Uma senha sera enviada para seu e-mail

Ainda antes da temporada iniciar, o Minnesota Vikings era uma escolha popular para ir longe na NFC. Após alcançar a final da conferência no ano anterior, a impressão geral era de que os Vikings não estavam nada longe de dar o próximo passo em busca do primeiro título de Super Bowl da franquia; ademais, a chegada de Kirk Cousins para o posto de quarterback titular só reforçava essa expectativa.

No entanto, alguns fatores impediram os Vikings de se juntarem as grandes potências da conferência na temporada atual. Algumas lesões de jogadores importantes, especialmente na linha ofensiva, afetaram o desempenho do ataque de modo geral. Fora de campo, duas situações causaram fortes distrações no elenco: a morte do treinador de linha ofensiva Tony Sparano pouco antes do início da temporada, e a ausência de Everson Griffen por algumas semanas na primeira metade da temporada, ocasionada pela necessidade do jogador de realizar tratamento psicológico.

Mesmo com esses problemas, o time venceu cinco dos últimos sete jogos e está em posição de conquistar uma das vagas de wild card reservadas para membros da conferência. No último domingo, a equipe recebeu o Green Bay Packers no Sunday Night Football, numa partida que causava mais expectativa antes do início da temporada do que durante a mesma.

Um dos grandes destaques do triunfo dos donos da casa foi a atuação de Kirk Cousins, quarterback que na semana anterior teve um desempenho abaixo da média num jogo crucial pela liderança da NFC North com o Chicago Bears. Por conta da má exibição do ataque na semana anterior, o treinador Mike Zimmer fez críticas abertas ao plano de jogo orquestrado por John DeFillippo, dizendo que “haviam jogadas demais” e que “o time devia focar um pouco em não tentar enganar muito o adversário”. Além disso, Zimmer deixou claro seu desapontamento com o mau desempenho do time com screen passes, que foram uma fortaleza dos Vikings em 2017, e o quão rápido DeFillippo tem abandonado o jogo terrestre.

Dessa forma, Minnesota aproximou o plano de jogo contra Green Bay de forma simplificada. Flip, como é conhecido o coordenador ofensivo dos Vikings, procurou chamar jogadas aéreas em que Cousins teria de realizar trabalhos mais… fáceis, digamos. Explicando melhor: Flip orquestrou um plano de jogo em que os recebedores do time teriam de bater os em suas rotas, diferente de conceitos complexos e variações que buscariam causar confusão na defesa. Combinados, Adam Thielen e Stefon Diggs, os dois principais recebedores de Minnesota, tiveram 16 recepções, 202 jardas e dois no último domingo.

Como citado acima, a simplicidade do plano de jogo foi notável ao longo do confronto. Isso fica claro no primeiro anotado pelos Vikings, originado justamente de um pass – área aonde o time sofreu com o nível de eficiência na temporada até então. Os dois drives anteriores haviam se encerrado em third-and-out, então havia um senso de urgência para os donos da casa anotarem pontos nessa campanha.

Os Vikings tem a bola na linha de 26 jardas e estão alinhados em 11 com trips (três recebedores alinhados em linha) no lado direito do campo. Antes do, Kyle Rudolph se movimenta para o backfield, o que causa uma alteração na cobertura da defesa dos Packers: anteriormente em 2-man deep, o time altera para single high, já que o safety se aproxima do acreditando que seria uma jogada de corrida.

Após o, enquanto Cook se movimenta para o lado direito do campo para receber o passe, o Pat Elflein corre para se apresentar como opção de bloqueio – e o faz muito bem, por sinal -, anulando o Blake Martinez. Laquon Treadwell também faz um bom trabalho bloqueando o à sua frente, e o não foi capaz de lidar com a agilidade de Cook. Minnesota empatou a partida em 7 a 7.

Parecia, porém, que o time teria de ter uma partida praticamente impecável no lado ofensivo se quisesse ter chance contra a exibição magistral que Aaron Rodgers apresentava até então. Logo após anotar o primeiro , a defesa dos Vikings não conseguiu conter o ataque de Green Bay, que novamente botou os visitantes em liderança.

Enfrentando uma 3rd & 7 na linha de 45 jardas de seu próprio campo, Minnesota se localiza num 1×1 com Laquon Treadwell e Kyle Rudolph localizados junto da linha ofensiva. Os Packers atacam com uma 4-man rush com uma cobertura em tampa 2 no fundo do campo.

É a clássica combinação curl por parte do ataque dos Vikings. Rudolph realiza um rápido chip e sai para o flat, achando um espaço na cobertura em zona dos Packers. Tudo que Cousins tem de fazer é ler o James Crawford; após o e a leitura do jogador, ele sabe que o na direita está livre. Passe completo para Rudolph, novo set de downs.

Nesse mesmo drive, veríamos o que foi pra mim a jogada mais bonita da partida.

Parece uma jogada de corrida antes do, com dois tight ends do lado direito da linha, o que indica max protection por parte do ataque. Na linha de 30 jardas, Adam Thielen e Stefon Diggs alinham do lado esquerdo do campo – Diggs no slot e Thielen no outside, uma configuração incomum no sistema ofensivo de Minnesota.

Leia mais:   Análise Tática: Como Frank Reich fez Andrew Luck reencontrar seu melhor futebol americano

O que veremos os dois recebedores executarem é o popular switch concept, nada mais do que uma combinação de duas rotas que se cruzam. O que você tem de observar é o baile que Stefon Diggs aplica em Tramon Williams ao correr para fora, deixando o dos Packers no chão. O demora para ir cobrir próximo a pois a rota de Thielen causa hesitação.

