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O calcanhar de Aquiles de cada um dos 12 times dos Playoffs 2016-2017

O calcanhar de Aquiles de cada um dos 12 times dos Playoffs 2016-2017

A arma mais poderosa da galáxia muito, muito distante, foi destruída com um tiro de “um em um milhão” dado por um fazendeiro de Tatooine. Sim, minhas referências a Star Wars são ilimitadas e esta é a melhor metáfora para provar que, bem, mesmo a Estrela da Morte tem seu calcanhar de Aquiles.

Isso quer dizer que seu time também tem uma falha a ser explorada. Com 32 franquias tendo orçamento infinito por conta das ricas cotas de TV e, ao mesmo tempo, havendo teto salarial para as equipes da NFL, é impossível construir um Dream Team como os Packers da década de 1960, os Steelers da década de 1970 e os 49ers da década de 1980. Desde que o teto salarial começou, em 1994, houve apenas dois bicampeões na NFL: Broncos em 1997-1998 e Patriots em 2003-2004.

Como visto pelos Broncos neste ano – as ausências de Malik Jackson e Danny Trevathan deixaram a defesa contra a corrida algo mais poroso – é muito difícil manter um time como máquina de um ano para o outro. E, bem, de uma Semana 1 até os playoffs também. Não se engane: seu time tem uma falha. Ela pode fazer a diferença no final das contas ou não. Claro: estou sendo demasiadamente pessimista aqui. Ainda haverá um texto sobre as virtudes de cada um dos times dos playoffs. A inspiração para este texto é um feito pelo The Ringer mais cedo nesta semana, então ele beberá bastante daquela fonte – bem como de outras, especialmente estatísticas.

Vamos ao caos?

CONFERÊNCIA AMERICANA

1- New England Patriots

Aparte do óbvio (ausência de Rob Gronkowski), a ventoinha da Estela da Morte patriota parece ser o jogo terrestre. Embora LeGarrette Blount tenha aparecido em momentos cruciais, a média total de jardas por carregada dos Patriots não é boa como parece. 3,9 jardas por carregada, abaixo da média da liga – 4,2. O jogo terrestre é importante nos Playoffs por conta do fator “queimar cronômetro quando têm a liderança no último quarto”. Claro: isso pode não fazer diferença alguma, visto os passes curtos de Brady que por vezes substituem o jogo terrestre.

Além disso, o fato dos Patriots não terem realmente sido testados em 2016 pode acabar fazendo a diferença. Claro, eles não tem nada a ver com isso, mas olhando para o calendário patriota, não há realmente uma vitória contra um adversário forte. Denver estava capenga. Houston idem. A gente pensava que a vitória contra os Cardinals no início do ano era maiúscula, mas Arizona foi cavalo paraguaio. No jogo contra os Steelers, Roethlisberger não estava jogando. Contra os Ravens, Baltimore não foi para os playoffs. E os Patriots perderam para Seattle em casa. Então, nesse sentido, a falta de “12 trabalhos de Hércules” durante a temporada – coisa que costuma ajudar times a vencer adversidades na pós-temporada – pode fazer a diferença.

Outra eventual falha desse time, falando no jogo contra os Ravens, é o time de especialistas. A partida do Monday Night Football era para ser um passeio se não fosse o time de especialistas de New England fazendo lambança no segundo tempo. Cyrus Jones foi uma bagunça em seu primeiro ano como profissional depois de ter sido um bom retornador em Alabama. Depois das seguidas besteiras e fumbles/muffs, Edelman e Chung estão como retornadores – e isso é um risco, especialmente em termos de lesão para Edelman. Ah, e sendo bastante chato, temos os problemas de Gostkowski no início da temporada. No todo, ele acertou apenas 27 field goals em 2016, pior marca da carreira desde 2010 – em termos de % de FG, ele foi o 17º da liga. Na pós-temporada, isso pode muito bem complicar.

Coloco os Patriots como favoritos para o Super Bowl LI – de toda forma, há alguns probleminhas na equipe sim.

