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Os Giants são para valer ou a campanha de 8-3 é enganosa?

Os Giants são para valer ou a campanha de 8-3 é enganosa?

Se há alguns meses alguém te dissesse que no começo de dezembro os Giants teriam a quarta melhor campanha da NFL, você acreditaria? Provavelmente não, a menos que você seja um torcedor fanático da franquia. Contudo, esta é a atual realidade. Após dois anos com seis vitórias e 10 derrotas, New York foi às compras na intertemporada e gastou um caminhão de dinheiro para qualificar o time, sobretudo no lado defensivo da bola.


A ostentação feita na Free Agency pelo general manager Jerry Reese vem dando bastante certo até aqui, pelo menos em termos de resultados. Hoje, os Giants somam oito vitórias e apenas três derrotas, quarto melhor record da liga empatado com os Chiefs. Ademais, a equipe possui uma sequência de seis triunfos consecutivos, marca que só fica atrás dos 11 seguidos de Dallas. Estes números colocam New York em uma condição privilegiada para chegar aos Playoffs via wild card, possivelmente precisando de apenas mais duas vitórias e uma combinação não muito improvável de resultados para assegurar uma vaga. O título de divisão, por outro lado, é algo bem mais complicado devido à vantagem e ao desempenho dos Cowboys.

Porém, apesar de todos esses dados positivos, as dúvidas ainda pairam em cima da franquia. A performance dentro de campo deixou a desejar em algumas ocasiões, inclusive durante vitórias – o triunfo sobre os Rams, na Inglaterra, esteve longe de ser algo bonito. A falta de consistência ofensiva em diversos momentos fez os resultados saírem com muito mais emoção do que o necessário. Para resumir, podemos simplificar as coisas com uma simples pergunta: os Giants são de verdade ou as seguidas vitórias estão mascarando os defeitos do time?

Neste texto vamos discutir um pouco mais sobre o assunto, mostrando que se por um lado a equipe teve uma clara evolução em relação a 2015, por outro ainda é cedo demais para empolgar totalmente e, por exemplo, considerá-la uma candidata ao Super Bowl.

Uma defesa que agora ganha jogos

Sem dúvida nenhuma o que mais melhorou nos Giants de um ano para cá foi a defesa. Em 2015, o time foi o terceiro que mais cedeu pontos por partida (27,6). Hoje, ele é o sexto que menos permite pontuações (19,4). Os investimentos feitos nos defensive ends Olivier Vernon e Jason Pierre-Paul estão funcionando e, pelo menos recentemente, o pass rush da equipe vem voando – 14 sacks nas últimas três partidas. O defensive tackle Damon Harrison também está jogando de maneira bastante sólida e o cornerback Janoris Jenkins provou-se um belo reforço para a secundária. Além disso, Landon Collins teve uma evolução de desempenho gigante em relação à sua temporada de calouro. Agora ele é um safety nível Pro Bowl que ameaça cobrindo passes (cinco interceptações), pressionando os quarterbacks adversários (três sacks) e combatendo o jogo terrestre (87 tackles).

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O principal desdobramento dessa melhora é simples: ao invés de entregar os resultados, a defesa hoje vence jogos para os Giants. No ano passado, New York perdeu vários confrontos nos minutos finais porque a defesa não conseguia parar os ataques adversários. Em 2016, é justamente o contrário. Com exceção do duelo contra os Browns, todas as vitórias do time aconteceram com uma diferença de até uma posse de bola e quase sempre coube à defesa a missão de garantir o triunfo. Isso foi muito claro sobretudo diante de Dallas, Rams, Eagles e Bears.

Os números defensivos da equipe no último quarto são impressionantes e explicam esse fenômeno. Entre as semanas 6 e 11, os Giants cederam 44% de passes completos (1ª marca da NFL), 4,9 jardas por tentativa de passe (2ª) e nenhum lançamento para touchdown (1ª) nos últimos 15 minutos de jogo. Ademais, interceptaram cinco passes (1ª) e conseguiram sete sacks (2ª). Esta capacidade de crescer nos momentos finais das partidas foi fundamental para o sucesso da unidade e da equipe até aqui.

Já o ataque…

Enquanto de um lado da bola as coisas evoluíram, do outro elas andaram para trás. Não, o ataque de New York não é o pior do mundo, mas ele não está rendendo como na temporada passada. Falando em números: o sexto ataque mais produtivo de 2015 (26,2 pontos por jogo), agora é apenas o 21º (21). Isso tem um pouco a ver com a melhora defensiva, pois o time não precisa mais colocar pontos igual louco no placar se quiser vencer as partidas, mas não podemos ignorar que alguns jogadores caíram de desempenho.


“RODAPE"

Eli Manning, por exemplo, teve várias atuações bem fracas na primeira metade da temporada. Sua proporção entre touchdowns e interceptações estava perigosamente próxima e isso só mudou nas últimas duas semanas, quando ele lançou cinco touchdowns e não cometeu nenhum turnover. Ademais, o quarterback vem tendo problemas de pontaria em algumas partidas, errando passes fáceis para recebedores livres. A inconsistência de Eli, aliás, afetou o próprio desempenho de Odell Beckham Jr. no começo do ano – sem contar os chiliques dados pelo wide receiver, os quais obviamente também atrapalharam.

