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Os questionamentos sobre Reuben Foster, o melhor (?) inside linebacker do Draft 2017

Você sabe quem é Reuben Foster? Alguns responderiam como o melhor prospecto defensivo da classe depois de Myles Garrett; outros diriam que é um jogador cujo valor “nominal” está acima do seu real valor por jogar na sólida defesa de Alabama; e, mais alguns (empregados do setor de saúde), responderiam apenas que não, ele não é o segundo melhor defensor do Draft. Pois bem, nesse texto, viemos dissecar o camisa 10 da Crimson Tide, que em algumas poucas semanas conhecerá o valor que as franquias lhe atribuem.

Em primeiro lugar, Foster é um prospecto completo. É (quase) indiscutível que sua atuação na cobertura contra o passe, homem-a-homem e, em especial, contra o jogo terrestre o levam ao patamar de melhor inside linebacker desta classe. Quando fui estudar os jogadores disponíveis na posição, eu me perguntava: beleza, como vamos listar esses caras depois do Reuben Foster?

Ele não é só um prospecto de grande vigor atlético, rápido e capaz de mudar de direção num piscar de olhos. Ele é técnico, seja diagnosticando jogadas, seja implementado no pass rush, mantendo-se passo a passo na marcação de tight ends e criando ângulos brilhantes para impedir que running backs, bom, corram. Sua gap discipline é de fazer um amante de defesas chorar – e é por isso que eu ficava comentando que seria um sonho que Reuben Foster chegasse aos meus times favoritos (coincidentemente, os dois poderiam ter um Foster em campo).

O importante desse comentário não é o clubismo; é que ele teria que passar do top 10 – ele está nesse patamar de “talento-que-não-dá-para-passar”.

Deve ter ficado claro que eu sou um grande fã de Reuben Foster dentro de campo. E talvez tenha sido por isso que tenha me voluntariado a fazer uma pauta sobre o jogador – e falar um pouco mais dos contrapontos do camisa 10,  e os motivos pelos quais ele talvez não saia entre as dez primeiras escolhas.

Efeito Alabama & A Dialética do Pão Fresco

A defesa de Alabama foi um fenômeno em 2016.

Para ilustrar, houve partidas no ano passado nas quais o adversário correu para rigorosamente zero jardas. Zero. Nenhuma. 30 tentativas; nenhuma jarda. E enquanto esse número seja bastante impressionante, ele leva à seguinte reflexão: o quão bom é o sistema da defesa de Alabama? O quanto cada um dos jogadores pode se destacar a ponto de sabermos quem se destaca de fato ou quem está sendo maquiado pela eficiência daquele esquema? Temos com expectativas altas para o Draft tanto Reuben Foster como Jonathan Allen e Tim Williams,  podendo jogar na conta tanto Dalvin Tomlinson como Marlon Humphrey.

Vou pegar carona aqui com o questionamento deste outro texto: é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Como causalidade e correlação se comportam aqui? É o dilema de jogadores de Alabama para os general managers em todos os anos – e, mais recentemente, dos defensive backs de Ohio State.

O quão eficiente pode ser um jogador, o quão inquestionável um talento pode se dar se ele está jogando com tantos outros bons jogadores num sistema eficiente? É esse uma das principais dúvidas em relação a todos os prospectos defensivos de Alabama. Se você colocar cada um desses prospectos em defesas carentes, será que eles elevarão o nível do conjunto tão rápido?

Essas são respostas que, infelizmente, eu não tenho como prover. Elas virão, sim, mas só em setembro.

Crise no Combine

Se você tem acompanhado a cobertura desde as semanas de Combine, deve ter pescado a piada que eu fiz no primeiro parágrafo. Reuben Foster, para quem não se lembra, foi dispensado do Scouting Combine depois de mandar aquela carteirada que todo mundo está cansado de ouvir: você sabe quem eu sou?

Isso se deu na espera para um exame – junto com outros participantes do Combine, diga-se de passagem – numa discussão acalorada com um funcionário do hospital, e de acordo com testemunhas, ele ainda disse que faria as coisas ficarem “físicas”, ao que o funcionário, brilhantemente, respondeu do it.

Assim, ao invés de participar normalmente do evento, Reuben Foster foi mandado de volta para Alabama. O jogador mandou cartas às 32 franquias após o incidente, pedindo desculpas pela confusão no hospital, e que ter sido convidado para o Combine em Indianapolis era um privilégio e uma honra. Somemos, então, os questionamentos dentro de campo (o efeito Alabama) e essa demonstração egotística de Reuben Foster e temos algumas interrogações pairando sobre um dos prospectos de elite da classe de 2017.

Conclusão do dossiê Foster

Como já dito, temos dúvidas do quanto Foster seria impactante em uma equipe na NFL logo de cara. Particularmente, eu acredito que sua adição no miolo do front seven seria um salto de qualidade gigantesco. Agora, está longe de ser um home run; é uma escolha que pode demorar para render frutos e que pode frustrar os torcedores – e franquias – mais impacientes. Esse questionamento, somado à injustificável atitude fora de campo, fazem com que Reuben Foster caia pelas tabelas nos boards e se torne um prospecto de final de primeira rodada – há quem diga que até segunda.

Honestamente, acredito que Foster seja um dos dois reais talentos do front seven de Alabama, ao lado de Jonathan Allen. Fico na torcida para que ele deixe esse “cultura da carteirada” de lado, vista a camisa da franquia que o selecionar com humildade e se torne o paradigma de inside linebacker na NFL. Ele tem a força física, mental e técnica para ser um fenômeno em campo, e só ele pode se sabotar para que não seja.

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