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Neste ano, durante toda a temporada, teremos uma coluna semanal dedicada à avaliação da performance dos quarterbacks. A ideia é discutir, baseado em achados extraídos da análise dos vídeos dos jogos, as características dos atletas que determinam seu sucesso (ou fracasso) na liga. Além de uma visão geral sobre os passadores na semana em questão, teremos alguns destaques individuais, tanto positivos quanto negativos.



Claro, como não pode deixar de ser, levaremos sempre em consideração o sistema ofensivo empregado pelas equipes, assim como a qualidade do elenco ofensivo. Estes fatores impactam de maneira fundamental o que os quarterbacks mostram em campo e, na medida do possível, iremos contextualizar as estatísticas (e resultados) dos jogadores dentro desta realidade.

Semana 12: Visão Geral

Semana de ótimos jogos na liga esta semana. Começando com o bom confronto entre Vikings e Lions no feriado de Ação de Graças e passando por vários jogos no domingo, a semana 12 trouxe embates de alta qualidade. Sob o ponto de vista dos quarterbacks, destaque para um alto número de boas atuações. A disputa pelo troféu “Madden no amador” vai ser apertada nesta semana.

Além dos destaques habituais, como Tom Brady e Carson Wentz, quarterbacks como Philip Rivers, Ben Roethlisberger, Matt Ryan e… Blaine Gabbert (!) estiveram muito bem. Outro quarterback que jogou bem foi Jared Goff. O quarterback do Los Angeles Rams está “sob o microscópio” na coluna de hoje.

Além disso, tudo sobre os calouros, melhores e piores… o de sempre.

Sob o microscópio: Jared Goff

Semana passada, falamos aqui sobre um quarterback (Kirk Cousins) que, mesmo jogando melhor em 2017 do que em anos anteriores, apresenta resultados/números piores, por conta da queda no talento da equipe. Agora vamos a um cenário não exatamente oposto, mas em que, sem dúvida, a estrutura circundante auxilia a evolução do quarterback: Jared Goff e o Los Angeles Rams.

Jared Goff teve uma temporada de estreia na NFL muito ruim. Em 2016, ano em que o ataque nos Rams como um todo teve um nível muito baixo, Goff parecia muito distante de se tornar um quarterback viável. Muito menos um que justificasse seu status de primeira escolha no draft daquele ano. Na intertemporada, houve quem já colocasse a alcunha de bust (“fracasso”) em Jared Goff.

E então chegou Sean McVay.

O jovem técnico dos Rams, vindo de uma boa passagem como coordenador ofensivo em Washington, chegou como a esperança para fazer a carreira de Jared Goff “pegar no tranco”. Até o momento, parece ser exatamente o que ele fez. Hoje, utilizando como base o jogo deste domingo entre Rams e Saints, vamos analisar o desempenho de Jared Goff e do seu “condutor” Sean McVay.

Contra a boa defesa do New Orleans Saints, Jared Goff mostrou muito do que tem feito ao longo de toda a temporada. Ao contrário do que aconteceu em 2016, agora, dentro de um ataque estruturado, é possível visualizar os traços que fizeram de Goff a primeira escolha do draft no ano passado. Goff tem ótima mecânica de passe, com movimento de braço sempre próximo ao corpo e um release rápido. O quarterback dos Rams se movimenta bem no pocket e é capaz de lançar passes com precisão a partir de diversas plataformas (posição dos pés no momento do passe).

Com relação à precisão “pura”, Goff oscila. Vai bem em passes rápidos para todas as direções do campo, assim como em passes curtos, de toque. Em passes longos, particularmente de trajetória alta, nas extremidades do campo, o quarterback perde muito em acurácia. No entanto, a maior dificuldade apresentada por Jared Goff em 2016 não foi mecânica, mas sim, mental. Goff teve muitas dificuldades com leituras e decisões, segurando demais a bola ou lançando diretamente para um defensor. Aí chega o maior impacto de Sean McVay e de seu sistema ofensivo.

A equipe dos Rams se reforçou na intertemporada, principalmente com as chegadas do tackle Andrew Whitworth e dos receivers Robert Woods, Sammy Watkins e Cooper Kupp. Além disso, McVay instalou um sistema simples e variado, visando facilitar a vida do seu jovem quarterback e, ao mesmo tempo, deixar a defesa sempre um passo atrás do ataque. Utilizando-se de muitas jogadas com misdirection (movimento de corredores, recebedores e/ou linha ofensiva em direção oposta à da bola) e de um jogo corrido forte liderado por Todd Gurley, a equipe já atrasa o pass rush adversário, dando mais tranquilidade para o quarterback. Além disso, com o emprego de combinações variadas de rotas, é possível “fabricar” aberturas que, particularmente quando associadas à progressões de leitura mais simples, facilitam muito o trabalho mental de Jared Goff.

