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História

Algum time já venceu o Super Bowl com o reserva após perder o QB titular na reta final da temporada?

Algum time já venceu o Super Bowl com o reserva após perder o QB titular na reta final da temporada?

Poucos times me fascinam mais do que os Giants de 1990. Não era um time, ofensivamente falando, considerado uma potência. Phil Simms nunca foi unanimidade entre aqueles que fazem lista de melhores quarterbacks da década de 1980 ou 1990. De toda forma, aquele time – mesmo sem muitas estrelas do lado ofensivo da bola  – era talentoso do outro lado. Antes de falarmos dele, lembremos: quarterback é a posição mais importante do futebol americano.

E estamos no crepúsculo de uma pós-temporada na Conferência Americana que, bem, está cheia de reservas. Ao invés de termos um quarterback de peso em Oakland, temos o calouro Connor Cook em sua primeira partida como titular. Em Houston, campeão da AFC South, Brock Osweiler causou o maior remorso de compra depois de pessoas que compraram TV de Plasma pagando 30 mil reais em 2004. Ryan Tannehill não volta a tempo da partida de domingo contra os Steelers e Matt Moore tentará comandar os Dolphins no Heinz Field.

Pois bem, dado todo esse contexto, pensei comigo mesmo: existiu alguma oportunidade na história da NFL em que um time perdeu seu quarterback titular na véspera da pós-temporada e mesmo assim conseguiu ir longe? Bom, sim. O Giants de 1990 é o exemplo que podemos dar sem muito pestanejar.

Na temporada regular, os Giants tiveram campanha de 13 vitórias e apenas 3 derrotas. Com tal campanha, chegaram à pós-temporada com semana de folga. Isso não quis dizer que o caminho fosse fácil ali.

Na semana 15…

Tal qual Ryan Tannehill e Derek Carr, o comandante abatido dos Giants de 1990 era Phil Simms, um quarterback capaz de conduzir o time longe. Até então, a equipe tinha apenas duas derrotas na temporada. A partida da semana 15 seria contra o Buffalo Bills e seu ataque de alta octanagem – uma prévia do que viria pela frente em janeiro de 1991. Justamente nesse jogo contra Buffalo, Simms foi atingido e quebrou o pé. Com a lesão, o quarterback titular dos Giants acabaria por perder o restante da temporada regular e dos playoffs. Parece familiar?

Justamente. Após a lesão de Simms, parecia que aquele time franco-favorito ao Super Bowl XXV – e certamente uma equipe candidata a ter a semana de folga nos playoffs – acabaria por implodir com o reserva. O camisa 11 foi substituído por Jeff Hostetler nas duas partidas finais da temporada regular – ambas vitórias, contra Cardinals e Patriots. Com as vitórias asseguradas, os Giants conseguiram assegurar, também, a semana de folga. E isso fez a diferença.

Certo, mas por que você está falando do quarterback?

Este é o ponto deste artigo. A gente é tão apaixonado por quarterbacks que esquece que defesas são importantes no futebol americano. Se o seu ataque for um lixo e você tiver média de 20 pontos por partida, você vencerá jogos caso sua defesa seja fora de série e não ceda mais de 10 pontos para o adversário. Simples lógica e matemática.

Bom, a defesa dos Giants daquele ano foi o que levou o time ao Super Bowl e ao título. Não Hostetler. Parece bastante confuso se consideramos que o título foi justamente “Algum time já venceu o Super Bowl com o reserva após o QB titular na reta final da temporada?”. Coloquei isso como isca, porque o objetivo aqui é mostrar que defesas, sim, ganham campeonatos. E que defesas podem suplementar ataques deficientes ou ataques com quarterbacks reserva.

Em 2007, a ESPN.com elegeu a defesa dos Giants de 1990 como a sexta melhor da história. O time cedeu apenas 13,2 pontos por jogo num calendário bastante difícil (NFC East e AFC East). A unidade tinha nomes como Leonard Marshall, Carl Banks, Dave Duerson e, claro, Lawrence Taylor. Não obstante, o coordenador defensivo era um tal de Bill – já volto nele. E o head coach, outro Bill (Parcells), é considerado um dos melhores da história.

Os Giants de 1990 entraram nos playoffs com semana de folga e mesmo assim foram subestimados. Venceram os Bears por 31-3, um passeio, na abertura de sua pós-temporada. Na semana seguinte, enfrentaram os 49ers pelo título da conferência. Aqui, cabe contexto: os Giants haviam perdido (com Simms em campo) contra os 49ers na temporada regular. Venceram cedendo poucos pontos no Candlestick – o jogo teve um Joe Montana arrebentado num dos hits mais fortes da história e que, de maneira indireta, acabou com sua carreira em San Francisco (um dia falo mais sobre). No Super Bowl, Nova York era zebra novamente contra os Bills e seu poderoso ataque. Também, pudera: os Bills tinham Thurman Thomas no backfield. Os Giants tinham um calouro e um OJ Anderson que muitos achavam que não renderia nada. Os Bills tinham Jim Kelly e os Giants tinham o reserva, Hostetler.


“RODAPE"

De todo modo, novamente, isso de nada importou. No Super Bowl XXV, os Giants tinham um plano defensivo claro: marcar em zona, punir os recebedores e “forçar” os Bills a correrem por conseguinte. Thomas teve mais de 100 jardas terrestres na partida – como era a ideia do coordenador defensivo daquele time. Com efeito, Buffalo fez apenas 19 pontos na partida.

E Hostetler? Bom, com todo respeito a ele, tudo o que ele teve que fazer foi não estragar tudo. Houve uma jogada, em específico, na qual ele tropeça em OJ Anderson na end zone e a defesa dos Bills quase lhe rouba a bola. Ele consegue segurar e cede apenas o safety. Caso houvesse um touchdown ali, os Giants teriam perdido a partida.

Quem era o coordenador defensivo? Ah, um tal de Bill Belichick. O plano de jogo dos Giants para aquela partida, dito acima, está no Hall da Fama do Futebol Americano Profissional. Quem venceu aquele jogo – e aquele playoff como um todo – foi a defesa dos Giants. Não importou muito que haja um quarterback reserva em campo, desde que ele não estrague tudo.

Por que deste texto? Bom, para ressaltar a importância da defesa de Oakland, Houston e Miami. Com os reservas (Osweiler era reserva na Semana 17, vale lembrar) em campo, a defesa terá que falar mais alto. Resta saber se Jadeveon Clowney, Ndamukong Suh e Khalil Mack farão jus ao legado de Lawrence Taylor em 1990.

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Curti é redator e editor-chefe do ProFootball e já redigiu mais de 2000 textos sobre o futebol americano desde 2009. Além disso, é autor do "Manual do Futebol Americano", "Crônicas do Futebol Americano" e comentarista de NFL e college football nos canais ESPN.

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