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A equipe que pode ser a kriptonita de cada um dos 12 times dos Playoffs

Grandes times sempre possuem fraquezas que encaixam perfeitamente nos pontos positivos de alguns adversários mais fracos. No mata-a-mata, Playoffs (ou o que você quiser chamar) são estes matchups que definem o campeão. Regularidade, méritos pela campanha durante o ano e tudo isto vão por água abaixo em campeonatos que o campeão é definido em um jogo só – o que torna o esporte emocionante.

Aliás, esporte não deveria ser pensado apenas como mérito, justiça e qualquer outro sinônimo, e sim quem está melhor no momento. A imprevisibilidade, emoção e dificuldade do melhor contra o pior é o que atrai o público, gera renda e faz com que a NFL tenha tanto sucesso nos EUA e, agora, mundo afora. É algo que os outros esportes (olá futebol) ainda não aprenderam: para lucrar é preciso equilíbrio e emoção, sem isso os lucros vão diminuindo com o passar do tempo.

Pensando nisso, o Pro Football não veio falar quem é o melhor time. Viemos analisar quem são os piores matchups. Alguns times vão ter muita dificuldade quando encontrarem aquela equipe que, simplesmente, se encaixa melhor em suas fraquezas. Neste momento, a seed e os prêmios não importam. Tudo fica resumido à capacidade de ajustes técnicos para superar as principais dificuldades de cada equipe.

Miami Dolphins: o New England Patriots

Os times sem quarterbacks dificilmente vão conseguir bater os três favoritos da AFC: Pittsburgh, Kansas City e New England. O maior temor deles, como você deve imaginar, será ter que colocar pontos no placar. Jogos apertados, com as defesas se sobressaindo, é o melhor caminho para alguém surpreender e vencer uma partida. Entre as três forças da conferência, aquela que tem a menor força ofensiva é o Kansas City Chiefs – logo é o adversário mais “amigável” para Dolphins, Raiders e Texans.

Entre Steelers e Patriots, os dois vão ser muito difíceis de se bater. Só que no caso de Miami, eles possuem uma vantagem um pouco maior contra Pittsburgh: o jogo terrestre. Na vitória contra a equipe nesta temporada, Jay Ajayi correu para mais de 200 jardas, a linha de scrimmage foi controlada e os Dolphins acharam um jeito de parar o ataque de Big Ben. Contra os Patriots, o problema é muito maior. Tom Brady tem tantas armas (e sabe criar tanto) que o jogo vai virar um shootout. E, neste caso, é quase um milagre Miami conseguir sair vencedor.

Oakland Raiders: o Pittsburgh Steelers

Como dito, times sem quarterbacks (seja por lesão ou por decepções de 72 milhões de dólares) vão ter dificuldade contra equipes que coloquem muitos pontos no placar. Correr atrás do prejuízo com um reserva (ou com alguém que está jogando como reserva) não será a fórmula do sucesso. Para piorar, o ataque de Oakland foi baseado inteiramente no braço de Carr e, com ele de fora, o foco terá que ser mudado totalmente – uma missão ingrata demais.

No momento parece que Oakland é o time mais enfraquecido da AFC e é a zebra contra qualquer um. Em especial, o Pittsburgh Steelers poderia causar o caos completamente contra a franquia de Oakland. Contra uma defesa que ainda sofre com o jogo terrestre, Le’Veon Bell poderia ter o jogo da vida e os Raiders pouco poderiam fazer. Aliado ao poderio aéreo, os Raiders seriam uma presa fácil para Pittsburgh – ainda mais fora de casa.

Houston Texans – o Kansas City Chiefs

Ao contrário dos Raiders, os Texans possuem uma das melhores (e subestimadas) defesas da liga, aparecendo excepcionalmente bem contra o passe. É a única razão deste time (aliado ao desempenho em casa, que a equipe está 7-1 nesta temporada) estar na pós-temporada. Por causa disso, entre os três, é o time que pode aguentar um pouco mais um ataque aéreo reforçado ou um Le’Veon Bell inspirado – cedem menos de 100 jardas terrestres por partida.

O problema é que o ataque tem que entrar em campo e contra uma defesa que pare o jogo terrestre, Osweiler (ou Tom Savage, caso a equipe passe do Wild Card) vai ter que lançar. E uma defesa forte, como a do Kansas City Chiefs, que adora forçar turnovers (são 18 interceptações no ano, melhor marca da liga) é o pesadelo da franquia  – ainda mais quando lembramos que Brock Osweiler tem mais interceptações do que touchdowns neste ano. Some isso ao ataque pragmático, que vai marcar pontos em algum momento, e o cenário é de terror para os Texans. Da mesma maneira que Dolphins e Raiders, os Texans, na realidade, não têm muitas chances contra os três grandes da conferência.

