elite

Por Gabriel Andrade Costa, sócio do ProFootball – veja aqui como se tornar um e ter lugar cativo nesta coluna

Joe Flacco é um bom quarterback e demonstrou isso quando foi campeão do Super Bowl na temporada 2012/2013. E sabemos que não basta ser um bom quarterback se não tiver um bom time com bons recebedores e linha ofensiva boa. Mas os números através do tempo demonstram que o Joe Flacco é um jogador irregular o que não permite colocar ele como um jogador de Elite.

Quando falamos em quarterbacks de elite, alguns nomes surgem à mente de imediato: Drew Brees, Tom Brady, Aaron Rodgers, o recém-aposentado Peyton Manning. Outros nomes são sempre objeto de discussão pelos fãs e analistas: Philip Rivers, Eli Manning, Russell Wilson, e, claro, Joe Flacco. O quarterback do Baltimore Ravens sempre surge nas discussões acerca de seu status, e se ele deve integrar esse seleto grupo de signal callers. Posto isso, vamos aos argumentos que afastam o camisa 5 de nomes como Brady, Brees e Rodgers.

Por Eduardo Miceli, Redator do ProFootball

Números pouco expressivos na temporada regular

Uma das formas mais objetivas para observarmos se o desempenho de um quarterback pode ser considerado de elite é sua perfomance na temporada regular. Normalmente, o jogador de ponta é produtivo durante os dezesseis jogos de setembro a dezembro, anotando touchdowns e servindo de norte para o ataque da franquia. Para exemplificar, desde que chegou ao New Orleans Saints em 2006, Drew Brees nunca passou para menos de 4.418 jardas – sua pior marca na franquia da NFC South, justamente no seu primeiro ano sob a batuta de Sean Payton. São 348 touchdowns em dez temporadas, uma média de 34.8 por ano, e uma média de 67.8% dos passes completados como quarterback do New Orleans Saints.

O que deve ser observado nestes dados é: independentemente do seu elenco de apoio, Drew Brees manteve uma alta produtividade. Nessas dez temporadas, a equipe conquistou o Super Bowl e teve a pior defesa da história da liga no quesito de jardas cedidas; recebedores, running backs, defensores chegaram e partiram, mas o camisa 9 se manteve produtivo. Não importa o que cerca o quarterback: ele mantém um alto nível.

Se analisarmos as temporadas de Joe Flacco como quarterback do Baltimore Ravens, os números durante a temporada regular não saltam aos olhos. Se contarmos as temporadas completas do camisa 5 pela franquia da AFC North – ou seja, todas até 2015 – o jogador jamais integrou o top 10 da NFL em uma temporada em jardas passadas, e ocupou o décimo lugar em número de touchdowns na temporada apenas uma vez, em 2010, empatado com Josh Freeman.

Ademais, em nenhuma temporada o jogador ultrapassou a marca de 30 touchdowns, um feito comum para quarterbacks considerados de elite. Tom Brady deixou de anotar essa marca em apenas uma temporada desde 2010; Aaron Rodgers, com o mesmo número de temporadas como titular do Green Bay Packers que Flacco no Baltimore Ravens, não o fez em três anos, sendo que num deles se ausentou por sete partidas; Peyton Manning não quebrou a marca em oito das dezessete temporadas na NFL nas quais jogou, incluindo a de 2015, que fãs e analistas acordam que foi catastrófica para o lendário camisa 18.

Importante mencionar que o jogador sempre teve o apoio de um forte jogo corrido. Em suas sete temporadas nas quais completou as dezesseis partidas, Joe Flacco teve um companheiro com pelo menos 1.000 jardas terrestres em cinco delas. Esse argumento seria favorável ao camisa 5: com a ênfase no jogo corrido, o volume do jogo aéreo seria menor, levando a números menos expressivos no jogo aéreo. Entretanto, nas temporadas nas quais não contou com a mesma força pelas trincheiras, os números foram piores que a média: 19 touchdowns e 22 interceptações em 2013, e 14 touchdowns e 12 interceptações em 2008 – sua temporada de calouro, verdade seja dita.

Mesmo em 2015, antes da sua lesão, Joe Flacco não demonstrava um desempenho topo de linha: em dez jogos, foram 14 touchdowns e 12 interceptações. O jogador ainda tem temporadas pela frente para se mostrar o verdadeiro pilar por trás da franquia da AFC North, mas os números que o jogador conquistou desde 2008 não o qualificam no seleto rol de quarterbacks de elite, especialmente se os compararmos com as mesmas estatísticas dos signal callers de ponta.

