Uma senha sera enviada para seu e-mail

Neste ano, durante toda a temporada, teremos uma coluna semanal dedicada à avaliação da performance dos quarterbacks. A ideia é discutir, baseado em achados extraídos da análise dos vídeos dos jogos, as características dos atletas que determinam seu sucesso (ou fracasso) na liga. Além de uma visão geral sobre os passadores na semana em questão, teremos alguns destaques individuais, tanto positivos quanto negativos. Claro, como não pode deixar de ser, levaremos sempre em consideração o sistema ofensivo empregado pelas equipes, assim como a qualidade do elenco ofensivo. Estes fatores impactam de maneira fundamental o que os quarterbacks mostram em campo e, na medida do possível, iremos contextualizar as estatísticas (e resultados) dos jogadores dentro desta realidade.



“canecas"

Semana 9: Visão Geral

Foi bom enquanto durou. A ilusão sobre a transformação de Alex Smith vem sendo jogada por terra nas últimas semanas. Não me entendam mal, Smith vem em uma ótima temporada, e é um bom quarterback. Como veremos hoje, no entanto, ele não está tão diferente daquilo que sempre foi. Mas isso é assunto lá pro “sob o microscópio”.

Nesta semana, tivemos novas ótimas atuações de alguns dos melhores quarterbacks deste ano, como Carson Wentz e Dak Prescott. Por outro lado, Eli Manning e Jameis Winston, entre outros, seguem em temporadas complicadas.

Filosoficamente, também é possível extrair conclusões desta semana na NFL. Quarterbacks que atuam em sistemas ofensivos que parecem estagnados, sem imaginação ou criatividade, tiveram jogos ruins. Além do já citado Eli Manning, podemos mencionar Russell Wilson, mal no jogo contra Washington. Por outro lado, se sobressaem na liga sistemas ofensivos com foco na variedade, na confusão das defesas e na facilitação do trabalho do quarterback. Carson Wentz, Jared Goff e o próprio Alex Smith são bons exemplos.

Essa observação é importante, para não esquecermos o quanto a qualidade do elenco e do sistema ofensivos influenciam a performance dos quarterbacks.

Sob o microscópio: Alex Smith

Uma das narrativas predominantes desde o início da temporada tem sido a da “transformação” de Alex Smith. Considerado, desde sua chegada na liga, em 2005, um quarterback extremamente conservador, pouco afeito a correr riscos, Smith vem mostrando um aumento em seus ganhos explosivos de jardas e passes longos como um todo. A eficácia ofensiva do Kansas City Chiefs, liderado por Alex Smith e pelo running back calouro Kareem Hunt, chamou a atenção desde a grande vitória no jogo de abertura da temporada, diante do New England Patriots.



Quando, no entanto, olhamos mais de perto a performance de Alex Smith, vemos que o quarterback não está tão diferente assim. Ele segue atuando de maneira conservadora, arriscando pouco passes mais longos exceto em condições extremamente favoráveis. No jogo deste último domingo, contra o Dallas Cowboys, foi possível observar de maneira muito clara as tendências de Smith. Fica claro, então, que a transformação não aconteceu no quarterback, mas sim no sistema ofensivo dos Chiefs.

Desde o já citado primeiro jogo do ano, Andy Reid tem mostrado sua estratégia ofensiva de muita variação, com fakes frequentes, jogadas option (zone reads e RPOs) e muita movimentação das peças ofensivas. Ao deixar as defesas um passo atrás tanto antes quanto depois do snap, o sistema ofensivo de Kansas City dá muito espaço a seus jogadores, particularmente aos atléticos Tyreek Hill e Travis Kelce.

E qual o lugar de Alex Smith neste ataque? Essa é a questão. Alex Smith segue sendo o mesmo game manager que sempre foi. Preciso em passes curtos e intermediários, particularmente quando o pocket está limpo, Smith acerta rapidamente seus alvos. No ataque dos Chiefs, isso significa entregar a bola para Hill, Kelce, Hunt e companhia, para que estes jogadores conquistem jardas após a recepção. A abertura gerada pela combinação de rotas somada à habilidade atlética desses jogadores “infla” as estatísticas do ataque aéreo da equipe e, consequentemente, de Alex Smith.

Mais no post exclusivo dos sócios: ProClub: Antes favoritos na AFC, agora em queda livre: o que está acontecendo com os Chiefs?

Não há exemplo melhor desta característica do que o inacreditável lance que encerrou o primeiro tempo do confronto contra os Cowboys. Em uma situação de Hail Mary, com poucos segundos antes do fim do segundo quarto, os Chiefs fizeram algo que poderia ser chamado de um screen em profundidade. Smith lançou um passe intermediário para Tyreek Hill, com dois tight ends correndo à frente do recebedor, como bloqueadores. A agilidade e velocidade de Hill (além da surpresa gerada na defesa dos Cowboys) levou o recebedor à end zone, em uma jogada que, certamente, já ocupa um lugar entre as melhores da temporada.

Seria absolutamente injusto não reconhecer o quanto o quarterback contribui para o sucesso ofensivo da equipe. Alex Smith tem um release rápido, ideal para o estilo de jogo dos Chiefs, além da já mencionada precisão. O quarterback se move bem dentro e fora do pocket, ainda que apresente uma queda considerável na qualidade de suas decisões quando longe das condições ideais de proteção.

