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Sim, (quase) todo ano dizemos que é muito cedo fazer um Draft simulado no meio da temporada. E mesmo assim (quase) todo ano fazemos exatamente o mesmo texto após explicar a classe de quarterbacks do ano que vem.

São vários motivos para fazermos isso (e nenhum é caçando cliques). Primeiramente serve para situar a situação dos times. No meio da temporada é fácil perder a noção de como algum time está mal ou bem – são muitas informações rolando e pouco tempo para digerir tudo. Só que isso não é nem de perto o principal.

A segunda metade da temporada do college é o momento em que tudo esquenta. É a época em que os confrontos divisionais mais importantes ocorrem, assim como as finais de conferência e a época dos bowls. É a hora que espera-se que um talento de primeira rodada cresça de produção e comece a aparecer. Saber de antemão os cotados para o top 5top 10top 20 serve para analisarmos melhor o desempenho deles nestes momentos decisivos.

Além disso, este é um momento que estamos de longe e podemos ter uma ideia um pouco melhor de encaixe/necessidade e soluções. Quando o período do Draft chega e o número de informações cresce exponencialmente, é muito fácil perder a noção do que vai acontecer.

Claro que existem erros crassos, como colocar o Jabrill Peppers e Malik McDowell no top 10, mas ao mesmo tempo era possível ver que Mitch Trubisky fazia sentido em Chicago, assim como Mike Williams em (então) San Diego e Adoree’ Jackson na primeira rodada. A análise é feita considerando apenas talento, encaixe, videotape e estatísticas da temporada. É um bom exercício para entender a dinâmica da classe e para qual lado olhar nesta segunda metade da temporada.

Falando mais especificamente sobre a classe, quarterbacks, linhas ofensivas e pass rushers parecem ser as posições com mais opções. Talvez isso mude muito com quem não se declarar para o Draft. Nesta simulação são 21 jogadores que possuem, pelo menos, mais um ano de elegibilidade disponível – realmente um número absurdo. Em parênteses estão o ano em que o jogador se encontra (sophomore, junior ou senior) e o R denota que ele teve uma redshirt, ou seja, ficou um ano sem jogar.

Por fim, este texto foi preparado logo após o fim da janela de transferência e assumiu a ordem das escolhas logo após a oitava semana. Levamos em conta as trocas feitas por San Francisco, Seattle, Philadelphia e Buffalo.

1 – Cleveland Browns (0-8) – Sam Darnold (RSo.) Quarterback – USC

É preciso, neste momento, parar e observar o péssimo trabalho que Cleveland vem fazendo com os seus recursos. É um time que parece perdido, sem talento, sem desenvolvimento e sem confiança nenhuma em seus membros. A ideia de entregar todo o planejamento do futuro na mão de pessoas que, teoricamente, entendem de estatísticas avançadas poderia ser genial. Só que essas mesmas pessoas não possuíam experiência nenhuma avaliando prospectos, muito menos montando um time de futebol americano.

O resultado está ficando catastrófico. O time é uma terra arrasada, com um técnico linha dura que parece sem esperanças na lateral. O sentimento é que todo mundo será mandado embora (de volta) e o time vai começar novamente (num loop infinito). A liga deveria intervir. Obrigar Jimmy Haslam a parar de meter o dedo nos esportes e vender o time – ou algo assim. Enfim, a bagunça é generalizada.

No meio dessa zona há três quarterbacks extremamente jovens e que podem ser alguma coisa no futuro. Jogar tudo fora e escolher um novo messias seria demais. Só que parece que é uma possibilidade real. Haslam não gostou que seu general manager e a diretoria não disputaram Jimmy Garoppolo. Além disso, a franquia conseguiu mais uma proeza no fim da janela de transferência: não conseguiram fechar a tempo a troca com o Cincinnati Bengals para contar com A.J. McCarron – eles estavam dando uma escolha de segunda e outra de terceira rodada pelo McCarron!!!!

Seria um erro, mas é bem possível falando em Cleveland. Uma escolha muito mais lógica seria a de Connor Williams, que é o melhor tackle da classe. Ainda acho Arden Key e Harold Landry prospectos mais promissores do que Williams, porém Cleveland já investiu muitos recursos em seu pass rush e não ia colocar novamente uma primeira escolha geral aqui – certo?

