Primeira Leitura: Arian Foster e running backs: de protagonistas a coadjuvantes – Pro Football: NFL | Brasil | College | Futebol Americano
Primeira Leitura

Primeira Leitura: Arian Foster e running backs: de protagonistas a coadjuvantes

Dez entre dez donos de times de fantasy football ao início desta década diriam sim à seguinte proposição: Você gastaria uma escolha de primeira rodada em Arian Foster? Hoje, esses mesmos dez diriam não à mesma pergunta. E apenas quatro anos se passaram. Quatro anos atrás, você gostaria de ter Tom Brady, Aaron Rodgers e Drew Brees no seu time. Hoje, idem. Por que com running backs a coisa é tão diferente?

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A queda de produtividade de Foster – muito por conta das lesões – não é algo novo e está longe de sê-lo. Para início de conversa, ele é um running back sistêmico, de tipo “one-cut” – ou seja, ele faz um corte ao longo da corrida para procurar um buraco e explodir rumo à linha de primeira descida. Running backs assim precisam de linhas ofensivas ágeis em sua frente e bloqueando em zone blocking, conforme o João Henrique explicou de forma magistral neste texto. Com efeito, Foster não vai dar certo em qualquer ambiente.


Ademais, um outro motivo que explica essa queda de produtividade é que os one cut precisam ser rápidos e ágeis. Na medida em que os jogadores vão envelhecendo, por óbvio, eles perdem essa explosão física que lhe eram tão comuns aos 20, 22 anos. Esses dois fatores – sistema e idade – fazem com que caras como Arian Foster dificilmente tenham uma temporada ótima depois dos 30 anos. Os Dolphins resolveram apostar.

Não dá para culpar. Pelo contrário, acredito que tenha sido uma movimentação boa se lembrarmos os moldes pelo qual o contrato, de um ano, foi feito. O seu valor máximo é de 3,5 milhões de dólares, com valor base de 1,5 milhões. Mesmo no valor máximo, com os incentivos, ainda é pouco risco e de certa forma teto alto caso ele jogue 70% do que jogou anos atrás.

Ainda não sabemos como ele será usado, mas a suspeita e a lógica é que sejam carregadas/toques/snaps divididos com Jay Ajayi e eventualmente Kenyan Drake. A lógica assim decorre porque Ajayi é inexperiente e tem histórico de lesão, então os Dolphins precisariam fazer “o monstro sair da jaula” aos poucos. E em contra-partida, porque Arian tem ainda mais histórico de lesão. Dividir carregadas entre os dois com o tempero de Drake é o melhor caminho e provavelmente a saída pela qual Clyde Christensen, coordenador ofensivo, e Adam Gase, técnico principal, tomarão.

Por que com running backs a coisa é tão diferente, então? Os exemplos são muitos. Além de Arian Foster coadjuvante em 2016, tivemos LaDainian Tomlinson na mesma situação pelos Jets no início da década, Frank Gore atualmente pelos Colts e a lista vai longe. O motivo até que é simples. Praticamente nenhuma posição é tão exigente em termos de agilidade como a de running back. Idem quanto à necessidade de estar saudável para desempenhar o máximo de eficiência. E o problema é que a cada snap que passa, mais desgastado um running back fica, mais lesionado e menos eficiente. Como catalisador desse processo, o fato de que a liga está cada vez mais voltada para o jogo aéreo. É triste dizer isso, mas dificilmente veremos um time sendo carregado para o Super Bowl ou mesmo para os playoffs apenas com um ótimo running back e um quarterback inepto ao seu lado.

O começo do fim do kickoff

Diversas tendências vem do College Football para a NFL. De certa forma, a NFL veio do College Football em 1920. Não obstante, os próprios jogadores vem do College através do Draft, como a essa altura meu leitor mais antigo com certeza deve saber.


Agora pode ser a hora da NCAA tomar a frente em termos de segurança dos jogadores – algo que, embora esteja sendo aos poucos endereçado pela NFL, foi uma mancha negra nos dez primeiros anos de Roger Goodell como comissário da liga. Explico: começaram conversas sobre excluir o kickoff a partir da temporada 2018 do College Football em sua Division I (FBS/FCS).

