Análise Tática: Os Packers serão capazes de diminuir o ritmo de Elliott e sua linha ofensiva? – Pro Football: NFL | Brasil | College | Futebol Americano
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Análise Tática: Os Packers serão capazes de diminuir o ritmo de Elliott e sua linha ofensiva?

O jogo entre Packers e Cowboys deste final de semana é uma partida extremamente especial. Além de ter um gosto de revanche do Divisional Round de 2015 para Dallas, o jogo reunirá a #1 defesa contra a corrida contra o #1 ataque correndo com a bola em 2016. Obviamente o Pro Football não poderia deixar passar a oportunidade para trazer ao leitor a razão destas duas unidades estarem jogando tão bem. Um misto de talento, inteligência e esquema fazem com que estas duas unidades estejam tanto em destaque.

Sendo sincero, este é o primeiro teste que os dois enfrentarão

Nem Cowboys nem Packers. No quesito teste de verdade, nenhuma das duas equipes enfrentou um grande ataque terrestre (no caso dos cabeças de queijo) ou uma grande defesa contra o jogo terrestre – o melhor foi New York e eles acabaram saindo com a vitória. Green Bay enfrentou, em termos de jardas conquistadas por corrida, os ataques números #19, #21, #27 e #32. Já os Cowboys tiveram pela frente as defesas, no mesmo critério adotado, números #5 (única derrota da temporada, com Ezekiel Elliott fazendo muito pouco), #14, #23, #26 e #32.

Visivelmente faltou desafios até aqui, só que não dá para menosprezar o que foi mostrado até o momento. A defesa de Green Bay vem melhorando muito e por causa de contribuições totalmente inesperadas. Enquanto Jake Ryan, segundo anista de Michigan, assumiu de vez o papel de titular no meio do campo, Blake Martinez (o calouro companheiro de Ryan e oriundo de Stanford) está jogando extremamente bem e assumiu a vaga de titular em formações de nickel (que são utilizadas a todo o momento).

O grande jogador? Letroy Guion

O corpo de linebackers está muito bem, obrigado – tanto é que a chamada do NFL.com para a rodada é o duelo entre Clay Matthews e Ezekiel Elliott. Só que de nada adiantaria um corpo de linebackers jogando em alto nível sem uma linha defensiva que sabe comer os bloqueios de maneira brilhante. E, entre os jogadores de linha, o nose tackle Letroy Guion é o que vem sendo o grande destaque até aqui no jogo terrestre – jogando em mais alto nível do que B.J. Raji jamais pensou.

A jogada acima é o melhor exemplo de como Letroy está atuando de maneira brilhante. Ele destrói o bloqueio duplo (que inclui Brandon Fusco, um right guard acima da média) e acaba com a corrida de Adrian Peterson, que sofre um tackle para perda de jardas de Jake Ryan – ele está em todo o lado no campo, incrível a sua capacidade atlética mostrada até o momento.

Mesmo quando algo dá errado, o corpo de linebackers aparece

Na NFL você não vai ganhar todas as jogadas. As vezes o adversário executa os bloqueios corretamente e sua defesa não consegue ganhar os duelos individuais. E são nestes momentos que o esquema aparece e que a capacidade de sair do bloqueio e fazer o tackle são testadas – como nesta jogada.

Note que os Vikings fazem um power run com o center e o fullback saindo para bloquear os linebackers do segundo nível – a defesa está jogando na nickel. Os bloqueios são feitos corretamente, o pull do center é perfeito e ele bloqueia Jake Ryan como deveria – assim como o fullback faz o serviço com Blake Martinez. A jogada era fácil para conseguir dez jardas e dar ritmo ao jogo terrestre de Minnesota que ainda sofria na partida. Só que Ryan sai do bloqueio sem dificuldades e executa o tackle, parando Peterson em campo quase aberto – um feito em tanto para um segundo anista que saiu na quarta rodada.

Mesmo com o alto nível apresentado até aqui, este front seven de Green Bay vai precisar demonstrar uma capacidade atlética e de esquema acima do exigido até aqui para parar Ezekiel Elliott. Ao contrário do visto até agora, Dallas faz de tudo um pouco durante os seus jogos e é por isso que eles são o melhor time correndo com a bola no momento – impulsionados pelo poder de sua linha ofensiva que parece não sentir falta de La’el Collins que está machucado.

