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Plano de jogo eficiente e exploração de matchups: como os Patriots venceram Denver

Plano de jogo eficiente e exploração de matchups: como os Patriots venceram Denver

Os Patriots já haviam mostrado no começo da temporada que podem ganhar jogos mesmo sem Tom Brady. Ontem, eles provaram isso novamente. Contra Denver, o quarterback teve de longe sua performance mais apagada do ano, completando apenas 50% de seus passes e lançando míseras 188 jardas – primeira vez em 2016 que Brady fica abaixo dos 200 jardas aéreas. Entretanto, New England ainda assim venceu os Broncos, fora de casa, por 16 a 3.

Na verdade, como ficou claro desde o início da partida, a atuação discreta de Brady sempre fez parte do plano. Bill Belichick e companhia são os melhores na arte de explorar as deficiências adversárias e tirar vantagem de matchups favoráveis. Jogando diante de uma das principais secundárias da liga e um pass rush excelente, era esperado que os Patriots fossem fazer de tudo para tirar a pressão dos ombros do seu quarterback. E isso aconteceu com maestria.

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Pela primeira vez na temporada, o time tentou mais corridas (39) do que passes (32). Além disso, Brady segurou a bola o menos possível para não dar chance ao pass rush e evitou testar a “No Fly Zone” dos Broncos. O quarterback arriscou apenas um lançamento para mais de 20 jardas e, em compensação, procurou as válvulas de escape Julian Edelman ou James White em 65% dos seus passes. Ambos fizeram estrago superando duelos contra linebackers e recebendo bolas após percorrerem rotas curtas.

Para vencer, New England fez questão de dominar nas trincheiras com o jogo terrestre. A equipe conseguiu 116 jardas em corridas realizadas entre os tackles – por exemplo, 51 dos 95 jardas de Dion Lewis foram obtidas quando ele correu pelos lados do center David Andrews. Curiosamente, LeGarrette Blount não foi tão efetivo, embora tenha anotado seu 15º touchdown pelo chão em 2016, quebrando o recorde histórico da franquia, o qual pertencia a Curtis Martin. Os Patriots preferiam surpreender ao entregar a bola à Dion Lewis em 18 oportunidades – desde que voltou de lesão na semana 11, o running back havia somado um total de 19 carregadas em quatro partidas.

Enfim, os Patriots de novo deram uma aula de estratégia e preparação. Diante de Baltimore, que também tem uma defesa de elite, porém muito mais eficaz na contenção ao jogo terrestre, Brady terminou com 406 jardas aéreas e três touchdowns. Contra a excelente defesa Denver, a qual possui características exatamente opostas, o time dominou pelo chão. Esse tipo de percepção demonstra porque a comissão técnica da franquia é acima da média e explica o sucesso de New England na última década.

Do outro lado da bola, o destaque vai para o defensive end Trey Flowers. O segundanista terminou com dois sacks e três hurries, sendo um dos principais responsáveis pela tarde difícil de Trevor Siemian. A secundária também foi muito bem, haja vista os cornerbacks Logan Ryan e Malcolm Butler terem cedido um total de seis recepções para 58 jardas.

O resultado garantiu à New England o título da AFC East e uma semana de folga nos playoffs. Esta foi a oitava conquista divisional consecutiva da franquia, superando a marca histórica estabelecida pelos Rams entre 1973 e 1979. Ademais, este foi o 14º título da dupla Belichick e Brady, o dobro da segunda dupla mais bem-sucedida de técnico e quarterback desde os 1970 (Chuck Noll e Terry Bradshaw). Contudo, a temporada regular ainda não acabou para os Patriots: como está só um jogo na frente dos Raiders, a equipe precisa de vitórias nas últimas duas semanas (Jets e Dolphins) para assegurar a home-field advantage nos playoffs.

O ataque anêmico de Denver mais uma vez comprometeu

Pela segunda partida seguida, a falta de qualidade ofensiva dos Broncos impediu que o time buscasse a vitória. O jogo terrestre quase não existiu (58 jardas totais) e a linha ofensiva falhou em proteger Siemian. O quarterback foi sackado em quatro ocasiões e pressionado em várias outras. A equipe também cometeu dois turnovers que resultaram em 10 pontos ao adversário. Somando os três últimos confrontos, Denver conseguiu apenas 33 pontos e anotou dois touchdowns em 37 posses de bola.

Desde a bye week na semana 11, a franquia perdeu três de quatro compromissos. Se a temporada acabasse hoje, os atuais campeões do Super Bowl estariam fora dos playoffs, pois foram ultrapassados pelos Dolphins na briga pelo wild card. Para piorar, o clima entre os próprios jogadores não é dos melhores. Após a derrota diante dos Patriots, houve uma grande discussão no vestiário envolvendo membros da secundária e atletas da linha ofensiva. Gary Kubiak, inclusive, precisou intervir para acalmar os ânimos.

Depois de cinco títulos divisionais seguidos, conquistar a AFC West não é mais matematicamente possível para Denver em 2016. Agora, o time enfrentará duas “pedreiras” para tentar salvar o ano: Chiefs (fora de casa) e Raiders.

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Pós-graduando em jornalismo esportivo, apaixonado tanto pela bola redonda quanto oval, escreve sobre futebol americano desde 2015, quando o ProFootball ainda se chamava The Concussion. Ao todo, conta com mais de 300 textos publicados sobre NFL e college football.

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