“Não acredito que haja qualquer dúvida que esta seja a jogada mais perigosa do esporte”, disse nesta semana o comissário da conferência Big XII, Bob Bowlsby. De fato o é. Proporcionalmente falando, o kickoff é a jogada na qual ocorrem mais concussões no futebol americano. Retirar a jogada do jogo é, diretamente, diminuir o risco de concussões – a qual é o grande problemática que o esporte terá de enfrentar nas próximas décadas por conta da CTE (encefalopatia traumática crônica).

Não foi a primeira vez na qual medidas foram tomadas para, de modo lento e gradual, apagar o kickoff da mente das pessoas. Em 2012, o chute saiu da linha de 30 para a linha de 35 jardas. Como consequência óbvia, mais touchbacks e menos retornos – muitas vezes fazia mais sentido o retornador ajoelhar para começar na linha de vinte jardas ao invés de tentar um esforço para chegar na linha de 22yd. A NFL fez o mesmo e, a princípio, muitos reclamaram. No contexto da luta contra as concussões, é o ideal, por mais que a conversa de que o mundo está politicamente correto venha a aparecer. No primeiro mês da temporada 2012 do College, houve a mesma quantidade de touchbacks se comparado a toda a temporada de 2011.

Ainda é apenas o início das conversas, mas só delas terem começado, já é um grande indício de que mudanças podem acontecer antes do que muitos acreditam. Há um tempo atrás, disse no nosso podcast que entre 2020 e 2025 o kickoff pode ser completamente abolido da NFL. Substituto? Bom, um time pode começar sempre na linha de 25 yds ou optar por retornar um punt (free kick). O onside kick poderia ser mantido, claro. O grande ponto é tentar, a todo custo, diminuir as concussões.

Pensamento aleatório da semana

Nosso podcast desta semana

Duas perguntas e duas afirmações

Esta é a última Primeira Leitura de intertemporada. A partir de semana que vem já teremos os calouros se apresentando aos times para os training camps e teremos, finalmente, mais pautas. Além disso, a semana que vem será a última da coluna Blackboard até voltarmos na intertemporada que vem. Então aproveitem!

goodell

Tivemos ao final do Super Bowl 50 o fim da décima temporada de Roger Goodell como comissário da NFL. Seria ele o pior de todos desde a fundação da liga em 1920? Provavelmente. O único trunfo positivo desse período (se pensarmos em termos de fãs), foi não ter havido greve antes da temporada 2011. Mas se pensarmos nos pontos negativos, são vários. A greve dos árbitros (que gerou situações bizarras, como o erro no Monday Night Football entre Seattle Seahawks e Green Bay Packers), como a situação com Ray Rice foi administrada pela liga, o DeflateGate…


Um comissário não tem de ser o centro das atenções e gerar histórias, o papel dele é encerrar histórias. Pete Rozelle tinha isso como baluarte – até por ter sido PR dos Rams antes de ser comissário. É ser escudo da liga. Na última década, por diversas vezes você viu Goodell ser protagonistas de histórias para a imprensa ao invés de ser um bombeiro para apagar incêndios.

Mas sabe por que os donos não pensam em tirar Goodell? Porque os lucros da liga continuam astronômicos e crescendo a cada ano que passa. O próximo desafio de Goodell será o novo contrato de TV com as emissoras americanas e, eventualmente, com a internet. O Twitter transmitindo jogos de quinta a noite a partir desta temporada será um paradigma interessante. Olho nisso, porque pode nos afetar no Brasil também.

Hello, Goodbye

Não, eu não sou machista, Ghostbusters é um filme ruim e ponto. Até porque o original só com homens também o é – cuja crítica do público, graças à nostalgia, é distorcida. No último domingo fui com minha namorada ao cinema e, bem, Procurando Dory iria passar tarde. Tivemos que nos contentar com Ghostbusters (Caça-Fantasmas, no título em português).

