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Neste ano, durante toda a temporada, teremos uma coluna semanal dedicada à avaliação da performance dos quarterbacks. A ideia é discutir, baseado em achados extraídos da análise dos vídeos dos jogos, as características dos atletas que determinam seu sucesso (ou fracasso) na liga. Além de uma visão geral sobre os passadores na semana em questão, teremos alguns destaques individuais, tanto positivos quanto negativos.

Claro, como não pode deixar de ser, levaremos sempre em consideração o sistema ofensivo empregado pelas equipes, assim como a qualidade do elenco ofensivo. Estes fatores impactam de maneira fundamental o que os quarterbacks mostram em campo e, na medida do possível, iremos contextualizar as estatísticas (e resultados) dos jogadores dentro desta realidade.

Semana 5: Visão Geral

Já foram 5 semanas. Começaram as semanas de folga, daqui a pouco lá vem o horário de verão e o mergulho nas madrugadas… e os quarterbacks? Cada vez mais, dá pra observarmos padrões mais consistentes de atuação, tanto dos quarterbacks que vêm muito bem, como daqueles que não estão jogando muito bem.

Nesta semana, destaque para o duelo em alto nível entre Aaron Rodgers e Dak Prescott. Os dois quarterbacks jogaram muito bem, naquele que talvez tenha sido o grande jogo da temporada até agora. Chamou a atenção também o jogo do domingo à noite, em que o “invicto” Alex Smith enfrentou o calouro Deshaun Watson, melhor a cada jogo. Falando em calouros, tivemos ainda a estreia de Mitchell Trubisky, que já trouxe esperança ao torcedor do Chicago Bears, apesar da derrota diante do Minnesota Vikings.

Finalmente, é necessário ressaltar um fenômeno perceptível: vários veteranos que seguem em temporadas abaixo do esperado. Eli Manning, Philip Rivers, Carson Palmer e, principalmente, Ben Roethlisberger. Todos vêm com dificuldades, trazendo inevitavelmente a pergunta: será que, nesta altura de suas carreiras, estes quarterbacks podem se recuperar? A ver.



“colts"

Sob o microscópio: Jacoby Brissett

A diretoria do Indianapolis Colts vem sendo criticada, e não é de hoje, por não conseguir montar um elenco de qualidade em torno de Andrew Luck. O novo General Manager, Chris Ballard (contratado na última intertemporada), chegou com a missão de mudar essa realidade. No entanto, logo Ballard precisou lidar com a ausência de Andrew Luck, contundido.

Depois da semana 1, o General Manager fez uma aposta, negociando com o New England Patriots e adquirindo o quarterback Jacoby Brissett. A partir da semana 3, Brissett assumiu a posição de titular da equipe, substituindo o péssimo Scott Tolzein. Ainda que ninguém esteja sugerindo que a titularidade de Luck esteja ameaçada, Brissett vem se mostrando um bom quarterback. Hoje vamos olhar com profundidade a performance de Jacoby Brissett na vitória dos Colts sobre os 49ers.

Ao observarmos Brissett no pocket, chama a atenção uma mecânica de passe pouco flexível, em que o quarterback lança a bola com o “ombro duro”. Por conta disso, Brissett precisa, em passes para a lateral, fazer a rotação do tronco. Nos passes para a sua esquerda, isso acarreta uma perda importante de força e precisão. Este problema acaba, no entanto, sendo compensado por seu release muito rápido e as boas decisões no pocket.

É possível perceber que Brissett é muito calmo no pocket, aguentando bem a pressão. Mais do que isso, o quarterback foge bem no pocket, sendo capaz de ganhar jardas correndo. Contudo, a característica positiva mais marcante de Jacoby Brissett é a maneira com a qual o jogador, mesmo quando sai do pocket, mantém os olhos em profundidade, buscando o passe. Além disso, Brissett não perde precisão nessas situações.

Nas jogadas estruturadas, dentro do pocket, é raro vermos Brissett saindo da primeira leitura. Isto parece ser proposital, dentro do sistema ofensivo dos Colts, para facilitar a vida do quarterback, há muito pouco tempo no time. Ao longo da temporada (e de sua carreira) será interessante observar isto de maneira melhor.

No jogo contra San Francisco, vimos o melhor e o pior de Jacoby Brissett durante a prorrogação. Dirigindo uma campanha ofensiva, Brissett acertou passes curtos e precisos, mas também um passe longo após sair do pocket. Logo depois, próximo ao touchdown que garantiria a vitória, lançou um passe descuidado, sem considerar o linebacker que estava na cobertura por zona. Foi interceptado, o que quase resultou em derrota. Nesses momentos é fácil ver que Brissett está longe de ser um quarterback pronto para estar no mais alto nível do esporte.

Apesar disso, o saldo de Jacoby Brissett é, até agora, muito positivo. A aposta de Chris Ballard no quarterback foi certeira. Brissett se mostra um quarterback com potencial para ser um futuro titular na liga, além de, com a volta de Andrew Luck, já se colocar como um dos melhores reservas de toda a NFL. E, convenhamos, quando o titular tem problemas físicos recorrentes, como é o caso de Luck, ter um reserva de alto nível é muito importante.