2- Kansas City Chiefs

É bem verdade que essa defesa é uma máquina de forçar turnovers – são 33 ao todo da temporada, coisa que fez bastante diferença em 2016. De todo modo, isso maquiou – BASTANTE – o fato da defesa contra o jogo terrestre ser porosa. Lembra o que eu falei acima de que na pós-temporada, contra times fortes, é bom ter um jogo terrestre forte para queimar cronômetro? A recíproca é verdadeira. Imagine que você esteja atrás no placar e tenha uma defesa fraca contra a corrida? Bingo, ferrou. É aí que os turnovers aparecem. Mas se os Chiefs jogarem contra os Patriots, que tiveram apenas 2 interceptações em 2016? Ferrou.

A unidade terrestre dos Chiefs cedeu uma marca negativa nesse sentido. 121 jardas pelo chão, em média, a cada partida. E a média de jardas cedidas por carregada assusta também: 4,4. Além disso, a linha ofensiva é uma incógnita que preocupa. O right tackle Mitchell Schwartz saiu dos Browns mas Cleveland não saiu dele: sozinho ele foi responsável por 9 sacks em Alex Smith.

Falando nele, Smith é um potencial problema. Falta de gasolina no tanque mesmo. Se rolar um tiroteio contra Pittsburgh-Roethlisberger ou New England-Brady, você confia em Smith para colocar 40 pontos no placar? Eu não.

3- Pittsburgh Steelers

Mesma toada: defesa terrestre. 4,3 jardas por carregada. Se consideramos “defesas ruins contra a corrida”, de cabeça, acho que só os Colts em 2006 venceram o Super Bowl. Se a gente for destacar o “vilão” dessa unidade, a ventoinha da Estrela da Morte chama-se Lawrence Timmons. De acordo com o ProFootball Focus, ele foi o segundo pior defensor da NFL contra a corrida.

Ainda, vale ressaltar que o pass rush de Pittsburgh não é dos melhores. A gente tem na cabeça aquelas defesas de 2008, 2009 – que realmente pressionavam o quarterback adversário no Heinz Field. Quase dez anos depois, porém, não é mais assim que a banda toca. Os Steelers usam muito a blitz. Contra um quarterback preciso e calmo como Brady ou Alex Smith, isso pode ser um tiro no pé. Timmons e um James Harrison aos 38 anos acabam sendo os responsáveis principais pela pressão. E você não quer mandar blitz a rodo no último quarto como os Steelers acabam tendo que fazer por vezes.

4- Houston Texans e 5- Oakland Raiders

Os quarterbacks. Sábado promete um show de horrores com Brock Osweiler recebendo Connor Cook. O primeiro tem a pífia média de 5,8 jardas por tentativa e conseguiu a proeza de ir pro banco com o time liderando a divisão. Osweiler é a maior farsa de free agency desde Scott Mitchell, quarterback que substituiu Dan Marino lesionado em 1993 e ganhou um contrato gordo nos Lions.

Do outro lado, após Derek Carr quebrar a fíbula, temos uma incógnita completa em Connor Cook. Embora tenha tido 14 passes completos de 21 tentados contra os Broncos na Semana 17, Cook também foi interceptado uma vez e sofreu um fumble; Em sua primeira partida como titular na NFL e fora de casa, essa é a receita para o desastre.

6- Miami Dolphins

Sabe como os Dolphins quase perderam para os Bills na Semana 16 e quase viram a vaga para a pós-temporada ir para o espaço? É só pensar em qual é a maior virtude de Buffalo neste ano. Hm… Sim, jogo terrestre. Até pensei em colocar Matt Moore aqui, mas ele não é dos piores reservas da NFL. Em realidade, talvez seja um dos 5 melhores quarterbacks reservas da liga, então o bode expiatório será a defesa.

Lembra como a defesa de San Francisco foi uma mãe para os running backs adversários? E se eu te falasse que a dos Dolphins empatou com a dos 49ers em mais jardas cedidas por carregada (4,9)? Assusta né? E isso porque eu coloquei isso como problema para Kansas City, com suas 4,4. Miami joga contra Le’Veon Bell no domingo. Good luck.


“RODAPE"

CONFERÊNCIA NACIONAL

1- Dallas Cowboys

Jalen Ramsey vem tendo uma temporada quieta – mas boa – em Jacksonville. Considerando as mazelas dos Jaguars, o produto de Florida State até que vem bem. Ora, por que raios eu estou falando isso? Bom, um dos “alvos” dos Cowboys no último Draft, possivelmente, era Ramsey.