Um dos esquemas mais diversificados da liga

Quer aprender sobre futebol americano? Principalmente os diferentes tipos de corrida? Assista o jogo do Dallas Cowboys. A linha ofensiva da franquia, montada com algumas escolhas de primeira rodada, é forte, atlética e inteligente o suficiente para poder executar qualquer tipo de corrida. Seja counter, inside zone blocking, outside zone blocking, power, sweep, zone read ou o que mais quiser. Além disso, o veteraníssimo Jason Witten é um atleta que está disposto a fazer todo o trabalho sujo dos bloqueios – sempre de maneira extremamente inteligente.

Nesta jogada acima os Cowboys vão fazer uma corrida sweep. Neste caso os dois guards vão fazer o pull e Ezekiel Elliott vai tentar buscar a corrida por fora. A chave da jogada? Jason Witten. O tight end precisa forçar Michael Johnson para dentro, dando a oportunidade do running back conseguir a lateral. Só que Johnson é um defensive end e ele vai ganhar na força ao longo da jogada, logo é preciso ter inteligência para soltar o bloqueio no momento exato e evitar uma falta de holding. Note como Witten é extremamente inteligente para fazer isso e deixar dois bloqueadores contra três defensores – obviamente alguém iria se perder em tanto tráfego.

Esta sequência até o primeiro touchdown do jogo mostra o potencial desta linha e como eles vão se impor em campo, mesmo que a defesa saiba o que está por vir. Na jogada seguinte ao sweep, Dallas chama outra jogada que exige muito do entrosamento e da capacidade atlética da linha: a inside zone blocking.

O segredo aqui é os dois guards e o left tackle saberem o momento ideal de soltarem o seu bloqueio na linha e saírem para o segundo nível. Quando eles deslocam os jogadores da linha defensiva, os três saem para o segundo nível e selam os dois linebackers e um defensive back. Também vale a pena ressaltar que o trabalho incrível pelo chão tem grandes méritos de Elliott. O inside zone blocking dá a liberdade para o running back escolher qual o gap que vai atacar e qual é o melhor momento para realizar o ato. Até aqui são 546 jardas, com média de 5,0 jardas por carregadas e cinco touchdowns. Estes números não são fruto apenas do trabalho dos bloqueadores: note o equilíbrio de Elliott no primeiro contato, mantendo-se em pé, quebrando o tackle e conquistando mais jardas ainda. A terceira jogada seguida, para finalizar o drive, ainda mostra o fator Dak Prescott no jogo terrestre.

Prescott é extremamente atlético e perfeito para funcionar como um “bloqueador” no shotgun – algo que Tony Romo nunca será. O fator Prescott permite que Witten possa sair diretamente para o segundo nível, indo atrás de um defensive back e disfarçando ainda mais a jogada – com Witten saindo para correr até o backfield, a defesa pensou que poderia ser um passe após duas corridas seguidas. O quarterback faz o necessário para congelar Johnson e permitir que Elliott se aproveite dos bloqueios, quebre alguns tackles e termine na endzone – consagrando um drive perfeito de uma unidade extremamente dominante.

A chave do jogo está nas big plays

Pelo apresentado até agora, o duelo deve acabar sendo equilibrado entre as duas unidades. Dallas deve ser capaz de correr com a bola, mas não da mesma maneira como aconteceu nos últimos quatro jogos. Já os Packers não vão ceder apenas duas jardas por corrida (melhor marca da liga até aqui), porém não vejo a unidade tomando 150 jardas terrestres deste ataque dos Cowboys.

Com um duelo equilibrado pelo chão, o que vai fazer a diferença serão as secundárias – em particular as jogadas explosivas. E neste ponto os Packers possuem a vantagem. É necessário ressaltar que nenhuma das duas equipes é excepcional evitando passes longos – são 18 passes de mais de 20 jardas cedidos por Dallas e 18 por Green Bay, oitava e décima terceira piores marcas do ano. A grande diferença fica por conta do signal caller. Apesar da média de Prescott ser maior de jardas por passe neste ano, o calouro ainda sofre em conseguir passes em profundidade. Se Mike McCarthy parar de dar chilique e ajeitar o seu playcall, explorando passes em profundidade, Green Bay tem possibilidade de bater o melhor ataque terrestre da liga.

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