DeShone Kizer: o diamante a ser lapidado com maior teto de talento entre os quarterbacks – Pro Football: NFL | Brasil | College | Futebol Americano
Draft

DeShone Kizer: o diamante a ser lapidado com maior teto de talento entre os quarterbacks

Vou tirar logo uma coisa do caminho: DeShone Kizer é o melhor prospecto na posição de quarterback para o draft 2017. Em uma classe de quarterbacks considerada fraca (ou ao menos irregular), o jogador de Notre Dame mostra o maior potencial, com traços físicos e mentais que sugerem uma boa adaptação à NFL. Kizer não é um prospecto considerado “seguro”, que não traga risco de fracasso para a equipe que o selecionar. Ainda assim, sobra na turma na classe 2017.

O Pro Football traz uma visão geral sobre DeShone Kizer, analisando sua performance universitária, seus resultados nos testes físicos e as expectativas para a transição do jogador para o futebol profissional. Além disso, faremos uma comparação rápida com alguns outros prospectos da posição, justificando a liderança de DeShone Kizer. Finalmente, vamos ver em quais equipes da NFL Kizer poderia se encaixar melhor.

DeShone Kizer – Relatório do Olheiro

Medidas e Testes Físicos:

Altura: 1,93m |Peso: 105Kg | Mão: 25cm (acima de 22cm é considerado ideal para quarterbacks)

40 jardas: 4,83 segundos | Velocidade da bola: 56 milhas por hora (90 Km/h)

Os Prós de Kizer

DeShone Kizer tem os atributos físicos considerados ideais para um quarterback da NFL. Alto e forte, mas com boa agilidade, Kizer é capaz de atuar com eficiência tanto no shotgun spread quanto recebendo o snap do center e trabalhando com play action. Kizer tem ainda o melhor braço da classe (em termos de força, não de acurácia tão somente, frise-se). Mesmo que não tenha a mesma potência de Patrick Mahomes, Kizer o supera em precisão, tanto em passes curtos quanto mais longos, sabendo usar tanto a velocidade quanto o “toque” em seus lançamentos.

Ainda que não seja particularmente veloz, DeShone Kizer tem movimentos rápidos no pocket, mantendo o olhar à frente no campo mesmo sob pressão. É considerado ainda um jogador muito inteligente, já estando habituado a fazer leituras da defesa dentro do sistema ofensivo de Notre Dame. Finalmente, Kizer se mostra um jogador dedicado, liderando por exemplo, com a postura esperada de um quarterback titular da NFL.

Contras

Kizer tem uma tendência a segurar demais a bola, o que às vezes faz com que o quarterback lance passes atrasados, prejudicando sua acurácia. Muito disso parece estar relacionado à tendência de DeShone Kizer em confiar demais na sua leitura pré-snap, após a qual o jogador “tranca” a visão em um recebedor. Alterar esse vício seria uma evolução importante para a adaptação de Kizer à NFL.

Outra preocupação com relação a Kizer é seu hábito de não se proteger do contato. O que poderia ser uma coisa boa, por mostrar a disposição do quarterback em ganhar jardas de todas as formas possíveis, na NFL pode ser um problema. Kizer é forte, mas não é Cam Newton. É difícil imaginar seu corpo aguentando na NFL choques similares ao que o jogador recebeu durante a sua carreira universitária.

Na próxima seção, abordaremos uma questão que não é exatamente nem um pró nem um contra de DeShone Kizer mas que, ainda assim, é relevante na análise do jogador: os problemas com seu técnico na universidade e o impacto na sua performance e seu valor.

2015, 2016 e um Brian Kelly no meio do caminho

Ao analisar o desempenho de DeShone Kizer durante sua carreira no futebol universitário, é inevitável perceber como o quarterback foi melhor em 2015 do que em 2016.

Em seu primeiro ano como titular em Notre Dame, Kizer mostrou todos os atributos que compuseram a lista dos prós ali em cima, já se colocando como líder pela disputa para ser considerado o melhor prospecto na posição de quarterback da classe de 2017. Ao término da temporada 2015, Kizer tinha completado 63% dos passes, com um total de 31 touchdowns.

2016, no entanto, foi um pouco diferente. Primeiro, porque Kizer perdeu vários companheiros de equipe para o Draft da NFL: Ronnie Stanley, seu left tackle, foi para os Ravens. Will Fuller, um de seus recebedores, foi para os Texans.