De olho nos calouros

Em sua estreia como titular na NFL, Mitchell Trubisky deu motivos para o torcedor os Bears ter esperança. Apesar de um plano de jogo simplificado, foi possível observar a precisão intermediária de Trubisky e sua boa mobilidade. Aliás, no jogo contra os Vikings, a equipe dos Bears utilizou muito os fakes, aproveitando-se do bom jogo corrido para retirar o quarterback do pocket, como em bootlegs. Além de aliviar a pressão, esta estratégia simplifica as leituras, que passam a ocupar só metade do campo. Ainda assim, Trubisky já mostrou bem mais do que Mike Glennon.

DeShone Kizer, que começou o ano bem, vem muito mal nas últimas semanas. Contra os Jets, depois de muitos erros, tanto em movimentação no pocket quanto em precisão, Kizer foi substituído por Kevin Hogan. Hue Jackson já anunciou que Hogan será o titular nesta semana. Vejo isso como um erro. Ainda que Kizer de fato esteja mal, a experiência poderia fazer bem para seu desenvolvimento, em uma temporada sem maiores perspectivas para a equipe.

Finalmente, Deshaun Watson. O quarterback do Houston Texans segue muito bem, impressionando pela desenvoltura com que comanda o ataque da equipe. Contra os Chiefs, no domingo à noite, Watson acertou passes longos, criou com as pernas e gerou muitas dificuldades para um dos melhores times da liga. Nesse momento, Watson lidera com folga os quarterbacks calouros.



“greenbay"

Troféu “parece Madden no nível amador” – Melhor da semana

Aaron Rodgers

O quarterback do Green Bay Packers foi quase perfeito no jogo deste domingo contra o Dallas Cowboys. Jogando sempre atrás do placar, em um ambiente hostil, Rodgers foi extremamente preciso, mesmo estando, mais uma vez, com desfalques na linha ofensiva. O quarterback dos Packers sofreu com a pressão, particularmente vindo do meio da linha, o que geralmente dificulta muito o desempenho do jogo aéreo. Aaron Rodgers terminou o jogo com 221 jardas e 3 passes para touchdown.

Como sempre, mais importante que os números é aquilo que vemos no vídeo. E Rodgers, mais uma vez, mostrou todo o arsenal que o faz um dos melhores quarterbacks da liga. Mantendo a precisão em todas as condições de lançamento, Rodgers moveu sua equipe em direção ao ataque mesmo sob pressão do pass rush e com cobertura agressiva. Seus grandes trunfos, que apareceram ao longo de toda a partida, ficaram mais claros na campanha da vitória. Atrás no placar com pouco mais de 1 minuto para o fim da partida, Aaron Rodgers utilizou sua tranquilidade no pocket, sua mobilidade com as pernas e, principalmente, sua capacidade de colocar a bola em locais que só o recebedor pode chegar. Foi assim no passe decisivo para Davante Adams, que garantiu a vitória dos Packers.

Menções honrosas: Alex Smith – Kansas City Chiefs / Dak Prescott – Dallas Cowboys




Troféu TEEEEBOOWWW!!!! – pior da semana

Ben Roethlisberger

Mais um jogo muito ruim do quarterback do Pittsburgh Steelers. Bem Roethlisberger foi interceptado 5 vezes. Praticamente os únicos avanços consistentes do jogo aéreo dos Steelers aconteceram quando Antonio Brown fez algum “milagre”. Roethlisberger não consegue escapar da pressão no pocket, o que sempre foi seu ponto forte. Desta forma, depende de passes mais rápidos, muitas vezes curtos ou “de toque”, o que sempre trouxe dificuldades ao veterano quarterback.

Como já mencionamos outras vezes, Ben Roethlisberger parece não ter condições físicas de manter seu antigo patamar de atuação. Além disso, o que esta temporada parece estar nos mostrando é que o quarterback de Pittsburgh talvez não tenha condições técnicas de se adaptar à sua nova realidade. É algo para se acompanhar atentamente no restante do ano.

Menções “desonrosas”: Matt Cassel – Tennessee Titans / DeShone Kizer – Cleveland Browns

Olhando para a semana 6

Já na quinta, a semana 6 começa com um jogão: Eagles e Panthers. Cam Newton, cada vez mais adaptado à nova realidade ofensiva de sua equipe, duelará com Carson Wentz, que vem em uma segunda temporada muito boa.

No domingo, destaque para alguns embates entre quarterbacks estabelecidos ou promissores contra defesas fortes. Aaron Rodgers e os Packers vão até Minnesota, Tom Brady e os Patriots enfrentam os Jets e os Rams de Jared Goff se deparam com a forte secundária dos Jaguars. Finalmente, teremos o novato Mitchell Trubisky e os Bears que enfrentam os Ravens e seu ótimo front 7. Grandes confrontos.

Semana que vem voltaremos com mais sobre os quarterbacks. No twitter, em @JoaoHMacedo, comentários, sugestões e, eventualmente, cornetas, são muito bem-vindos. Até lá.

“RODAPE"