Eu já descrevi os quarterbacks neste texto, mas olhando especificamente para o encaixe, Cleveland seria um ambiente difícil tanto para Darnold quanto para Rudolph. A franquia precisa criar uma cultura antes de tentar se reconstruir – alguém force a venda desse time, pelo bem do esporte.

OBS: Pode ser que Darnold não vá para o Draft justamente porque os Browns devem ter a primeira escolha geral. Que fase.

2 – San Francisco 49ers (0-8) – Connor Williams (Jr.) Offensive tackle – Texas

No primeiro esboço, Sam Darnold acabaria em San Francisco – mesmo duvidando que vá ao Draft. Acho muito difícil (quase impossível) após a troca envolvendo Jimmy Garoppolo. Por isso, Connor Williams acaba como a segunda escolha geral.

Williams é melhor na proteção do passe do que como bloqueador em corridas. Mais técnico do que forte, pode ser um right tackle por algum tempo até a aposentadoria de Joe Staley – que já possui 33 anos. Menos atlético do que Orlando Brown Jr., mas um prospecto muito mais preparado e com fundamentos melhores.

3 – New York Giants (1-6) – Saquon Barkley (Jr.) Running back – Penn State

Se realmente os Giants escolherem tão alto assim (muito possível), este seria o tipo de escolha que me deixaria confuso. A franquia tem a possibilidade, nesta posição, de buscar inúmeras coisas: um left tackle de confiança em Orlando Brown Jr., mais um pass rush em Harold Landry ou até mesmo um safety para jogar junto com Landon Collins. Na realidade, a melhor escolha para o futuro seria pegar Mason Rudolph e preparar-se para o fim da carreira de Eli Manning.

Só que esta franquia tem a cultura de preferir jogadores que criam com a bola nas mãos do que linhas ofensivas – ou pensar a longo prazo. Por isso Barkley deve virar o alvo. Ele é o running back mais completo a sair para o Draft nos últimos anos. Seu estilo é diferente de Leonard Fournette e Ezekiel Elliott: ele é um cara rápido nos cortes e com uma capacidade de receber passes bem acima da média. Imagine um LeSean McCoy com uma velocidade final maior e que também retorna chutes. Merece sair dentro do top five, sem sombras de dúvidas.

4 – Indianapolis Colts (2-6) – Arden Key (Jr.) Edge rusher – LSU

Assim como houve um debate intenso de quem seria melhor entre Khalil Mack e Anthony Barr indo para o Draft de 2014 – no fim os dois eram jogadores de alto nível -, o mesmo deve acontecer entre Key (caso se declare ao Draft) e Harold Landry. Dois jogadores extremamente atléticos, que podem jogar tanto no 3-4 quanto no 4-3 (Key faz mais sentido no 3-4).

No fim os Colts ficam com o melhor em habilidades distintas. Consegue sair na cobertura, pacotes de blitz, bom primeiro passo e não desiste tão rápido das jogadas. Precisa melhorar o repertório de pass rushs, mas mesmo assim vem tornando-se o melhor jogador defensivo para o próximo Draft. Key não está no mesmo nível de Khalil Mack, mas é o defensor com maior potencial deste Draft.

Vale ressaltar que os Colts possuem a “flexibilidade” (leia-se falta de talento) para escolher (quase) qualquer posição com esta escolha. A grande questão é que Arden Key é o melhor jogador disponível, logo seria muito controverso (nível escolher Phillip Dorsett na primeira rodada) passá-lo nesta altura.

5 – Tampa Bay Buccaneers (2-5) – Harold Landry (Sr.) Edge rusher – Boston College

Tampa Bay está mostrando nesta temporada que aquela aura de time que poderia ir aos Playoffs foi um erro de todo mundo. Quando entrou em campo, o time mostrou que não consegue jogar defensivamente, a linha ofensiva é porosa e o jogo terrestre é inexistente. O efeito em Jameis Winston? Digamos que ele está tendo uma temporada esquecível. Por isso eles possuem a mesma “flexibilidade” de Indianapolis: podem ir para qualquer direção que não me surpreenderiam.

