Prévia: Notre Dame tem poder de fogo para surpreender Clemson no Cotton Bowl?

No papel, a expectativa do Cotton Bowl envolve dois times invictos e com ótimos resumos ao longo da temporada regular; na prática, parece haver uma clara diferença de nível entre os dois times. Ainda assim, Notre Dame continuará tentando calar os críticos com mais uma surpresa.

Disputado inicialmente em 1937, o Cotton Bowl é parte do grupo de bowls conhecido como New Year’s Six, que compõem as semifinais do Playoff do College Football e se revezam a cada três anos. O jogo é disputado no AT&T Stadium, em Dallas, Texas, e acontecerá no sábado, 29 de dezembro, as 19h do horário de Brasília. Na Odds Shark, Clemson é apontada como favorita por 13,5 pontos.

O caminho até Dallas: como os dois times foram na temporada regular

#2 Clemson Tigers: 13-0, 8-0 na ACC (campeã da conferência)

Foi uma surpresa agradabilíssima quando os Tigers souberam que toda a sua incrível linha defensiva voltaria para a universidade em 2018, e não foi surpresa verificar que os analistas apontavam-no como os principais candidatos a derrubar o favoritismo de Alabama: o time passou grande parte do ano como segunda colocado nos rankings, atrás apenas do Crimson Tide.

Clemson teve dois jogos notoriamente difíceis ao longo da temporada regular, sendo esses o quase comeback de Texas A&M na segunda semana da temporada e a virada em cima de Syracuse no último minuto no fim de setembro. A partir dali, adaptados à Trevor Lawrence no posto de quarterback titular substituindo Kelly Bryant, o time embalou na temporada – chegando até mesmo a anotar 77 pontos num só confronto, contra Louisville.

Se a maioria dos outros times teve jogos dificílimos na final de conferência, Clemson se beneficiou de um confronto tranquilo contra Pittsburgh, vencido por 42 a 10. Não há dúvida alguma de que, se Alabama é o melhor time do país, Clemson é sua principal corrente.

#3 Notre Dame Fighting Irish: 12-0

Se Clemson pôde contar com o retorno de toda sua linha defensiva para 2018, as perdas na linha ofensiva do Fighting Irish foram muitas. Não apenas Quenton Nelson e Mike McGlinchey, que foram escolhidos no top 10 do Draft, o time também contou com a saída de Harry Hiestand para Chicago – Hiestand era o treinador de linha ofensiva da universidade e o responsável pela montagem do grupo que foi um dos melhores da nação na última temporada.

Notre Dame não dominou seus oponentes de forma semelhante ao que fizeram os outros três participantes do Playoff, mas o time venceu de forma convincente os quatro adversários considerados mais difíceis na tabela: Michigan, na primeira semana; Stanford e Virginia Tech, em semanas consecutivas, e Syracuse, perto do fim da temporada.

O time lidou com uma troca de quarterbacks na semana 4, já que, mesmo ainda invictos, o desempenho de Brandon Wimbush era bastante insatisfatório. O reserva Ian Book assumiu a titularidade, e o ataque que não havia ultrapassado os 24 pontos nas três primeiras semanas decolou para 56 pontos contra Wake Forest.

Ian Book é capaz de quebrar a fortaleza defensiva dos Tigers?

Para Notre Dame conseguir surpreender Clemson e avançar para a final do Playoff, um jogo efetivo do Ian Book é essencial. O Fighting Irish, que possui o 26º melhor ataque da nação nos ratings S&P+, possui em Book um capaz de atacar bem as áreas intermediárias do campo, mas ele terá dificuldades em fazer isso, já que o mesmo S&P+ aponta a defesa dos Tigers como a melhor em toda a NCAA.

Para segurar a potente linha defensiva de Clemson, que estará sem uma de suas estrelas – Dexter Lawrence, defensive, não estará presente no jogo por ingerir substâncias proibidas -, Notre Dame espera contar com boas atuações de Liam Eichenberg e Robert Hainsey, offensive do lado esquerdo e direito, respectivamente; eles tem sido inconsistentes ao longo do ano e, se não estiverem num bom dia, a missão de Ian Book ficará muito mais complicada.