Mas o fator que mais limita Alex Smith é sua tendência importante em fugir do passe mais longo, principalmente em situações de marcação um contra um. O quarterback raramente “permite” que seu recebedor dispute a bola no alto com o defensor. Claro que esta característica diminui muito os erros cometidos pelo quarterback. Não é à toa que a interceptação lançada por Smith no jogo de domingo foi a primeira no jogador na temporada.

Por outro lado, ao manter este conservadorismo, Alex Smith facilita o trabalho das defesas. Diante de um ataque tão variado quanto o de Kansas City, poder montar a resposta defensiva sem se preocupar com passes longos rotineiramente ajuda o planejamento dos coordenadores defensivos. É possível que este processo seja, ao menos parcialmente, responsável pela queda de rendimento dos Chiefs nos últimos jogos. A equipe, que começou a temporada com 5 vitórias seguidas, vem com apenas 1 vitória e 3 derrotas nos últimos jogos.

Smith segue sendo um bom quarterback, ainda que com um teto limitado. Ele não mudou em 2017. O que mudou, certamente, foi o sistema ofensivo dos Chiefs, um dos mais criativos da liga. A pergunta é se, neste momento, Alex Smith mais ajuda ou atrapalha a produção ofensiva de sua equipe.

De olho nos calouros

Essa semana foi meio “morta” com relação aos calouros. Com a contusão de Deshaun Watson (Nããão!!) e as folgas de DeShone Kizer e Mitchell Trubisky, só sobrou de calouro nesta semana o C.J. Beathard.

Sobre Beathard… só posso dizer que tomara que Jimmy Garoppolo tenha sua estreia pelos 49ers na semana que vem.




Troféu “parece Madden no nível amador” – Melhor da semana

Drew Brees

Segunda semana seguida (aliteração de presente) em que Drew Brees é o melhor quarterback da semana. Contra os Bucs, Brees seguiu a mesma fórmula não apenas da última semana, mas dos melhores momentos da sua grande carreira. Jogando com ritmo excelente, com poucos passes incompletos, Brees dissecou incansavelmente a defesa adversária.

O quarterback dos Saints vem desenvolvendo uma ótima química com seus recebedores, particularmente Michael Thomas e o interminável Ted Ginn. Brees terminou o jogo com 22 passes completos em 27 tentativas, para 263 jardas e 2 touchdowns. Quando se fala nos candidatos a MVP até agora, Carson Wentz e Tom Brady têm vindo à frente de Drew Brees. Atuações como as das últimas semanas podem mudar um pouco esta história.

Menções honrosas: Dak Prescott – Dallas Cowboys / Carson Wentz -Philadelphia Eagles

Troféu “TEEEEBOOWWW!!!!” – pior da semana

Brock Osweiler

Quem disse que a vida não tem momentos de poesia? Semana passada, Trevor Siemian foi o pior da rodada, atuação que acabou lhe rendendo a ida para o banco de reservas. Seu substituto, Brock Osweiler, entrou e já ganhou também o mesmo prêmio.

No jogo de domingo contra o Philadelphia Eagles, Brock Osweiler jogou exatamente da maneira que poderia se esperar: muito mal. Osweiler parece atuar em um tempo diferente dos demais jogadores. Sua movimentação lenta, tanto com os braços quanto com as pernas, torna quase impossível o estabelecimento de qualquer tipo de ritmo ofensivo. O quarterback acabou o jogo com 50% de aproveitamento nos passes, além de duas interceptações.

Apesar da péssima performance, Brock Osweiler seguirá como titular em Denver, ao menos na próxima semana contra os Patriots. Será que teremos um tricampeonato dos Broncos no troféu “TEEEEBOOWWW!!!!”?

Menções “desonrosas”: Tom Savage – Houston Texans / Brett Hundley – Green Bay Packers .

Olhando para a semana 10

O melhor confronto direto entre quarterbacks na semana 10 é, sem dúvida, aquele que coloca frente a frente Drew Brees e Tyrod Taylor. Os dois jogadores vêm em ótimas temporadas e observar seus estilos bem diferentes no mesmo jogo promete ser muito interessante. Destaco ainda o jogo entre Cowboys e Falcons. Dak Prescott está jogando muito bem, Matt Ryan nem tanto, mas a partida deve ser muito boa.

Nos outros confrontos, algumas perguntas. Será que Jimmy Garoppolo fará sua estreia pelos Niners no jogo contra o New York Giants? Kirk Cousins e Cam Newton manterão os sinais de melhora em suas atuações que mostraram nesta semana (Cousins tem um jogo difícil, contra a forte defesa dos Vikings)? Brock Osweiler vai jogar melhor que Tom Br… ops!

Vamos lá então. Quinta-feira já começa a semana 10.



Semana que vem voltaremos com mais sobre os quarterbacks. No twitter, em @JoaoHMacedo, comentários, sugestões e, eventualmente, cornetas, são muito bem-vindos. Até lá. Siga também nosso site em @profootballbr e curta-nos no Facebook.

 “RODAPE"