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Conforme escrevi em minha resenha do filme Draft Day (A Grande Escolha, aqui no Brasil) o Recrutamento Anual de Jogadores Universitários da NFL – Draft, para os íntimos – reúne todos os ingredientes de um bom enredo. Protagonistas, coadjuvantes, o imprevisível e todo o mais.

Leia antes de qualquer coisa: Draft: o que é, como funciona e tudo que você quer saber

Ante o potencial de entretenimento do Draft 2018, resolvi preparar este texto – mais longo do que de costume – como um potencial guia para a noite desta quinta. Não espere algo como “quem seu time vai escolher”, porque fizemos textos disso. Não espere algo como “os pontos negativos de fulano”, porque não é uma página de um livro de José de Alencar e suas extensas descrições sobre Iracema – talvez o primeiro scout da história, diga-se. Enfim, me alonguei. É madrugada, me perdoem. Onde eu estava?

Ah, sim. Roteiro. Personagens. Entretenimento. Mesmo se você não viu nenhum jogo do college na temporada passada, prometo que ao final deste texto você encontrará motivos para assistir ao Draft 2018, cuja primeira rodada tem transmissão da ESPN a partir das 20:30 – comento a coisa toda, aliás, join me.

Leia também: Draft Simulado, Curti: Denver troca com Buffalo e 4 QBs no Top 5

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Onde, que, quando: 1ª rodada do Draft da NFL; Direto do AT&T Stadium em Arlington, Texas. Transmissão a partir das 20:30 desta quinta (26), com o Cleveland Browns “no relógio” às 21h – tudo isso na ESPN.

Os Protagonistas

Quarterbacks: É uma liga de quarterbacks, afinal. Seis nomes podem sair na primeira rodada e, acredite, todos eles têm seus problemas. Sam Darnold (USC) teve turnovers demais; Josh Rosen (UCLA) tem histórico de lesão e alguns times podem achá-lo “arrogante demais”; Josh Allen (Wyoming) teve sérios problemas de precisão; Lamar Jackson (Louisville) é magro demais e também teve problemas de precisão; Mason Rudolph (Oklahoma State) tem o braço fraco; Baker Mayfield (Oklahoma) já foi até preso por ter resistido a uma abordagem policial na porta de um bar. A grande história aqui é: suas carreiras dependerão de como eles passarão por cima desses problemas.

Cleveland Browns: Com duas escolhas na primeira rodada, sendo a primeira geral e a quarta, o Cleveland Browns detém controle do Draft 2018. Suas escolhas podem funcionar como grandes dominós que geram efeito borboleta por todo o recrutamento. Com 31 derrotas e apenas uma vitória nas duas últimas temporadas, a Believeland vê neste Draft a possibilidade de finalmente deixar de ser uma fábrica de tristezas.

Saquon Barkley: running back de Penn State, Barkley é o melhor prospecto na posição desde Adrian Peterson, em 2007. Você precisa pensar muito para achar problemas em seu jogo – ele é paciente demais? Busca demais o home? Enfim, é difícil achar algo que realmente prejudique uma análise. A menos que uma catástrofe aconteça, dificilmente ele passa das dez primeiras escolhas.

Quenton Nelson: O offensive é uma das posições menos nobres quando falamos em Draft. Com a evolução de jogadores de interior de linha defensiva como apressadores de passe – olá, Aaron Donald – a posição pode ter uma importância fundamental no recrutamento deste ano. E nenhum nome é tão bom quanto Quenton Nelson, guard de Notre Dame. Vou deixar o vídeo abaixo, ele fala por mim.

Trocas que podem acontecer

Caso um time esteja querendo um jogador cobiçado por outra franquia que está à frente na ordem, esse dado time pode passar acima por meio de uma troca. O contrário também se aplica: você pode não gostar de nenhum jogador (em termos de valor) na sua escolha e tentar descer no Draft, acumulando escolhas no processo.

Uma classe permeada de quarterbacks puxa para o alto a demanda por trocas – times sabem que o valor de um franchise é intangível. Os Eagles apertaram o gatilho em 2016 e subiram no Draft por Carson Wentz, cedendo escolhas no processo – mas valeu a pena.

Assim, temos algumas possibilidades de troca aqui.

Troca para cima por quarterback: Arizona, Miami, New England, Buffalo.Todos esses times tem carência na posição, seja para o curto prazo (Arizona) quanto para o médio (New England). No caso do New England Patriots e do Buffalo Bills, jogadores foram trocados – Cordy Glenn, no caso dos Bills, Brandin Cooks, no caso dos Patriots – e ambos têm duas escolhas na primeira rodada. Essas escolhas podem servir de munição para subir no recrutamento.

Times sedentos para descer: Denver, Indianapolis, Cleveland; Como os Browns terão seu franchise na primeira escolha geral, podem querer sair da quarta escolha para acumular mais picks – principalmente se o “alvo” original da quarta já tiver sido escolhido. O mesmo vale para os Colts, que estão com a sexta escolha geral e poderiam muito bem acumular escolhas para endereçar a defesa. Denver também poderia se dar bem com isso, principalmente se um dos dois quarterbacks de “primeira prateleira” no consenso geral – Josh Allen, Josh Rosen – estiverem disponíveis na quinta.