Sabe aquele sentimento de “bobo”/”silly” quando você assiste a um filme? É o que senti assistindo ao longa. Talvez a premissa, nos anos 1980, faça mais sentido do que hoje. Qualquer pessoa que tenha qualquer admiração pela ciência e pelo método científico não consegue se encantar muito. Ué, mas você não sabia que seria tosco por não gostar do original?

É, mas premissas são atualizadas com um quê de “realismo” quando ocorrem reboots de filmes dos anos 1980 para os anos 2000/2010. Tome como exemplo o Batman de Burton (1989) e o Begins de Nolan (2005). A premissa parecia tola, mas foi repaginada para ficar mais crível no século XXI. Esperava o mesmo de Ghostbusters, de longe isso não foi o que aconteceu.

O problema do filme, como uma crítica de fato machista diria, está longe de ser o fato dele ser protagonizado por quatro mulheres e ter um homem num papel de objeto (tal qual Megan Fox tantas vezes o foi, como no igualmente fraco Transformers). Acho isso ótimo, de verdade. O ponto é que acabou sendo um “cartucho” jogado fora por conta do roteiro fraco. Fosse um filme com quatro mulheres protagonistas e roteiro sólido, isso seria um paradigma positivo para que outros assim fossem feitos e houvesse, de fato, um senso de igualdade quanto ao protagonismo entre os gêneros em Hollywood. Com um filme fraco, só acaba dando lastro a críticas estúpidas do tipo “ai, colocaram quatro mina olha como ficou ruim”.

Para você que ainda não viu o filme, spoilers ahead: há diversas falhas de coesão e coerência no enredo. Quando você constrói uma história de ficção, deve haver motivação nas atitudes dos personagens. Por todo o longa, é o que deixa de acontecer.

Erin e Abby (Kristen Wiig e Melissa McCarthy, respectivamente) estavam brigadas por conta de rumos diferentes que suas carreiras tomaram após o fim do ensino médio. Ambas são demitidas e não parecem tão chateadas assim como qualquer pessoa após anos de carreira acadêmica estaria. O que incomoda bastante, também, é o fato da amizade delas ter sido reatada praticamente sem mágoas e ao longo do filme é como se a briga que as separou por anos sequer tivesse acontecido. Como sabemos, não é assim que as coisas acontecem na vida real.

Quando Patty (Leslie Jones) se junta ao grupo, também não é dada tanta explicação do porquê ela ter abandonado o emprego no metrô. Não há qualquer profundidade nas/nos personagens – o qual é o mesmo problema do original, aliás. O que é uma pena, porque tanto Leslie quanto Kate McKinnon (a quarta do grupo) têm ótimas atuações que até carregam o filme nas costas. Resumindo tudo, o problema principal é que o longa se perde múltiplas vezes no que diz respeito à construção do enredo. Os primeiros 15 minutos são gastos na história de uma casa amaldiçoada e de uma fantasma que… Bem, não são mencionados na segunda metade do roteiro. A solução do problema acaba sendo “a fantasma fugiu”. E é isso. Toda uma construção da origem dessa personagem se perde – dá a entender que ela seria a antítese das protagonistas, a vilã. Longe disso.

Talvez o principal problema do filme seja a ausência de um vilão concreto. São vários e aquele que, teoricamente deveria ser o principal, muda de “aparência” no decorrer do longa – talvez um meio de colocar Chris Hemsworth em mais cenas? – e não dá para criar identidade para com ele. Menos ainda, entender seus motivos – algo que é essencial para torcer contra ou a favor de um determinado vilão (recurso de roteiro essencial num filme realmente bacana).

Enfim: é uma chance jogada fora. Poderia ser, como disse, um paradigma para que outros longas fossem produzidos com mulheres sendo protagonistas. Tal papel pode ser preenchido por Wonder Woman (2017, com Gal Gadot) no meio dos blockbusters. Honestamente, torço para que seja o que aconteça.

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