Os Cowboys acabaram escolhendo Ezekiel Elliott e, bem, não dá para culpar: Elliott é candidato ao prêmio de MVP da temporada e fez o máximo da proteção que a excelente linha ofensiva de Dallas oferece. De toda forma, a secundária – que poderia ter sido bem reforçada com Ramsey – ainda é problema. Não parece, mas é. O grande trunfo de Dallas é o ataque, que faz com que haja uma maquiagem forte em cima da defesa.

Explica-se; Quando seu ataque fica muito tempo em campo (até por conta do jogo terrestre e da alta conversão de terceiras descidas), o efeito indireto é que o ataque adversário não tenha muito tempo de jogo. Por conseguinte, sua própria defesa estará mais descansada – e, com isso, o pass rush tem melhora por não haver tanta fadiga. De toda forma, caso o ataque de Dallas não engate a segunda marcha, a defesa será explorada, sobretudo a secundária pela ausência de pass rush para limitar o tempo dos quarterbacks adversários no pocket.

Quando olhamos os dados da defesa de Dallas, assustamo-nos com alguns. Especialmente a quantidade de jardas aéreas conquistadas pelos adversários – 4.167, 26ª pior marca da liga, mais 27 touchdowns pelo ar. Enfim, caso haja um tiroteio, podemos nos preocupar com essa defesa. E nos playoffs os tiroteios costumam acontecer.

Ademais, vale a estatística: um quarterback calouro nunca chegou ao Super Bowl. Brady, Wilson e Roethlisberger fizeram isso como segundanistas, não como calouros. Nos playoffs o bicho pega e só Deus sabe o que esperar de Dak Prescott.

2- Atlanta Falcons

É, eu sei, esse ataque é formidável e etc. Mas uma coisa me incomoda: a defesa. Ora, Dan Quinn não chegou de Seattle (ele era o coordenador defensivo lá) para arrumar a casa? Então por que o ataque continua sendo o eixo motor do time, carregando uma defesa um tanto quanto questionável nas costas?

Chegar nos playoffs com uma ataque fora de série é complicado. Em analogia, me lembra muito a questão do “viva pelos três pontos, morra pelos três pontos” da NBA. Um dia ruim da unidade ou um dia melhor – pode acontecer, vide Ravens @ Broncos em 2012 – do adversário coloca tudo por terra.

Se a defesa de Dallas é problema contra o passe, lhes apresento a secundária de Atlanta. 28ª da liga em jardas cedidas pelo ar (4267), 31 TDs aéreos, pouquíssimas interceptações (12). Pra piorar, o melhor jogador dessa secundária – Desmond Trufant – machucou em novembro e não joga mais neste ano. No final das contas, o ataque de Atlanta tem a ingrata missão de marcar 40 pontos todo jogo para não deixar sua defesa entregar a paçoca.  Ah, e vale lembrar: a defesa de red zone dos Falcons é horrível.

3- Seattle Seahawks 

Linha ofensiva. Linha ofensiva. Eu já mencionei a linha ofensiva? De acordo com o The Ringer, via “overthecap”, Seattle tem investidos 6,26 milhões de dólares em salários para a linha ofensiva. Menor investimento da liga e, bom, uma das piores linhas da NFL.

Especificamente em sacks, Seattle cedeu 42 neste ano – o que lhes qualifica como sexto pior da NFL no quesito. Não é de todo mal, mas lembremos que o fato de que Russell Wilson é um quarterback extremamente móvel. Não fosse isso, provavelmente essa linha seria top 3 em sacks cedidos. Claro: Pete Carroll sabe disso. Muito por conta desse fator mobilidade é que Seattle se dá ao luxo de investir pouco em linha para gastar dinheiro no resto do time.

De toda forma, na primeira partida contra os 49ers neste ano, Wilson machucou o joelho. A última coisa que o torcedor de Seattle quer ver é seu quarterback machucar nos playoffs. O problema é que essa linha ofensiva é uma bomba relógio.

