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Neste ano, durante toda a temporada, teremos uma coluna semanal dedicada à avaliação da performance dos quarterbacks. A ideia é discutir, baseado em achados extraídos da análise dos vídeos dos jogos, as características dos atletas que determinam seu sucesso (ou fracasso) na liga.




Além de uma visão geral sobre os passadores na semana em questão, teremos alguns destaques individuais, tanto positivos quanto negativos. Claro, como não pode deixar de ser, levaremos sempre em consideração o sistema ofensivo empregado pelas equipes, assim como a qualidade do elenco ofensivo. Estes fatores impactam de maneira fundamental o que os quarterbacks mostram em campo e, na medida do possível, iremos contextualizar as estatísticas (e resultados) dos jogadores dentro desta realidade.

Semana 8: Visão Geral

Já com metade da temporada tendo sido disputada, algumas noções sobre os quarterbacks estão bem estabelecidas. Isto tem pontos positivos, pois funciona como base para a avaliação da performance dos jogadores. Mas também traz um certo risco: às vezes acabamos alterando nossa interpretação do que estamos vendo, para tentar adequar à narrativa. E, muitas vezes, as coisas mudam durante o ano.

Quarterbacks como Alex Smith e Carson Wentz (e o quase “esquecido” Drew Brees) têm mantido um nível elevado de atuação, enquanto outros (Trevor Siemian, DeShone Kizer) têm sido constantemente ruins. No meio desse caminho, é importante lembrar de quarterbacks que estão melhorando suas performances ao longo do ano. É o caso de Russell Wilson, Tyrod Taylor e até mesmo Ben Roethlisberger (ainda longe do seu melhor). Por outro lado, Jameis Winston, Jared Goff e Marcus Mariota “esfriaram” após bons inícios de ano.

Essa semana foi oscilante, neste sentido, com muitas atuações irregulares. Nada mais adequado, então, do que focar nosso microscópio sobre um quarterback “regularmente irregular”. Jogador mais caro da liga, Matthew Stafford teve uma boa atuação na derrota do Detroit Lions para o Pittsuburgh Steelers. Mais sobre ele logo ali embaixo.

Calouros, prêmios da rodada e afins também vem por aí.

Sob o microscópio: Matthew Stafford

Matthew Stafford foi a primeira escolha geral no draft de 2009. Desde então, ocupa a posição de titular dos Lions. Sempre liderando ataques produtivos, mas sem grandes avanços em pós-temporada, Stafford se caracteriza pela irregularidade. Apesar disso, seu braço potente e boa capacidade de lidar com a pressão fazem dele um bom quarterback.

Na última intertemporada, Stafford renovou seu contrato com os Lions, com um valor máximo de 135 milhões de dólares, tornando-se o jogador mais bem pago da NFL. Isto suscitou muitas críticas à equipe, com diversas afirmações de que o quarterback não valeria tudo isso. Mas, na minha opinião, a equipe não tinha muita alternativa. A progressão do teto salarial faz com que os contratos de “franchise quarterbacks” aumentem continuamente, esteja este quarterback no top 3 da liga, ou mais pro final do top 10 (caso de Stafford). Assim, era fundamental para os Lions “segurassem” Matthew Stafford.

Texto exclusivo dos sócios ProClub: Troca de Kelvin Benjamin é boa para Carolina e também para Buffalo

Depois desta (longa) introdução, vamos ao que as imagens da atuação de Stafford contra os Steelers nos dizem sobre o quarterback dos Lions. Contra Pittsburgh, Matthew Stafford completou 27 passes em 45 tentativas, para um total de 423 jardas, sem touchdowns ou interceptações. Aliás, o desempenho na red zone talvez tenha sido o único ponto negativo da atuação do quarterback na partida. A equipe não conseguiu marcar nenhum touchdown.

Stafford, como já dissemos, tem um braço potente, sendo capaz de acertar alvos nas extremidades do campo sem dificuldades. Ao contrário de muitos dos quarterbacks com braço forte, o quarterback dos Lions também acerta com frequência os passes de toque, mais curtos. Além disso, Stafford tem boa presença no pocket (algo em que evoluiu bastante na carreira), mantendo-se bem posicionado diante da pressão e com o olhar em profundidade. Embora não seja muito atlético, Stafford é capaz de fugir da pressão e ganhar algumas jardas correndo com a bola.

O lado negativo (e importante) de Matthew Stafford é a tendência a decisões erradas. Passes frequentes para recebedores cobertos, negligenciando opções melhores, são frequentes no jogo do quarterback. Neste jogo, a dificuldade de achar alvos na red zone pode, ao menos em parte, ser relacionada a esta característica de Stafford.