Esse era o plano de DeFillippo o tempo todo: combinações e jogadas simples, de modo que seus recebedores fizessem todo o serviço e que a obrigação de ganhar o jogo não recaísse sobre Cousins. Com Diggs completamente livre depois de uma brilhante rota, os Vikings igualam o placar em 14.

Veremos agora mais um exemplo do ponto central desse texto: Cousins distribuindo e seus recebedores fazendo o trabalho mais difícil.

Liderando por 17 a 14 restando pouco menos de um minuto no terceiro quarto, os Vikings enfrentam uma 2nd & 5 na linha de 14 jardas. Alinhados em bunch (três recebedores alinhados num “triângulo” formation do lado direito, Cousins dá o sinal para Kyle Rudolph realizar uma motion pre, alterando seu lado na jogada.

A surpresa aqui é que, após o, a linha ofensiva começa a bloquear para o lado esquerdo, enquanto que Rudolph cruza a linha por trás para realizar um trap em Clay Matthews, inicialmente não-bloqueado pela linha. Assim, Cousins tem tempo de fazer o rollout para a direita após o.

Mais uma vez, é Tramon Williams quem vai sofrer na jogada. Williams tem de deixar sua cobertura em cima de Thielen para impedir Cousins de correr com a bola, o que deixa Thielen livre para receber o passe do. Após a recepção, ele enfrenta os marcadores na e quebra o plano de gol, ampliando o placar em 24 a 14.

Um outro conceito usado pelos Vikings que lhes deixou de vantagem foi o flood, quando se ataca um mesmo lado do campo de modo curto, intermediário e longo. Precisando converter uma 3rd & 6 no último quarto e já no objetivo de gastar relógio, a chamada foi realizada com uma bunch no lado esquerdo. Na teoria e no pre, Cousins sabe que algum de seus recebedores estará aberto em algum momento da jogada.

A primeira leitura de Cousins na jogada é a de Diggs, que corre a rota mais longa. Um detalhe importante desse conceito: mesmo que seja a primeira leitura do, raramente se lança o passe mais longo, já que um defensor dificilmente consegue “errar” na cobertura. Assim, a segunda se torna a out de Adam Thielen, que fica livre pois o cornerback em zona é atraído pelo último recebedor, que vai em direção ao flat. Thielen, completamente livre, faz a recepção e ganha 20 jardas e mais uma primeira descida para Minnesota.

Por fim, analisemos a última jogada da partida, que garantiu oficialmente o triunfo dos Vikings. Vencendo por 24 a 17, o time precisava converter uma 3rd & 6 para evitar que os Packers recebessem a bola uma última vez com chances de empatar o jogo – e sabendo da qualidade de Aaron Rodgers, as chances disso acontecerem não eram lá tão baixas.

Provavelmente a combinação de rotas mais comum que existe, Minnesota chama um slant do lado direito do campo, com Kyle Rudolph saindo para o e Diggs correndo a. Cousins, em resumo, sabe que um passe rápido para Diggs tem altas chances de dar certo e não precisa ir longe em suas progressões. Um passe rápido numa combinação simples e game, set, match, Vikings.


Como ficou claro ao longo do texto, Minnesota não teve de fazer nada de especial para assegurar sua vitória. Os conceitos e as combinações de rotas não foram complexos, mas a eficiência de seus principais playmakers foi a razão pela qual o time conquistou uma vitória importantissima no confronto divisional.

É claro e evidente que a chave para tirar o melhor de Kirk Cousins é tirar o jogo de suas mãos, ou seja: apostar em jogadas que consigam dar boas oportunidades a Thielen e Diggs, que são dois dos melhores route runners em toda a NFL. Quando a pressão de fazer jogadas não está sobre o, ele brilha. Quando seu trabalho se torna mais complexo, ele tem problemas.

Num geral, foi um jogo bom de Cousins, não excepcional como as estatísticas cruas fazem parecer, mas ainda bom. Me impressionaram mais as chamadas de DeFillippo, depois de – justificadamente – ser criticado por Mike Zimmer na segunda-feira antes do jogo. Flip deve ser um nome procurado para cargos de treinador principal quando o mês de janeiro chegar. Nesse momento, os Vikings sabem que não precisam apelar para ter um bom ataque, e aliado à uma das melhores defesas da NFL, Minnesota ainda pode brigar no topo da NFC, dado o talento que o time tem.

Comentários? Feedback? Siga-me no Twitter em @henrique_bulio, ou nosso site em @profootballbr e curta-nos no Facebook.

Gostou da análise tática? Toda semana nossos assinantes têm uma exclusiva. – assine agora com 30% de desconto

🏈 PRO! | Análise Tática: a volta por cima de Andrew Luck

Leia mais:   🏈 PRO! | Derrota confirma que a linha ofensiva ainda é o Calcanhar de Aquiles do Houston Texans

🏈 PRO! | Análise Tática – O simples e criativo ataque do New England Patriots
🏈 PRO! | Análise tática: A histórica rodada dos novatos
🏈 PRO! | Análise tática: Josh Allen de volta a realidade contra os Packers
🏈 PRO! | Análise tática: A versatilidade de Saquon Barkley foi fundamental para a vitória dos Giants