Neste caso, os Buccaneers acabam ficando com o melhor talento disponível. Landry é um pass rusher melhor do que Key (por isso faz sentido em um 4-3), porém não tem a mesma versatilidade do prospecto de LSU. Alto e com uma boa envergadura, consegue dominar tanto com movimentos no bend (quando faz a volta no pocket) quanto com movimentos para dentro. Precisa aprender a ser mais agressivo com as mãos.

6 – New York Jets (3-5) – Mason Rudolph (Sr.) Quarterback – Oklahoma State

Sinceramente não espero que Mason Rudolph saia na sexta escolha geral apenas. Ele deve ser escolhido dentro do top five e pode até mesmo ser o primeiro quarterback escolhido (seja com Sam Darnold disponível ou não). Como nessa simulação não fizemos trocas e tentamos manter alguma linha de lógica, ele acaba caindo até aqui.

New York tem um talento de escolher grandes projetos, mas aqui vão pegar um prospecto que não será tão cru como Christian Hackenberg, por exemplo. Nessa simulação a franquia deu sorte: Rudolph tem o braço necessário para operar tanto um plano de jogo mais vertical quanto um ataque mais voltado à filosofia West Coast.

Mais sobre a classe de quarterbacks? Fizemos um texto exclusivo sobre ela para nosso sócios. Confira mais detalhes aqui.

7 – Oakland Raiders (3-5) – Orlando Brown Jr. (RJr.) Offensive tackle – Oklahoma

Aparentemente o extra-campo está afetando Oakland ao longo do ano. O ataque não funciona, a defesa não consegue jogar e Derek Carr tem que levar tudo nas costas. Se este time conseguir ganhar alguns jogos a mais e escolher no meio da primeira rodada, não duvidaria que Derrius Guice acabasse jogando aqui.

Como eles estão com a sétima escolha geral, o resultado é a escolha do melhor jogador disponível. Filho de Orlando Brown (tackle que jogou em Cleveland e em Baltimore e que, injustamente, não se encontra no Hall da Fama), Orlando Brown Jr. é o tackle mais atlético da classe e que possui o potencial mais alto. Ainda oscila dentro de campo e esquece a agressividade com as mãos em alguns momentos, mas é um cara que lembra Lane Johnson saindo da mesma Oklahoma.

Com Donald Penn fazendo holdout aos 32 anos, os Raiders poderiam muito bem pegar o melhor talento disponível no momento. Brown tem potencial para sair dentro do top five (dependendo de quem se declarar ao Draft) e seria um achado nessa altura.

8 – Los Angeles Chargers (3-5) – Minkah Fitzpatrick (Jr.) Safety – Alabama

Outro time que está se beneficiando de bons jogadores caindo. Acredito que Fitzpatrick possa sair antes da sétima escolha geral, mas os dois quarterbacks acima acabam puxando um talentoso jogador para a segunda metade do top 10.

Melhor ballhawker do que Derwin James (que sairia na décima primeira escolha), Fitzpatrick pode jogar em diferentes esquemas de cobertura. Não é espetacular, mas consegue fazer o trabalho bem feito. Atlético, falta-lhe mais agressividade nos tackles. Tem bons instintos e, apesar da falta de agressividade em alguns momentos, é um bom jogador no suporte ao jogo terrestre. Potencial para ser titular por muitos anos. Los Angeles adoraria ter uma chance de escolher algum dos melhores tackles da classe, porém eles devem sair antes da oitava escolha geral.

9 – Chicago Bears (3-5) – James Washington (Sr.) Wide receiver – Oklahoma State

A capacidade de Washington em localizar a bola no ar, ajustar a sua velocidade e a sua rota são impressionantes. Esse cara está no esporte errado: ele deveria estar no baseball jogando de outfielder.

Apesar de ser menos veloz do que John Ross, é um prospecto mais seguro. Não tem problemas crônicos com contusões e é espetacular localizando a bola e ajustando o corpo. Não é o tipo de jogador com mãos seguras (ou seja, vai cometer drops). Não é uma diva dentro de campo e está disposto a fazer o que for necessário – seja bloquear para o jogo terrestre ou trabalhar o meio de campo. Com Kevin White voltando (novamente) de lesão, Washington seria uma peça ideal para ajudar no desenvolvimento de Trubisky. Não consigo imaginar uma situação em que Chicago não esteja considerando fortemente reforçar seu corpo de recebedores.

