Entre em contato

História

4 quarterbacks que acabaram perdendo a titularidade por conta de lesão

4 quarterbacks que acabaram perdendo a titularidade por conta de lesão

Para muitos de nós, perder o emprego por ter machucado ou por ter ficado um tempo no hospital parece algo completamente ilógico e que nunca irá acontecer. Para quarterbacks da NFL, esse é um medo constante.

Apenas um quarterback pode estar em campo por vez e, salvo desempenho ruim ou lesões, eles jogam a temporada inteira. O reserva no máximo é holder em chutes ou ajuda o coordenador ofensivo com a prancheta. Ao contrário de outras posições, como wide receiverstackleslinebackers e todo o mais, a posição de quarterback não permite um “rodízio” entre o plantel.

Quem joga a semana 1, num mundo ideal, joga a semana 17 e eventualmente a pós-temporada. Acontece que não vivemos num mundo ideal. E Tony Romo sabe muito bem disso.

Romo veio de uma temporada fantástica em 2014, quando comandou os Cowboys aos playoffs e quando teve o melhor rating da liga. Em 2015, se machucou duas vezes, jogando pouco. Neste ano, ainda se recuperando da lesão no ombro que sofreu em 2015, lesionou as costas e perdeu 10 semanas. No período, Dak Prescott entrou em campo e conduziu o Dallas Cowboys a 8 vitórias e 1 derrota, melhor campanha da NFL no momento. Saudável, Romo não recuperou o emprego de volta após a fenomenal campanha do calouro. Restou a ele dar uma entrevista coletiva emocionante e digna, a qual traduzimos aqui.

A ironia do destino, conforme o próprio Romo notou nas declarações de ontem, é que ele já foi um Dak Prescott em outra oportunidade – quando substituiu Drew Bledsoe em 2006. Na ocasião, Bledsoe foi para o banco por desempenho – mas não foi o que aconteceu com ele em 2001. Vamos aos três quarterbacks da nossa lista aos quais Tony Romo se junta.

Drew Bledsoe

A história é amplamente conhecida. Primeira escolha geral no Draft de 1993 e finalista da NFL três anos depois, Drew Bledsoe era o franchise quarterback absoluto do New England Patriots em 2001. Até que… Bom você já viu o filme Efeito Borboleta?

O bater de asas de uma borboleta no Oceano Pacífico pode mudar o rumo dos ventos e gerar um furacão no Oceano Atlântico – de modo exagerado, este é o resumo da Teoria do Caos (ler com a voz do Rômulo). Se os atentados de 11 de setembro não tivessem acontecido, a Semana 2 da temporada 2001 da NFL não teria sido adiada em uma semana.

Talvez os times tivessem tido preparação diferente, talvez… Drew Bledsoe não tivesse saído do pocket para correr (eu falo que isso não dá certo e vocês acham que é implicância minha). E não teria tomado uma pancada de Mo Lewis, linebacker do New York Jets. Bledsoe chegou a ter hemorragia interna por conta da pancada e ficou de fora da temporada regular. No período, Tom Brady, desconhecido segundanista que lutara pela titularidade em Michigan até seu último ano no College, herdou a posição e…

Bom, e ainda está lá. Bledsoe teve a última participação como quarterback e reserva de luxo ainda na mesma temporada, quando Brady se machucou na final da Conferência Americana contra os Steelers, fora de casa. Inclusive ele ajudou o time a chegar ao Super Bowl XXXVI, fato bastante esquecido. Na intertemporada seguinte, como você deve imaginar se conhece a persona sith de Bill Belichick, ele foi trocado para o Buffalo Bills, ainda procurando substituto desde a aposentadoria de Jim Kelly.

Como nota adicional, vale lembrar que Bledsoe estava nos Cowboys em 2006 e foi para o banco, substituído por Tony Romo – desta vez, foi por conta de mau desempenho e não lesão.

Trent Green 

A história em si é bastante conhecida como a de Bledsoe, mas o nome substituído, nem tanto. Após ter uma das campanhas mais decepcionantes da NFL em 1998, Dick Vermeil encontrou na contratação de Trent Green uma eventual salvação para a temporada de 1999. A equipe já dispunha de Marshall Faulk no backfield e só precisava de um quarterback minimamente capaz para brigar na NFC West.

O que os Rams não contavam é que esse quarterback de 1999 não seria Green e seria absurdamente capaz. Num jogo de pré-temporada, Trent se machucou e Kurt Warner entrou em campo. Warner havia sido um peregrino pela NFL, não sendo draftado em 1994 e tido passagem pela NFL Europa e pela Arena Football League. O time cresceu com ele – as habilidades adquiridas na AFL ajudaram Warner a comandar um potente ataque aéreo – e os Rams foram campeões do Super Bowl XXXIV. Green, tal qual Bledsoe, foi trocado – para o Kansas City Chiefs, após a temporada de 2000. Falando em um jogador trocado para lá…

Alex Smith

Esta todo mundo se lembra com certeza, até porque faz pouco tempo. Escolha número 1 do Draft de 2005 e vítima de um dos maiores períodos de instabilidade do San Francisco 49ers em sua história, Alex Smith finalmente teve a chance de brilhar na temporada 2011, quando Jim Harbaugh – responsável pela lapidação de Andrew Luck no College e ele mesmo outrora quarterback na NFL – fez com que o nível de jogo de Smith chegasse a proporções só imaginadas na época do Draft.

Smith conseguiu ajudar San Francisco a chegar na final da Conferência Nacional de 2011, quando o time perdeu para o New York Giants. No ano seguinte, tinha campanha de 6-2-1 quando sofreu uma concussão. Colin Kaepernick entrou em campo na pistol fest de 2012 e derrubou defesa atrás de defesa (nota do autor: isso não acontece mais, por favor nem comecem), chegando ao Super Bowl. Após a temporada, Smith foi trocado para o Kansas City Chiefs.

Menção honrosa (ou tipo isso): Joe Montana

Sim, o Kansas City Chiefs é a ilha dos brinquedos quebrados. Colocamos aqui como menção porque o caso foi mais complexo e se desenrolou por praticamente três temporadas.

Joe Montana teve problemas quase crônicos de lesão após a final da Conferência Nacional de 1990, quando tomou um hit faraônico por Leonard Marshall – seria a penúltima partida dele com a equipe. No ano seguinte (1991), Montana perdeu toda a temporada por lesão no cotovelo, a qual ele teve na pré-temporada daquele ano.

Joe Cool, como era chamado, só vestiu a camisa do San Francisco 49ers em mais uma oportunidade: no segundo tempo da última partida da temporada de 1992, em vitória contra o Detroit Lions. Naquele momento, Steve Young já tinha dakado a posição de titular para si.

Em 1993, Montana estaria saudável para ser o titular novamente pelos 49ers. Uma rixa surgiu e rachou o vestiário, com Montana pedindo para ser trocado. A franquia optou por continuar com Young e Montana foi trocado para os Chiefs em abril daquele ano.

Comentários? Feedback? Siga-me no twitter em @CurtiAntony, ou nosso site em @profootballbr e curta-nos no Facebook.

Curti é redator e editor-chefe do ProFootball e já redigiu mais de 2000 textos sobre o futebol americano desde 2009. Além disso, é autor do "Manual do Futebol Americano", "Crônicas do Futebol Americano" e comentarista de NFL e college football nos canais ESPN.

Mais em História