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Neste ano, teremos uma coluna semanal dedicada à avaliação da performance dos quarterbacks. A ideia é discutir, baseado em achados extraídos da análise dos vídeos dos jogos, as características dos atletas que determinam seu sucesso (ou fracasso) na liga.

Além de uma visão geral sobre os passadores na semana em questão, teremos alguns destaques individuais, tanto positivos quanto negativos. Claro, como não pode deixar de ser, levaremos sempre em consideração o sistema ofensivo empregado pelas equipes, assim como a qualidade do elenco ofensivo. Estes fatores impactam de maneira fundamental o que os quarterbacks mostram em campo e, na medida do possível, iremos contextualizar as estatísticas (e resultados) dos jogadores dentro desta realidade. Agora, vamos à última edição da coluna em 2017.

Visão geral: semana 15

O grande jogo da semana 15 foi mesmo o confronto entre Pittsburgh Steelers e New England Patriots. Tom Brady, após um período de irregularidade, comandou a virada dos Patriots em pleno Heinz Field. Já Ben Roethlisberger foi muito bem em todo o jogo, exceto em seu último passe, a interceptação que finalizou a partida. Claro que temos toda a discussão referente à arbitragem, mas nem vou entrar nesse tema por aqui. Brady cada vez mais reforça sua candidatura a mais um prêmio de MVP.

Além disso, duas reestreias bem diferentes. Aaron Rodgers mostrou-se bem enferrujado no jogo contra os Panthers. O quarterback dos Packers lançou três interceptações, contribuindo para a derrota de sua equipe. Claramente ainda sentindo os efeitos da fratura na clavícula direita, Rodgers já foi colocado na lista de contundidos mais uma vez, especialmente agora que os Packers estão eliminados dos playoffs.

Já Nick Foles foi muito bem. Em sua primeira partida no lugar de Carson Wentz, Foles, se aproveitando do ótimo elenco e sistema ofensivos dos Eagles, foi capaz de liderar a equipe à vitória sobre os Giants. Com o resultado, os Eagles já garantiram folga na primeira rodada dos playoffs.

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Hoje temos uma figurinha repetida no “sob o microscópio”: Cam Newton será avaliado aqui pela segunda vez no ano. Veremos que tem motivo pra olhar pra ele de novo. Além disso, calouros, prêmios e afins.

Sob o microscópio: Cam Newton

Como disse mais acima, já falamos de Cam Newton aqui no “sob o microscópio”. Então, por que voltar ao quarterback do Carolina Panthers? Porque o ataque da equipe mudou e, com isso, Newton voltou a mostrar o que tem de melhor. Não é à toa que os Panthers saíram de um momento ruim na temporada para estarem, agora, bem perto de uma vaga nos.

Noício da temporada, havia a impressão de que o coordenador ofensivo Mike Shula queria transformar Cam Newton em um quarterback diferente, capaz de comandar um ataque baseado em passes curtos e ritmo, menos dependente dos ganhos explosivos de jardas e das corridas do quarterback. Era um plano que fazia sentido. Cam Newton vinha de um ano anterior cheio de contusões, quando jogou atrás de uma linha ofensiva muito frágil. Assim, a equipe adquiriu jogadores com potencial de conseguir muitas jardas após a recepção (Christian McCaffrey e Curtis Samuel), além de reforçar a linha ofensiva.

O desempenho vinha até razoável, com a equipe tendo 4 vitórias e 3 derrotas, mas em uma divisão forte e disputada como a NFC South está neste ano, a equipe precisava melhorar.

O desempenho vinha até razoável, com a equipe tendo 4 vitórias e 3 derrotas, mas em uma divisão forte e disputada como a NFC South está neste ano, a equipe precisava melhorar. Nas semanas subsequentes, a performance do ataque começou a melhorar. No momento, os Panthers estão com 10 vitórias e 4 derrotas, com grandes chances de chegar à pós-temporada. Muito disso tem a ver o com “retorno ao básico” de Cam Newton e do resto do ataque. Vamos analisar o desempenho do quarterback no jogo do último domingo, contra o Green Bay Packers, para observar essa mudança.

Na partida do domingo, vimos um Cam Newton bem parecido com aquele que conquistou o prêmio de MVP da temporada 2015. Lidando bem com a pressão no, mas também saindo para ganhar tempo e espaço sem dificuldades e, claro, correndo com a bola, tanto em scrambles quanto em corridas planejadas.

Na hora dos lançamentos, Newton mostrou o que faz de melhor, que é lançar passes intermediários e longos de velocidade, com boa precisão, principalmente quando seus alvos estão na extremidade do campo. Em um ataque como o dos Panthers na última partida, que consegue ganhos explosivos frequentes, é possível arcar, sem prejuízo, com o alto número de passes incompletos lançados por Cam Newton. Em lançamentos para o meio do campo, ou passes que exigem movimento rápido de braço logo após o snap, Newton é irregular. Sempre foi, desde a sua chegada à NFL.

