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A história recente de insucessos e fracassos dos Browns é bastante conhecida de todos: uma ida aos playoffs nas últimas 18 temporadas, anos e mais anos com campanhas negativas, times péssimos e muitas – mas muitas mesmo – decisões contestáveis no Draft, as quais renderam busts históricos. Tudo isso transformou a tradicionalíssima franquia em motivo de piada e no alvo perfeito para as brincadeiras das páginas de memes sobre a NFL.

Cleveland, então, ativou o modo reconstrução total em 2016, assim como já havia feito tantas vezes em temporadas anteriores. A equipe fez mudanças massivas em seu elenco, inclusive deixando vários jogadores importantes irem embora – como Alex Mack, por exemplo – e reestruturou comissão técnica e front office. A pedra angular de tudo foram as contratações do head coach Hue Jackson e do executivo Paul DePodesta, os homens que teriam como principal missão mudar a mentalidade da franquia.

Pois bem, passado aproximadamente um ano e meio, duas Free Agencies e dois Drafts desde a chegada dos dois, podemos notar que as coisas estão andando em Cleveland e o respeito está voltando aos poucos. Não, os Browns não serão campeões do Super Bowl em 2017 e provavelmente nem se classificarão à pós-temporada, contudo, se prestarmos atenção, veremos o “Moneyball” de DePodesta rendendo frutos, sobretudo na forma de bons talentos para o time.

Após ser um dos destaques na Free Agency há cerca dois meses, trazendo vários reforços para a sua carente linha ofensiva, os Browns foram um dos maiores vencedores do Draft 2017. Tudo graças a um caminhão de escolhas acumuladas e ótimas decisões tomadas pelo front office – se essas decisões levarão ao sucesso no futuro é impossível dizer, mas hoje é difícil discordar da maioria delas.

Cleveland acertou ao não entrar na corrida por um quarterback

Antes de mais nada, vale lembrar que boa parte da reconstrução da equipe de Ohio só está sendo possível graças aos Eagles. Ao subir para a segunda posição geral no recrutamento de 2016, Philadelphia cedeu várias picks para os Browns. Estes, por sua vez, realizaram várias outras trocas com as escolhas recebidas e multiplicaram ainda mais seu capital. Ao todo, o negócio com os Eagles já rendeu nove atletas para Cleveland, sem contar os que ainda virão em 2018. É muita coisa.

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Voltando a falar sobre as boas decisões tomadas em 2017, a principal delas foi ter paciência. Todo mundo sabia que Cleveland precisava de um novo quarterback. A franquia, entretanto, não se afobou na hora de selecionar um. Ao invés de apostar em alguém como Mitchell Trubisky ou Deshaun Watson com a primeira escolha geral, uma movimentação típica dos Browns de alguns anos atrás, ela fez o mais simples: pegar o melhor jogador disponível no Draft. Assim, ficou com um prospecto do calibre de Myles Garrett.

A recompensa pela paciência veio na metade da segunda rodada. Com a 52ª escolha geral, a equipe selecionou DeShone Kizer, após vê-lo cair em seu colo. Conforme já dissemos, o jovem ex-Notre Dame possui o “maior teto” entre os signal callers de 2017 e daqui a alguns anos pode muito bem se mostrar o mais prolífico da classe. Não por acaso, o time não terá pressa para colocá-lo em campo. No final das contas, os Browns terminaram com talvez o melhor jogador de todo o recrutamento e um possível franchise quarterback. É difícil fazer ou desejar algo muito melhor do que isso.

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Boas trocas para cima e para baixo

Além de escolher a maioria dos jogadores com sabedoria, os Browns também foram bem na hora de decidir quando fazer trocas. Por exemplo, eles não tiveram problema em trocar a 12ª pick geral com Texans, os quais a queriam para selecionar o quarterback Deshaun Watson. O time de Ohio acabou caindo para a 25ª posição, mas em compensação ganhou uma escolha de primeira rodada em 2018. Lembrando que a 12ª escolha já era fruto do negócio anterior com os Eagles, ou seja, Cleveland conseguiu transformar uma pick extra de primeira rodada em duas.

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Os Browns, entretanto, não viveram só de trade downs. A franquia trocou para cima no final do first round com o objetivo de assegurar o tight end David Njoku. E o melhor é que não precisou vender a alma para fazer isso, mandando como compensação aos Packers apenas duas escolhas (segunda e quarta rodada). Njoku é “cru” e ainda precisará aprimorar aspectos do seu jogo, mas tem potencial, sobretudo físico, para ser um excelente recebedor, sendo uma ótima aposta no final da primeira rodada.

Ademais, Cleveland trocou para cima na quarta rodada para draftar o cornerback Howard Wilson, outra decisão inteligente. Em suma, a equipe conseguiu encontrar um bom ponto de equilíbrio entre fazer negócios e selecionar jogadores, evitando que uma coisa atrapalhasse a outra.

O ponto de interrogação chamado Caleb Brantley

O grande, e talvez único, asterisco em todo o Draft dos Browns foi a escolha de Caleb Brantley. O defensive tackle era visto como uma pick de segunda ou até primeira rodada, porém despencou no recrutamento após ser acusado de socar e deixar uma mulher inconsciente durante uma briga de bar. Ainda assim, a equipe decidiu que valia a pena trazê-lo com uma escolha de sexta rodada.

Cleveland avisou que, caso as acusações se mostrem verdadeiras, ele não ficará no time, mas é difícil entender porque uma franquia se coloca em uma situação dessas, mesmo arriscando perder apenas uma escolha baixa. Selecionar um jogador e eventualmente cortá-lo alguns meses depois por conta de problemas com a polícia é vergonhoso, sobretudo se você já sabia que ele era uma bomba-relógio – como, supostamente, foi alertado antes do Draft.

Saldo final: muitas escolhas, muitos jogadores que podem contribuir agora

Já dissemos que Cleveland ainda está um pouco longe de ser um time competitivo e fazer barulho na NFL, mas o Draft 2017 sem dúvida foi um passo nessa direção. Escolhendo três vezes na primeira rodada, os Browns deverão ter contribuições imediatas de Garrett, Njoku e Jabrill Peppers, até porque o plantel era tão fraco em 2016 que qualquer adição de talento é bem-vinda. Destes, Peppers foi a opção mais contestada porque ninguém sabe exatamente qual a sua posição ou como ele vai atuar como profissional, contudo o versátil defensor com certeza verá snaps na equipe titular.

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Além disso, nomes como o defensive tackle Larry Ogunjobi e cornerback Howard Wilson também podem ajudar uma defesa que foi horrorosa na temporada passada. Por fim, fechando a lista, temos o kicker Zane Gonzalez, apontado por muitos como o melhor prospecto da posição disponível no recrutamento – ele foi draftado na sétima rodada.

No geral, o Draft dos Browns foi quase irretocável, principalmente se analisarmos as decisões tomadas pelo front office com as picks mais valiosas. Já um começo para uma franquia que ficou famosa nos últimos tempos por colecionar busts e fazer lambanças inacreditáveis.

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