Ademais, Brian Kelly, técnico de Notre Dame, por algum motivo parecia preferir que o titular da posição fosse Malik Zaire, e não Kizer. Kelly alimentou a disputa pela posição ao longo de toda a temporada, frequentemente trocando de quarterback no meio das partidas, o que parece ter atrapalhado a confiança de Kizer. O quarterback se mostrou muito irregular, lidando de maneira pior com a pressão e reforçando a impressão sobre sua tendência a segurar demais a bola. Apesar de manter bons números em termos de jardas e touchdowns, Kizer teve uma porcentagem baixa de passes completos (58%) e um aumento no número de turnovers (chegando a um preocupante número de 13 fumbles nos dois anos).

O quanto a postura desagregadora de Kelly contribuiu para a queda de performance de DeShone Kizer é impossível saber. Ainda assim, não há dúvida que o ambiente complicado contribuiu para a decisão do quarterback de abrir mão de dois anos de elegibilidade universitária para tentar a ida para a NFL. Resta descobrir se esse conflito (e seu impacto na performance de Kizer) alterará a maneira com que as equipes da NFL enxergam o prospecto.

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Kizer vs. O resto da galera

Em todo o processo de testes físicos, entrevista e análise dos jogos que antecede o draft, quatro quarterbacks têm se destacado dos demais, sendo considerados os melhores da classe de 2017. Além de DeShone Kizer, o grupo inclui Mitchell Trubisky (North Carolina), Deshaun Watson (Clemson) e Patrick Mahomes (Texas Tech). A maior parte dos big boards até agora tem colocado Trubisky e Watson à frente de Kizer. Apesar disso, vejo Kizer “ganhando” a comparação com os demais prospectos em todas as categorias mais importantes.

Mahomes, por exemplo, como já citado, tem o braço mais potente. Kizer, por outro lado, alia a potência com precisão, leitura de jogo e consistência.

Trubisky, por sua vez, tem boa precisão em passes curtos e movimentação adequada tento dentro quanto fora do pocket. Ainda assim, Kizer o supera, mantendo a precisão mesmo em passes mais longos. Outra questão é a pouca experiência de Trubisky, com apenas um ano como titular na universidade, em um sistema praticamente sem leituras pós-snap (ainda que essa também seja uma dificuldade, embora menos importante, para Kizer).

Já Watson tem um currículo invejável em Clemson, mas mostra alguns traços que levantam questionamentos importantes sobre a sua transição para a NFL. Ele lê bem o jogo, é muito experiente, mas têm problemas de precisão e, principalmente, de velocidade em seus passes. Na NFL, os defensive backs cortam as rotas e entram na frente de passes lentos com frequência bem maior que no futebol universitário. Conforme mencionamos acima, a velocidade dos passes não é um problema para DeShone Kizer.

A avaliação de prospectos para o draft sempre inclui um grande teor de subjetividade mas, na minha opinião, os dados acima colocam Kizer no patamar de melhor quarterback da classe 2017 do draft.

Encaixes ideais

Para finalizar, vamos projetar em que equipa da NFL DeShone Kizer poderia se encaixar melhor. Claro que este é mais um exercício de futurologia, mas sempre vale a brincadeira. Entre as equipes que podem pensar em escolher um quarterback na primeira rodada do draft, vejo três em que Kizer faria mais sentido, de acordo com os sistemas ofensivos adotados.

O Arizona Cardinals, comandado pelo “rei do passe longo” Bruce Arians, certamente poderia contar com um quarterback como Kizer, com braço forte e capaz de se manter no pocket até a abertura de uma janela de passe. Carson Palmer já tem 67 anos (nem tanto, mas quase…) e a equipe se encontra em um bom momento para pensar em seu sucessor.

Dentre os times (e técnicos) que gostam de quarterbacks no pocket, vale ressaltar o Houston Texans de Bill O’Brien. Depois do fracasso da experiência Brock Osweiler, os Texans precisam de um quarterback do presente e futuro. O estilo tradicional de Kizer certamente apela para O’Brien.

Finalmente, chegamos a uma equipe que pode surpreender no dia do draft. O New York Giants, com seu sistema ofensivo de ritmo, com passes intermediários para recebedores velozes, poderia se beneficiar com a seleção de um quarterback talentoso e habituado a um sistema “estilo profissional” como o de Notre Dame. É claro que Eli Manning ainda está por lá, mas a ideia de ter o quarterback do futuro se aperfeiçoando nos últimos anos da carreira do veterano pode ser uma boa.

De qualquer forma, daqui a uma semana saberemos o destino de DeShone Kizer. O que já parece claro é que a equipe que o escolher tem chance de se dar muito bem no draft 2017. Kizer não é, AGORA, a unanimidade como o melhor quarterback da classe. Mas ele tem o maior teto de talento dela. Em resumo, é um diamante cru a espera de ser lapidado.

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“RODAPE"

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