10 – Arizona Cardinals (3-4) – Josh Rosen (Jr.) Quarterback QB UCLA

Talentoso e cru. Arizona fica com o maior projeto (e talvez maior teto) do top 3 da classe. Rosen tem o braço, o talento e a leitura. Falta se transformar em um jogador de nível profissional. É um cara com mais talento do que Patrick Mahomes, logo o valor está correto.

A grande questão é que Arizona sempre ignora a posição, o que vai acabar resultando na demissão de Bruce Arians em algum momento.

11 – Cincinnati Bengals (3-4) – Derwin James (RSo.) Safety – Florida State

Todo mundo fala de Cleveland (com razão), mas os Bengals também estão fazendo um trabalho bem medíocre nos Drafts passados.

Seja com a tática de ter 4000 cornerbacks de primeira rodada ou 3 running backs de escolhas altas ou até mesmo escolher um wide receiver que não consegue ficar em campo por causa de lesões – que, aliás, era o problema dele durante toda a carreira universitária.

Por causa disso, esta escolha (quando ocorrer) pode não ter lógica nenhuma. Os Bengals podem resolver escolher o Bradley Chubb nesta posição que não vai me surpreender. Tentando manter um pouco de lógica, a escolha de James aqui faria sentido por valor e encaixe.

Não é a necessidade mais gritante da equipe, mas não é o forte desta defesa. Shawn Williams e George Iloka formam uma dupla sólida apenas. James tem potencial para sair no top 10 e acabou escorregando por causa da escolha de três quarterbacks nesta simulação – e sorte de Cincinnati.

James é um hard hitter em sua essência. Ótimo no suporte ao jogo terrestre e eficiente em coberturas, ele tem em seu ponto fraco a marcação individual. Está mais para Kam Chancellor do que para Mark Barron, mas precisa de uma adaptação bem feita para não acabar virando um bust.

Por fim, não me surpreenderia Marvin Lewis ser mandado para o olho da rua, Andy Dalton ser deposto de titular e Cincinnati acabar com Mason Rudolph. Para isso ocorrer eles vão ter que perder mais alguns jogos.

12 – Denver Broncos (3-4) – Derrius Guice (Jr.) Running back – LSU

Não sei o quão disposta está a diretoria de Denver em jogar a toalha e desistir de Trevor Siemian e Paxton Lynch. Acredito que eles ainda vão manter o projeto, talvez escolhendo um quarterback em rodadas intermediárias. Por isso, o melhor talento disponível – e que seria de grande ajuda para esse time ofensivamente – seria Derrius Guice.

A classe deste ano não é tão especial quanto a do ano passado, mas ainda tem bons valores. Guice é um running back de um corte só e muito físico – estilo que vai fazer sucesso em Denver. Não é um grande recebedor, mas possui uma velocidade final impressionante para o seu tamanho. Boa visão e menos físico do que Fournette – por isso é um prospecto de um nível menor. É difícil prever o que Denver fará quando o ano acabar sem os Playoffs e com um baixo nível de produção por parte de seus quarterbacks.

Como este é o último running back de primeira rodada (apesar de outras equipes, como Detroit, perseguirem alguém em 2018), vale a pena falar um pouco mais dos outros elementos da classe – em especial de Bryce Love. Ele está em uma temporada espetacular em Stanford, o que deve catapultar o seu valor se ele for para o Draft. Candidato ao Heisman, ultrapassou Nick Chubb e Royce Freeman e virou o terceiro melhor jogador da classe, com potencial para roubar o segundo lugar de Derrius Guice.

13 – Cleveland Browns (via Houston Texans) (0-8) – Mike McGlinchey (Sr.) Offensive tackle – Notre Dame

Um pouco reach, mas totalmente possível. O estilo de jogo de Mike McGlinchey me faz pensar que ele é mais um protótipo de right tackle ou left guard do que left tackle.

Ele poderia sair no ano passado e resolveu voltar para a universidade e tentar se recompor de um ano ruim. McGlinchey melhorou, mas não é o melhor da classe. Muito mais técnico do que atlético, é o tipo de jogador que se dá bem em linhas que jogam com bloqueios em zona.

