Para dar a volta por cima, os 49ers precisam de muito mais do que só mandar o técnico embora – Pro Football: NFL | Brasil | College | Futebol Americano
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Para dar a volta por cima, os 49ers precisam de muito mais do que só mandar o técnico embora

Desde que Jed York assumiu como manda-chuva do San Francisco 49ers, técnicos que não possuem o nome Jim Harbaugh combinaram para um recorde 19-38. Foram quatro técnicos desde 2009 (ano que ele foi indicado pelo pai como novo manda-chuva) e vamos para o quinto no ano que vem. Com seus 36 para 37 anos, York está mostrando para todo mundo o que não fazer com uma franquia tradicional e como minar o legado de sua família.

Isto mostra que os problemas da franquia de San Francisco são muito maiores do que general manager e técnico principal. Para a turma do TL;DR (muito longo não lerei), Chip Kelly e Trent Baalke tinham que ir embora mesmo. Na realidade, Kelly não deveria sequer ter sido contratado – vamos falar mais sobre para quem quiser uma explicação mais detalhada. Concordo com o Mancha (que falou isto no Abre o Jogo da ESPN) que demissões com menos de três anos não devem acontecer na NFL. Não é a fórmula do sucesso, nem de perto. Só que assim como em Cleveland, as demissões seguidas nos 49ers mostram que toda a organização está se tornando uma bagunça sem fim – e o problema começa no dono.

Antes de falar sobre a demissão de Kelly em si, vale a pena falar um pouco de como York está afundando pouco a pouco a franquia – começando pela demissão de Harbaugh, obviamente.

A famigerada segunda contratação de técnico

Como falamos, normalmente donos novatos erram na primeira contratação – foi assim com Robert Kraft e Jeff Lurie. E a segunda contratação é extremamente importante, visto que a torcida já está para baixo e é preciso trazer algum ânimo para a cidade. E foi assim que York engoliu um pouco de sua personalidade e contratou um cara que sabe unir o elenco e é extremamente controlador – Jim Harbaugh.

O sucesso de Harbaugh, com decisões questionáveis como manter Colin Kaepernick de titular em vez de Alex Smith, teve um efeito colateral: permitiu que York pudesse mostrar sua verdadeira faceta como manda-chuva – teoricamente ele é presidente e sua mãe é a principal dona, mas deu para entender que ele que manda. Donos mais velhos, como o próprio Robert Kraft, aprendem que a melhor abordagem é não interferir no dia-a-dia das operações. Aliás, o Dallas Cowboys só voltou a crescer na NFL a partir do momento que Jerry Jones deixou um pouco de seu poder para seu filho.

Com Harbaugh batendo cabeça com a diretoria (mais especificamente com Trent Baalke) e York querendo resultados, era questão de tempo para a bomba estourar sem perceber o erro que estava sendo cometido. Depois disso, só foi desastre após desastre, como queimar um antigo técnico da franquia o demitindo um ano depois (por que contratou Jim Tomsula para técnico principal então?) e depois trazer um técnico que acabou com um elenco porque não consegue ajustar o seu sistema aos seus jogadores.

Voltando ao assunto: York fez o correto em mandar Kelly para a rua

Bons técnicos são brilhantes ofensivamente (ou defensivamente), ótimos nas chamadas e possuem sistemas revolucionários. Estes fazem muito sucesso no College, mas tendem a falhar na NFL. É preciso ser um grande técnico para sobreviver nos profissionais: muito estudo, muito empenho e saber a hora que está errado e fazer ajustes – muitos ajustes. Ninguém chega ao Super Bowl mantendo um sistema intacto o tempo todo. Nem a defesa de Pete Carroll foi assim, por que seria diferente com Chip Kelly?

Kelly chegou revolucionando a liga com o seu estilo Up Tempo e o uso da ciência na preparação dos atletas. Até hoje tem gente copiando as suas ideias e implantando em suas equipes. O problema é que ele acreditava piamente que o seu esquema era o melhor do mundo (tanto é que só usa o 3-4 2-gap devido a, em sua maneira de ver, ser o esquema que mais cria dificuldades ao seu ataque) e ele iria dispensar qualquer um para implementar o seu sagrado playbook de oito jogadas – e nunca ajustar. Isto dá certo no College. Na NFL? Esquece.

O correto era Kelly ter um tempo para pensar após a sua demissão e assimilar os seus erros. Logo após sair, ele disse que só aceitaria ir aos 49ers e York achou aquilo especial. Ir atrás de técnicos bem sucedidos que passaram do prazo de validade é uma coisa; ir atrás de um novato que foi demitido por ser cabeça dura ao extremo é totalmente diferente.

York acabou o contratando e vendo o seu time falhar cada vez mais com um sistema que não se encaixa a ruindade do elenco – montado equivocadamente por Trent Baalke, que fez escolhas bizarras no Draft como LaMichael James na segunda rodada ou Marcus Lattimore na terceira (Lattimore nunca jogou). A brilhante ideia de manter Trent Baalke em vez de Jim Harbaugh (os dois bateram cabeça) cobrou o seu preço agora, com um técnico que não consegue se ajustar a um elenco fraco montado por um general manager que não sabe escolher! Estava na hora de ir embora, mas só a sua demissão não vai resolver os problemas da equipe.

York precisa mudar: sair de cena e começar a agir como presidente

Montar uma diretoria forte, contratar um técnico de personalidade e se afastar das operações do dia-a-dia. É a única abordagem possível. Washington só começou a andar após Dan Snyder parar um pouco de ficar arrumando picuinha com os seus técnicos e deixar Jay Gruden fazer o seu trabalho – mandando Robert Griffin III para escanteio.

O San Francisco 49ers está inserido em um mercado gigante, com torcedores por todo os EUA e uma história extremamente rica. Sempre vai ter apoio e muito dinheiro para faturar. Só que grandes impérios podem ser destruídos se não forem bem administrados. Jed York precisa recomeçar os 49ers desde cima e a única possibilidade de sair da lama e dar a volta por cima é ficando quieto e deixando a equipe na mão de quem entende.

Para dar a volta por cima, os 49ers precisam de muito mais do que só mandar o técnico embora
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