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Vivendo um claro período de reformulação dentro e fora dos gramados após o fim da era Carson Palmer e Bruce Arians, a equipe de Arizona será obrigada a tomar decisões difíceis e importantes no próximo Draft, decisões estas que definirão o rumo da franquia em curto e longo prazo.

Basicamente, a principal delas passa por escolher ou não um signal caller na primeira rodada, seja com a 15ª escolha geral ou através de uma troca para cima. A contratação de Sam Bradford significa que os Cardinals encontraram seu titular para 2018 e nada além disso. Inúmeros problemas físicos e mesmo a inconsistência dentro de campo não fazem de Bradford uma solução confiável – no máximo, ele é um ótimo “quarterback ponte”, capaz de segurar a barra por uma ou duas temporadas enquanto um jovem com mais potencial é preparado para assumir a titularidade.

Arizona, contudo, não possui a posição de quarterback como única carência. O elenco precisa de reforços e profundidade de talento dos dois lados da bola, sobretudo nas trincheiras. Ademais, o novo head coach Steve Wilks certamente gostaria de trazer novos atletas que se encaixem dentro da sua mentalidade e filosofia de jogo – diga-se de passagem, uma filosofia bem diferente daquela posta em prática pelo ex-treinador Bruce Arians.

Steve Keim, general manager da franquia, terá bastante trabalho encontrando um ponto de equilíbrio entre todas estas necessidades, mantendo o time competitivo hoje e também se preparando para o amanhã. Na verdade, será quase impossível escapar do dilema do cobertor curto, ou seja, cobrir uma área e descobrir outra.

 

Lamar Jackson é a solução mais fácil, mas não descarte uma troca para cima

Peter King, um dos mais conceituados jornalistas esportivos dos Estados Unidos, lançou seu Draft Simulado definitivo na segunda-feira e nele trouxe uma informação nova e até certo ponto bombástica: Arizona ama Baker Mayfield. Ama tanto que, na simulação, fez um trade up com Denver para selecioná-lo na quinta posição geral. Claro que tudo continua sendo projeção e especulação de um analista, mas isso foi o suficiente para reacender os boatos sobre os Cardinals escalando no recrutamento, afinal King com certeza conseguiu a informação nos bastidores da liga – talvez seja algum tipo de cortina de fumaça ou talvez não.

Se realmente quiser ficar com Mayfield, tudo indica que a franquia precisará subir para o top 5 ou pelo menos top 7 do Draft – o prospecto de Oklahoma está muito bem cotado. Neste caso, candidatos para fazer troca não faltam: Browns (Escolhas #1 e #4), Giants (#2), Broncos (#5), Colts (#6) e Buccaneers (#7).

O problema, entretanto, é se Arizona tem capital suficiente para fazer um negócio tão grande. Hoje, a equipe tem oito picks no Draft, sendo as principais uma de primeira rodada (#15), uma de segunda (#47) e duas de terceira (#79 e #97). Não é pouco, mas é um número muito menor do que, por exemplo, o capital dos Bills, outra franquia cotada para fazer uma troca para cima visando um quarterback – a saber, Buffalo possui seis escolhas no top 100: #12, #22, #53, #56, #65 e #96.

Enfim, os Cardinals se veriam obrigados a abrir mão de várias picks importantes em 2018 e também em 2019 (possivelmente até 2020), picks que eles precisam para reforçar seu elenco cheio de buracos. É o tal cobertor curto que falamos antes. Uma grande investida por Mayfield certamente resultaria na fragilização do restante do plantel.

Por outro lado, se Mayfield for um sonho de consumo difícil demais de concretizar, Arizona mesmo assim poderá resolver sua maior carência draftando Lamar Jackson na 15ª posição geral. Obviamente é impossível saber com precisão como se dará os desdobramentos da corrida pelos melhores quarterbacks, mas as projeções dão conta que o vencedor do Troféu Heisman 2016 ainda estará disponível na metade do recrutamento.

Até agora pouca coisa tem ligado o nome de Jackson aos Cardinals, com exceção de Mock Drafts e das palavras de Bruce Arians, o qual sugeriu que a franquia deveria draftá-lo, porém o jovem de 21 anos é a alternativa mais óbvia e simples. Ademais, Lamar poderia se beneficiar muito ao passar um ano na reserva de Bradford, adaptando seu estilo de jogo pirotécnico do College ao que é exigido de um signal caller na NFL.

Caso Arizona não queira ou não consiga investir em um quarterback na primeira rodada, as atenções provavelmente se voltarão para Mason Rudolph, a principal opção fora Sam Darnold, Josh Rosen, Josh Allen, Mayfield e Jackson. O prospecto de Oklahoma State está cotado para ser selecionado no começo do segundo dia de Draft.



Linha ofensiva e defensiva também merecem atenção

Ainda na primeira rodada, Keim pode mirar reforços para as trincheiras. Do lado ofensivo da bola, a maior carência está na posição de tackle, haja vista Mike Iupati e o recém-contratado Justin Pugh estarem assegurados como guards. Um novo center também seria uma boa ideia, mas isso não será endereçado no dia inicial do Draft.

D. J. Humphries se mostrou um left tackle razoável nas últimas duas temporadas, mas Arizona pode querer fazer um upgrade na posição com Mike McGlinchey, deste modo passando Humphries para o lado direito da linha. Ou então podem escolher McGlinchey e utilizá-lo como right tackle mesmo. Ambos são melhores opções do que Andre Smith, decadente offensive tackle veterano de 31 anos contratado para o lugar de Jared Veldheer, que foi para os Broncos.

Defensive tackle também é uma necessidade, já que o experimento com Robert Nkemdiche não deu resultados até agora. Assim, as melhores alternativas são Da’Ron Payne ou Vita Vea, dois jogadores que trariam muito bife para a linha defensiva dos Cardinals. Não seria uma escolha sexy, sobretudo para uma franquia precisando quarterback, mas faria sentido.

Correndo por fora: Wide receiver ou defensive back

Em nossa opinião, o mais provável é que Arizona busque soluções para essas posições em rodadas inferiores, mas não custa nada colocá-las na lista de alternativas para o primeiro dia.

Larry Fitzgerald uma hora terá que se aposentar e John Brown, aquele que já chegou a ser visto como seu possível sucessor, assinou com os Ravens. Para piorar, até Jaron Brown, terceira ou quarta opção do elenco, foi embora na Free Agency. Isso tudo deixou a equipe sem profundidade de talento alguma no corpo de wide receivers. Calvin Ridley seria um encaixe perfeito, pois tem potencial para contribuir imediatamente e no futuro assumir o protagonismo no jogo aéreo quando Fitzgerald pendurar as chuteiras. Outras opções são Cortland Sutton e D.J. Moore.

Já a secundária precisa urgentemente de reforços após os Cardinals, só Deus sabe o porquê, cortarem Tyrann Mathieu. Entre todos os principais defensive backs disponíveis, Derwin James é quem mais se aproxima do antigo ídolo. Safety versátil, voluntarioso, líder dentro do vestiário e famoso pelos seus tackles cheios de vontade, o prospecto de Florida State pode ser o novo texugo do mel dessa defesa.

Além de James, os cornerbacks Denzel Ward e Josh Jackson também deveriam estar na mira da franquia. É bastante provável que pelo menos um desses três nomes esteja disponível quando Arizona escolher na 15ª posição geral.

O Draft ocorre nos dias 26, 27 e 28 de abril em Dallas, TX. Para o Brasil, o evento tem transmissão da ESPN + na quinta (1ª rodada, 21h) e sexta (2ª e 3ª rodada).

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