Não tem o atleticismo para ser um left tackle, sendo melhor atuar no nível profissional como right tackle ou left guard. É um jogador sólido e que não possui um grande teto, mas pode ser um contribuidor desde o primeiro dia. Se a franquia for para a direção de reiniciar tudo (novamente), eles vão querer proteger seu novo quarterback jovem.

14 – Detroit Lions (3-4) – Tarvarus McFadden (Jr.) Cornerback – Florida State

Não é o meu preferido, mas entendo quem coloca McFadden como o melhor cornerback indo ao Draft. Ele é muito agressivo em todas as fases, lembrando um estilo Richard Sherman de ser. Seu maior problema? O quadril.

McFadden é um ballhawker (liderou a NCAA em interceptações no ano passado), hard hitter, mas falta-lhe fluidez em cortes bruscos – principalmente contra wide receivers mais ágeis. Poderia ser deslocado para safety que talvez fizesse mais sucesso. Mesmo assim, é um jogador que vai encantar muitos general managers pela sua vontade dentro de campo.

15 – Washington (3-4) – Denzel Ward (Jr.) Cornerback – Ohio State

Falta a produtividade para dizer que Denzel Ward é o melhor cornerback da classe. É um cara muito mais fluido do que McFadden e com uma velocidade final considerável. Seu maior problema é que ele teve apenas uma interceptação em toda a carreira – ia ter outra neste fim de semana, mas os juízes deram (acertadamente) o touchdown para Penn State.

Ohio State é uma escola prolífica de cornerbacks e Ward é mais um exemplo de jogador que está em seu melhor momento jogando em marcações individuais – já McFadden é formado para defesas que preferem jogar em zona. Tem o maior potencial da posição. Com um lado do campo sendo dominado por Josh Norman, Washington teria ainda mais liberdade defensiva.

Esta deve ser a posição (aproximada) em que a franquia vai escolher, logo a opção por Ward faz sentido. A equipe tem pouca profundidade na posição e jogam em uma divisão que possui três quarterbacks de bom nível.

16 – Baltimore Ravens (4-4) – Christian Wilkins (Jr.) Defensive tackle – Clemson

O melhor defensive tackle da classe. Por jogar em Clemson (que terá três defensores na primeira rodada e cinco sendo escolhidos dentro do top 100), avaliar Wilkins torna-se uma tarefa meio complicada. Os bons prospectos ao seu redor maximizam suas qualidades e escondem vários defeitos.

Com uma boa explosão, ele sofre contra guards mais fortes – precisa ganhar força. É o único da classe que vejo com potencial para ser um 3-tech no 4-3 ou 5-tech no 3-4 nível Aaron Donald ou Fletcher Cox. O estilo de jogo é mais parecido com Cox do que com Donald (mais alto, menos ágil). Ozzie Newsome é conhecido por sempre pensar no talento primeiro e nesta escolha não foi diferente. Wilkins ainda mostra que este time não está disposto a gastar dinheiro na linha defensiva, colocando-se na posição de não ter que renovar algum contrato – e acabarem trocando, como fizeram com Timmy Jernigan.

17 – Dallas Cowboys (4-3) – Maurice Hurst (Sr.) Defensive tackle – Michigan

Existem coisas que não se ensinam e a principal é a explosão, o primeiro passo após o snap. Hurst é o que possui o melhor primeiro passo dessa classe. Explosivo, ele ainda parece meio cru dentro de campo (apesar de ser um senior que jogou tanto tempo em uma divisão tão física quanto a Big Ten). Falta-lhe técnica em alguns momentos e, principalmente, agressividade com as mãos.

Apesar da bela temporada de Demarcus Lawrence, os Cowboys não possuem qualquer profundidade em sua linha defensiva. Não adianta encher de jogadores de secundária sem um pass rush eficiente, visto que o calouro vai sofrer cada vez mais. Apesar disso, Jaire Alexander poderia ser uma escolha nesta altura.

18 – Tennessee Titans (4-3) – Cameron Smith (Jr.) Inside linebacker – USC

No campo de comparação entre jogadores, C.J. Mosley e Reuben Foster são os dois inside linebackers com estilo mais parecido ao jogo de Smith que saíram nos últimos anos. Smith não é tão atlético quanto esses dois, o que mostra que não é um prospecto do mesmo gabarito.

