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Análise tática: A culpa não é só de Goff; a estreia da primeira escolha geral

Na NFC tem muita coisa acontecendo: Cowboys jogando demais, NFC East saindo do limbo e virando a divisão mais forte, Arizona Cardinals e Carolina Panthers ficando longe dos Playoffs e San Francisco 49ers sendo implodido a cada rodada. Só que no meio de Ezekiel Elliott sendo considerado ao MVP contra Matthew Stafford, Carson Wentz estreando bem e Kirk “How you like me now” Cousins, uma estreia passou desapercebida por alguns na semana passada: Jared Goff, a primeira escolha geral pelo Los Angeles Rams.

Goff não poderia ter caído em situação pior saindo do college: falta talento ofensivo (principalmente de wide receiver), a linha ofensiva é uma peneira (incrível como Greg Robinson estagnou) e a comissão técnica não tem muita experiência lidando com jovens quarterbacks – compare com Wentz, que possui um técnico principal, coordenador ofensivo e técnico de quarterback que já jogaram na posição e o segura-prancheta, Chase Daniel, é um veterano que conhece bem o esquema montado.

Some isso ao fato que Goff (nem Wentz, como já havíamos falado) estava tão preparado para ser titular na liga, o fato que a defesa do Miami Dolphins vem atuando em alto nível e começar no meio da temporada (todos estão com ritmo de jogo, menos o signal caller) e fica fácil entender o porquê da dificuldade na estreia.

Estatísticas e o que tem de bom

“[…] a sequência para finalizar o jogo mostra bem como ele está longe de uma melhor forma: um checkdown para queimar um tempo, dois passes incompletos para a lateral que não tinham chances de serem completados, outro checkdown para converter a terceira descida e uma Hail Mary que não tinha ninguém na endzone para disputar.”

A primeira impressão que ficou após o jogo foi exatamente expressa nesta descrição de nosso Power Ranking semanal: Goff está longe de ser considerado um bom titular. Ele é calouro, e calouros cometem erros, mas a sua estreia não foi de encher os olhos tanto no videotape quanto nas estatísticas: 17 de 31 para 134 jardas, nenhum touchdown e nenhuma interceptação.

Apesar destes números, alguns flashes mostrados dentro de campo foram encorajadores: um senso de pressão mais apurado por causa de uma linha ofensiva (principalmente o left tackle Greg Robinson) que tinha sérias dificuldades em manter os bloqueios, a capacidade de não sofrer sacks e uma certa precisão nos passes quando conseguia desenvolver toda a sua mecânica. Ainda é pouco, bem verdade, mas é animador visto a situação de terra arrasada em que ele foi jogado neste final de temporada regular.

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Erros de playcall e esquecendo da mecânica

No início do jogo parecia que o coordenador ofensivo Rob Boras (que sempre foi técnico de tight ends e linha ofensiva, nenhuma experiência como técnico de quarterbacks) iria adotar o mesmo playbook utilizado com Case Keenum: desenvolver rotas longas e passes em profundidade. Seria interessante, visto que Goff tinha um passe em profundidade, e também intermediário, melhor que o de Wentz durante o processo do Draft.

Só que a linha ofensiva de Los Angeles não conseguiu aguentar. Faltava tempo de proteção, visto que o left tackle Greg Robinson e o center Tim Barnes sofriam com a linha defensiva adversária, e o resultado foram alguns hits para começar a partida. Qual foi a decisão após isso? Limitar ao máximo as leituras do quarterback e muitos passes curtos – usando e abusando de checkdowns. O pior é que, para isso funcionar, é preciso ter uma certa combinação de rotas e Boras parece não ter muito disso em seu playbook. Um exemplo foi neste passe em profundidade:

Para dar tempo para Goff, a chamada é de proteção máxima com apenas dois wide receivers correndo rotas. Contra a cover 1 de Miami isto poderia dar certo, caso houvesse uma combinação ou rotas que tivessem algum tipo de corte para gerar separação. Enquanto de um lado estava Tavon Austin (o que faz o safety roubar para aquele lado) do outro estava o lento Kenny Britt. Qual foi a decisão? Em vez de fazer uma simples combinação in-post (ilustrado em vermelho), por exemplo, a jogada englobava os dois wide receivers em rotas Go, facilitando o trabalho de Goff – e, obviamente, gerando um passe incompleto. Combinação zero, levantando dúvidas sobre o playcall.

Ajuste para blitzes

Calouros normalmente possuem dificuldade quando estão enfrentando blitzes, mas esta dificuldade deveria estar no reconhecimento da jogada e não na incapacidade de manter a sua mecânica de passe. Este foi um ponto que o primeiro escolha geral sofreu durante todo o jogo, como neste exemplo.

Observe como o blitz é inteligente. São quatro jogadores atacando o lado esquerdo da linha, encurralando um quarterback calouro. Além disso, o linebacker vai cobrir o lado do campo, colocando três contra dois e tornando a jogada muito difícil de se concretizar.

A decisão de Goff, um passe rápido, foi perfeita. O problema é a sua execução – que se repetiu em outras vezes quando foi pressionado. Note como ele acelera os passos para trás, visivelmente preocupado com o passe e não com a leitura. Apesar dos problemas da linha, esta é uma rara jogada em que ele tem a tranquilidade no pocket necessária para parar, ajustar os pés e fazer o passe corretamente. Em vez disso, ele mantém uma postura em que o pé de apoio está praticamente ao lado do pé de trás, colocando o peso do corpo de maneira equivocada e fazendo o lançamento. É nestas horas que a precisão diminui, a força do passe fica prejudicada e os turnovers acontecem. O quarterback precisa sempre se preocupar com a sua mecânica e é um ponto que precisa de muita melhora.

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Leitura do campo

Outro ponto que Goff mostrou deficiência durante todo o jogo foi na leitura do jogo – característica fundamental para sobreviver na liga. Com a decisão de Boras em ajustar o seu playbook e simplificar ao máximo com passes curtos, Goff acabou não desenvolvendo a sua leitura de jogo em momentos que eram precisos, como nesta jogada.

A razão de se fazer um play action é atrair os linebackers para mais perto da linha de scrimmage e abrir espaços no meio do campo – pelo menos nesta jogada. O play action faz exatamente isso e abre um espaço perfeito para ser explorado pelo slot receiver na rota In realizada. Note que o nickelback está atuando por fora da rota, logo vai haver muito espaço para o passe. Mesmo assim Goff fixa na primeira leitura, Tavon Austin, que está muito bem marcado e faz uma rota de qualquer maneira – facilitando o trabalho do cornerback. Este é o tipo de passe perigoso que podia ser evitado, explorando o meio do campo e mantendo o drive vivo.

A estreia foi dura, mas deve melhorar

Era esperado uma dificuldade de Jared Goff em sua estreia. O momento escolhido foi o pior possível, o colocando contra uma defesa agressiva e que iria dominar a partida por causa do talento de Los Angeles no ataque. Talvez a ideia era mostrar o fundo do poço e esperar só melhoras, o que deve acontecer.

Neste domingo, os Rams vão enfrentar a defesa de New Orleans, que é bem mais limitada que a de Miami. Será o momento ideal para o quarterback pegar confiança no primeiro jogo fora de casa da carreira, começar a entender como a NFL funciona e mostrar que a franquia precisa mudar na comissão técnica para a sua evolução não ser prejudicada. Jared Goff tem muito talento, mas precisa ser lapidado. E, no momento, os Rams ainda não mostraram que tem o suficiente para lapidá-lo da melhor maneira possível.

Análise tática: A culpa não é só de Goff; a estreia da primeira escolha geral
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