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Ninguém acreditou em Nick Foles senão ele mesmo. Ou nem isso. As narrativas de campeões não são sempre como conto de fadas, com começo, meio e fim. Não se desenrolam de forma estruturada – o caos prevalece quando o assunto é a carreira de um quarterback.

Apenas um joga. Se você tem uma chance e não vai bem, é capaz que a janela nunca mais se abra. Nick Foles sabe bem disso. Pense num cara que teve sete touchdowns numa partida, comandou os Eagles aos playoffs e foi ao Pro Bowl. Não estou falando de Carson Wentz, estou falando sobre a temporada de 2013 de Foles. O ápice de uma carreira que prometia e não iria a lugar algum.

Não foi?

Sabe, às vezes a gente acha que as coisas vão acontecer como um relógio suíço. Por exemplo: você nasce, estuda, se forma, passa no vestibular, se forma de novo, encontra um emprego, casa, tem filhos, netos e se aposenta. Bom, não é sempre assim que as coisas funcionam. No meu caso, por exemplo: não exerço a profissão que escolhi aos 18 anos. Jamais poderia esperar que estaria escrevendo um texto às 6h da manhã depois de um Super Bowl – sem dormir do apito final até a primeira letra do texto.



Mas a crônica não é sobre mim. É sobre Nick. “Acho que, como pessoas, nós temos que lidar com problemas… E houve um momento na minha vida onde eu pensei em aposentar e eu orei. Estou grato de ter tomado a decisão de voltar e jogar”, disse nesta madrugada.

A jornada não foi tão óbvia e programada quanto se podia pensar que seria. Bom, nem longe disso. Nick foi draftado pelos Eagles (sim, pelos Eagles) na terceira rodada do Draft de 2012. O camisa 9 passou suas três primeiras temporadas com o time, sendo 2013 seu anúncio de chegada e 2014 seu anúncio de queda. Em 2015, o time trocou-o para os Rams por uma escolha de quinta rodada e Sam Bradford. Após a troca, o time renovou com Foles por dois anos.

Uma montanha-russa tinha começado e não tínhamos ideia de onde ela iria parar. Nick chegou para ser o titular dos Rams, para ser o cara. Para ser aquele que comandaria o time a algum lugar depois dos problemas de lesão de Sam Bradford. A queda da montanha-russa ficaria ainda mais acentuada. Depois de atuações ruins, Foles foi para o banco e Case Keenum foi declarado titular por Jeff Fisher. Keenum também não parecia ser a solução para o time e os Rams subiram no Draft para escolher Jared Goff com a primeira escolha geral do Draft.

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Era o fim da linha. Ou tipo isso. Todo mundo tem um plano até tomar um soco na cara. Aos 27 anos, Nick começou a cogitar a aposentadoria ao perceber que a montanha-russa não iria subir de novo. Foles foi para um retiro, pescar com seu cunhado. Cogitou aposentadoria. Orou.

“Aquilo [a viagem] foi a melhor coisa do mundo, porque mudou minha perspectiva”, disse ao chegar em Minnesota para o Super Bowl na semana passada. “Mudou meu coração e eu percebi o quão grato sou”. Ele decidiu dar mais uma chance. Mais uma chance ao futebol americano e, acima de tudo, a si mesmo.

Em 2016, Andy Reid confiou em Nick para o cargo de reserva de Alex Smith nos Chiefs. Reid foi quem o draftou, em 2012. “Eu daria mais uma chance, eu sabia que jogando com ele poderia reencontrar a alegria [de jogar]”, disse. Após o fim de seu contrato e com os Chiefs draftando Patrick Mahomes, Foles voltou para casa. Contrato de dois anos para ser reserva de Carson Wentz no time em que tudo começou.

Philadelphia Eagles.

Tudo lindo, tudo maravilhoso. Os Eagles eram o melhor time da NFL, venciam os Rams fora de casa – quão irônico para Nick – e aí Carson machucou o joelho ao mergulhar para a end. Carson fora da temporada. Eagles fora da briga. Ou assim tudo parecia que aconteceria.

“49ERS"

Foles comandou os Eagles à vitória naquele jogo, garantindo uma terceira descida convertida que se mostrou essencial. Nos jogos seguintes da temporada regular, nada de muito brilhante. Chegaram os playoffs e, muito por conta dele, a melhor campanha da NFC foi taxada de zebra por três jogos seguidos.

O plano era vencer o Super Bowl com os Eagles. O plano era não cair de produção em 2014. O plano era tentar reanimar os Rams, à beira da realocação. O plano era se aposentar. O plano era tentar reencontrar a alegria de jogar. O plano era apenas não estragar tudo ao substituir Wentz. O plano era vencer o Super Bowl com os Eagles – mas, agora, quatro anos depois.

Nick Foles não imaginava que estaria no pódio do Super Bowl LII, como campeão e MVP (jogador mais valioso). Tampouco imaginava que seu conto de fadas teria um final feliz.

A vida é o que acontece com você enquanto você está fazendo outros planos.


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