Geralmente, de modo indireto, um modo de “melhorar” a linha ofensiva na proteção ao passe é correr bem com a bola. A lógica funciona da seguinte forma: você corre bem, a defesa acaba tendo que se preocupar com a corrida e não pode ser tão ativa contra o passe, em pass rush no todo ou em parte com blitz. A questão é que neste ano, em comparação à Era Marshawn Lynch, Seattle não corre tão bem com a bola. Primeira da NFL no jogo terrestre com Lynch, 17ª neste ano. Isso pode fazer a diferença.

4- Green Bay Packers

Passado o susto do 4-6 de início da temporada e o Run The Table de Aaron Rodgers tendo dado certo, a gente não pode esquecer que, bem, a secundária ainda é uma gigantesca enfermaria. O trio titular, Sam Shields (concussão), Damarious Randall (virilha) e Demetri Goodson (joelho) não esteve em campo como o torcedor gostaria de ver. LaDarius Gunter e Quinten Rollins vem sendo os substitutos. Rollins machucou sério contra Detroit (pescoço) e é dúvida, obviamente, para domingo.

Então, voilà, temos a fraqueza do time mais quente da segunda metade da temporada. No todo, foram 32 passes para touchdown que essa defesa cedeu neste ano, com a pior média da liga em jardas cedidas por tentativa – 8,1. Claro: tendo Aaron Rodgers en fuego, a defesa é ajudada e compensada em um eventual tiroteio. Preocupa, de toda forma. Ainda mais porque na red zone essa unidade vem tendo números bem ruins.


“RODAPE"

5- New York Giants

Contra a fraca defesa de Washington (cuja única virtude são os sacks) o New York Giants finalmente teve um running back correndo para 100 jardas neste ano em Paul Perkins. Problema? Era um jogo onde os Giants não tinham nada a perder. Assim, era muito mais fácil escalar Perkins, calouro que tem severos problemas na proteção ao passe quando o time está em shotgun no ataque.

O ataque terrestre dos Giants foi o 29º da NFL em jardas totais. No final das contas, em muitas partidas – como o segundo jogo contra os Cowboys – o time venceu por conta de Odell Beckham Jr mais do que qualquer coisa. Mesmo contra Washington na semana 17, um tiro de Luke Skywalker Eli Manning para o desconhecido Tavarres King (num momento em que Odell já era poupado) salvou a partida, colocando os Giants em posição de marcar o field goal derradeiro da partida.

Para a alegria do torcedor, a última vez que um time correndo tão mal com a bola foi campeão aconteceu em 2011 com… O New York Giants. Ah, e vale lembrar como Ereck Flowers é o pior tackle da liga. Ou não, mas que é o que mais faz faltas, isso é com certeza.

6- Detroit Lions

A estatística que mais me chama a atenção é a red zone. Apenas os Falcons e os Rams cederam mais pontos quando os oponentes estavam nas 20 jardas finais do campo. Como costumo falar em transmissões, é o equivalente à grande área do futebol ou ao garrafão do basquete. Detroit é a terceira pior do quesito, com média de 5,38 pontos cedidos a cada viagem do oponente à red zone.

Um dos motivos para essa estatística ruim é o pass rush, bem fraco neste ano. Ezekiel Ansah tem só 2 sacks (ele teve 14,5 ano passado) e o resto da unidade não é aquela maravilha. No total, foram apenas 26 sacks forçados neste ano, segunda pior marca da NFL. Ah, e tem o problema de Matt Stafford: quão saudável ele está?

Too long, didn´t read: 

NFC:

  1. DAL: defesa aérea, QB calouro
  2. ATL: defesa aérea, defesa em red zone
  3. SEA: linha ofensiva
  4. GB: secundária como um todo, por conta de inúmeras lesões
  5. NYG: jogo terrestre, ser dependente de Odell
  6. DET: defesa em red zone, pass rush

AFC: 

  1. NE: Special Teams, jogo terrestre (convenhamos, é o time com menos fraquezas)
  2. KC: Defesa contra o jogo terrestre, unidade muito dependente de turnovers
  3. PIT: Muita blitz pra compensar pass rush fraco, defesa contra corrida
  4. HOU: Brock Osvaldo
  5. OAK: Connor Cook
  6. MIA: Defesa contra o jogo terrestre

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“RODAPE"

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