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The Numbers: Como as estatísticas sustentam que Prescott tem que ser o titular

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Oitavo jogo da temporada regular. O tight end Jason Witten olha para seu quarterback e vê o passe vindo em sua direção. Ele vence seu marcador e faz a recepção. Touchdown. O primeiro que Witten receberia do jovem quarterback que fazia sua primeira temporada como titular na NFL e iria fazer a torcida dos Cowboys esquecer o veterano que substituiu. Você provavelmente achou que estamos falando de 2016.

O ano era 2006, e o nome do jovem quarterback era Tony Romo.

Pois é. O jogador lançando o touchdown pra Witten poderia se chamar Dak Prescott caso estivéssemos falando deste ano. Sim, Prescott tomou o lugar de Tony Romo, assim como este o fez com Drew Bledsoe, há 10 anos – claro, no caso de Romo substituindo Bledsoe, não foi por conta de lesão. Mas a ironia é a mesma.

A controvérsia a respeito de quem deveria ser o titular em Dallas tem se tornou cada vez… Bom, cada vez menos controversa, à medida que o calouro acumulava vitorias e estatísticas impressionantes, até que se esvaiu por completo. Em uma emocionante declaração – que traduzimos na íntegra – Romo, graciosa e profissionalmente, concedeu a titularidade para Prescott. Mas como um calouro, selecionado na quarta rodada do Draft, conseguiu suplantar um dos melhores quarterbacks da liga? Este texto é uma tentativa de responder a esta pergunta através dos números, mergulhando nas estatísticas que fazem de Dak Prescott um dos calouros mais impressionantes de toda a história da NFL.

Vitórias

Sim, quarterbacks não vencem jogos sozinhos, mas é inegável que eles costumam ter uma parcela de responsabilidade pelos resultados de seus times maior que a de qualquer outro jogador.  E com a vitória sobre o Pittsburgh Steelers, no domingo passado, Dak igualou Chad Henne, segundo colocado na lista de maior sequência de vitórias por um quarterback em sua temporada de estréia, com oito – e ainda estamos na semana 11. O único jogador à sua frente agora nesta categoria é o quarterback que foi derrotado nesta mesma partida, Ben Roethlisberger, que venceu 13 jogos consecutivos em 2004, quando assumiu o lugar de Tommy Maddox.

Prescott ainda tem condições de ultrapassar Big Ben nesta temporada, caso os Cowboys derrotem Baltimore, Washington, Minnesota, New York Giants, Tampa Bay e Detroit. Tarefa difícil, mas não impossível, para o melhor time da NFL no momento. Na verdade, apenas 11 quarterbacks em toda a história ganharam mais partidas em sua temporada inicial do que Dak ganhou até agora – e nós, lembrando de novo, ainda estamos em novembro!

Precisão

A já citada temporada de estréia de Ben Roethlisberger é o padrão de ouro, aquela contra a qual toas devem ser medidas, quando nos referimos a um quarterback calouro na NFL. E em um quesito muito importante, Prescott já está à frente do jogador dos Steelers. Dak completou 66,79% de seus passes na temporada, contra 66,44% de Big Ben em 2004.

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Em cinco de suas nove partidas, ele obteve uma porcentagem de passes completos acima de 70%. Com mais uma partida destas, Dak teria se igualado aos únicos três quarterbacks a obterem seis até a semana 9, desde 2001. Talvez você já tenha ouvido falar deles. Seus nomes são Tom Brady, Peyton Manning e Drew Brees.

Os já citados 66,79% de passes completados por Dak Prescott são a segunda melhor marca de um calouro em toda a história. Curiosamente, a primeira colocação, no momento, pertence a outro jogador que está fazendo sua estréia em 2016. Cody Kessler, do Cleveland Browns, completou 66,85% de seus passes até agora. A diferença entre eles, no entanto, é que Kessler raramente tenta passes intermediários e longos, que são por natureza mais difíceis de completar. Isto é evidenciado por sua fraca média de jardas por tentativa, de apenas 6,97. Dak, por outro lado, obtém uma média de 8,35 jardas em suas tentativas. Esta diferença de 1,38 jarda por tentativa é suficiente para fazer com que Kessler seja apenas o 32º calouro da história neste quesito e Prescott seja o quinto colocado.

Produtividade

Ainda que seja apenas o 19º colocado em tentativas de passe por jogo – entre calouros com nove ou mais jogos disputados – Prescott é o segundo melhor em jardas por jogo, atrás apenas de Andrew Luck em 2012. Ele é, além disso, o quinto colocado em touchdowns por jogo e o primeiro colocado em interceptações por partida, com apenas 0,22.


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Eficiência

Pouco volume e muita produção são a receita da eficiência, e Prescott tem dado um verdadeiro show neste quesito.

Existem diversas métricas para avaliar a eficiência de um quarterback. A minha preferida, por apresentar a melhor correlação com número de vitórias, é a Adjusted Net Yards per Pass Attempt, ou ANY/A, calculada através de uma fórmula que leva em conta jardas aéreas, sacks, touchdowns e interceptações.

Dak é o líder absoluto nesta categoria, com uma ANY/A de 8,35. Isto é 0,88 a mais que o segundo colocado entre calouros com pelo menos nove jogos disputados, Robert Griffin III. Como base de comparação, esta é quase a mesma diferença entre Griffin e o nono colocado, Marcus Mariota.

Para os mais tradicionalistas o Quarterback Rating continua sendo a melhor métrica de eficiência de um lançador. Sem problemas para Dak, cujo rating de 106,2 também lhe garante uma liderança folgada, com uma vantagem de 3,8 pontos para Robert Griffin. Desta vez, o diferencial entre o dois é próximo do de Griffin para Big Ben, o quarto colocado. Nesta temporada, o único quarterback com um rating melhor que o de Prescott é Tom Brady, que vem fazendo, talvez, a melhor temporada de sua carreira.

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A escolha dos Cowboys

No fim das contas, a decisão  de manter Dak Prescott como titular não foi muito difícil. Um quarterback extremamente preciso, incrivelmente eficiente e que é capaz de produzir mesmo com relativamente pouco volume não é um jogador que um time pode se dar ao luxo de mandar para o banco de reservas. Isto sem falar no quesito que acaba sendo sempre o de maior peso neste tipo de decisões: as vitórias.

Tony Romo é um grande jogador e, como demonstrou esta semana, um grande homem. Mas o que estamos presenciando com Dak Prescott é uma temporada que está reescrevendo os livros de história do futebol americano. O futuro é agora, e não pode ser interrompido.

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