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Passar para mais de cinco mil jardas em três temporadas é algo que parece impossível com os 12 jogos do college football. Sabendo que era impossível, ele foi lá e fez. Não é de hoje que Case Keenum mostra que tem alguma coisa diferente.

Não é de hoje que quem acompanha de perto o Minnesota Vikings sabe que ele não é o quarterback mais talentoso – mas, sem dúvidas, trabalha duro como poucos.

A história de Keenum na NFL tem altos e baixos. Mesmo com essa produção absurda na Universidade de Houston, ele sequer foi draftado. Entre os motivos, o sistema dele em Houston – a famigerada spread offense, kriptonita de general managers quando o assunto era quarterback naquela época – a altura (“apenas” 1,80m) e outras coisas mais. Sabendo que era impossível, foi lá e fez. Ninguém imaginaria que ele ser algo além de um reserva.

Depois de uma passagem apagada por Texans e Rams, Keenum foi contratado pelo Minnesota Vikings nesta temporada como um seguro de vida. Sam Bradford não é nenhuma certeza médica e Teddy Bridgewater ainda tinha futuro incerto. Reserva. Coadjuvante. Ninguém imaginaria nada além disso. Seria quase impossível que Keenum fosse muito além disso.

Quando Sam machucou e os Vikings tiveram que jogar contra os Steelers, fora de casa, imaginei que seria um massacre. Comentei aquele jogo – confesso que não dava nada para Case. Não que ele tenha feito alguma coisa naquela partida, porque de fato não fez.

Nas semanas posteriores, enquanto a incerteza continuava pairando sobre a volta de Bradford, Keenum ia fazendo seu trabalho. De maneira digna e muitas vezes, discreta. Não vou entrar nos méritos defensivos do time, que certamente existem. Vão falar da temporada fantástica de Adam Thielen – e ele merece que seja falado. Ponto é que Keenum fez o que precisava que fosse feito: ser líder. E a virtude do líder é essa: fazer aqueles ao seu redor ainda melhores.

Keenum não é gênio. Mas em certa medida, as melhores histórias não são justamente essas? Quando não acreditamos em alguém e essa pessoa nos surpreende? Quando sabemos que, por mais que o talento puro não está ali e o trabalho compensa? Histórias como a de Case Keenum são inspiradoras em todos os sentidos.

Sim, você pode falar que a jogada foi sorte. Os três passes completos de Keenum para mais de 20 jardas no último quarto desmentem qualquer argumento que reduzam o suor do camisa sete à sorte.

Ao final de tudo, a cena que glorifica o líder após a vitória no campo de batalha. 70 mil pessoas, num só pulso, sob a regência daquele que em outros momentos tem a responsabilidade de conduzir uma orquestra de apenas 11 jogadores. Mais do que um passador, o quarterback é o general em campo – e o momento de consagração era aquele mesmo. Nas palmas de seus torcedores, a união estaria consagrada. Palma por palma, o torcedor dos Vikings agradecia por um passe que entrará para a história dos playoffs.

Ele não é o melhor da história, nunca será. Ele não tem o braço mais forte, nunca terá. Talvez as glórias devam ir para a defesa, devam ir para Stefon Diggs. Case Keenum não era o herói que os Vikings queriam. É apenas o herói que eles precisavam.

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