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Todos os anos, no processo de observação dos prospectos disponíveis para seleção no draft da NFL, os especialistas (ou aspirantes a especialistas) em avaliação dos jogadores montam seus “big boards” (tabelão). Nestes boards, os prospectos recebem notas, ou ainda uma descrição quanto à “rodada provável de seleção”.

Mesmo com todo esse preparo, sabe-se que prever o desempenho de um jogador entre os profissionais pode ser muito difícil. A NFL não tem o mesmo estilo de jogo – ou os mesmos atletas – que o College Football. Frequentemente, jogadores que são considerados como possíveis futuras estrelas da liga fracassam quando se juntam aos profissionais. São os chamados busts (ou farsas).

Alguns casos recentes e famosos incluem o do running back Trent Richardson, selecionado pelos Browns na primeira rodada em 2012 (e trocado para os Colts – por outra escolha de primeira rodada) e o de Dion Jordan, defensive end selecionado pelos Dolphins com a terceira escolha geral em 2013. Richardson está fora da liga no momento e Jordan foi cortado por Miami (e acabou de ser contratado pelo Seattle Seahawks). Outros clássicos incluem Ryan Leaf, Rick Mirer, Aundray Bruce, Tony Mandarich e tantos mais.

Poderíamos juntar vários outros nomes a esta lista mas, para não fugirmos do foco de hoje, que é falar sobre os possíveis busts da turma de 2017, tentaremos usar os exemplos acima como “ferramenta de detecção de farsas”.

Na verdade, não é tão fácil assim fazer essa previsão. Se fosse, os busts seriam mais raros. No caso de Dion Jordan, os principais “sinais de alerta” vinham do seu tipo físico (pequeno para a posição de defensive end na NFL) e do esquema defensivo utilizado em Oregon (3-4, em que Jordan era utilizado apenas como pass rusher, praticamente um velocista que ia para cima dos quarterbacks). Isso sem falar da propensão de Jordan em utilizar substâncias ilegais, culminando em diversas suspensões.

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No caso de Trent Richardson, além de problemas e físicos e de atitude, uma questão importante vem à tona: a fábrica de running backs em Alabama. Mark Ingram, Eddie Lacy, T.J. Yeldon, Derrick Henry. Todos foram corredores de sucesso sob o comando de Nick Saban em Alabama. Inevitavelmente, este sucesso, particularmente em uma equipe universitária forte como a Crimson Tide, pode “contaminar” a percepção sobre o potencial individual de cada jogador. Como veremos a seguir, a classe de 2017 tem alguns exemplos parecidos.

Pronto, já enrolamos demais. Vamos então aos prospectos com maior risco de se tornarem busts no draft 2017.

Patrick Mahomes, Quarterback – Texas Tech

Uma coisa é certa nesse draft: Patrick Mahomes tem o melhor braço da classe. Potente, capaz de manter distância e razoável precisão mesmo quando lançando passes fora da posição e equilíbrio ideais, é o típico braço que pode fazer um prospecto ser supervalorizado. O jogo de Mahomes é um tanto quanto incompleto. Tendo atuado na universidade em um sistema ofensivo Air Raid, que minimiza leituras e movimentos antes do passe, Mahomes mostra dificuldade nas progressões. Além disso, sua precisão intermediária deixa a desejar. Não obstante, as defesas da Big XII – conferência onde jogou – são o supra sumo da várzea. Patrick, jogo sim, jogo também, passava para mais de 300 jardas aéreas.

O potencial que Mahomes demonstra quando deixa o pocket e improvisa certamente acende a imaginação de técnicos e general managers de toda a liga, o que tem levado a especulações de que o quarterback pode ser selecionado no top 15.

Realmente, se Mahomes conseguir evoluir como quarterback, tornando-se um jogador mais completo, pode se tornar um dos melhores de todo o draft. Mas não há como negar o risco envolvido em selecioná-lo, particularmente com uma escolha tão elevada.

Malik McDowell, Defensive Tackle – Michigan State

O defensive tackle de Michigan State sempre mostrou traços atléticos impressionantes. Sendo capaz de gerar pressão no quarterback partindo de todos os pontos da linha de scrimmage, McDowell cresceu ainda mais nas avaliações das equipes da NFL após um ótimo desempenho no combine.

Então, um jogador versátil, eficaz tanto contra o passe quanto contra o jogo terrestre, extremamente atlético… top 10 no draft, certo? Não exatamente. Malik McDowell adquiriu a fama de não manter o mesmo esforço em todas as jogadas, oscilando muito dentro de uma mesma partida. Este comportamento acaba por trazer questionamentos quanto à sua futura dedicação ao esporte já na NFL, principalmente após a remuneração garantida.

Essa é uma visão carregada de preconceitos, mas que ainda se mostra forte dentro da NFL. Informações mais recentes sugerem que muito da fama ruim de McDowell vem da própria comissão técnica de Michigan State, insatisfeita com determinadas decisões do jogador. Fato é que o defensive tackle traz, ao mesmo tempo, um potencial muito elevado e também um risco para a equipe que o selecionar.

