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É o pai de todos. É o primeiro no primeiro dia do ano. Se todos os outros bowls existem, isso se deve ao Rose Bowl Game. Não vamos nos extender na história do jogo e nas consequências de sua criação ao início da década passada – mas se você se interessar pela história, temos este texto especial aqui. O 102º Rose Bowl terá um confronto que nunca se viu na história: Iowa, a Cinderella de 2015 na Big Ten, contra Stanford, que emergiu do tiroteio que virou a Pac-12. Tem finalista do Heisman, tem um dos técnicos mais longevos do college football e é simplesmente o bowl game mais tradicional. Não tem como perder – ainda mais se você curtir um futebol americano físico e voltado para o jogo terrestre. Vamos ver como as equipes chegaram aqui?

📝 O que? #6 Stanford Cardinal vs. #5 Iowa Hawkeyes
🌎 Onde? Rose Bowl Stadium – Pasadena, CA
🕛 Quando? 20h00 (horário de Brasília)
📺 Onde assistir?  ESPN+ | Watch ESPN

Cenário

A temporada começou de maneira um tanto quanto assustadora para o torcedor do Cardinal. Foi simplesmente o pior jogo ofensivo desde que a era Harbaugh-Shaw começou: derrota por 16-6 para a zebra Northwestern (que naquela altura do campeonato não sabíamos que seria um time de mais respeito). A outra derrota da temporada veio contra a rival Oregon – num contexto bem parecido com a Red River Rivalry na derrota de Oklahoma para Texas. Em rivalidade, mesmo tendo o time mais forte no papel, tudo é possível. Stanford caiu para Oregon após dois snaps ruins que geraram fumbles – 38-36. O ano de Stanford, fora isso, foi excelente. A equipe venceu todos os outros jogos da temporada, varrendo a Pac-12 com exceção a essa partida contra Oregon – incluindo uma vitória contra USC na final. Mas se formos destacar uma partida em especial, foi no calendário fora da conferência, contra a independente Notre Dame: num jogo pegado, o Cardinal estava atrás no placar faltando 30 segundos para o final do jogo. É aí que apareceu a estrela do quarterbackultimanista Kevin Hogan – após um passe de 27 jardas para Devon Cajuste, o kicker Conrad Ukropina chutou o field goal da vitória com o cronômetro zerado.

Do outro lado, um time que passou a temporada regular inteira invicto mas que acabou caindo na final da Big Ten para Michigan State na última campanha dos Spartans. Não dá para culpar Iowa pela derrota, a equipe fez muito mais do que se esperava. É bem verdade também que foram apenas duas vitórias contra equipes ranqueadas – mas foram exatamente contra as duas outras “potências” da Big Ten West (#19 Wisconsin e #20 Northwestern, ambas fora de casa). Fora essas duas vitórias, o ponto alto da temporada invicta foi o Senior Day contra Minnesota e a vitória contra Pittsburgh ao início da temporada – com direito a “walk-off field goal” de 57 jardas.

Veja também: Editorial – A Bowl Season como você nunca viu

Por que Iowa pode vencer

A última vez que Iowa esteve no Rose Bowl foi em 1991 – em derrota para Washington. 25 anos depois, a equipe comemora a ida – justa, aliás, embora alguns ainda defendessem Ohio State em Pasadena. Mais do que jogo aéreo, Iowa precisa de seu jogo terrestre aparecendo. Mais do que isso, ele não pode ser anulado com tackles for loss (algo em que Stanford vem sendo prolífica neste ano).

Jordan Canzieri, ultimanista, é o running back responsável por levar esse time nas costas nesse sentido. Ele precisa de mais 24 para bater 1.000 nesta temporada – mas o ponto é que talvez precise de 150 hoje para que os Hawkeyes tenham uma chance real de vitória num jogo onde são zebras em Las Vegas por quase um touchdown. Olho nele, especialmente na red zone – a equipe de Iowa fica com um viés ainda mais terrestre nas 20 jardas finais do campo, são 35 touchdowns nesta temporada (primeira na conferência, empatada com Ohio State de Ezekiel Elliott). Canzieri roga para ter a ajuda de uma experiente e sólida linha ofensiva: além de ter produzido o primeiro ofensive lineman escolhido no Draft de 2015 (Brandon Scherff, para Washington), Iowa neste ano tem um All-American na unidade, o center Austin Blythe.

Do lado defensivo, forçar turnovers em cima de um ataque que também tem viés terrestre e que passará poucas vezes a bola (até porque tem Christian McCaffrey correndo) pode ser essencial. O segredo aqui é Desmond King, também All-American. O cornerback pode ser um elemento X nesta partida: são oito interceptações neste ano. Ele precisa aparecer como um hawk, literalmente, no Rose Bowl.

