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Neste ano, durante toda a temporada, teremos uma coluna semanal dedicada à avaliação da performance dos quarterbacks. A ideia é discutir, baseado em achados extraídos da análise dos vídeos dos jogos, as características dos atletas que determinam seu sucesso (ou fracasso) na liga. Além de uma visão geral sobre os passadores na semana em questão, teremos alguns destaques individuais, tanto positivos quanto negativos.

Claro, como não pode deixar de ser, levaremos sempre em consideração o sistema ofensivo empregado pelas equipes, assim como a qualidade do elenco ofensivo. Estes fatores impactam de maneira fundamental o que os quarterbacks mostram em campo e, na medida do possível, iremos contextualizar as estatísticas (e resultados) dos jogadores dentro desta realidade.

“colts"

Semana 7: Visão Geral

Na semana 7, vários quarterbacks tiveram ótimas atuações. Começando com o ótimo jogo entre Chiefs e Raiders na quinta à noite (com boa atuação de Derek Carr) e indo até o Monday Night Football (com mais uma performance muito boa de Carson Wentz), os jogos desta semana ajudaram a delinear padrões de atuação dos quarterbacks. Entre os confrontos específicos entre quarterbacks, nenhum foi mais interessante do que o jogo entre Bills e Bucs. Tyrod Taylor e Jameis Winston travaram um ótimo duelo. Mais sobre esse jogo lá na frente.

Alguns jogadores se mantêm em nível elevado ao longo de toda a temporada (Wentz, Alex Smith e Tom Brady vêm à mente), enquanto outros têm mostrado capacidade de elevar sua performance após inícios de ano ruins (Philip Rivers e, nesta semana, até Ben Roethlisberger – que escapou do “troféu TEEBBOOWW!!”).

Nesta semana, Derek Carr está “sob o microscópio”, após o emocionante jogo no último TNF, com uma excelente campanha decisiva. Além disso, teremos a avaliação dos calouros, com a estreia de C.J. Beathard e a montanha russa de DeShone Kizer nos Browns. E, claro, o quarterback que “ganhou” o jogo completando apenas quatro passes.

Sob o microscópio: Derek Carr

Analisar a performance de Derek Carr contra o Kansas City Chiefs não é das tarefas mais fáceis. A atuação do quarterback dos Raiders oscilou tanto, com momentos brilhantes e outros muito ruins, que é difícil estabelecer padrões. Aliás, esse acaba sendo o padrão de Carr: o (des)equilíbrio entre seu grande talento físico e seus erros frequentes. Talvez eu esteja parecendo excessivamente crítico com Carr, mas depois deve ficar claro o porquê.

Ao longo do jogo da última quinta-feira, a mesma sequência se repetiu algumas vezes: passes precisos, particularmente aqueles de velocidade, alternados com “tropeços” no pocket e problemas de localização dos lançamentos. Vamos tentar entender porque Carr tem tantos momentos Jekyll/Hyde.

O talento do braço de Derek Carr é realmente impressionante. O quarterback consegue gerar força nos seus passes mesmo quando fora de posição. Seus passes retos, de velocidade, são excelentes. O quarterback conta ainda com um release rápido, tanto nos passes retos quanto nos passes longos, de trajetória alta (em parábola). Em passes de toque, Carr perde em precisão, particularmente com relação à localização da bola na área de recepção do alvo. Em ao menos dois passes no jogo de quinta. Uma localização ruim impediu ganhos de jardas após a recepção, atrapalhando o ataque de Oakland.

A facilidade de Derek Carr em lançar passes longos faz com que o quarterback arrisque um número considerável de passes “50/50” (passes que vão para a disputa direta, no alto, entre o wide receiver e o defensor). Claro que isso tem dois lados. Ainda que aumente a chance de passes incompletos (ou mesmo interceptados), os eventuais ganhos importantes de jardas acabam contrabalançando o risco. Este acaba sendo um ponto fundamental na percepção sobre Carr, mas que muitas vezes depende muito mais de seus recebedores do que do quarterback propriamente. Neste ano, em que seus recebedores vêm em temporadas irregulares (particularmente Amari Cooper, apesar da explosão no último jogo), existe a impressão coletiva de que Derek Carr está em um ano pior do que 2016. No entanto, ainda o vejo como o mesmo quarterback.

E ele é o mesmo quarterback porque, além de manter seu braço muito potente, também segue cometendo erros frequentes no pocket. Diante da pressão, Carr tende a acelerar seu movimento de passe, perdendo em precisão. Além disso, quando precisa sair de sua primeira leitura, o quarterback toma muitas decisões ruins, lançando passes na direção de recebedores cobertos ou mesmo fora do timing das rotas.

Contra os Chiefs, vimos todas as características descritas acima. Muitos passes incompletos, com erros no pocket, e muitos passes excelentes, com ganhos consideráveis de jardas. No final, Carr completou 29 de 52 passes, para 417 jardas e 3 touchdowns. O que as estatísticas não dizem, entretanto, é sobre a postura mental de Derek Carr. Diante dos erros, o quarterback dos Raiders não se abala, mantendo a agressividade e a energia de seu jogo. Essa característica tornou possível a espetacular campanha da vitória no TNF. Mesmo com drops e faltas, Carr seguiu em frente, até o touchdown lançado para Michael Crabtree. Se faz algum sentido, Derek Carr mostra que, mesmo cometendo muitos erros mentais, tem a “cabeça boa” que um grande quarterback precisa ter.

