Primeira Leitura: Os Melhores Quarterbacks contra a 3ª descida, a blitz, a pressão, a divisão e outras estatísticas avançadas – Pro Football: NFL | Brasil | College | Futebol Americano
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Primeira Leitura: Os Melhores Quarterbacks contra a 3ª descida, a blitz, a pressão, a divisão e outras estatísticas avançadas

Parece título de filme de agente secreto. “007 contra a Blitz” seria um título plenamente plausível. Mas não é. Nesta semana em Primeira Leitura vamos praticamente encerrar os trabalhos dos rankings que fizemos ao longo da intertemporada – até porque domingo temos o início dos jogos amistosos de pré-temporada com o Hall of Fame Game. Falamos sobre os 15 melhores jogadores da NFL em 2015, os 5 favoritos para o Super Bowl, as 5 melhores linhas ofensivas, os 10 jogadores mais decisivos e mais um monte desses rankings. Inclusive os dez melhores quarterbacks na temporada passada.


Então se já ranqueamos os melhores quarterbacks, por que fazer mais um ranking? Ou melhor, por que fazer mais uma tonelada de rankings aqui? Simples: porque amo estatísticas avançadas. O beisebol é bastante carregado delas e infelizmente tais estatísticas não aparecem no futebol americano com tanta frequência. Temos uma tonelada de jardas, pontos e etc: mas raramente é falado como um quarterback se porta contra a blitz. Como ele se porta quando precisa de uma conversão de terceira descida. Ou então como ele joga contra a divisão. É dito que Andy Dalton vai mal em jogos divisionais, por exemplo. Será mesmo?

Pensando na preparação final para a temporada 2016, esta coluna hoje tem como foco essas estatísticas avançadas para os quarterbacks. Quais separei? A primeira delas é extremamente importante no cenário atual. O Denver Broncos chegou ao Super Bowl tendo como fio condutor de sua campanha o pass rush contra os quarterbacks adversários. A unidade defensiva passou por cima de Tom Brady e Cam Newton – discutivelmente dois dos melhores signal callers na temporada passada – para levantar o Vince Lombardi Trophy.

A primeira estatística que separei é o sucesso dos quarterbacks especificamente em situações nas quais ele está pressionado (under duress, em inglês). Depois, fui para outro ponto: em situações nas quais o quarterback vê que o box está lotado e uma blitz vem – seja blitz a situação na qual a defesa manda pelo menos cinco homens para cima do quarterback. Em terceiro, separei o sucesso dos under center especificamente em jogos divisionais. São 6 deles por ano e vitórias/derrotas nesses jogos são essenciais para o rumo da temporada, dado que são “jogos de seis pontos” entre adversários que se conhecem muito. Após, o sucesso nas terceiras descidas. Não quaisquer terceiras descidas, mas aquelas de situação óbvia de passe (+ 6 yds). Para terminar, uma das estatísticas que julgo mais importante: como um time se porta na red zone (as 20 jardas finais do campo). O espaço para os passes é menor (o que favorece a defesa) e o quarterback precisa ser eficiente e sair dali com pontuação. Mais do que “vencer a batalha dos turnovers” ou quaisquer outros clichês, esta é uma estatística que julgo essencial. É o mesmo que o sucesso de um time no garrafão ou a eficiência de um ataque no futebol em chutes dados de dentro da área. É o momento no qual as unidades ofensivas têm que serem bem sucedidas.

O espaço amostral foi considerado como sendo apenas a temporada regular de 2015 – de modo que todos os quarterbacks tenham uma chance de estarem ranqueados. A título de curiosidade, quando necessário, colocarei os piores quarterbacks em dada estatística. Além disso, para estar qualificado, o jogador precisa ter jogado ao menos 10 partidas no ano passado (por isso você não verá Tony Romo em nenhuma delas, por exemplo). Por “sucesso”, geralmente considerei o rating oficial da NFL – uma nota resultada de um algoritmo que avalia várias estatísticas em conjunto, como jardas totais, passes para touchdown, interceptações e etc, com escala de 0 a 158,3). A fonte para todos os dados não é aberta ao público, apenas para a mídia especializada – a Trumedia. Vamos lá então?