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Por que Stanford pode ganhar

Vamos fugir um pouco de Christian McCaffrey, já falamos sobre ele. Que tal mostrar um pouco de amor para o resto da unidade ofensiva de Stanford? O destaque dentre os skill players é Devon Cajuste, de quem já falamos hoje na partida contra Notre Dame. Cajuste é o principal recebedor de Hogan e, mesmo num ataque smashmouth como o do Cardinal, tem bons números – mas o ponto principal é que ele é o elemento X do jogo aéreo, aparecendo quando a equipe precisa dele. Não se engane pelas 375 jardas totais nesta temporada – são jardas de ouro, passes recebidos quando mais se precisava dessas recepções.

Agora falaremos do principal motivo pelo qual Stanford pode ganhar. O vencedor do Troféu Heisman em nossos corações, Christian McCaffrey. São 3.496 jardas totais nesta temporada, quebrando um record que estava de pé desde a década de 1980 – e que fora estabelecido por ninguém menos do que Barry Sanders em Oklahoma State. Dessas mais de 3.000 jardas, 1.847 foram terrestres, 540 recebendo e 1.109 retornando. Só na final da Pac-12 foram 461 jardas “all-purpose“.

Aproveitando o fato do Heisman, se o prêmio tem como escopo congratular o “mais extraordinário jogador do college football“, questiona-se por que Derrick Henry (Alabama) foi o vencedor – será que é por que ele joga na SEC? Enfim, seja como for, McCaffrey busca o palco principal dentre os bowls fora do College Football Playoff para brilhar – e, lembrando, ele é segundanista e ainda não pode ir para o Draft. Após ser “injustiçado” no Heisman, não duvide que ele estará com sangue nos olhos hoje.

Veja também: A Pac-12 – Bem-vindo à Cúpula do Trovão

Jogadores que estarão no Draft

Dois destaques aqui, ambos devem sair entre a segunda e a quarta rodada do Draft de 2016. No lado de Stanford, Joshua Garnettleft guard ultimanista; Garnett foi eleito o melhor offensive lineman “interior” (guard center) da FBS, mas não é tão bem-quisto pelos scouts da NFL porque ganhou esse prêmio muito por conta de ter mais valor para o jogo terrestre (vide os números de McCaffrey) do que para o jogo aéreo nos bloqueios.

Difícil destacar, no lado de Iowa, outro jogador se não Desmond King, cornerback (junior), mas já falamos bastante dele acima. Abaixo, além dos dois, mais uma dupla de jogadores de linha ofensiva (um de cada lado) que pode aparecer no Draft.

Outros jogadores:

  • Austin Blythe, C, Iowa (senior)
  • Kyle Murphy, LT, Stanford (senior)

Veja também: Editorial – A Bowl Season como você nunca viu

O jogo em números

IOWA

YPPOFF= 5,7 (43º)

YPPDEF= 4,7 (16º)

SROFF= 42,9% (53º)

SRDEF= 38,0% (35º)

STANFORD

YPPOFF= 6,4 (16º)

YPPDEF= 5,5 (71º)

SROFF= 51,3% (2º)

SRDEF= 42,0% (72º)

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Previsão

Difícil não pender pelo menos um pouco para Stanford aqui. Se a equipe jogar seu feijão-com-arroz que fez durante a reta final da temporada, a tendência é vitória do Cardinal. As coisas que poderiam desequilibrar a partida para Iowa seriam: a) Jogo terrestre de Iowa bater 200 jardas terrestres b) Forçar turnovers ou uma porcentagem baixa de passes completos em Hogan (ele tem a impressionante média de 79,5% de passes completos nos dois últimos jogos) ou c) Ótimas posições de campo após retornos de Desmond King (o que, a bem da verdade, deve ocorrer com McCaffrey retornando para Stanford).

Por melhor que seja a unidade defensiva de Iowa – e é realmente um time bastante sólido no lado defensivo da bola – parar Christian McCaffrey e a linha ofensiva de Stanford nos bloqueios é uma tarefa muito, muito difícil. O jeito é confiar na experiência do técnico Kirk Ferentz (que junto de Bob Stoops em Oklahoma, é o há mais tempo com a mesma equipe, desde 1999). Muitas vezes (ou melhor, na maioria delas) a comissão técnica ganha jogo no college football.

Pound for pound, o time de Stanford tem mais elenco e mais experiência no grande palco. Para uma equipe da Pac-12 que há algum tempo tem o College Football Playoff apenas no sonho, o Rose Bowl é o ponto mais alto da temporada e a motivação deve estar acima da média. Para Iowa, como estará essa motivação após ficar a uma campanha de ser pelo menos #4 do país e ter jogado uma das semifinais? Motivação na Bowl Season é importante, e depois do balde de água fria que os Hawkeyes tomaram em Indianapolis na final da Big Ten, isso pode ser um grande problema.