Pittsburgh Steelers – o New England Patriots

O que é pior: enfrentar alguém que força muitos turnovers ou enfrentar alguém que vai exigir um shootout para perder a partida. Obviamente que a segunda, ainda mais fora de casa, é a pior de todas. Os Patriots já provaram contra os Ravens nos Playoffs de 2014/2015 que, em casa, eles vão mostrar que sabem todas as regras e maneiras que existem para ganhar um duelo ofensivo.

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Além disso, a secundária de New England é acima da média e vai apresentar dificuldades para Big Ben quando ele tiver que lançar para recuperar a desvantagem no placar. Uma hora os Steelers vão ter que esquecer um pouco o jogo terrestre e tentar chegar perto do que Brady está fazendo. Defensivamente, não dá para afirmar que esta defesa vai conseguir aguentar o smash mouth football de LaGarrette Blount associado aos passes curtos e intermediários que Tom Brady lançaria. Seria um matchup infernal e precisaria de muita superação para conseguirem vencer fora de casa.

Kansas City Chiefs – o Pittsburgh Steelers

No Divisional Round, muito provavelmente, os Chiefs vão enfrentar o seu pior matchup de toda a AFC. Andy Reid montou uma pequena cópia (com algumas modificações, é claro) do Philadelphia Eagles de 2003/2004 – pelo menos em sua filosofia. Ataque pragmático, que evita turnovers ao máximo e uma defesa extremamente agressiva, que vai ceder inúmeras jardas (tem que tentar compensar a falta de sacks com pressão por blitz), só que força turnovers e torna a vida dos adversários muito mais difícil na redzone.

O ponto fraco? O combate ao jogo terrestre. E contra um jogador tão completo como Le’Veon Bell, a vida de Kansas City vai se tornar extremamente complicada. Se inserido em uma AFC West que não possui os melhores jogos terrestres da NFL, esta defesa cedeu 4,4 jardas por carregada e mais de 120 jardas por partida, imagine contra um Bell inspirado. Isto forçará Reid a abandonar o seu jogo terrestre muito mais rápido do que o esperado e o resultado pode ser desastroso para esta defesa. O caminho para chegar a enfrentar New England é confiar na Home Field Advantage e se concentrar em conter os estragos feitos por Bell, desafiando Big Ben a soltar o braço e forçando turnovers. Seria uma partida bem desfavorável para a franquia.

New England Patriots – o Kansas City Chiefs

Qual a fórmula para vencer os Patriots, fora de casa, nos Playoffs? Apostar em um time copero y peleador, que vai ceder jardas, mas forçar turnovers e fazer Tom Brady sair do pocket. Enquanto o pass rusher de Kansas City foi decepcionante (no mínimo) durante boa parte da temporada, visivelmente existe muito talento ali. Este foi o caminho que os Jets em 2010 e os Ravens em 2012 acharam para bater Belichick em casa.

Muita gente aponta os Steelers como o matchup mais difícil, falando que o ataque de Pittsburgh é um dos melhores da liga. Isto é plenamente verdade, só que não dá para apostar em nenhum quarterback no shootout contra Tom Brady. Eli Manning venceu duas vezes porque a defesa estava lá, Peyton Manning venceu ano passado porque a defesa estava lá. Sem força defensiva não há como vencê-los, ainda mais dentro de casa. Os Chiefs possuem o espírito enverga mas não quebra e que rouba a bola – perfeito para enfrentar New England.

Detroit Lions – o Seattle Seahawks

No momento que Detroit está, claramente a franquia é a maior zebra da NFC. O dedo de Matthew Stafford prejudicou claramente o final da temporada e a equipe passa por um momento conturbado. O jogo terrestre é abandonado facilmente, a defesa vem sofrendo em conter o jogo aéreo adversário (muito por conta pela falta de pressão da linha defensiva) e o resultado são as três derrotas para fechar o ano.

Para piorar a situação, a equipe vai enfrentar seu matchup mais desfavorável. Embora a lesão de Earl Thomas tenha prejudicado muito a defesa de Seattle, este pass rusher ainda é um dos melhores entre os concorrentes da NFC e eles adoram movimentar seus jogadores pós-snap (principalmente com stunts). Esta foi a maior dificuldade desta linha ofensiva durante toda a temporada. Mesmo com o jogo aéreo estando mais aberto pelo meio, o combate ao jogo terrestre ainda está lá – eficiente como sempre. E um ataque unidimensional e fora de casa é a receita perfeita para o desastre. Com a falta de pass rush, Russell Wilson vai ficar mais confortável na partida e o resultado pode ser desastroso. Será muito difícil este time passar do Wild Card.