Porém, verdade seja dita, Eli está constantemente sob pressão, já que conta com pouca ajuda do jogo corrido. New York de novo tem um dos ataques terrestres menos efetivos da liga: 79,5 jardas de média por partida, segunda pior marca da NFL. Sem correr com a bola, Manning tem que compensar no braço e nenhum quarterback consegue ter muito sucesso desse jeito.

A regressão ofensiva dos Giants é uma das coisas mais surpreendentes da temporada. Após a promoção do ex-coordenador ofensivo Ben McAdoo ao cargo de head coach e a escolha de Sterling Shepard no Draft, muita gente pensou que o ataque da franquia iria decolar. Não foi o que ocorreu. No geral, New York sem dúvida conta com um time muito mais equilibrado e competitivo do que o de 2015, mas a sensação é que poderia ser ainda melhor caso o ataque tivesse cumprindo as expectativas.

Vitórias apertadas e calendário fácil

Certo, o time é melhor e mais competitivo do que há um ano. As vitórias estão acontecendo. Então por que devemos segurar a empolgação? Bem, existem alguns motivos.

O principal deles é a questão da força dos adversários. Em 2016, as franquias da NFC East cruzaram o caminho da AFC North e NFC North, duas divisões tradicionalmente fortes, mas que estão sofrendo muito neste ano. Deste modo, Giants, Cowboys, Redskins e Eagles tiveram a sorte de medir forças e o mérito de não derrapar contra equipes fracas como Bengals, Browns, Bears etc., ou então equipes boas que vem oscilando bastante como Vikings, Packers, Steelers e Ravens.

Para falar com todas as letras: o calendário dos times da NFC East, no geral, é fácil. New York, por exemplo, nas últimas três semanas jogou contra Bengals, Bears e Browns, adversários que combinados somam cinco vitórias na temporada. Dallas enfrentou quatro das cinco piores franquias da liga em 2016: Bears, Bengals, 49ers e Browns. E por aí vai.

Este é o maior motivo para algumas pessoas considerarem o 8-3 dos Giants um tanto quanto “enganoso”, até porque vários desses triunfos sobre times não muito ameaçadores saíram quase que na base do fórceps. Contra Chicago, a vitória só foi garantida com uma interceptação no minuto final de partida. Contra os Rams, adversário da NFC West por conta de terem estado em 3º no ano passado em sua divisão tal qual os Giants na NFC East, idem. O duelo diante de Cincinnati, vencido por 21 a 20, também trouxe doses elevadas de drama, embora os Bengals tenham feito um jogo bastante ruim.

Veja bem, não estamos desmerecendo o que foi feito por New York até agora. A franquia tem totais méritos, pois vencer tantos duelo apertados, mesmo que contra adversários não muito badalados, requer um nível de competição alto. Apenas estamos pedindo para que todos mantenham os pés no chão. Os Giants não estão atropelando todo mundo e nem estão jogando o melhor futebol americano da NFL.

New York precisa de uma vitória convincente para calar os céticos

O exemplo de Oakland pode ser muito útil para explicarmos a situação dos Giants. Embora seja um dos times que mais venceu em 2016, os Raiders (9-2) demoraram um pouco para ser totalmente respeitados. A desconfiança pairava forte, até que eles venceram com autoridade os Broncos na semana 9. Desde então, provavelmente ninguém mais duvida que os californianos podem bater de frente com qualquer adversário.

Falta isso para os Giants calarem os céticos, uma vitória convincente diante de um oponente de peso. Sim, eles bateram os Cowboys na estreia da temporada, porém tal feito notável ocorreu há quase três meses e num momento onde o novo ataque dos Cowboys ainda não estava entrosado. De lá para cá, tudo o que foi mencionado neste texto aconteceu com New York. Não temos a menor dúvida de que um resultado positivo neste final de semana contra Pittsburgh elevaria a equipe de patamar, ainda mais por ser um jogo fora de casa. Ou então um novo triunfo diante de Dallas daqui 15 dias. Estes são os dois paradigmas dos Giants nesta temporada. Eles devem se classificar para os playoffs, só uma catástrofe evita isso. Mas resta saber: chegam embalados ou com um ponto de interrogação na cabeça? Chegar embalado fez a diferença em 2007, não esqueçamos.

Respondendo a pergunta que fizemos na introdução: os Giants ainda precisam provar que são para valer. E não há nada de errado nisso, Oakland passou pela mesma situação. O calendário é fraco e o ataque terrestre também – daí as dúvidas. Eles terão uma ótima chance de fazer isso na reta final da temporada, quando enfrentarão de longe a sequência de partidas mais desafiadora do ano: Pittsburgh (fora), Dallas, Detroit, Philadelphia (fora) e Washington (fora). Caso consiga arrancar bons resultados destes times, New York dará uma demonstração de força gigante e chegará aos Playoffs muito mais respeitado do que se a pós-temporada começasse hoje.

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“RODAPE"

Pós-graduando em jornalismo esportivo, apaixonado tanto pela bola redonda quanto oval, escreve sobre futebol americano desde 2015, quando o ProFootball ainda se chamava The Concussion. Ao todo, conta com mais de 300 textos publicados sobre NFL e college football.

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