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Os Vikings estão melhores sem Adrian Peterson?

Faça uma pesquisa rápida pelos recordes de corrida na NFL e o nome de Adrian Peterson aparecerá diversas vezes. O running back do Minnesota Vikings é um dos melhores jogadores da posição na história da liga, e conquistou o maior número de jardas terrestres da temporada em três ocasiões diferentes. Desde que entrou na liga, no já distante ano de 2007, Peterson tem sido o ponto focal do ataque dos Vikings, e parecia quem em 2016 a história iria se repetir.No entanto, na segunda partida da temporada regular, contra o rival Green Bay Packers, o jogador sofreu uma lesão no menisco direito, que necessitou de cirurgia.

Com isto, Peterson foi colocado na injury reserve, abrindo as portas para que o reserva Jerick McKinnon tivesse a chance de assumir a posição. Ainda que o veterano Matt Asiata tenha sido, nominalmente, o titular na semana seguinte, a vaga sempre foi de McKinnon. Asiata é apenas um running back para ganhos de poucas jardas, com características físicas e atléticas mais próximas das de um fullback. Já McKinnon…

Jerick McKinnon é um jogador muito interessante. Escolhido na terceira rodada do Draft de 2014, ele atuou como running back, wide receiver e, principalmente, quarterback na universidade de Georgia Southern, além de contribuir nos special teams e até quebrar um galho como cornerback às vezes. Como então, um jogador que não se dedicava exclusivamente à posição que iria desempenhar na NFL foi escolhido tão cedo no Draft? Existem duas razões para isso.

A primeira é que no ataque de Georgia Southern, baseado na triple option, o quarterback é muito mais um corredor do que um passador. A segunda, ainda mais importante, foi a performance de McKinnon no Combine. O jovem jogador obteve resultados impressionantes em todos os exercícios, ficando entre os quatro melhores colocados da posição em seis dos sete testes de atleticismo. Não seria nenhum exagero afirmar que McKinnon é, hoje, o running back mais atlético de toda a NFL.

O que mudou no ataque dos Vikings sem AP?

A presença constante de McKinnon em campo permite ao ataque dos Vikings uma maior versatilidade para explorar as vulnerabilidades das defesas adversárias, jogada a jogada. Peterson é uma lenda da NFL, um corredor  punitivo e elusivo ao mesmo tempo, mas nunca foi um grande recebedor. Sua última temporada com mais de 40 recepções foi em 2012, e de lá pra cá, Peterson tem sido um jogador unidimensional, o que facilita bastante o trabalho da defesa.

Já McKinnon é ótimo recebendo passes, tendo até mesmo atuando como wide receiver no colégio e na universidade. ele também está acostumado a atuar em formações diferentes da I Formation, preferida por Peterson. Esta versatilidade permite ao coordenador ofensivo Norv Turner a possibilidade de usar frequentemente o quarterback na posição de shotgun. Oriundo de uma spread offense no College (Oklahoma), Sam Bradford fica visivelmente mais à vontade jogando desta maneira, se livrando rapidamente da bola para o recebedor indicado por sua leitura antes do snap. Outro jogador-chave cujo conjunto de habilidades se encaixa melhor neste tipo de ataque é Stefon Diggs. A precisão de suas rotas e sua boa aceleração fazem com que o recebedor consiga sempre boa separação nos passes rápidos de Bradford.

Unidimensional também, têm sido as chamadas de jogadas. Em 2015, os Vikings utilizaram jogadas de corrida em 51,08% de seus snaps ofensivos, a terceira maior marca da liga. Com um jogador com a história de Peterson, e um quarterback ainda inexperiente em Teddy Bridgewater, a comissão técnica de Minnesota era praticamente obrigada a adotar este estilo de jogo.  E com isto, a eficiência de Adrian Peterson foi despencando. Da semana 11 de 2015, até o momento de sua lesão este ano, Peterson obteve apenas 3,3 jardas por corrida. Suas 31 tentativas em 2016 se transformaram em apenas 50 jardas. É mais fácil parar uma jogada de ataque se você sabe previamente para onde a bola está indo.

Sem a presença de Peterson condensando a formação e monopolizando as jogadas, Bradford tem feito um excelente trabalho distribuindo a bola entre McKinnon, Diggs, Charles Johnson, Kyle Rudolph e -pasmem!- até Cordarrelle Patterson. O quarterback tem feito um trabalho surpreendente neste começo de sua história nos Vikings, sendo inclusive apontado como o MVP do primeiro quarto da temporada pelo célebre Peter King. A NFL atual é voltada para o passe. Os lançamentos são cada vez mais frequentes e bem sucedidos, e são mais decisivos em termos de pontuação e vitórias. Não faz mais sentido empregar um ataque centrado no running back. Os Vikings mudaram e têm agora em Sam Bradford seu ponto focal.

Isto tem obrigado os oponentes a defenderem toda a extensão do campo, abrindo caminho para as corridas de McKinnon. A amostra é pequena para uma comparação definitiva, mas Adrian Peterson, nas duas partidas em que disputou nesta temporada, teve uma média de apenas 1,6 jarda por corrida. Na semana 3, em sua primeira partida como principal running back da equipe, Jerick McKinnon obteve 2,6 jardas por corrida. Uma marca ruim, mas ainda assim melhor do que as de Peterson. Na semana passado, no entanto, McKinnon parece finalmente ter se adaptado a sua nova situação. Ele correu com a bola 18 vezes, conquistando 85 jardas – média de 4,7 – e um touchdown.  Ele ainda contribuiu no jogo aéreo, com 3 recepções.

Seja pelo surgimento de McKinnon, seja pelo novo foco em Sam Bradford, os Vikings agora têm a segurança para cortar os laços com o jogador que tem sido a representação da franquia na última década. O salário de Adrian Peterson terá um impacto de 18 milhões no salary cap de Minnesota, e é muito provável que ele seja cortado antes da próxima temporada. Os torcedores dos Vikings podem ficar chateados quando isto acontecer, por terem que se despedir de um ídolo, mas por ora, ao que tudo indica, eles não sentirão muita falta de sua presença em campo.

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