New York Giants – o Seattle Seahawks

Os Giants possuem momentum graças ao desempenho defensivo durante dezembro e ao jogo terrestre começando a aparecer com Paul Perkins. Mesmo assim, Eli Manning não está no mesmo nível que o esperado e o resultado é um ataque meio apático que depende exclusivamente de Odell Beckham Jr. Contra um cornerback de elite, como Richard Sherman, certamente Beckham seria desacelerado e a questão fica: como este ataque vai conseguir produzir, fora de casa, com o seu melhor recebedor contido?

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“RODAPE"

Defensivamente, o ponto fraco são os passes para tight ends e enfrentar a dupla Jimmy Graham (que ainda não é sombra do que foi em New Orleans) e Russell Wilson não é um matchup favorável. Além disso, o pass rush funciona, mas mesmo assim Wilson vai achar uma maneira de se livrar do pocket e correr com a bola – logo, o ataque vai precisar ficar em campo, administrar o jogo e sair com a vitória.

Green Bay Packers – o Dallas Cowboys

Os Packers estão pegando fogo por causa de seu ataque. O problema é ele ter que ficar na lateral, observando a defesa ser controlada pelo ataque terrestre mais prolífico da liga. Quando Green Bay era a defesa #1 contra o jogo terrestre, ela foi dominada por um Ezekiel Elliott que não teve grandes dificuldades – e isto foi no Lambeau Field. Fora de casa, com a pressão do adversário, é um cenário um pouco desagradável para esta unidade defensiva.

Isto forçará ainda mais o braço de Aaron Rodgers, o colocando contra uma secundária que adora roubar a bola dos adversários e está jogando em alto nível – muito por conta do alto nível de produção de Byron Jones, que é muito atlético e cobre as falhas dos cornerbacks com facilidade. É o tipo de matchup que não é favorável desde o início da partida e exigiria muitas mudanças por parte da comissão técnica – algo que eles não parecem muito capazes de alcançar, apesar da subida de produção no final da temporada.

Seattle Seahawks – o Atlanta Falcons

Os Seahawks fora de casa parecem outro time. Após a contusão de Earl Thomas, visivelmente o time ficou mais exposto – Thomas cobria muitos dos erros dos cornerbacks que não possuem o nome de Richard Sherman – e o resultado está sendo desastroso. Ofensivamente, Wilson continua jogando atrás de uma peneira apelidada de linha ofensiva e o ataque não tem ritmo. Logo, times que possuem mais de um wide receiver confiável (ou um quarterback que distribuiu passes para touchdown para 13 diferentes jogadores) e um forte pass rusher são o maior desafio para este time, certo?

E é neste ponto que entra o Atlanta Falcons. Atlanta não vai basear todo o seu jogo na produção do backfield correndo com a bola, e sim na produção de seu jogo aéreo. Eles possuem a linha ofensiva, os running backs e os outros recebedores para isso – além de um quarterback que merece o MVP. Com isso, Seattle ficaria na posição de ter que correr atrás do placar, confiando no confronto Vic Beasley (líder da NFL em sacks) vs George Fant (não era titular em uma linha ofensiva desde o ensino médio). Dá para ver quem vai sofrer mais no confronto.

Atlanta Falcons – o New York Giants

Se tem uma coisa que tira Matt Ryan do seu estado Matty Ice é um pass rusher de qualidade associado a uma secundária talentosa – principalmente com safeties jogando bem. Foi assim que eles foram expostos contra o Kansas City Chiefs e contra o Philadelphia Eagles. Na mesma pegada, a defesa dos Giants parece ser o tipo de matchup que vai tirar Ryan do pocket, vai fazer com que ele tenha que ganhar o jogo e o resultado vai ser desastroso.

Defensivamente, Atlanta gosta de jogar em zona e em tight coverage – duas maneiras perfeitas para Odell Beckham Jr. não ser parado. Além disso, estes times só se enfrentariam no Divisional Round, o que poderia acontecer com Eli Manning estando em uma fase muito melhor do que agora – forçando que Matt Ryan tenha que acompanhar o ritmo ofensivo de New York.

Dallas Cowboys – o New York Giants

Você assistiu a temporada regular? Viu como os Giants varreram os Cowboys? Contendo Ezekiel Elliott, desafiando Dak Prescott a lançar a bola e, por fim, confiando em seu jogo terrestre com Paul Perkins. A fórmula ainda existe e New York é um dos poucos times na NFL que possuem o talento para manter oito no box e não serem queimados por Dez Bryant em todas as jogadas. Assim como em 2007, que os Giants derrubaram os Cowboys em casa após uma temporada fantástica de Dallas, New York é o pior pesadelo para os favoritos da NFC.

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