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Mesmo vindo de Wild Card, os Giants merecem mais respeito do que você imagina

“RODAPE"

Há pouco mais de um mês, perguntamos aqui no ProFootball se os Giants eram um time para valer ou uma enganação. Naquela época, a equipe estava com o record 8-3 e vinha de uma sequência de seis triunfos seguidos, porém a fragilidade apresentada pelos oponentes durante a arrancada não passava segurança. Por isso, dissemos que New York precisava de uma vitória convincente contra um adversário de peso para calar os céticos.

Pois bem, cinco semanas depois, não existe mais dúvida: os Giants são para valer. Claro, houve momentos ruins, como as derrotas diante de Steelers e Eagles, mas os resultados positivos sobre Cowboys, Lions e Redskins mostraram que os azuis de Nova York, liderados pela sua surpreendente defesa, podem sim competir de igual para igual com qualquer um. Não que eles sejam necessariamente os maiores favoritos ao Super Bowl ou algo do tipo, contudo a possibilidade de protagonizarem outra zebra como em 2007 ou 2011 é real e merece ser levada a sério.

Não acredita? Tudo bem então, vamos tentar te convencer da melhor maneira possível: com informações, estatísticas e números. Sobretudo no lado defensivo da bola, New York está no topo em muitos, mas muitos mesmo, rankings importantes da NFL. Ademais, um elemento quase completamente negligenciado ao longo de todo o ano começou a funcionar nas últimas partidas: o ataque terrestre.

NYPD – New York Pass Defense

Todo mundo já deve estar cansado de ouvir sobre como os Giants gastaram uma nota na Free Agency para arrumar sua defesa, a qual havia sido uma tragédia em 2015. Todos os principais investimentos deram muito certo (Olivier Vernon, Damon Harrison e Janoris Jenkins), o general manager Jerry Reese foi um gênio etc. Então, vamos pular essa parte e ir direto ao ponto.

A temporada 2016 de New York deve ser dividida em duas partes: antes e depois da semana 6. Após começar o ano com duas vitórias, a franquia perdeu três partidas consecutivas e entrou em um buraco, ficando na época com apenas 21% de chances de ir aos playoffs. A partir daí, entretanto, uma reviravolta aconteceu, o time venceu nove dos seus últimos 11 jogos e se classificou com até alguma sobra à pós-temporada.

A principal explicação para essa reviravolta é simples e provavelmente não surpreenderá ninguém: evolução defensiva. Desde a semana 6, a defesa dos Giants tem jogado como uma verdadeira unidade de elite. Isso é visível a olho nu, basta lembrarmos, por exemplo, dos duelos contra Cowboys e Lions, mas em todo o caso existem vários números para confirmar. De lá para cá, a equipe é a primeira no quesito média de pontos cedidos por jogo (16), a terceira em turnovers forçados (22) e a segunda em sacks (31). O pass rush foi de longe quem apresentou o maior salto de produção, dado New York ter somado míseros quatro sacks nos cinco primeiros confrontos do ano – menor marca da liga.

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Considerando a temporada inteira, as estatísticas continuam sendo impressionantes. Os Giants são o segundo melhor time em média de pontos permitidos por partida (17,8) e passer rating cedido aos quarterbacks (75,8). Também são os primeiros em eficiência defensiva na red zone (apenas 39,5% das posses de bola adversárias acabam em touchdown) e, além disso, são a equipe que menos cedeu touchdowns ofensivos em 2016 (25).

A unidade foi tão bem que colocou dois nomes na relação do Pro Bowl (Landon Collins e Janoris Jenkins) e dois na badalada lista de All-Pro (Collins e Damon Harrison). E com toda a justiça. Collins foi discutivelmente o melhor safety da temporada, fazendo jogadas importantes de todas as maneiras imagináveis – no total, conseguiu 125 tackles, quatro sacks, cinco interceptações e 13 passes defendidos. Harrison liderou todos os atletas de linha defensiva com 86 tackles e foi sensacional parando o jogo corrido adversário. Jenkins, por sua vez, foi um cornerback bastante sólido, terminando o ano cedendo apenas 37 recepções (81 passes lançados na sua direção), 425 jardas, dois touchdowns e um passer rating de 54,8.

Isso sem contar outros jogadores que também se destacaram, como os defensive ends Jason Pierre-Paul e Olivier Vernon e o cornerback Dominique Rodgers-Cromartie.

Um sinal claro de que a defesa da equipe está com bastante moral é o fato dela já ter recebido um apelido. Quando uma defesa da NFL recebe um apelido é porque a coisa é séria. Recentemente, a secundária do time passou a ser chamada pelos torcedores de NYPD (New York Pass Defense), uma brincadeira com o New York City Police Department, nome pelo qual a força policial da cidade é conhecido.

Contudo, se uma defesa tão prolífica e um apelido tão legal ainda não te convenceram a respeitar os Giants, talvez seja a hora de tentarmos outra estratégia.


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Paul Perkins pode ser a faísca que faltava ao ataque

Se do lado defensivo da bola tudo está quase perfeito, do outro as coisas são preocupantes. Por exemplo, Eli Manning voltou a ter uma recaída em seu vício por turnovers bobos, Ereck Flowers é um dos piores left tackles da NFL e os Giants não anotam pelo menos 20 pontos há cinco partidas, quando conseguiram 27 contra os Browns.

Um dos poucos destaques positivos da temporada é de novo Odell Beckham Jr. Há alguns anos, as pessoas falavam que o esquema tático do Santos, na época comandado por Muricy Ramalho, era o “4-2-3-bola no Neymar”. Hoje, acontece um fenômeno parecido com New York e a sua “Throw it To Odell Offense”.

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Entretanto, nos últimos jogos, a gradual ascensão de um calouro deu um possível sopro de vida para esse ataque enfim engrenar. Desde a semana 14, o running back Paul Perkins vem ganhando cada vez mais espaço no backfield da franquia, roubando toques e sendo bem mais produtivo do que Rashad Jennings. Neste intervalo de tempo, Perkins somou 62 carregadas para 271 jardas (média de 4,3 jardas por tentativa). Jennings, por sua vez, teve 60 carregadas, 179 jardas e uma média ruim de 2,9. Como resultado, o pedestre ataque terrestre de New York superou a barreira das 100 jardas totais nos últimos três confrontos, inclusive com Perkins sozinho passando da marca diante de Washington.

A faísca trazida pelo corredor calouro pode acabar causando uma reação em cadeia positiva por todo o ataque. Em primeiro lugar, Manning ficará menos pressionado, sem precisar ter que resolver tudo com o braço – algo essencial para qualquer quarterback, principalmente para quem está vivendo um ano difícil. Correr bem em primeiras e segundas descidas é a chave para afastar Eli de terceiras descidas gigantes e dos turnovers. Além disso, um jogo terrestre mais forte ajudará os Giants a controlarem a posse de bola e o relógio, o ideal na hora de enfrentar ataques explosivos como o de Packers ou Falcons, rivais pelo título de conferência.

Perkins pode ser a arma secreta que trará o equilíbrio necessário ao sistema ofensivo de New York. Não que tudo mudará da água para o vinho repentinamente, mas ele tem condições de ajudar uma unidade bastante problemática a crescer de produção.

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