Demais trocas possíveis; Seattle pode descer no Draft caso o cornerback/linha ofensiva desejado não esteja mais disponível no board; Minnesota pode subir no Draft caso sinta que seu guard preferido vá sair; Carolina pode subir se sentir que New England lhe roubaria um cornerback ou wide desejado.

As narrativas

Minkah Fitzpatrick e o Draft como termômetro da teoria tática vigente: Canivete suíço da defesa de Alabama, o defensive back Minkah Fitzpatrick tem a capacidade de jogar em vários setores da secundária. Ele pode jogar no nickel para marcar o slot; Ele pode ser safety puro; Ele pode ser um moneybacker (híbrido de safety e linebacker, tal qual Tyrann Mathieu). Resta saber: qual seu valor? Se ele cair, é sinal de que as equipes preferem um “especialista” numa dada posição do que um atleta versátil como ele?

Quenton Nelson e o valor posicional: Não resta dúvidas de que Nelson é o prospecto com piso mais alto do Draft 2018. Ele é o que chamamos de “plug and play”: um prospecto capaz de jogar em alto nível desde a Semana 1. Mas, como disse acima, guards têm valor posicional menor quando falamos em Draft. Por conta disso, Nelson vai cair? Se isso acontecer, até qual escolha?

Um running back vale a primeira escolha geral do Draft? O Gabriel já escreveu bastante aqui, mas existe um “risco” remoto de que Saquon Barkley seja a primeira escolha deste Draft. Não deve acontecer a menos que o Cleveland Browns esteja muito satisfeito com o quarterback que sobrar na quarta escolha, mas fato é que o histórico da posição não é bom. O último running back que foi primeira escolha geral? Ki-Jana Carter, Bengals, 1995. Machucou-se na pré-temporada. Qual será o alcance de Barkley neste Draft?

Príncipes herdeiros: Giants, Saints, Steelers, Patriots e Chargers têm quarterbacks cujas carreiras começaram em 2004 ou antes. Assim, podem buscar sucessores nesta primeira rodada. Tom Brady terá 41 anos (acredite ou não) em setembro, então é praticamente certo que em algum momento deste Draft haverá uma escolha de quarterback por parte de New England – tal como em 2014.

A fraca classe de wide receivers: Não há um Julio Jones ou um A.J. Green nesta classe, esqueça. Por mais que haja uma “epidemia” na falta de wide receivers dominantes desde Amari Cooper, em 2018 a coisa parece mais grave quanto ao Draft. Os recebedores desta classe, quanto ao topo, são todos executadores de rotas. Há peças para o slot também, como Christian Kirk (Texas A&M) e Anthony Miller (Memphis). Mas, no fundo, são todos WR2 – o flanker, que joga mais próximo ao tight end. Dentre os nomes da classe, dois (ou menos) podem sair na primeira rodada. Alguma combinação de Calvin Ridley (Alabama) + DJ Moore (Maryland)/Cortland Sutton (SMU).

Josh Allen e Josh Rosen: os quarterbacks polarizantes vão cair? Há dois nomes bem óbvios quando o assunto é dividir opiniões. Josh Allen tem um braço mutante e forte – mas produção pífia contra competição baixa (Conferência Mountain West) e pior ainda contra times fortes (1-8 TD/INT contra times das 5 conferências fortes). Mas a altura e o braço forte….

Para completar, vários tweets de Josh Allen foram descobertos hoje. Que fique claro: são tweets antigos, de quando ele era adolescente. Contudo, têm teor homofóbico e racista. Como os times da NFL vão considerar isso?

Do outro lado, Josh Rosen não tem medo de dizer que “é o melhor quarterback do Draft” e pode ser visto como urânio por muitas franquias. Mas, como o próprio disse, se o urânio for bem manipulado pode se tornar uma arma fatal. Falei mais sobre neste texto.

Fato é que ambos podem cair do Top 10 do Draft – e se não caírem, podem gerar trocas espetaculares de última hora.

Quantos quarterbacks serão escolhidos? Para terminar, eis a narrativa definitiva do Draft 2018 em sua primeira rodada. A classe de 1983 contou com seis quarterbacks escolhidos na primeira rodada; John Elway (Colts, trocado para os Broncos), Dan Marino (Dolphins), Jim Kelly (Bills), Ken O’Brien (Jets), Todd Blackledge (Chiefs) e Tony Eason (Patriots). Desses, quatro jogaram o Super Bowl (Elway/Marino/Eason/Kelly), três foram para o Hall da Fama (Marino/Elway/Kelly) e quatro para o Pro Bowl (os três já ditos ao lado e O’Brien). A classe de 2018 tem o mesmo potencial?

Darnold, Allen, Rosen, Mayfield, Jackson, Rudolph: podemos ter seis quarterbacks escolhidos numa primeira rodada, empatando o recorde de 1983. Ainda, facilmente podemos ter cinco escolhidos na primeira rodada – coisa que não acontece desde 1999.

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