Outro fator, no entanto, é fundamental na hora de discutirmos as dificuldades de Matthew Stafford. Desde 2015, o quarterback atua em um sistema ofensivo um tanto limitante, baseado em muitos passes curtos e laterais, com pouca extensão vertical do campo. Quando houve a troca de comando ofensivo da equipe, com a chegada do coordenador Jim Bob Cooter, a ideia era justamente minimizar o impacto da irregularidade de Matthew Stafford, instalando um sistema com mais ritmo. Apesar do sucesso inicial, com aumento da porcentagem de passes completos, fica a sensação de que Stafford se encontra “preso” pelo conservadorismo do sistema de Cooter. Com equilíbrio, os ganhos longos de jardas (muito possíveis com um braço como o de Stafford), mesmo com aumento do número de passes incompletos, tendem a valer mais a pena do que ganhos mínimos constantes.

Ainda assim, considero Matthew Stafford um bom quarterback, sem dúvida capaz de levar os Lions um pouco mais longe. Jamais será um dos 3 ou 5 melhores da NFL, mas é um “franchise quarterback”, o que justifica seu contrato e seu status dentro da equipe.

De olho nos calouros

Deshaun Watson segue impressionando. No jogaço contra o Seattle Seahawks, o quarterback dos Texans mais uma vez mostrou sua habilidade. Com tranquilidade do pocket tanto no passe quanto na corrida, atacou continuamente a defesa dos Seahawks. Apesar das duas interceptações, foi mais uma atuação muito promissora de Watson.

Mitchell Trubisky mostrou evolução contra os Saints. Até agora, no entanto, o que vemos do quarterback dos Bears é o que era mais ou menos esperado: bons atributos físicos associados a uma grande inexperiência. Assim, Trubisky ainda parece perdido, mas a experiência desta temporada será fundamental na evolução da carreira do quarterback.

Deshone Kizer foi até um pouco melhor que o esperado contra os Vikings. Apesar da derrota o quarterback executou bem o plano de jogo, concentrado em passes curtos e movimentos programados para fora do pocket. Talvez ainda haja esperança para Kizer.

C.J. Beathard ainda parece longe de poder ser um titular viável na NFL. Apesar do bom ritmo, o quarterback comete erros frequentes de leitura, e falta braço para compensar. E, agora, Beathard deve voltar para o banco, com a chegada de Jimmy Garoppolo, vindo do Patriots. É, C.J., foi ruim enquanto durou.




Troféu “parece Madden no nível amador” – Melhor da semana

Drew Brees

“Bote fé no velhinho, que o velhinho é demais!” Primeiramente, se você lembra dessa música, o velhinho é você. Agora, vamos a Drew Brees. O quarterback dos Saints teve uma atuação precisa diante de uma das melhores defesas da liga. Contra os Bears, Brees lidou com tranquilidade com a pressão, não correndo riscos e usando sua precisão espetacular para ir lentamente minando a defesa e conquistando jardas.

Drew Brees terminou o jogo com 82% de passes completados (23/28) para 299 jardas. O domínio de Brees em um jogo difícil e decidido em detalhes foi impressionante. Em um ano no qual a defesa de New Orleans parece finalmente ter encontrado um jeito de não ser horrível, Drew Brees pode levar esse time muito longe.

Menções honrosas: Russell Wilson – Seattle Seahawks / Alex Smith – Kansas City Chiefs

Troféu “TEEEEBOOWWW!!!!” – pior da semana

Trevor Siemian

Um qualificador não muito desejado pra um quarterback é o seguinte: “perdeu a vaga de titular para Brock Osweiler”. E foi isso que aconteceu com Trevor Siemian nesta semana. O técnico dos Broncos, Vance Joseph, já avisou que Osweiler será o titular no jogo da semana 9 contra os Eagles.

No Monday Night Football, contra o Kansas City Chiefs, Siemian foi muito mal. Leituras erradas, passes muito distantes dos alvos propostos, interceptações… um desastre. O quarterback acabou o jogo com 3 interceptações, além de menos de 200 jardas aéreas.

Menções “desonrosas”: Matt Moore – Miami Dolphins / Jameis Winston – Tampa Bay Buccaneers .

Olhando para a semana 9

Dois jogos me chamam a atenção para a semana que vem. Já no Thursday Night Football, os surpreendentes Bills e Jets fazem um importante confronto da AFC East. Tyrod Taylor vem em uma ótima temporada e, inacreditavelmente, Josh McCown também vem bem. Considerando que as duas equipes têm boas defesas, devemos ter um jogo bem legal.

Outra partida interessante será o confronto entre Dallas e Kansas City. Dak Prescott é mais um quarterback “escondido” nessa temporada. Ele está jogando bem, mas sem receber tanto destaque. Já Alex Smith segue tendo seu melhor ano na liga. Promessa de confronto interessante.




Mais Semana 9:
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Semana que vem voltaremos com mais sobre os quarterbacks. No twitter, em @JoaoHMacedo, comentários, sugestões e, eventualmente, cornetas, são muito bem-vindos. Até lá.

“RODAPE"