Uma brilhante pós-temporada em 2012 – e só

Nas suas oito temporadas na NFL, Joe Flacco foi para a pós-temporada em seis oportunidades – um excepcional aproveitamento de 75%. Apoiado por um jogo corrido forte e defesas de ponta, o camisa 5 despontou em apenas uma oportunidade: na campanha que resultou na conquista do Super Bowl na temporada de 2012/2013.

Em quatro partidas, Joe Flacco demonstrou um brilhantismo na posição até então não visto no ex-jogador de Delaware. Foram 1.140 jardas, 11 touchdowns e nenhuma interceptação. O jogador levou nos ombros o ataque do Baltimore Ravens aos seu segundo Super Bowl, conquistando seu primeiro anel na despedida do lendário linebacker Ray Lewis dos gramados. A performance de Flacco naquela pós-temporada marcou os fãs da liga, e as discussões sobre o status de elite do jogador devem muito àquelas quatro partidas. Entretanto, este desempenho é uma miragem: na temporada regular seguinte, o jogador teve seu pior desempenho desde sua temporada de calouro.

Posto isso, a perfomance do quarterback nas outras vezes que alcançou a pós-temporada foi mediana: 14 touchdowns, 1o intecerptações, seis vitórias e cinco derrotas. O ponto é: o conjunto da obra de Joe Flacco nos playoffs não o alça ao patamar de quarterback de elite; com exceção da temporada de 2012, o jogador jamais demonstrou um desempenho acima da média, sendo apenas uma engrenagem num sistema de jogo, contribuindo pouco para o avanço de sua equipe.

O mito do braço forte

Um dos argumentos sobre a qualidade acima da média de Joe Flacco é a força de seu braço. Indubitavelmente, o jogador conta com um potente braço direito, mas aí já mora o contraponto desse viés argumentativo: elogiar um quarterback pela força do seu passe diz muito sobre os outros atributos. Quando descrevemos Aaron Rodgers, por exemplo, mencionamos sua leitura antes do snap, a precisão dos seus passes, as janelas apertadas nas quais o camisa 12 coloca a bola; elogiamos a mobilidade de jogador e capacidade de improviso. Em momento algum mencionamos a força do seu braço como aquilo que o alça como um quarterback topo de linha, mas as duas hail maries lançadas ano passado contra Detroit Lions e Arizona Cardinals não deixam dúvida de que Rodgers conta com um braço pra lá de forte.

O braço forte por si só não eleva a qualidade de um jogador; ela é um complemento aos outros atributos que, aliados à potência do braço, tornam o quarterback um jogador completo. Ser capaz de lançar a bola 80 jardas no ar por si só não demonstra a real capacidade do quarterback. JaMarcus Russell, considerado por muitos o maior bust da história da NFL, era capaz de lançar a bola para fora do estádio. Entretanto, falhou miseravelmente no nível profissional, pois lhe faltava as qualidades de leitura, precisão e mobilidade necessárias para triunfar como signal caller do Oakland Raiders. Na mesma linha, Colin Kaepernick conta com um braço muito forte, mas não adianta lançar um torpedo no peito do recebedor num slant impossível de ser recepcionada.

O braço de Joe Flacco é, de fato, muito forte. Todavia, argumentar que isso o coloca no patamar de Drew Brees, Aaron Rodgers e Tom Brady depõe contra o camisa 5, uma vez que os outros atributos do jogador não seriam sólidos o suficiente para compará-lo aos considerados signal callers de elite.

A arte do pass interference

Ninguém na liga é mais hábil em atrair a falta de pass interferente do que Joe Flacco. Em suas temporadas completas na NFL, isto é, até 2015, o camisa 5 conseguiu 78 interferências, o maior número na liga desde 2008. O denominador comum dessas faltas é um só: o passe atrás do recebedor. Nestas situações, a bola fica um pouco atrás do recebedor, e o defensor não consegue ajustar o seu corpo sem interferir com o wide receiver.

Para ilustrar, na temporada de 2015, das 15 faltas de interferência marcadas a favor do Baltimore Ravens, 11 delas vieram em passes de mais de 15 jardas. O crucial destes dados é que estas faltas resultam em pontos. O Baltimore Ravens, em 2015, conquistaram 315 jardas em faltas, e anotaram 56 pontos após aceitar uma defensive pass interference. Essa estatística muitas vezes maquia a capacidade do quarterback em conduzir seu ataque de forma eficiente – há uma ilusão de progresso dentro do campo pelo alto número de interferências defensivas. A marcha da equipe seria mais lenta, menos eficiente, e, considerando o alto número de pontos anotados após essas faltas, inflam os números do quarterback do Baltimore Ravens.

E você, qual sua conclusão? Conta para a gente nos comentários!

Clique para comentar
Topo