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Carta do Editor: Por que o ProFootball tem um Paywall e textos exclusivos

Comecei o The Concussion em 2011 como forma de extravasar a maçante vida de estudante de Direito. Para começo de conversa, minha mãe não queria que eu fizesse jornalismo de forma alguma – a “reserva de mercado” para os bacharéis de Dreito era a justificativa. Como sempre gostei de escrever e de conversar com as pessoas sobre NFL, começar com o site foi a forma mais lógica possível para exercer essa vontade.

No início, em 2011, a ideia nunca foi viver disso profissionalmente ou nada do gênero. Tantas e tantas vezes lembro de estar tomando banho e determinar: ao final deste ano, largo o site e vou “cuidar da vida”. Não devo ter sido o único a pensar isso. Nesse meio tempo, várias pessoas passaram por este site como redatores. A maior parte deles teve de deixar o site para cuidar de sua outra vida profissional – publicidade, física, veterinária, são vários os ramos de redatores que passaram por The Concussion/ProFootball e que tiveram que nos deixar por conta da escrita ser apenas um hobbie, não sendo remunerada.

O jornalismo, como um todo, vive uma crise. Vira e mexe você vê por aí alguma notícia de que houve um passaralho em determinada redação de jornal ou revista. Ultimamente, nem mesmo as televisões vem resistindo às demissões em massa. Essas pessoas não estão sendo mandadas embora porque são ruins no que fazem. Acontece que o modelo atual do modelo de negócio no jornalismo é, queira ou não, falido.

Antes, não existia internet e a forma de atingir a massa de pessoas para que esta crie consciência ou compre um produto era anunciar em jornais e revistas. Por conta dos custos de operação, esses anúncios custavam X – e conseguiam pagar redatores, editores e todo o mais. Só que nos últimos anos, ficou anos luz mais fácil anunciar no Facebook e no Google. Nestes, você consegue mirar de maneira muito mais precisa: em vez de anunciar em uma revista de carros, você pode anunciar seu produto para homens de 20 a 25 anos, que moram em São Paulo e que mostraram interesse no Ford Focus. O que você acha que a Ford vai escolher? Claro que o Facebook.

No caso do Google, este tem praticamente o monopólio de anúncios na internet – isto é, aqueles fora do Facebook. Temos anúncios deles aqui no site, claro. O pagamento funciona assim: a cada vez que alguém clica num anúncio do Google AdSense, ganhamos centavos de dólar. Parece lindo, mas por dia não passa de 1,50 dólar – creio que você entenda que não dá para pagar uma equipe de seis redatores com 45 dólares por mês. Mas é o que entra. Mesmo em sites grandes, um texto não passa – em hipótese alguma – de 100 reais gerados. Chegamos ao cenário que não dá mais para depender do Google.

Ao mesmo tempo, algumas propostas… Indecentes já chegaram para nós. Por exemplo aqueles banners enormes pop-up de sites de apostas – que abrem sem você querer quando chega ao nosso site. É um saco aquilo. Invasivo, atrapalha a leitura. Sempre que entro num site com isso, saio imediatamente. Paga bem? Bom, paga melhor que o Google. Mas não vale a pena.

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Ante esse panorama, havia duas possibilidades: ou eu mandava todos os redatores embora, fechava o site, ia advogar – sim, eu me formei em Direito no final das contas – e de final de semana comentaria os jogos na ESPN sem estar tão densamente ligado à NFL no dia-a-dia…. Ou tentávamos algo diferente.

Em março de 2016, criamos o primeiro modelo do ProClub. A inspiração vinha do Grande Premium, site de conteúdo exclusivo do Grande Prêmio, e do The Athletic, primeiro site (lá nos EUA) de conteúdo premium nos esportes americanos. Naturalmente, recebemos alguns comentários negativos. “ENFIA O CLUBE NO *&%%” e coisas do gênero. Claro que não foi legal ler isso. Mas seguimos em frente. Os cães ladram e a caravana não para.

Nesse primeiro modelo, o ProClub não tinha conteúdo exclusivo. A ideia era apenas o Clube de Benefícios, que a cada determinado tempo como associado, dava prêmios como meus livros e as camisetas ProGear. De toda forma, aos poucos o projeto foi minguando e em março de 2017 implementamos a segunda versão do ProClub: haveria conteúdo exclusivo. Como você deve imaginar, houve uma nova onda de xingamentos – mesmo que nesse primeiro momento não divulgássemos esses textos nas redes sociais para não assinantes.

Fato é que foi o modelo que encontramos para seguir com o site do jeito que ele precisa. Como o contexto brasileiro é diferente do americano, não subimos o PayWall no site inteiro como o The Athletic tem – ou mesmo como a Folha de São Paulo faz aqui no Brasil. Notícias, por exemplo, sempre serão textos abertos. Continuaremos tendo dois podcasts abertos por semana. Afinal de contas, sabemos que temos um compromisso e uma missão de popularizar o futebol americano no Brasil. Daí o porquê de seguirmos com textos abertos para todos.

Contudo, para quem gosta de nosso trabalho e quer algo como a experiência de assinar uma revista de futebol americano, indo além no conteúdo, temos os textos e os podcasts extras.

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Em 2018, decidimos dar um terceiro passo: mais conteúdo exclusivo para os sócios – sem comprometer a quantidade de textos abertos que já vem sendo produzida. Sem ter vergonha de nosso modelo, até porque não há motivos para tanto, subimos o menu de textos exclusivos e estamos divulgando-os constantemente dentro dos textos abertos. Tal qual o modelo Freemium que tantas marcas/produtos usam, quem gosta pode ter mais caso queira contribuir com a assinatura.

Por cinco anos, escrevemos conteúdo gratuito para as pessoas. Esperamos produzir ainda mais conteúdo – além do gratuito, que continua existindo – e que esse conteúdo valha um café do Starbucks por mês. Ou uma cerveja litrão. Sério, não é mais do que isso. Não ficaremos milionários com esse valor e tampouco o ProFootball será uma empresa do IBOVESPA daqui dois anos. Continuaremos como uma “empresa” pequena e pessoal.

Quando você manda um email para o ProClub, sou eu, Antony, que responde. Todo o dinheiro que entra está sendo revertido para os redatores após o pagamento de custos – anúncios do nosso site no Facebook (ah, o jogo virou!), custeio dos prêmios e manutenção do servidor.

Entendemos que algumas pessoas não querem pagar por isso, dado que existe muito conteúdo gratuito por aí ainda. Sabemos que para algumas pessoas, a NFL ainda é a diversão de domingo na TV e tão somente isso. Mas sabemos também que existem pessoas que querem ir além, que querem ler e viver a NFL todos os dias com um conteúdo de qualidade e gerado por pessoas que estão comprometidas com isso tal como um emprego pede que sejam. Sabemos que existem pessoas que querem saber os detalhes de bastidores na venda do Carolina Panthers, pessoas que querem saber do Draft com um texto já em dezembro, pessoas que querem saber quem é esse tal de Jon Gruden e o que ele muda nos Raiders. É para essas pessoas que o ProClub existe.

Nós acreditamos que existam pessoas assim no Brasil e acreditamos que nosso modelo vai dar certo. Estamos apostando nossas carreiras nisso, afinal. Se você é uma dessas pessoas, aqui nossa oferta para aqueles que ainda estão indecisos: uma semana grátis. Vejo você na end zone.

Assinar o ProClub | A partir de R$ 19,90

Antony Curti
Editor-Chefe e fundador, ProFootball