Comparando com Benardrick McKinney, que foi uma escolha de segunda rodada dos Texans, Smith é mais atlético e consegue atuar melhor em coberturas por zona e individuais. É um meio termo entre essas duas prateleiras, o que lhe torna um candidato para a primeira rodada. Em uma classe não tão brilhante na posição, Smith deve ser valorizado e pode acabar saindo no top 20 – talvez um pouco mais abaixo seria o ideal para o seu valor.

19 – Atlanta Falcons (4-3) – Bradley Chubb (Sr.) Defensive end – NC State

Muitos avaliadores amadores adoram utilizar o termo “motor” para exemplificar quando o jogador realmente não desiste das jogadas e vai até o fim.

Durante o período do Draft deste ano, a palavra motor e o nome de Chubb vão aparecer muitas vezes juntas.

O motor de Chubb não apaga em nenhum momento. É o jogador que coloca tudo dentro de campo e todas as jogadas parecem decisivas para ele. Uma boa base de comparação é a décima quarta escolha do ano passado, Derek Barnett.

Barnett era um prospecto superior, com maior envergadura. Chubb tem o mesmo estilo, porém é mais explosivo e com menos envergadura. A sua diferença é a sua vontade dentro de campo. Para Atlanta essa seria uma baita escolha. O que falta defensivamente é gerar pressão e este papel poderia ser muito bem suprido por Chubb. Na realidade, o desejo da franquia até poderia ser ficar com um defensive tackle como Maurice Hurst, porém um pass rusher a mais nunca é demais – apesar da escolha de Takkarist McKinley na primeira rodada do ano passado. É aprofundando a rotação que uma defesa funciona, e não apenas com uma peça fazendo todo o trabalho.

Vale lembrar que nesse cenário os Falcons ficaram fora dos Playoffs, o que significa que algumas alterações devem ser realizadas nesse time. Outra opção seria a adição de Calvin Ridley ou de algum outro defensive tackle – que acabaram saindo antes nesta simulação.



“greenbay"

20 – Green Bay Packers (4-3) – Mitch Hyatt (Jr.) Offensive lineman – Clemson

Hyatt é um jogador massivo, que vai sofrer contra pass rushers mais velozes. Tem potencial para ser um left tackle, mas precisa melhorar muito a sua técnica. Seria perfeito começar a carreira no interior da linha ofensiva, o que acontecerá caso ele acabe em Green Bay.

Em alguns momentos os pés de Hyatt não se movimentam como deveriam e ele acaba saindo da posição de equilíbrio, perdendo o bloqueio e sendo batido. É melhor bloqueando para o jogo terrestre do que na proteção do passe. Talvez a sua falta de atleticismo (pelo menos no videotape) acabe frustrando quem procura um left tackle, no entanto a sua força dentro de campo vai encantar franquias que procuram um guard de alto nível. Outra opção aqui poderia ser Bryce Love.

Green Bay não deve escolher nessa região, principalmente após a lesão de Aaron Rodgers. Catapultados para o top 15 da primeira rodada e com as suas falhas expostas por causa da lesão de Rodgers, é bem capaz que as suas necessidades sejam alteradas drasticamente até abril do ano que vem.

21 – Miami Dolphins (4-3) – Austin Bryant (Jr.) Defensive end – Clemson

Esse pass rush precisa aprofundar a sua rotação, visto que Cameron Wake já está com 35 anos (e produzindo muito! Esse cara é inacreditável!) e pass rushers nunca são demais. Sem uma rotação profunda esta unidade vai cansar no fim do ano e as derrotas elásticas virão.

Bryant é um jogador versátil, que poderia atuar tanto no 4-3 quanto no 3-4. Me lembra um Connor Barwin com mais qualidades no pass rush, o que lhe torna um potencial alvo para o final da primeira/começo da segunda rodada.

Apesar de ser um bom prospecto, imagino que Miami acabe escolhendo no meio da primeira rodada – principalmente depois da troca de Jay Ajayi nesta terça-feira. A franquia vai ter a possibilidade de ir atrás de um pass rusher com um upside melhor, como Bradley Chubb, ou até surpreender e acabar com um quarterback.