Isso, por sua vez, traz duas conclusões. Primeiro, que Cam Newton provavelmente nunca será um quarterback que completa acima de 65-70% dos seus passes (o que, dentro de suas características, não é necessariamente um problema). Em segundo lugar, podemos concluir que seria difícil que Newton funcionasse bem em um ataque de passes rápidos, baseados em ritmo. A mecânica de passe do quarterback, alongada, não favorece isso. Assim, ainda que o plano de Mike Shula pudesse ajudar a proteger Newton fisicamente, provavelmente não valeria a pena. E dá pra dizer que foi o que a primeira metade da temporada mostrou.

Mas talvez voltar ao básico não fosse tão simples assim. O principal investimento da equipe na intertemporada (Christian McCaffrey, escolha de primeira rodada no draft 2017) parecia ideal para o sistema de ritmo. Será que ele (e o resto do ataque) se adaptaria à mudança?

A resposta é sim. Aliás, a química entre Newton e McCaffrey parece cada vez melhor, mais natural. O running back agora faz parte dos fakes de corrida do quarterback, além de uma ótima opção de passe. No jogo contra os Packers, dos 20 passes completados por Cam Newton, o running back calouro recebeu 6, incluindo um .

Ao saber utilizar McCaffrey, Newton acrescenta mais a seu jogo. De certa forma, o quarterback vai além do básico. Newton terminou o jogo com 4 passes para , além de 242 jardas aéreas e 58 jardas terrestres. Considerando o grau da disputa, não apenas pelas vagas, mas já dentro dos playoffs da NFC, essa evolução ofensiva vem em ótimo momento para os Panthers.



De olho nos calouros

Mitchell Trubisky vinha em clara evolução nas partidas anteriores. Contudo, contra os Lions, no último sábado. o quarterback do Chicago Bears teve um jogo ruim. Apesar de ter conseguido mover a bola (314 jardas aéreas). Trubisky foi bastante irregular e impreciso, lançando 3 interceptações. O olhar dos Bears já é voltado para o ano que vem (mesmo ainda sem saber quem vai comandar o time, com a provável saída de John Fox), e o foco de Trubisky deve estar em ganhar experiência e minimizar os erros.

Já falamos muito por aqui sobre como o técnico Hue Jackson não ajuda o quarterback DeShone Kizer, com planos de jogo ruins e complexos. Mas Kizer também não se ajuda. Contra Baltimore, erros e mais erros, sempre lançando passes longos a esmo, segurando demais a bola, e lento em passes de timing. Kizer é um quarterback que, mesmo em seu primeiro ano na liga, já precisa de uma mudança de cenário para manter qualquer perspectiva de uma carreira efetiva como quarterback titular na NFL.



Troféu “Parece Madden no nível amador” – melhor da semana

Blake Bortles

O que está acontecendo na NFL!? Duas semanas seguidas em que Blake Bortles é o melhor quarterback da liga…

Pois é. No jogo contra o Houston Texans, mesmo sem contar com o running back Leonard Fournette e com o wide Marqise Lee, Bortles jogou muito bem. Preciso em seus passes, o quarterback dos Jaguars terminou o jogo com 3 passes para e 326 jardas. Mais importante, Bortles mostrou paciência e toque nos seus passes. Mesmo mantendo suas limitações ao lidar com a pressão no pocket, Blake Bortles parece ter achado seu lugar na liga, no sistema ofensivo baseado no jogo corrido do Jacksonville Jaguars.

Menções honrosas: Alex Smith– Kansas City Chiefs / Jared Goff – Los Angeles Rams

Troféu “TEEEEBOOWWW!!!!” – pior da semana

Andy Dalton

Falei pouco sobre Andy Dalton nessa temporada. O quarterback dos Bengals esteve, na maior parte das semanas, um pouco (bem pouquinho) acima das menções desonrosas. Contra os Vikings, na semana 15, Dalton foi o pior de todos. A atuação de domingo, em que o quarterback acertou 50% dos passes tentados, para pouco mais de 100 jardas, além de duas interceptações, talvez marque um ponto crítico na carreira do jogador. Este parece ser o ponto em que Andy Dalton abandona o posto de quarterback titular. Com a já anunciada saída do técnico Marvin Lewis para a temporada 2018, é bastante provável que o novo comando dos Bengals opte por conseguir seu próprio quarterback.

Mas isso é assunto pra intertemporada.

Menções desonrosas: DeShone Kizer – Cleveland Browns / T.J. Yates – Houston Texans

Olhando para a semana 16

No ponto em que estamos na temporada 2017, só importa a disputa vagas e colocações nos playoffs. Com esse olhar, as disputas da acirradíssima NFC South se destacam. Saints e Falcons fazem o confronto direto da semana, enquanto os Panthers de Cam Newton enfrentam os eliminados Bucs.

Destaque ainda para o confronto dos desesperados. Russell Wilson, que até algumas semanas atrás estava no meio da disputa pelo MVP, precisa liderar os Seahawks à vitória diante dos Cowboys, que contam com a volta de Ezekiel Elliott.

Finalmente, acontecerá o jogo entre o New England Patriots, do virtual MVP Tom Brady, contra o Buffalo Bills, do “favorito da coluna” Tyrod Taylor. Estou curioso pra esse jogo.

Semana que vem tem mais.

“RODAPE"