Uma senha sera enviada para seu e-mail

A vitória do Philadelphia Eagles no último domingo evidenciou o sucesso de um novo conceito ofensivo que tomou a NFL de assalto nos últimos três anos. O ataque comandado por Doug Pederson e Frank Reich tem como base a run pass option (as famosas RPOs) que, como o próprio nome já diz, é uma jogada na qual o quarterback tem a opção de realizar a entrega da bola para o running back (handoff) ou fazer um passe rápido.

Disto, vamos à definição básica: RPO (Run-Pass Option) é uma jogada de opção pós-snap na qual baseada na leitura do quarterback, este escolhe pelo jogo terrestre ou aéreo – em função do que a defesa estiver menos preparada.

Assistindo a uma partida, é bastante comum ao telespectador ver uma RPO sendo executada e confundi-lá com um play action pass. Não é nada vergonhoso ter dificuldade para separar um do outro, afinal até mesmo Cris Collinsworth cometeu tal erro diversas vezes ao longo da transmissão do Super Bowl na NBC. A verdade é que, mesmo sendo visualmente semelhantes, a run pass option e o play action são duas coisas bem diferentes.

Antes de mais nada, para este texto ficar ainda mais digerível, dê uma lida num texto que o ProFootball fez sobre o assunto na última semana. Após sua leitura, volte aqui – para melhor entendimento dos conceitos, vamos usar algumas jogadas do Philadelphia Eagles nos playoffs como exemplos.



Como acontece a?

A run pass option acontece baseada na ação da defesa. É responsabilidade do quarterback fazer a leitura correta – quase sempre após o snap – de modo a identificar aonde o oponente estará mais vulnerável e, assim, prosseguir com a jogada. O jogador a ser lido está no segundo nível (pode ser um linebacker, um cornerback, um safety, etc) e a sua ação é aquela que o passador se baseará antes de decidir pelo handoff ou não.

No caso específico do Philadelphia Eagles, o time que mais a utilizou ao longo do ano, a ação se baseia no que acontece depois do snap. O quarterback faz a leitura do segundo nível e decide se a jogada será um passe rápido – a RPO utiliza majoritariamente slants e flat routes – ou uma corrida, geralmente utilizando-se de zone blocking.

Um bom exemplo é o terceiro quarto do confronto contra o Atlanta Falcons no Divisional Round: sendo a RPO uma leitura simples, Philadelphia buscou facilitar as coisas para Foles. Nessa jogada, por exemplo, a leitura do quarterback diz respeito à Keanu Neal, safety de Atlanta: logo após o snap, Foles percebe que o mesmo é o responsável por cobrir o tight end Brent Celek homem-a-homem; assim, quando Alshon Jeffery realizar o corte para o meio, essa parte do campo estará aberta, o que permite um ganho de 12 jardas e um novo first down.

Um jeito fácil de se diferenciar uma RPO de um play action é observando a linha ofensiva. Na Run-Pass Option, você não verá os bloqueadores se ajustando para o bloqueio “de passe”; independente da escolha da jogada por parte do quarterback, os jogadores da linha ofensiva continuarão bloqueando como se fosse uma jogada de corrida. É por essa razão que as jogadas de passe numa RPO são quase sempre em rotas curtas: sem os lineman se ajustando para bloquear as jogadas de passe, o quarterback fica muito mais vulnerável no pocket e tem menos tempo para esperar rotas longas se desenvolverem. Existem exceções, é claro, e Mike Gundy no College Football universitário é um bom exemplo: Oklahoma State não-raramente utiliza deep routes junto de RPOs. No caso do que vimos nos Eagles, portanto, os bloqueios por parte da linha ofensiva continuam como se fossem para uma jogada de corrida – porque é assim que a jogada é vendida para a defesa.

Um jeito fácil de se diferenciar uma RPO de um é observando a linha ofensiva.

A razão pela qual o zone blocking é o tipo de proteção mais utilizado nas RPOs é porque segundo as regras, um jogador de linha ofensiva se torna ilegalmente um recebedor depois de ultrapassar a linha de scrimmage por mais de uma jarda numa jogada de passe. Em outros conceitos de corrida – power, counter, etc -, a chance de tal infração – dado que esses jogadores não são elegíveis ao passe – ocorrer é maior.

E o, como acontece?

Já o play action é uma jogada na qual o ataque procura passar para a defesa a ideia de uma corrida, apenas para que o quarterback realize o fake e passe a bola. Não há opção de corrida aqui. Vamos frisar de novo: não há a opção de corrida. A jogada começa como corrida, vira passe e fica por isso mesmo. Ela é desenhada especificamente para confundir a defesa e assim facilitar a conexão com os recebedores. Se o defensor responsável pela cobertura se confundir, focando na corrida, e perder um ou dois passos em relação ao receiver, é suficiente.

Na RPO, há a opção de corrida. No, não.

Vamos usar como exemplo o de Alshon Jeffery no confronto do último domingo. Embora esteja em 11 personnel (1 RB, 1 TE, 3 WRs), o Philadelphia Eagles mantém apenas um recebedor aberto noício da jogada, sem qualquer motion.



Antes do snap, Foles sinaliza para Torrey Smith, o recebedor mais embaixo na imagem acima, que altere sua posição antes da jogada. New England esperava que Philadelphia corresse com a bola – por isso o alinhamento defensivo acima, com sete jogadores no.

Leia mais:   🔒 Análise Tática: Entendendo a magia do Tampa Bay Buccaneers

No entanto, observe como as três rotas da jogada são longas e, no gif abaixo, como a linha ofensiva bloqueia em pass os cinco jogadores do Patriots que atacam o quarterback do Eagles. Em outras palavras: acontece o fake para o running back, mas os bloqueadores estão protegendo o quarterback – coisa que não rolaria na RPO. Assim, Foles tem mais tempo no para lançar a bola verticalmente. E, numa recepção incrível de Alshon Jeffery, Philadelphia anotou o primeiro da partida.

Para o play action ser realmente efetivo, o jogo corrido da equipe tem de ser efetivo, de modo que a defesa sinta-se ameaçada por ele. Antes do para Jeffery, por exemplo, a jogada anterior foi uma corrida de 36 jardas de LeGarrette Blount que botou o Eagles no território do oponente.

Quer mais textos táticos assim? Nossos sócios têm conteúdo exclusivo, principalmente textos de análise tática, Draft, história da NFL e muito mais: assine, planos a partir de R$ 9,90!

Pessoalmente falando, acredito que o jeito mais fácil de se diferenciar uma RPO de um play action é observando a linha ofensiva. Não é difícil perceber quando um lineman busca proteger seu quarterback numa jogada de passe ou quando se procura abrir espaços para uma possível corrida – mesmo que o passador decida lançar a bola.



Como o conceito é ainda bastante recente, é bastante normal que as pessoas (inclusive comentaristas) tenham dificuldade de perceber com clareza qual está sendo executado ao vivo. De toda forma, se acostume com bastante RPOs ao longo do próximo ano: depois do sucesso do Philadelphia Eagles ao longo do ano com o mesmo, diversas equipes tentaram replicá-las em 2018. A RPO veio pra ficar.

Comentários? Feedback? Siga-me no twitter em @Henrique_Bulio – e ainda, nosso site em @profootballbr e curta-nos no Facebook.

Textos Exclusivos do ProClub, Assine! 

Cousins, Garoppolo & Brees: Os 30 free agents em 2018
ProClub: 5 motivos pelos quais já podemos afirmar que Garoppolo é o futuro dos 49ers