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Necessidades no Draft: Washington busca reforçar o miolo da defesa

Necessidades no Draft: Washington busca reforçar o miolo da defesa

Washington fora de campo consegue surpreender a todos. É incrível como Dan Snyder, quando está tudo indo no sentido correto, consegue implodir tudo. Suas ideias que levam a tantos confrontos, seja com a comunidade, jogadores ou fãs, pareciam ter acabado com a volta de Washington ao cenário de bons times da NFC – ledo engano.

A situação com Kirk Cousins é a mais bizarra possível. A equipe não consegue definir quanto ele vale e acaba deixando uma nuvem de incertezas. Cousins pode não ter tido o melhor fim de ano da carreira, conquanto é a melhor coisa que aconteceu para a franquia desde Doug Williams. Se tivessem oferecido 21 milhões por ano há dois anos atrás nada disso teria acontecido. Agora ele jogará por 24 milhões em 2017 e só não será free agent (possivelmente caindo no colo de Kyle Shanahan em San Francisco no ano que vem) por algum milagre.

Não é só com Cousins que Snyder não sabe o que fazer. Scot McCoughlan é um cara que acredita no Draft acima de tudo e segundo blogs que acompanham a equipe, foi bem mal em 2016. Caso a franquia não acreditasse mais em seus métodos, o que era plausível, era só exclui-lo do processo já em Janeiro. Ao invés disso, Washington leva a situação, o demite em março dizendo que era por causa de alcoolismo (o qual foi revelado NA RÁDIO DA EQUIPE) e, de quebra, continua a usar as suas ideias na Free Agency. É um descuido tremendo com a organização e uma bagunça que se espera de empresas amadoras e não de um time multimilionário – fez inveja ao futebol brasileiro.

Dentro de campo, Washington tem todo o tipo de problemas por causa da indefinição da situação de Cousins. Primeiro que não dá para saber se vai dar para contar com o quarterback no futuro. Com relação aos alvos dele, Terrelle Pryor (odiado por alguns) vem para tentar substituir as saídas de Pierre Garçon e DeSean Jackson. Oposto a ele a esperança é que Josh Doctson, escolha no Draft do ano passado, tenha mais foco em campo e se desenvolva um pouco.

Apesar das dúvidas ofensivas, o grande problema (por mais um ano seguido) deste time reside no miolo da defesa. Foram 4,7 jardas por corrida cedidas nos últimos dois anos, a pior marca da NFL. E isto é mais preocupante ainda quando se tem que jogar contra os Cowboys duas vezes ao ano. A linha defensiva é uma projeção com as contratações de dois jogadores que estavam em esquemas totalmente diferentes no ano passado (apenas Ziggy Hood continua como titular) e Zach Brown (terceiro time em três anos) vai tentar trazer alguma estabilidade na posição de linebackers. No fundo do campo, Su’a Cravens (que precisa definir de fato uma posição) deve ter a companhia de D.J. Swearinger como titular – uma grande furada.

Quem ficou na Free Agency: DE Evander Hood

Quem chegou na Free Agency: OLB Chris Carter, WR Brian Quick, ILB Zach Brown, DE Stacy McGee, DE Terrell McClain, S D.J. Swearinger, WR Terrelle Pryor

Quem saiu na Free Agency: DT Kedric Golston, DE Cullen Jenkins, S Donte Whitner, CB Greg Toler, S Duke Ihenacho (não renovaram), WR Pierre Garçon (49ers), WR DeSean Jackson (Buccaneers), DE Chris Baker (Buccaneers), DE Ricky Jean François (Packers), ILB Terence Garvin (Seahawks), C John Sullivan (Rams)

Necessidades do Washington no Draft 2017: Safety, cornerback, linebacker, defensive line

Velhos hábitos nunca mudam. Washington investiu 46 milhões de dólares em dois jogadores de linha defensiva que atuavam em esquemas completamente distintos do que encontrarão agora. A equipe constantemente encontra-se em um inferno com o salary cap (ah, Snyder) e mesmo assim continua apostando alto em jogadores que apresentam um tremendo risco.

Ano passado a equipe teve um ratio touchdown/interceptação de 11/1 em passes nas laterais e eles investem 13,5 milhões de dólares em D.J. Swearinger, um safety conhecido por não ser dos melhores combatendo o jogo aéreo – com Su’a Cravens no roster, que supostamente deveria ser um strong safety. A lógica das decisões de Washington são muito difíceis de seguir historicamente, mesmo com você torcendo que eles acertem um pouco.

Defensive backs

A chegada de Josh Norman conseguiu estabilizar um lado do campo e esperava-se que a unidade pudesse decolar, porém Bashaud Breeland teve um 2016 péssimo, chegando a ir para o banco em algumas situações. Ainda não se sabe o quão bem Kendall Fuller vai conseguir entrar na liga, logo reforços nas laterais (e na slot) são muito precisos.

Entre os safeties, Washington possui um sério problema de não ter um jogador que seja conhecido pelas suas coberturas em zona. DeAngelo Hall ainda continua na equipe, no entanto ele tem 33 anos e jogou 17 partidas… nos últimos três anos. Este pode virar o ponto fraco no futuro. Budda Baker seria um encaixe perfeito para esta defesa.

Defensive line

Mesmo investindo 46 milhões de dólares na linha, este time sofre com a profundidade da posição: não há ninguém. Phil Taylor deve ser o reserva de Ziggy Hood, no entanto ele não foi confiável a sua carreira inteira. Entre os defensive ends a situação é ainda mais caótica. Falta desenvolver talentos nesta linha defensiva e começar a apostar mais no Draft. Em um 3-4 como o de Washington, a linha defensiva deveria equilibrar as contas da defesa e ser dominada por escolhas de Draft – e não consumir todos os recursos do time.

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Linebacker

4,7 jardas cedidas por corrida seguidamente. A culpa não é somente da linha defensiva totalmente desmantelada. Zach Brown chega para tentar trazer estabilidade ao lado de Mason Foster, mas é muito pouco. Os dois precisam de competição séria e não seria um absurdo gastar a escolha de primeira rodada em alguém como Reuben Foster – que pode estar disponível – ou Haason Reddick. Uma boa opção na segunda rodada pode acabar sendo Jarrad Davis. Em divisão de Dallas Cowboys, nunca é desperdício investir nos linebackers.

Apesar de não termos colocado, a posição de running back também pode acabar vendo reforços. Eles não foram listados porque, historicamente, Washington só reforça a posição com escolhas do fim do Draft ou com free agents não draftados. Apesar de ano passado o líder em jardas terrestres ter sido Rob Kelley com apenas 704 jardas, ele terminou o ano bem e não deve perder a posição de titular para algum calouro – claro que este time sempre pode surpreender, mas não é o esperado.

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Escreve sobre futebol americano desde 2012. Apesar de viciado nos aspectos táticos do jogo, sempre dá palpites sobre tudo na NFL. Atualmente faz doutorado em Física na UNICAMP.

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