Tim Williams, Edge – Alabama

Não sei nem ser ainda dá pra colocar Tim Williams nesta lista. Ao final da temporada 2016 do futebol universitário, Williams era cotado como um dos três melhores pass rushers da classe, talvez apenas atrás de Myles Garrett. Desde então, questionamentos passaram a surgir sobre o seu potencial e, possivelmente, vão deixá-lo de fora da primeira rodada do draft.

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Williams se mantém na lista até por trazer algumas semelhanças com um dos busts “clássicos”, o já citado Dion Jordan. Williams, assim como Jordan, é um jogador meio sem posição. Em Alabama, sendo utilizado como pass rusher designado, só se preocupava em pressionar o quarterback. Sua transição para a NFL, seja como linebacker no sistema 3-4 e, principalmente, como defensive end no sistema 4-3, parece difícil de decifrar.

Soma-se a isso a questão extracampo. Tim Williams já foi preso por porte ilegal de armas e já foi pego em exames antidoping com substâncias proibidas (não reveladas). Com este currículo, dá pra imaginar o risco de se utilizar uma escolha elevada no jogador. Neste momento, parece pouco provável que Williams seja selecionado na primeira rodada.

Os temores de que Leonard Fournette seja um novo Trent Richardson faz com que coloquemos ele nesta lista.

Leonard Fournette, Running Back -LSU

“Peraí… Leonard Fournette, que está entre os primeiros lugares de todos os big boards? Tá maluco?” É, pode parecer estranho, mas Fournette, ainda que extremamente talentoso, traz um risco considerável para a equipe que o selecionar. Basicamente, o temor dele ser um novo Trent Richardson. O running back tem ótima potência, capacidade de quebrar tackles e ganhar velocidade no campo aberto.

Apesar disso, é um jogador com características da NFL de 20 anos atrás. Seu desempenho fraco quando corre partindo da formação shotgun, assim como quando necessita proteger o quarterback, além das limitações como recebedor, são sinais de alerta importantes. Em um momento no qual a própria posição de running back é pouco valorizada no draft, é necessário pensar se vale a pena utilizar uma escolha de top 10 em um jogador que não se adapta ao estilo de jogo atual da NFL. Equipes que utilizam o jogo corrido de força podem saber utilizar Fournette de maneira melhor mas, mesmo nestes casos, o corredor segue sendo praticamente inútil nos chamados “downs de passe”.

É possível (eu diria até provável) que as razões aqui descritas empurrem Leonard Fournette para a parte de baixo da primeira rodada (ou pra fora dela). Fato é que, em caso de seleção em uma escolha de top 5 ou top 10, o risco de bust aumenta consideravelmente.

Secundária de Ohio State

Na classe do draft de 2017 temos alguns exemplos que se assemelham à história dos running backs de Alabama, já citada mais acima. Nenhum tão importante quanto o da secundária de Ohio State. A unidade tem três prospectos considerados como prováveis escolhas de primeira rodada: Malik Hooker, Marshon Lattimore e Gareon Conley. Dois deles (Hooker e Lattimore), inclusive, são considerados como possíveis escolhas de top 10.

Mas aí vem a pergunta: é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Digo, os três são tão bons assim ou se beneficiaram por jogarem juntos? Trazendo para a realidade da NFL, podemos lembrar do que aconteceu com Richard Sherman na temporada passada, após a contusão de Earl Thomas. Sherman foi exposto como nunca em sua carreira, confirmando a situação de co-dependência entre os membros da secundária de Seattle.

Retomando então a situação dos defensive backs de Ohio State, vale lembrar de outros questionamentos. Malik Hooker vem de duas cirurgias recentes, que geram dúvidas sobre sua recuperação completa. Já Marshon Lattimore tem apenas uma temporada como titular, o que sempre é uma interrogação para a transição entre o futebol universitário e o profissional.

É bem possível que os três jogadores se tornem defensive backs competentes na NFL mas, para as equipes que estejam considerando selecioná-los no draft, os fatores mencionados acima devem ser considerados.

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Vale lembrar ainda de outras unidades (por sinal, secundárias também) que podem incorrer em situação similar. As secundárias de Colorado (Chidobe Awuzie e Akhello Witherspoon) e Washington (Sidney Jones e Kevin King) têm dois prospectos considerados como possíveis escolhas de primeira ou segunda rodadas. A mesma dúvida deve aparecer, embora, provavelmente, em escolhas menos valiosas que aquelas que serão utilizadas para os jogadores de Ohio State.

Boom ou Bust

Não tem jeito. Só vamos saber quem de fato será um bust depois de algum tempo dos jogadores na NFL. É fundamental lembrar, no entanto, que todos os jogadores aqui listados só têm a chance de serem busts porque podem também dar muito certo na liga. Até por isso devem ser selecionados na primeira rodada do draft. Certamente acompanharemos isso de perto, não apenas no draft, mas ao longo das carreiras profissionais destes jogadores.

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