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College Football

Por que atletas não saem direto do ensino médio para a NFL?

Por que atletas não saem direto do ensino médio para a NFL?

A regra de elegibilidade da NFL é bem simples: um jogador que quiser ir para o Draft tem que esperar pelo menos três anos após sua graduação no ensino médio.

Veja bem, não há nenhuma menção ao college football. Em teoria, um jogador pode muito bem terminar seu high school, passar três anos “de molho” e então se declarar para o Draft, mas é muito utópico imaginar isso acontecendo hoje em dia: no college, os jogadores estão semanalmente em campo em jogos de verdade nos quais podem ser avaliados por olheiros da liga profissional, aumentando consideravelmente suas chances. É uma vitrine com o bônus do “Plano B” chamado diploma.

Claro que muitos podem aqui citar o exemplo de outras ligas profissionais como a MLB que inclui jogadores de high school em seu Draft e da NBA cuja regra é apenas um ano de espera (e não três como na NFL). A liga de futebol americano não poderia fazer algo parecido?

Até poderia, mas há uma diferença fundamental entre o caso da NFL e dessas outras ligas: estas têm ligadas à sua estrutura ligas de desenvolvimento, para as quais muitos dos jogadores ainda inexperientes vão antes de jogarem de facto pelos times que os selecionaram. Se a NFL tivesse um sistema semelhante de minor league, usar uma regra de elegibilidade parecida talvez até fosse possível, mas todas as evidências apontam que isso sequer está nos planos de Roger Goodell e companhia, ou seja, seria algo extremamente inviável por ora.

E isso falando só de uma perspectiva estratégica, já que a diferença é ainda maior quando olhamos do ponto de vista de aspectos de jogo: o futebol americano é um esporte que envolve muito mais “especialização” do que o basquete e o baseball. Mesmo que o senso comum sugira que o trabalho de um running back, por exemplo, seja meramente pegar a bola e correr com ela (o que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento verdadeiro do esporte sabe que é uma falácia) e que isso poderia ser facilmente reproduzido em qualquer campo, devemos lembrar que esta é apenas uma das muitas posições envolvidas no jogo.

Se a adaptação já é difícil para, digamos, um left tackle vindo do college football – tivemos apenas um jogador dessa posição sendo escolhido na primeira rodada do Draft 2017 – imagine o quão perdido ficaria recém chegado do ensino médio na mesma posição se tivesse que encarar aquelas defesas fortes e experientes da NFL? E esse foi um exemplo simples ainda, já que no futebol americano há uma posição cuja transição do high school para a NFL é simplesmente impossível: o quarterback. É algo tão surreal que chega a ser difícil imaginar como alguém poderia em algum momento cogitar algo do tipo!

Assim, da mesma forma que a universidade prepara jovens para suas profissões de interesse no futuro, o college football tem exatamente a mesma função no que tange ao preparo de jovens que têm interesse em um dia jogar na NFL: são pelo menos três anos de ensinamentos necessários para a vida “profissional”, desde o convívio em equipe, liderança e outros aspectos comportamentais fundamentais para o bom funcionamento de um time até coisas mais pragmáticas como aprender um playbook, estudar game film e os treinos físicos.

Em 2015, Adrian Peterson disse numa entrevista que poderia ter ido tranquilamente do high school para a NFL. Mesmo tendo sido vice na votação do Heisman em 2004, seu ano de calouro jogando por Oklahoma, é difícil imaginar que ele pudesse chegar tão facilmente ao nível de elite sem toda a experiência que teve no college football.

Dentre os maiores salários de strength and conditioning coaches na FBS, 16 superam os 300 mil dólares por ano, sendo que os três maiores ultrapassam meio milhão (Chris Doyle de Iowa, Scott Cochran de Alabama e Mickey Marotti de Ohio State). Não por coincidência, alguns dos maiores celeiros de talento para a NFL nos últimos anos estão nesse top 16: além de Alabama e Ohio State, temos também programas como UCLA, Ole Miss, Clemson, Florida State, Oklahoma e Texas A&M.

No fim das contas, por mais problemático e imperfeito que seja todo o “sistema” por trás do college football – você sabe que nós não fazemos vista grossa! -, ainda é a melhor oportunidade para quem sonha em um dia jogar futebol americano profissionalmente. Em se tratando literalmente de um negócio bilionário, seria inconcebível para qualquer franquia da NFL gastar uma escolha no Draft ou sequer um lugar no elenco com jogadores não testados num nível mais competitivo que o high school.

Assim, a experiência do college football significa muito para milhares de jovens esperançosos. Para os que chegam aos campi com um alto hype (os Adrian Peterson‘s e Leonard Fournette‘s da vida), uma chance de mostrarem que têm o que é necessário para seguir jogando após os três anos de espera; para os demais, uma oportunidade de se transformarem em jogadores que tenham valor para a NFL ou, na “pior” das hipóteses, uma chance talvez única de conseguirem um diploma universitário e seguirem uma carreira “normal” longe do futebol americano.

Este conteúdo é trazido a você pelo The Fraternity, A casa do College Football no Brasil. A partir de hoje em diante, o ProFootball conta com mais textos do College Football graças a essa parceria. Temos certeza que você vai gostar e se apaixonar ainda mais pelo College. Não deixe visitar o The Fraternity para ainda mais CFB: www.thefraternity.com.br


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