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Bons Flashes, atleticismo e um pouco de inconsistência: a estreia de Carson Wentz

A pré-temporada da NFL é extremamente frustrante na maioria dos casos. Os titulares das franquias jogam muito pouco e os esquemas táticos são extremamente simples, logo poucas conclusões podem ser tiradas. Os calouros mais renomados, que normalmente vão ser os titulares em suas equipes, jogam pouco, os free agents jogam pouco e o torcedor fica só mais ansioso ainda por setembro.

São raros os casos em que a primeira partida da pré-temporada traz alguma novidade, porém neste ano pudemos acompanhar por um tempo razoável um dos jogadores mais badalados do Draft de 2016: Carson Wentz. Com Sam Bradford como titular e Chase Daniel sendo o reserva imediato, Wentz (usando a camisa #11 que outrora pertenceu a Tim Tebow) recebeu os primeiros snaps como profissional jogando com os segundos reservas. O que isto significa? Que ele atuou pouco mais de metade da partida – e mostrou muita coisa que pode deixar animado os torcedores no futuro.

Flashes e muita promessa

Os números não são encantadores: apenas 50% dos passes completos (12 de 24) para 89 jardas e uma interceptação. As estatísticas, neste caso, não são muito úteis para entender em que lugar Wentz se encontra na curva de aprendizado.

Antes de falar em si sobre a sua atuação, é necessário contexto para entender o que ocorria em campo. Como já dito, ele estava jogando com os reservas dos reservas. Daniel, jogando com a linha ofensiva reserva, completou apenas quatro passes e não conseguia parar em pé. Além disso, os Eagles possuem uma clara deficiência na posição de wide receiver, o que afetou ainda mais os números de Wentz.

Mesmo atuando entre os reservas, o calouro mostrou muito potencial e os seus melhores pontos. A presença de pocket, capacidade de se deslocar olhando para o fundo do campo e a tranquilidade sob pressão apareceram claramente. O produto de North Dakota não se desesperou em nenhum momento e mostrou se movimentar extremamente bem.

Nesta jogada acima note como, mesmo pressionado, ele mantém os olhos no fundo do campo e encontra Zach Ertz em cima da marca de primeira descida. Além disso, ele mostra toda a força do seu braço, um de seus pontos fortes – Chase Daniel nunca conseguiria dar um passe desses na vida, por exemplo.

Outro ponto de muito destaque durante o jogo foi o seu atleticismo. Wentz mostrou a sua capacidade atlética e como ele é capaz de aproveitá-la das diversas maneiras. Ele mostrou-se extremamente consistente aproveitando as brechas defensivas para correr.

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Olhe como, novamente, ele mantém os olhos no fundo do campo e só acelera no final da jogada para quase conquistar a primeira descida. Força, tamanho e velocidade – uma combinação que tem tudo para dar certo no futuro.

Só que a sua melhor jogada na partida foi fazendo o que ele sabe melhor: improvisando. Wentz possui instintos bem apurados e aproveita muito bem o seu atleticismo para criar algo em um momento que parece tudo perdido, como nesta jogada:

Note que o center faz o snap antes do desejado e a linha ofensiva inteira fica perdida. O right tackle nem mesmo esboça reação. O quarterback, mesmo assim, consegue sair do pocket e lançar uma bola perfeita – quase conquistando a primeira descida. Fica claro a sua habilidade em campo e o quanto de talento possui, porém Wentz ainda é calouro e precisa evoluir bastante.

A mecânica e a inconsistência

Existem motivos para a porcentagem de apenas 50% dos passes completos. O primeiro, e mais óbvio, é a baixa qualidade dos recebedores. Drops e rotas mal realizadas fizeram com que o signal caller errasse uma boa parcela destes passes, mas outro problema mais grave também apareceu: Wentz precisa trabalhar bastante a sua mecânica.

Note nesta jogada o principal problema – até mesmo já citado por Doug Pederson – aparece: os passes encobrindo seus recebedores. O quarterback constantemente deu passes muito altos, principalmente devido a algum erro na sua mecânica de passe. Aliás, vale ressaltar que a sua interceptação também foi por conta de um passe muito mais alto do que deveria ter sido feito.

Se este problema pode ser consertado com um pouco de treino, outro mais grave apareceu. Carson Wentz teve seus momentos Andrew Luck no jogo, como nesta terceira descida em que Pederson chama um Read Option:

Note o quão desnecessário foi a pancada que o quarterback tomou. Esta atitude de jogar como um linebacker mostra raça, mas é preciso pensar: ele precisa se preservar. Tomar hits muito fortes por uma ou duas jardas não vale a pena. É muito melhor ir para uma quarta descida, ainda mais em um jogo de pré-temporada, do que se lesionar e colocar em risco a carreira.

Como deu para ver, Carson Wentz mostrou muito potencial em sua estreia, mas foi bem inconsistente – o esperado para um calouro. Seu talento é evidente, afinal foi a segunda escolha geral deste ano, mas ele precisa aprender bastante para virar titular e não desperdiçar o potencial. O banco neste ano será extremamente benéfico para se transformar em um bom jogador e o ajudará a justificar o investimento feito pelos Eagles.

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Em um período com tão pouca coisa para se ver, com Wentz sendo o terceiro quarterback, os jogos de Philadelphia devem ser os mais interessantes de se acompanhar em agosto. Será uma oportunidade única para ver a curva de aprendizado de um quarterback muito talentoso, porém que ainda tem diversas falhas em seu jogo.

Bons Flashes, atleticismo e um pouco de inconsistência: a estreia de Carson Wentz
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