Melhores quarterbacks contra a pressão

Um surpresa e tanto aqui. Muitos consideram Jay Cutler um dos piores signal callers da liga, mas não é bem o caso. Não chega a ser um dos melhores, mas também não é tão ruim como você pensa. Especificamente considerando situações nas quais o quarterback estava pressionado, Cutler tem o melhor rating da liga, com 90,8. Além disso, ele conseguiu mais de 1000 jardas aéreas em situações sob pressão – nenhum outro bateu 1000. Fecha o “pódio” dois quarterbacks de fato foram bem aos olhos do público no ano passado. Carson Palmer teve 83,7 e Drew Brees, 81,6. O rating também revela que Nick Foles foi o pior dos quarterbacks com pelo menos dez jogos – em situações de pressão ele teve 26,6 de rating (lembrando que qualquer coisa abaixo de 70,0 é um número ruim).

Se formos considerar outra base de cálculo – a razão entre touchdowns e interceptações (pessoalmente até prefiro do que considerar rating) temos algo que confirma uma percepção subjetiva de muitos. Poucos sabem ler pressão como Tom Brady e Drew Brees. Brady tem 8 touchdowns e apenas uma interceptação quando pressionado. Brees também.

Melhores quarterbacks contra a blitz

Qual a diferença de blitz e pressão? Existe? Sim. Por assim dizer. Blitz é uma situação anterior a uma eventual pressão. Pode haver blitz – isto é, cinco ou mais jogadores defensivos dedicados ao pass rush – e no final das contas não haver pressão porque havia sete bloqueadores contendo essa blitz. Ou então o quarterback passou a bola tão rápido em uma situação de blitz que não pode ser caracterizada nenhuma pressão.

O resultado revela que, sim, Hue Jackson foi um grande coordenador ofensivo em 2015. E que Andy Dalton vinha tendo uma ótima temporada regular, sendo capaz de diagnosticar bem a blitz. Ele teve 112,4 de rating em situações nas quais a defesa adversária lhe mandou blitz. Em segundo lugar um cara que também demonstrou evolução se compararmos seu jogo com 2014 – Cam Newton, cuja percepção do público contra o pass rush acabou ficando como negativa por conta do Super Bowl 50. Mas ao longo da temporada, Newton teve o melhor rating da Conferência Nacional e segundo melhor geral, com 112,8. Interessante notar que os adversários mandaram muita blitz para tentar conter Cam – e ele foi brilhante nesse quesito na temporada regular, com 19 touchdowns e apenas três interceptações (ninguém foi melhor).

Fecham a conta em terceiro e quarto, Tom Brady (mais uma vez mostrando que tem uma excelente leitura de jogo) e Russell Wilson. Respectivamente, 110,6 de rating (12/1 TD/INT) e 109,7 (14/3 TD/INT). Sem surpresas aqui, são dois signal callers que já sabíamos que tinham um grande jogo contra blitz e sabem detectar saídas rápidas delas.

Melhores quarterbacks contra sua própria divisão


Ao invés de 10 jogos para se qualificar nesta estatística, usei três (ou seja, metade dos jogos divisionais, que são 6 por ano). Afinal: como os quarterbacks da NFL jogam contra sua própria divisão? Esses são jogos nos quais o sucesso tem de vir de qualquer forma, porque derrota significa ficar mais longe da pós-temporada. Ao mesmo tempo, são partidas mais difíceis, dado que os coordenadores defensivos adversários estudam demais os quarterbacks divisionais que enfrentarão.

