Uma senha sera enviada para seu e-mail

Emocionado, Nick Mullens não esperava muito ser entrevistado naquela noite. Quando a semana começou, ele sequer esperava que seria titular no Thursday Night Football. A bem da verdade, quando o ano começou, ele tampouco esperava estar no elenco principal.

Mullens está em seu segundo ano na NFL. Membro do time de treino (practice squad), foi alçado ao elenco titular depois de duas lesões. Primeiro, Jimmy Garoppolo foi para a reserva de machucados após romper os ligamentos do joelho. Depois, C.J. Beathard foi barrado horas antes da partida de quinta – lesão no punho impossibilitava que C.J. lançasse a bola.

De repente, um desconhecido seria titular. No último jogo em “horário de inverno”, teríamos um Raiders vs 49ers que combinavam para duas vitórias durante uma temporada que já atingia sua nona semana. Quem iria querer ver isso? Tinha tudo para ser um jogo estúpido, chato, parado, cheio de erros.

Histórias na NFL vão além das campanhas. Tratam-se, acima de tudo, de histórias humanas. Mullens começou o jogo sem expectativa de ninguém. Em realidade, eu cheguei a escalar a defesa dos Raiders no Fantasy contra aquele calouro não draftado que sequer teve uma semana completa para treinar com os titulares.

Aí, a genialidade de Kyle Shanahan veio. Como o Deivis bem analisou no recap da partida, apenas três passes de Mullens viajaram mais de 10 jardas. Contudo, os números mostram outra coisa: ele não se arriscou de maneira estúpida e o plano de jogo montado por Kyle Shanahan beirou a perfeição. Com duelos favoráveis ao ataque, muito e um jogo terrestre consistente, Nick pode dar seu melhor num plano ofensivo que lhe permitiu isso. Mérito de Shanahan, mas dele também.

É bem verdade que a defesa dos Raiders parecia sumida em campo. Numa semana na qual Jon Gruden disse que “(jogadores de outros times) estão loucos para jogar pelos Raiders”, não parece que quem lá está demonstra lá muita vontade de jogar por Gruden. Aparte da fraqueza defensiva dos Raiders, Mullens fez seu trabalho. Ora, ele poderia errar passes abertos, não? Seja como for, C.J. Beathard nunca teve um jogo para 3.

Shanahan, porém, evita nomear Mullens como titular para a próxima semana. Não quer cair no conto do “empolgou”. “Não estou pensnado nisso agora, nosso time como um todo jogou bem”, disse. Richard Sherman, líder defensivo da equipe, não se mostrou surpreso com a atuação de Mullens. “Nós vimos ele fazendo isso em treino, (Mullens) joga com muita confiança”, falou o.



“STEELERS"
A ficha não caiu para Mullens até que o jogo acabou, a poeira baixou e Erin Andrews, repórter da emissora americana na partida, veio falar com “o cara” do jogo. Atordoado, Mullens parecia em êxtase, como sem saber para onde olhar. Erin lembrou-lhe que a conta do twitter do jogador foi verificada pela rede social durante a partida. Perguntou como ele estava se sentindo. Ofegante, Nick não sabia muito bem onde estava nem como responder.

Apenas mencionou que estava em seu segundo ano com os 49ers e que deu seu melhor durante todo esse tempo – preparando-se toda semana como se fosse o titular. Mesmo que em muitas oportunidades isso não pudesse acontecer, dado que estava no time de treino e não no elenco principal. “Acho que estou aqui por um motivo, esta é a oportunidade de provar que eu posso jogar”, falou. E como ele provou. Seu foi de 151,9, o maior de um numa estreia desde 1970 (com o espaço amostral de pelo menos 20 tentativas).

“Acho que estou aqui por um motivo, esta é a oportunidade de provar que eu posso jogar”

É hora de se empolgar? Nem tanto. Vale lembrar que a defesa dos Raiders é uma gigantesca baba. Mullens foi pressionado em apenas 4 das 22 tentativas de passe. É bem verdade que ele foi bem quando pressionado – 3/4 para 77 jardas, sendo uma de 71 para George Kittle. No mais, nenhum passe foi lançado numa janela de separação menor de 1 jarda – prova do desenho tático perfeito de Shanahan.

De toda forma, ele mostrou que pode fazer muito. Beathard vê sua titularidade ameaçada. Com Garoppolo machucado, a verdade é que o time não tem muito a perder pelo resto da temporada. Pode colocar Nick Mullens para jogar – ele não deve jogar assim todo jogo, já aviso – e quem sabe capitalizar em cima disso antes do Draft. Ou, dadas as lesões de Garoppolo no ano passado e neste, o time teria um bom seguro para 2019.

Seja como for, a história foi de Cinderella. Usando a mesma camisa 4 de Brett Favre e tendo jogado na mesma universidade de Favre, Southern Miss., Mullens foi a grande história do jogo e, se bobear, da semana. Os 49ers não brigam mais por muita coisa, mas o segundanista ao menos provou que a sorte nada mais é do que estar preparado quando a oportunidade surgir.

Ontem ela veio e ele teve a noite de sua vida.


Gostou desta Crônica? Escrevi um livro com várias delas e você pode encontrá-lo na Amazon e na loja de nosso site. É o “Crônicas do Futebol Americano”, com todas que escrevi desde 2014 para contar um outro lado, mais humano e rico, do esporte. 

Exclusivo de nossos assinantes – assine agora com essa oferta de 30% de desconto

Leia mais:   🔒 Não existe razão alguma para os Eagles manterem Jim Schwartz

🔒 Vitória dos 49ers mostra abismo tático entre Jon Gruden e Kyle Shanahan
🔒 Podcast ProClub: Como a esperança terminou em pesadelo para Raiders e 49ers
🔒 O que mudou para Fantasy Football com as trocas desta terça na NFL
🔒 Fantasy: Nomes para você pegar no waiver antes da Semana 9
🔒 Aaron Donald e Sean McVay: os líderes do invicto Los Angeles Rams

🔒 Renascimento do ataque terrestre coloca Seattle de volta na briga pelos
🔒 Chiefs vencem e expõem ainda mais as fragilidades da comissão técnica dos Broncos
🔒 Mesmo longe dos EUA, Wentz permanece como um dos melhores da America




SIGA-NOS!

Siga-nos no Instagram: @antonycurti
Inscreva-se em nosso canal do YouTube, vídeos novos toda semana.


“proclubl"