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No primeiro Sunday Night Football da temporada, vimos um New York Giants apático. Os mesmos problemas de 2016 ecoaram em 2017 – sem uma linha ofensiva sólida, o jogo corrido (que já não tem muitos talentos) não consegue se estabelecer; sem jogo terrestre, Eli Manning é forçado a passar a bola sem parar e a defesa sabe exatamente o que esperar. Interceptações acontecem. As correntes não são movidas.

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Portanto, farei uma breve análise sobre a performance da linha ofensiva dos Giants na partida de estreia contra o Dallas Cowboys. Separei os três sacks que Eli Manning sofreu, além de um exemplo no jogo terrestre. Não preciso dizer que tanto a proteção ao passe quanto os bloqueio terrestre foram, para ser gentil, erráticos.


“RODAPE"

Para começo de conversa, o primeiro sack da partida. É uma terceira descida para quatro jardas, na primeira campanha dos Giants na noite de domingo. A formação ofensiva traz um 11 personnel (um running back, um tight end e três wide receivers). A defesa do Dallas Cowboys está em nickel, então há apenas seis homens no box. A equipe tem dois safeties no fundo do campo, o que à primeira vista sugere Cover 2, Cover 2-Man ou Cover 6. Pela posição do cornerback no topo da imagem, é pouco provável que seja Cover 4.

Noício da jogada, Brandon Marshall (15) do lado esquerdo, e é a primeira leitura de Eli Manning. Todavia, a aproximação de Orlando Scandrick (32) faz com que Manning passe o olhos no checkdown, Shane Vereen (34), que ainda não se virou, e prossiga sua leitura – Evan Engram faz um double move, e na janela que teria para receber a bola rapidamente, antes de verticalizar, Eli não está olhando para ele.

Eli então olha de novo para Marshall, e é aí que chega o pass rusher. O quarterback, ao olhar para a direita, não viu Roger Lewis (18) queimar a marcação depois de fingir uma rota out. Boa jogada da secundária do Dallas Cowboys pelo lado direito da defesa, que tirou a primeira leitura em um ótimo diagnóstico

Nas trincheiras, vemos o que aparenta ser deício um bom trabalho de contenção da linha ofensiva. John Jerry (77) perde logo na saída para Maliek Collins (96), e direciona o rusher para cima do right, fechando o espaço de ataque para o defensive. O right na jogada, Bobby Hart (68) não consegue bater as mãos de DeMarcus Lawrence (90), que coloca as duas no peito do offensive lineman e o empurra para trás. As mãos de Hart ficam por fora, numa situação precária e sem leverage (vantagem posicional, por assim dizer) nenhuma.

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Lawrence, quando Jerry leva Collins para perto do edge, inteligentemente decide atacar o gigante buraco que vê do seu lado direito. É aí que John Jerry falha miseravelmente em reagir rapidamente à ação de Lawrence – reparem como o camisa 77 sequer impede um milésimo de segundo o avanço do defensive end. Primeiro sack da noite.

O segundo sack de DeMarcus Lawrence na noite foi também em cima de John Jerry. Com um 22 personnel, Eli Manning faz o play action. Do lado direito, Lawrence parte para cima do camisa 77, e de imediato já consegue colocar mão de dentro no peito do offensive lineman e levá-lo cada vez mais ao canto. Jerry tenta contra-atacar, mas Lawrence usa as mãos com mais força e vai vencendo aos poucos a batalha. No último esforço, Lawrence faz força para baixo e o pobre equilíbrio de Jerry não evita a penetração de DeMarcus Lawrence.

O último sack fica na conta de Ereck Flowers (74). É tão tão fácil de ver o problema – o left noício da jogada dá dois passos para a esquerda, protegendo o edge, o que, em teoria manteria a integridade do pocket. O que acontece é que Flowers vai dar um terceiro passo – e é justamente no momento que Charles Tapper (99) lê o movimento do tackle e ataca a parte interna da proteção de Flowers. Justamente por estar dando esse terceiro passo, o pé interno de Flower, o direito, está fora do chão, e o jogador não consegue imprimir força ou se manter firme para tentar o bloqueio. Péssima,  péssima jogada de Ereck Flowers, que não reagiu ao seu rusher, mas foi no modo automático e tomou um vareio.


Por fim, uma jogada terrestre. Reparem, antes de mais nada, o espaço entre Ereck Flowers e o left, Justin Pugh (67). Um buraco desse tamanho (nesse caso, no gap B do lado esquerdo, entre o guard e o tackle) é geralmente uma bandeira gigantesca que a corrida está desenhada  para atacar aquele gap. E é justamente o caso.

De cara, Evan Engram corre para o lado esquerdo tentando puxar a atenção dos linebackers, que de fato dão passos para a esquerda e dão mais tempo para a corrida se estabelecer. Flowers isola bem o defensive end Taco Charlton (97), enquanto John Jerry começa a perder a batalha contra o pass rush. Esse recuo faz com que Perkins tenha que se mover lateralmente mais cedo, perca um pouco de momento na corrida.

Justin Pugh vai até o segundo nível tentar bloquear Damien Wilson (57), mas não consegue se colocar em posição para impedir o avanço do linebacker na jogada. Da mesma forma, o center Wester Richmond (70) não sela o linebacker para o lado direito. Com o bloqueio ruim de Roger Lewis (18) em cima do cornerback, quanto Perkins passa do primeiro nível, não há nenhum caminho aberto. As leituras do camisa 28 foram corretas, mas não houve a chance dele ganhar mais que três jardas.

O alarmante sobre os sacks do Dallas Cowboys foi que todos vieram de pressão com quatro homens. É temerário esperar uma temporada explosiva do ataque do New York Giants com uma atuação tão ruim da linha ofensiva tanto no jogo terrestre quanto aéreo. John Jerry vai acabar matando Eli Manning em 2017.

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