Dropback, 2005: NFL vai ao México para o primeiro jogo oficial da história fora dos EUA – Pro Football: NFL | Brasil | College | Futebol Americano
História

Dropback, 2005: NFL vai ao México para o primeiro jogo oficial da história fora dos EUA

Embora não costume receber tanto destaque assim, o dia 2 de outubro de 2005 foi um marco importante da NFL, já que nesta data aconteceu o primeiro confronto de temporada regular da história fora dos Estados Unidos – não, Londres não foi a primeira. Na noite daquele domingo, Arizona Cardinals e San Francisco 49ers visitaram o Estádio Azteca, na Cidade do México, para medir forças diante de um público de 103,467 pessoas – na época um recorde da liga.

Antes de continuarmos, vale a pena um pequeno esclarecimento para evitar confusões. Este não foi exatamente o primeiro jogo da história fora dos Estados Unidos, pois a NFL tinha o hábito de organizar partidas amistosas de pré-temporada (exhibition games) na Europa, Canadá, Japão, Austrália e mesmo no México. Contudo, o duelo entre 49ers e Cardinals foi o primeiro de temporada regular, ou seja, o primeiro que realmente valia alguma coisa – daí a sua maior importância.

O “Fútbol Americano”, nome comercial pelo qual foi conhecido o jogo, abriu as portas para o definitivo crescimento internacional da NFL. Desde então, apoiada pelo sucesso da experiência mexicana, a liga já mandou partidas oficiais no Canadá e hoje mantém uma tradição de confrontos anuais disputados em Londres – a polêmica International Series, que desagrada tanta gente. Os objetivos disso são bastante simples: expandir a marca da NFL pelo planeta, aumentar a popularidade e o interesse pelo esporte e tentar conquistar novos mercados consumidores.

Nesta segunda-feira, 21 de novembro, após mais de 11 anos, a NFL estará de volta ao lendário Estádio Azteca. Oakland Raiders e Houston Texans, dois fortes candidatos aos Playoffs em 2016, jogarão diante de um público fanático que esgotou os ingressos em poucos minutos. Então, como forma de celebrar o retorno do “Fútbol Americano”, por que não relembrarmos um pouco mais daquele Cardinals e 49ers que entrou para a história? A partida de 2005 pode não ter sido a melhor de todos os tempos, mas com certeza foi interessante, tendo sido decidida por jogadores famosos que estão até hoje na liga.

Contexto dos times e o jogo

Há 11 anos, Arizona e San Francisco estavam bem longe de viver seus dias mais gloriosos. Na verdade, durante boa parte da década passada, ambos foram os dois piores times da NFC West. Entre 2003 e 2010, os 49ers colecionaram records medíocres e não foram nenhuma vez aos Playoffs. A seca só foi encerrada quando Jim Harbaugh foi contratado (2011). Os Cardinals, por sua vez, não eram muito melhores, ficando fora da pós-temporada entre 1999 e 2007 – no ano seguinte, o time chegou ao seu primeiro e único Super Bowl. Ademais, o jogo não era propriamente uma grande rivalidade: os Cardinals, até 2001, jogavam na NFC East.

Resumindo, os torcedores mexicanos não presenciaram um encontro entre duas grandes equipes. Arizona, oficialmente o mandante do duelo, tinha perdido os três jogos que havia feito até então. San Francisco ganhou um e perdeu dois, incluindo uma surra por 42 a 3 sofrida diante dos Eagles na semana 2. Em todo o caso, os fãs obviamente compareceram em peso por se tratar de uma partida oficial da NFL – aliás, os relatos da época dão conta que o estádio já estava lotado três horas antes do kickoff.

Dentro de campo, o que aconteceu foi uma vitória relativamente tranquila dos “donos de casa”. Liderados pelo quarterback Josh McCown (sim, aquele que agora atua pelos Browns) e os jovens wide receivers Anquan Boldin e Larry Fitzgerald, os Cardinals atropelaram os 49ers por 31 a 14. McCown teve uma das melhores apresentações da vida, acertando 32 de 46 passes para 385 jardas, dois touchdowns e nenhuma intercepção. Já Boldin e Fitzgerald passaram das 100 jardas recebidas e anotaram um touchdown cada um.


“RODAPE"

San Francisco pontuou duas vezes no primeiro quarto e abriu 14 a 0 através de dois fumbles forçados e retornados para a end zone. O primeiro deles aconteceu logo na jogada inaugural da partida, após McCown ser sackado. Depois disso, entretanto, a franquia não teve mais motivos para comemorar. O ataque não fez absolutamente nada o tempo inteiro – quase todas as campanhas acabaram em punts ou turnovers. O único drive dos 49ers que chegou ao campo ofensivo (49 jardas) virou um fumble. Ao todo, o time conseguiu míseros oito first downs e terminou com 22 minutos de posse de bola. O quarterback Tim Rattay (11/21, 126 jardas e uma interceptação) estava atuando tão mal que foi substituindo no último quarto pelo calouro Alex Smith. Outro primeiranista que ganhou tempo de jogo foi o running back Frank Gore.

Do lado de Arizona, as coisas foram muito diferentes. Depois de um primeiro quarto conturbado, a equipe pontuou em oito campanhas consecutivas. Tudo bem, seis dessas pontuações foram field goals (o kicker Neil Rackers teve uma ótima noite), mas ainda assim é algo a ser destacado. McCown não enfrentou dificuldades para explorar a fragilidade defensiva adversária e mover as correntes com os seus passes. O touchdown do segundanista Larry Fitzgerald ocorreu nos segundos derradeiros da primeira etapa, graças a um lançamento de 17 jardas. Já o de Boldin, na época em seu terceiro ano como profissional, praticamente sacramentou a vitória no início do último quarto. Placar final 31 a 14.

Legado da Copa da partida

Conforme já dissemos anteriormente, o maior legado dessa visita da NFL ao México foi o incentivo ao crescimento internacional da liga. A experiência foi um completo sucesso e encorajou os chefões do futebol americano a mandarem cada vez mais partidas oficiais para fora dos Estados Unidos. Não é coincidência que desde 2007 temos duelos de temporada regular anuais na Inglaterra, assim como não é por acaso que existem especulações de jogos no futuro sendo realizados na Alemanha, China ou mesmo no Brasil (NFL, please come to Brazil. We love you).

Ademais, há também um outro ponto. Hoje, o México é o segundo país do mundo com mais fãs de futebol americano – só perde para os Estados Unidos, claro. É difícil dizer com certeza absoluta, porém esse sucesso atual de público pode ter sido potencializado graças à iniciativa de mandar um jogo de temporada regular para lá.

Enfim, o confronto de 2005 entre 49ers e Cardinals não reuniu times espetaculares ou nos proporcionou lances épicos, contudo foi um pedaço importante da história da NFL, um pedaço que influenciou e continua influenciando o futuro da liga.

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“RODAPE"

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