Não surpreende que os quatro primeiros, em rating, tenham sido campeões de divisão. Cam Newton destruiu as secundárias da NFC South e, em jogos divisionais, teve 117,3 de rating, 14 touchdowns e apenas uma interceptação. O título não caiu do céu. Em segundo lugar, Andy Dalton com 107,7 e 9 touchdowns/4 interceptações. A impressão de que Dalton “pipoca” em jogos divisionais não é mais verdadeira, portanto. O terceiro lugar é uma surpresa e uma notícia boa para os torcedores dos Vikings: Teddy Bridgewater teve 105,9 de rating contra a NFC North. E o quarto lugar reforça a boa temporada de Kirk Cousins no ano passado: nos seis jogos contra a NFC East, Cousins teve 11 touchdowns, apenas duas interceptações e rating de 103,7.

Agora vamos aos piores.

Colin Kaepernick foi um desastre contra a NFC West nos três jogos que disputou. Dos quarterbacks qualificados em nosso ranking, foi o último com 41,4 em jogos divisionais. Peyton Manning não teve uma boa temporada regular ano passado – e os coordenadores defensivos se dedicando mais em estudá-lo acabou resultando num rating de 52,8 nos quatro jogos divisionais que teve contra a AFC West em 2015. Ainda nessas estatísticas, uma que pode alarmar o torcedor dos Steelers é o desempenho de Ben Roethlisberger contra adversários divisionais no ano passado: 7 touchdowns e 9 interceptações. Eis algo que precisa melhorar para que Pittsburgh confirme o favoritismo neste ano.

bigben

Melhores quarterbacks em terceiras descidas longas

Ou seja, aquelas óbvias nas quais uma defesa sabe que vem passe e mesmo assim o quarterback não tem outra coisa para fazer senão passar a bola de qualquer jeito. Esta é uma estatística que revela muita coisa. Afinal de contas, a defesa estará preparada para praticamente uma única hipótese possível: o passe de média ou longa distância.

Digo muitas vezes em transmissões que a terceira descida longa é a situação que separa os homens dos meninos – justamente porque a defesa está sedenta por uma interceptação e vez ou outra estará marcando em zona profunda ou mesmo mandará blitz para apressar o passe. Aqui, especificamente, não considerarei o rating (porque ele tem % de passes completos na conta e isso poderia viciar a estatística final com quarterbacks que fazem checkdown nessas situações). Troquei o rating por “jardas por tentativa”. Se coloquei o filtro de jogadas apenas em 3rd and 6 para mais e o cara teve menos de 6 em jardas por tentativa, isso significa que ele ficou “de boa” de tentar buscar a primeira descida.

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Especificamente esta estatística revela muito sobre a temporada passada. Antes de irmos para os melhores no quesito, vamos aos piores. Joe Flacco teve 5,93 – aceitável, se pensarmos que ele praticamente não tinha recebedor consistente no ano passado. Matthew Stafford foi o quarterback que mais passou em screen para seus running backs para compensar a ausência de jogo terrestre sólido (é uma estatística que corrobora as absurdas 80 recepções de Theo Riddick em 2015).

Mas o que realmente chama atenção nesta lista é Sam Bradford. Vi alguns jogos dos Eagles e a noção que me passava era que Bradford raramente arriscava em terceiras descidas e era o rei do checkdown (ou seja, passe curto/válvula de escape para tight ends e/ou running backs). As 5,57 jardas por tentativa em 3rd +6 só confirmam essa impressão. E, ao mesmo tempo, confirmam da onde vieram os 65% de passes completos no ano passado. Ocorreram porque Bradford não passa em profundidade nas terceiras descidas que precisa fazê-lo. Em último lugar temos Nick Foles, com 4,12 jardas por tentativa de passe em 3rd + 6. Não surpreende ele ter ido para o banco e cortado agora em julho.

Mas falemos dos bons. Há apenas três quarterbacks que têm mais de 10 jardas por tentativa em situações de 3rd + 6. O primeiro é Ben Roethlisberger com 10,83 (o que confirma que Todd Haley chama jogadas verticais independente da descida/distância), o segundo é Russell Wilson com 10,58 (o que confirma que quando precisa ele passa a bola muito bem, não apenas sabe correr) e o terceiro com 10,47 é Andy Dalton – outra estatística que confirma a boa temporada regular que Dalton teve no ano passado.

newton sherman

Melhores Quarterbacks na Red Zone

Não preciso dizer novamente o quão importante a red zone é. São as 20 jardas finais do campo e pelo menos com um field goal você tem que sair dali. Como é uma zona de pontuação, a estatística que me importa aqui é a proporção entre touchdowns e interceptações. Você quer seu quarterback pontuando bastante e, ao mesmo tempo, não quer que ele cometa um turnover justamente na zona do campo na qual ele deveria pontuar.