O ataque terrestre de Clemson possui um grande desafio pela frente

Travis Ettiene possui uma das melhores médias de jardas por carregadas em todo o país, com 8.3 – a quinta maior marca em toda a nação – além dele, Lyn-J Dixon, Adam Choice e Tavien Feaster são todos ótimos jogadores correndo com a bola. Do outro lado, Notre Dame tem também uma ótima defesa contra o jogo terrestre, que cedeu apenas 3.7 jardas por tentativa ao longo da temporada – evitar que os Tigers consigam dominar com o ataque terrestre é a principal chance do Fighting Irish.

O matchup dentre a defesa de Notre Dame e o ataque de Clemson é mais equilibrado, já que ambas as unidades se encontram no top 10 do futebol americano universitário em suas respectivas categorias. Trevor Lawrence, que também assumiu a titularidade no meio da temporada, tem se mostrado um excelente passador apesar de ser ainda um calouro; porém, a secundária do Fighting Irish possui em Julian Love um cornerback que foi escolhido All-American de forma consensual, e que pode causar grandes problemas ao ataque aéreo dos Tigers.

Quem assistir pensando no Draft?

É natural que, num jogo entre dois times muito fortes, haja uma lista extensa de prospectos que possam ser de grande interesse; porém, assim como na outra semifinal, isso não se aplica aos que estarão em campo: Trevor Lawrence ainda é um freshman, e as chances de que Ian Book se declare elegível para o Draft são bem pequenas: apesar de um bom ano, ele tem pouquíssima experiência e deve retornar para seu último ano na universidade. Uma menção honrosa também pode ser feita à Dexter Lawrence, que apesar de suspenso para o confronto por motivos já citados, também é um jogador com potencial de primeiro dia.

A lista de jogadores que se deve observar com mais atenção no dia 29 é bem grande:

  • Jerry Tillery (iDL, Notre Dame): Clemson não será o único time com prospectos de qualidade na linha defensiva ao longo do Cotton Bowl: Tillery é um jogador com boa envergadura, capaz de penetrar bem nos gaps e com boa capacidade de pass rush. O fim da primeira noite é uma expectativa justa.
  • Clelin Ferrell (DE, Clemson): De todos os jogadores da linha defensiva impressionante dos Tigers, Ferrell é provavelmente o que sairá mais cedo no próximo Draft e o que melhor se projeta como profissional. Ele tem um first step extremamente eficiente e uma envergadura das melhores: o top 10 é uma possibilidade bem real levando em consideração seu potencial.
  • Christian Wilkins (DT, Clemson): Em algum momento num passado não tão distante, Wilkins esteve junto de Ed Oliver na lista da elite dos defensive da nação. Ele pode não estar tão bem cotado quanto Oliver ou Quinnen Williams, de Alabama, mas ainda permanece como um jogador de técnica extremamente refinada e que não deve passar da primeira noite.
  • Trayvon Mullen (CB, Clemson): Não só de front seven vive a fortíssima unidade defensiva dos Tigers. Mullen possui estatura e agressividade ideais para a posição, e essa mesma estatura permite-lhe recuperação nas jogadas – um atributo importante, já que Mullen precisa de trabalhar sua agilidade. Um prospecto que divide muitos analistas, mas uma boa projeção é o top 40.

E a previsão final?

Notre Dame não está invicta por uma razão: é um time equilibrado dos dois lados da bola, e sua defesa está dentre as cinco melhores da nação de forma merecida. Do outro lado, Clemson é um time dominante em todos os aspectos e que cumpriu as fortes expectativas que haviam ao longo de toda a temporada.

A pergunta essencial a ser feita é “o quão efetivo será o ataque de Notre Dame contra a fortíssima defesa de Clemson?”, e acredito que a resposta seja “não muito”. Sim, Book teve um bom ano, mas os Tigers são dominantes e devem levar vantagem contra a linha ofensiva do Fighting Irish. Ao mesmo tempo, acredito que Travis Ettiene terá uma noite fantástica, mesmo contra uma defesa que parou praticamente todos que tentaram correr contra ela.

Meu palpite é Clemson, por uma vantagem de, ao menos, duas posses de bola. Dabo Swinney já conquistou o campeonato nacional, e sua equipe esteve presente em duas das últimas três finais nacionais: a partir de amanhã, serão três das últimas quatro.

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