22 – Jacksonville Jaguars (4-3) – Baker Mayfield (RSr.) Quarterback – Oklahoma

São quatro anos de Blake Bortles. Três ruins e um (o segundo) de bom nível. Claramente ele não consegue evoluir e insistir muito tempo seria um erro. Como os Jaguars devem pensar que podem competir agora pela divisão, eles devem adotar a mesma postura do Houston Texans: escolher o quarterback com o maior chão e cercá-lo de bons valores, o tornando funcional. No caso de Deshaun Watson a aposta deu muito certo, com ele novamente provando que é um vencedor – a mesma característica marcante de Mayfield.

Mayfield vai encantar muitos general managers na hora da entrevista. Ele é um vencedor, um cara que não desiste e que pode virar um Alex Smith na liga – o que estaria mais do que suficiente para Jacksonville. Esta franquia é uma forte candidata a buscar um quarterback nas duas primeiras rodadas e Mayfield está merecendo a primeira rodada.

23 – Carolina Panthers (5-3) – Courtland Sutton (RJr.) Wide receiver – SMU

Nesta simulação Sutton e Ridley acabaram sendo desvalorizados mais do que o esperado. Isso se deve a quantidade de pass rushers terceiro anistas que poderiam estar disponíveis. Em um cenário diferente, é bem capaz deles saírem dentro do top 15, com Sutton sendo a primeira opção.

O talento de SMU parece um linebacker que resolveu atuar de wide receiver. Sutton lembra muito um Anquan Boldin mais atlético e com mãos menos seguras. Faz muitas recepções com o corpo, o que é um hábito ruim para a posição e mascara o quão bom recebendo a bola ele é. Muito forte e com um raio de recepção incrível, ele vai ganhar todas no corpo. Parece veloz no videotape, mas não me surpreenderia se tivesse um tempo ruim no tiro de 40 jardas durante o período pré-Draft. Entre Boldin e Maclin, os Panthers vão buscar um jogador que possui mais as características do primeiro. Esta franquia não tem produtividade na posição e precisam reforçá-la a qualquer custo na próxima intertemporada.



“seattle"

24 – Seattle Seahawks (5-2) – Martinas Rankin (Sr.) Offensive tackle – Mississippi State

Rankin é um jogador que não desiste e bloqueia sem parar até o fim da jogada. Ele pode não ser o mais técnico e ter problemas com o trabalho de pés, mas não para um segundo de bloquear. Somado isso ao fato de ser um jogador massivo, é o tipo ideal para desenvolver.

Ele deveria começar a carreira como right tackle e ser um left tackle do futuro. Com a troca que trouxe Duane Brown, ele terá o tempo necessário para se desenvolver e aprender melhor a bloquear por zona. Se perde no trabalho de pés e fica muito levantado em alguns momentos. Com um bom aprendizado atrás de Brown, ele pode virar um left tackle ideal na NFL. Alto teto e baixo chão.

25 – Los Angeles Rams (5-2) – Jaire Alexander (Jr.) Cornerback – Louisville

Buscando menos o contato, Alexander é o menos físico (pelo menos até onde estudei) entre os três cornerbacks do topo desse Draft. Por outro lado, é o mais fluido dentro de campo. Ele acabou caindo um pouco mais tarde do que o esperado – pode sair no top 20.

Os Rams podem ir por uma outra rota e continuar cercando Jared Goff com proteção e bons talentos. Com tantos recebedores, possivelmente a linha ofensiva poderia ser o foco aqui. Neste caso, os melhores da posição já saíram e Alexander é um valor bom demais para deixar passar.

26 – Buffalo Bills (5-2) – Duke Ejiofor (Sr.) Defensive end – Wake Forest

Menos badalado do que os melhores da posição, Ejiofor é o protótipo ideal para um 4-3. Extremamente técnico, é o mais agressivo da classe quando o assunto é o trabalho de mãos e consegue compensar o seu primeiro passo assim na linha de scrimmage. Precisa melhorar no combate ao jogo terrestre, por isso deve entrar na liga como um especialista de ir atrás do quarterback no início da carreira.

Com os Bills se planejando para daqui a dois anos, este é o momento ideal para escolher um defensive end e fazer com que ele aprenda com um veterano como Jerry Hughes. Ele está para completar 30 anos e já passou do topo da carreira. Outra opção seria começar uma corrida de quarterbacks escolhendo Lamar Jackson ou até mesmo algum jogador da segunda prateleira – como Josh Allen ou Luke Falk.