Leia também: Rams estão indo para o no-huddle para que Sean McVay chame audibles e “esteja em campo”

Mas a “condução” de Sean McVay não acaba por aí. No jogo de domingo, contra os Saints, foi possível observar Goff posicionando o ataque na linha de scrimmage e, após o posicionamento correspondente da defesa, olhando para o lado do campo, em busca de orientação. Isto é bastante comum no futebol universitário, em que os técnicos ou coordenadores ofensivos ajustam a chamada da jogada de acordo com a defesa. Na NFL isto é bem menos comum, até por conta do recurso de comunicação por rádio, que fica aberta até faltarem 15 segundos no play clock. Ainda assim, neste mesmo jogo, foi possível perceber McVay se comunicando do rádio com Goff já posicionado para o snap, mudando a jogada a partir da leitura. Desta forma, McVay diminui ainda mais o trabalho mental do quarterback, facilitando a leitura e a decisão.



Falando deste jeito, parece que Jared Goff é uma marionete, sendo controlado por Sean McVay. Claro que não é assim. Goff mostra grande evolução, comandando o ataque com fluidez. O ponto aqui é que, com ajustes ofensivos, McVay deu ao seu quarterback condições de sucesso. Contra New Orleans, Goff terminou o jogo com mais de 350 jardas e 2 touchdowns, vencendo o duelo direto contra Drew Brees.

Embora Jared Goff ainda mostre limitações, não há dúvida de sua progressão desde o ano passado. Sob a liderança e orientação de Sean McVay, Goff pode vir a ser o quarterback que os Rams buscam desde a saída de Kurt Warner.

De olho nos calouros

O Chicago Bears parece estar abrindo cada vez mais seu ataque para Mitchell Trubisky. Na derrota para os Eagles, Trubisky lançou a bola 33 vezes, completando pouco mais da metade desses passes. Para o quarterback de Chicago, com poucas partidas mesmo na universidade, toda a experiência é bem-vinda, ainda que os resultados sejam ruins.

Lentamente, DeShone Kizer vem melhorando. Claro que seu desempenho ainda é muito irregular, mas o quarterback dos Browns vem mostrando maior entendimento do jogo profissional. Vitória, que é bom… nada.

Finalmente, C.J. Beathard. O jogador dos 49ers se mostra um quarterback capaz de jogar na NFL, mas não muito mais do que isso. A partir de agora, Beathard deve voltar ao banco de reservas (onde provavelmente terá uma longa carreira), já que nesta semana Jimmy Garoppolo fará sua estreia como titular.

Troféu “Parece Madden no nível amador” – melhor da semana

Matt Ryan

Depois de um começo de ano irregular, possivelmente de adaptação à mudança de coordenador ofensivo, Matt Ryan vem engrenando nas últimas semanas. O quarterback dos Falcons, MVP em 2016, jogou muito bem contra Tampa Bay. Distribuindo a bola entre seus recebedores com segurança, timing e precisão, Ryan dissecou a defesa adversária.

Matt Ryan aproveitou a tarde monstruosa de Julio Jones para terminar o jogo com 26 passes completos em 35 tentativas, para 315 jardas e 1 touchdown. Em uma disputa acirrada com New Orleans e Carolina pelo título da NFC South, os Falcons certamente vão precisar de seu quarterback jogando em alto nível.

Menções honrosas: Philip Rivers – Los Angeles Chargers / Bem Roethlisberger – Pittsburgh Steelers

Troféu “TEEEEBOOWWW!!!!” – pior da semana

Paxton Lynch

Sai quarterback, entra quarterback, e o Denver Broncos continua dominando esta categoria. Paxton Lynch foi a bola da vez. Nos três quartos em que jogou contra os Raiders (antes de sair, machucado), Lynch foi muito mal. Com sua lentidão no pocket, e com um movimento de braço excessivamente largo e lento, Paxton Lynch parece muito distante do que um quarterback da NFL deve ser.

Lynch terminou o jogo com apenas nove passes completos, e com 41 jardas. É, John Elway… não dá pra colocar a responsabilidade por essa bagunça em nenhuma outra pessoa.

Menções “desonrosas”: Tom Savage – Houston Texans / Alex Smith – Kansas City Chiefs .

Olhando para a semana 13

O destaque da semana 13, sem dúvida, é o confronto entre Minnesota Vikings e Atlanta Falcons. Matt Ryan vai precisar mostrar sua evolução dentro da temporada 2017 diante de uma das melhores defesas da liga. Do outro lado, Case Keenum segue tentando manter Teddy Bridgewater na sombra. Perspectiva de grande jogo.

Destaco ainda New Orleans e Carolina, confronto direto pela disputadíssima NFC South, e o embate entre opostos que coloca frente à frente Philadelphia Eagles e Seattle Seahawks. Digo opostos porque, enquanto, os Eagles têm um elenco completo, que facilita a vida de Carson Wentz, os Seahawks dependem muito do que Russell Wilson faz “sozinho” (claro que é exagero, mas dá pra entender).

Finalmente, neste domingo será a estreia de Jimmy Garoppolo como titular do San Francisco 49ers. No jogo contra o Chicago Bears teremos a primeira oportunidade de ver como o quarterback vai se encaixar no sistema do técnico Kyle Shanahan. Estou bem curioso.

E lá vamos nós!



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“RODAPE"