Uma das mais surpreendentes estatísticas aqui vem com Matthew Stafford. São 26 touchdowns e nenhuma interceptação se considerarmos apenas jogadas na red zone. Claro: ter Calvin Johnson Jr com certeza ajudou. Em seguida temos Cam Newton, com 24 touchdowns e nenhuma interceptação em red zone. Quanto aos touchdowns totais passados quando a equipe está nas 20 jardas finais do campo, Brady lidera com 27 (mas tem 3 interceptações). Um dado importante é que as estatísticas em red zone para um jogador ou um time são bastante voláteis de um ano para o outro, porque lesões e mudanças de jogadores atrapalham ou ajudam bastante um dado time. Peyton Manning e Andrew Luck lideraram o ranking de 2014, por exemplo.

Já o quarterback mais interceptado na red zone foi Eli Manning, com 5 – embora seus números em interceptações no geral tenham caído nos últimos anos sob a tutela de Ben McAdoo como seu coordenador ofensivo. Especificamente na proporção de touchdowns/interceptações, o pior novamente foi Nick Foles, com apenas quatro touchdowns e duas interceptações. Peyton Manning foi o segundo pior na temporada regular, com seis touchdowns e duas interceptações.

O que tiramos disso tudo?


Nada supera o olho na análise dos quarterbacks e do futebol americano como um todo. Não “faz bem” olhar apenas para estatísticas – tanto que, a fundo, esta foi a primeira vez que fiz isso de maneira global antes da temporada. Como você viu acima, várias estatísticas apenas corroboram visões subjetivas que já tínhamos: Cam Newton indo bem contra a NFC South, Andy Dalton não é tão pipoqueiro contra a AFC North, o péssimo ano estatístico de Peyton Manning, Colin Kaepernick como uma negação em jogos divisionais, Tom Brady e Drew Brees como mestres em release rápido e leitura de defesas, Nick Foles como um dos piores quarterbacks do ano passado e Sam Bradford como o rei dos passes curtos quando era necessário algo a mais.

Peculiaridades da temporada passada fizeram com que este ranking não fosse tão completo como deveria. No próprio caso de Peyton, a idade e lesões (sobretudo aquela na planta do pé). No caso de Romo, a ausência nos rankings. Aaron Rodgers também não figura como líder em várias dessas estatísticas – muito porque o corpo de recebedores estava uma caca e a linha ofensiva foi uma bagunça. A expectativa é que tanto Rodgers como Romo possam figurar em algumas dessas estatísticas.

Pessoalmente falando, uso muito as estatísticas como “segunda opinião” para uma dada visão que tenho. Aqui neste texto pudemos ver que várias acabam se confirmando. Outras, como o desempenho de Matthew Stafford na red zone, me assustaram positivamente. Usar estatística é algo complicado, porque elas precisam de contextoJardas totais são uma estatística inútil na maior parte das vezes, por exemplo – a menos em casos extraordinários, como se o quarterback passar para mais de 5000 ou para menos de 3000 numa temporada de 16 jogos. No todo, não gosto de estatísticas quantitativas, apenas as qualitativas, que apresentam um contexto, um número em função de outro.

Mais do que achismos, essa é a forma que gosto de ver e analisar o futebol americano. Espero que tenham gostado deste “report”. E vamos para a temporada 2016.

PS: Excepcionalmente nesta semana não tivemos “O melhor/O pior da semana”, “Pensamento aleatório da Semana” e “Perguntas e Afirmações”. Como disse no Twitter recentemente, não teremos mais nosso podcast aqui no site – por conta de horários dos integrantes e etc. Meu obrigado a todos que mandaram carinho ao longo destes meses. 

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