E é a soma do braço com a força mental de Derek Carr que fazem com que seus erros no pocket sejam tão frustrantes. Por isso acabo sendo muito crítico com ele. Estamos falando de um quarterback que poderia estar entre os melhores da liga, mas que, na minha opinião, ainda não está lá. Muitas vezes vemos quarterbacks melhorarem aspectos do seu jogo ao longo de suas carreiras. Mas já está passando da hora de Carr dar o seu salto. Ou então continuará sendo um bom quarterback com um ótimo braço, em vez de um ótimo quarterback.

De olho nos calouros

O calouro ofensivo do ano Deshaun Watson (cedo demais?) esteve de folga nesta semana, então vamos direto ao resto da turma.

Mitchell Trubisky completou 4 passes de 7 tentados. Quatro. E Chicago ganhou. Não tenho muito o que dizer sobre isso.

Já Deshone Kizer teve mais um dia conturbado. Muitos erros, interceptação na red zone, perdido no pocket e… barrado novamente. Mas domingo tem mais. Kizer segue titular contra a fortíssima defesa do Minnesota Vikings. Acho que vai ser feio…

Finalmente, vamos a C.J. Beathard. O novo titular do San Francisco 49ers esteve em um jogo em que sua equipe perdeu por 40 a 10. O quarterback passou para 235 jardas, sem touchdowns aéreos (marcou um TD terrestre) e com menos de 60% de passes completos. E eu gostei dele. Boa mobilidade no pocket, boas decisões. O protótipo do game manager. Os 49ers têm um time muito fraco, mas acho que Beathard pode mostrar coisas interessantes ao longo da temporada.

Semana que vem tem Deshaun Watson de novo. Ainda bem.

Troféu “parece Madden no nível amador” – Melhor da semana

Tyrod Taylor

Em um jogo que não foi tão falado no final de semana, tivemos a melhor atuação de um quarterback na rodada. Tyrod Taylor jogou demais na vitória dos Bills sobre os Bucs por 30 a 27. Seguindo em seu estilo de criar jogadas fora do pocket e sem correr riscos no jogo aéreo, Taylor dominou os lados do campo em uma atuação que mostrou o que tem de melhor.

O quarterback terminou o jogo com 20 passes completos em 33 tentativas, para 268 jardas e 1 touchdown, além de mais de 50 jardas correndo com a bola. A tranquilidade de Tyrod Taylor no pocket impressiona, sendo capaz de sustentar a pressão e posicionar seus passes laterais onde só o recebedor pode alcançar. Além disso, usa muito bem sua habilidade atlética como ferramenta para facilitar o jogo aéreo, com a corrida sendo apenas a alternativa secundária.




Já falo aqui há algum tempo sobre como considero Tyrod Taylor um quarterback subvalorizado. Performances como a de domingo corroboram esta visão.

Menções honrosas: Tom Brady- New England Patriots / Dak Prescott – Dallas Cowboys

Troféu TEEEEBOOWWW!!!! – pior da semana

DeShone Kizer

Já defendi muito Kizer por aqui. Afinal, ele era o meu “QB1” no último draft e o via como um quarterback de grande futuro. Talvez este futuro ainda aconteça, mas, neste momento, Kizer é um dos piores de toda a liga. No jogo contra os Titans, o quarterback dos Browns repetiu o festival de erros que tem sido sua marca registrada na NFL. Segurando demais a bola no pocket, lançando passes longos a esmo, aparentemente sem atenção, com interceptações horríveis próximo da endzone adversária. Um desastre.

No jogo de domingo, Kizer foi novamente barrado, desta vez dando lugar a Cody Kessler. No entanto, a situação dos Browns na posição de quarterback é tão ruim que o calouro segue sendo a opção “menos pior”. No próximo domingo, Kizer estará diante de uma das melhores defesas da liga no jogo contra Minnesota. Já dá pra prever que não será esse o jogo em que Kizer vai se mostrar um quarterback de futuro. Ou, de repente, até vai.

Menções “desonrosas”: Trevor Siemian – Denver Broncos / Brett Hundley – Green Bay Packers.

Olhando para a semana 7

Até pelas atuações dos dois jogadores nesta última semana, o jogo que me parece mais interessante sob o ponto de vista dos quarterbacks é Bills e Raiders. Tyrod Taylor e Derek Carr foram muito bem, em seus estilos completamente diferentes, e devem fazer um ótimo confronto no domingo.

Além disso, destaque para Drew Brees e o New Orleans Saints no confronto com a forte defesa do Chicago Bears. Finalmente, com relação aos calouros, vale ressaltar o embate entre Deshaun Watson e a defesa de Seattle. Confronto imperdível. Vamos aos jogos então. 

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“RODAPE"