27 – New Orleans Saints (5-2) – Kendall Joseph (RJr.) Linebacker – Clemson

Nada melhor do que trocar um linebacker de Clemson no meio da temporada para, no outro ano, draftar… outro linebacker de Clemson. Pois é, parece bem contraditório. A grande diferença é que Stephone Anthony era para ser um middle linebacker, mas não tinha um instinto bom.

Já Kendall Joseph é um jogador que não possui o melhor dos instintos, mas é mais atlético. Colocado para jogar como WILL ou SAM seria a melhor opção. Jogador versátil, pode jogar tanto em cobertura como em situações de blitzes. Tipo de jogador que permite a criatividade do coordenador defensivo. Só é um erro achar que ele será um Ray Lewis lendo jogadas de corrida, pois irá queimar o jogador e se frustrar. Quase que Ejiofor acabou em New Orleans.

28 – Minnesota Vikings (6-2) – Trey Adams (Jr.) Offensive tackle – Washington

O último offensive tackle que vale uma escolha de primeira rodada – pelo menos do que analisei até aqui. Adams possui momentos brilhantes e também péssimos jogos, por isso pode ser desvalorizado durante o processo do Draft. Além disso, nos videotapes fica claro que seus braços podem ser mais curtos do que o desejado, o que lhe prejudicaria e faria com que ele se tornasse um right tackle ou um guard.

Um jogador mais atlético do que massivo, tem uma boa habilidade em executar bloqueios no segundo nível. Melhor na proteção do passe do que no bloqueio ao jogo terrestre, tem um talento natural no trabalho de encaixar o bloqueio rapidamente. Precisa ser mais consistente em campo.

29 – Pittsburgh Steelers (6-2) – Lamar Jackson (Jr.) Quarterback – Louisville

Finalmente o vencedor do Heisman sai na primeira rodada. Pode parecer estranho, mas os Steelers parecem ser abertos o suficiente para modificar o seu jogo para um quarterback atlético. Eles já contrataram Michael Vick como reserva no final da carreira, o que mostra a boa vontade da comissão técnica.

Primeiramente, sejamos sinceros: a carreira de Ben Roethlisberger está no fim. Ele está errando muito e a idade chega para todos. Pittsburgh tem um bom núcleo jovem (é incrível como esse time se renova sem perder a competitividade) e não vão querer desperdiçar os bons anos deles com quarterbacks medíocres. Não é o feitio da franquia.

Por outro lado, Pittsburgh pode querer um quarterback mais tradicional. Nesse caso, Josh Allen ou Luke Falk poderiam acabar saindo no final dessa primeira rodada. Acharia um erro. Jackson possui mais talento, mais braço e mais visão que os outros dois. Ele precisa aprender a confiar no pocket e pensar em passar primeiro – além de ganhar massa muscular. Nada melhor do que Big Ben para ensiná-lo a ter essa paciência. Poderia render muita controversa, no entanto seria a escolha certa nesse momento.



“patriots"

30 – New England Patriots (6-2) – Josh Sweat (Jr.) Outside linebacker – Florida State

Um dos grandes motivos para o derretimento da defesa de New England no início da temporada foi a contusão de Dont’a Hightower. Ele conseguia esconder as deficiências de seus companheiros, como de Kyle Van Noy. Com ele de fora, esta defesa foi exposta e ficou claro que Belichick precisa investir no corpo de linebackers.

Apesar de jogar como um pass rush na maior parte do tempo em Florida State, Josh Sweat tem o protótipo para ser um SAM em New England. O esquema híbrido de Bill Belichick exige jogadores com tipos bem específicos e Sweat consegue se encaixar. Não é um exímio pass rusher, mas tem o talento para fazer o trabalho tanto no jogo terrestre quanto no passe como Belichick exige. Seria uma escolha valiosa para New England.

31 – Buffalo Bills (via Kansas City Chiefs) (5-2) – Tyrone Crowder (Sr.) Offensive guard – Clemson

O primeiro guard puro que sai no Draft. Crowder vai cair porque não tem versatilidade nenhuma e na NFL moderna é preciso um cara que consiga jogar em diferentes posições. Crowder é um cara gigante de 340 libras (154 kgs) que é muito bom no jogo terrestre. Apesar de grande, ele é muito técnico e consegue atropelar linhas defensivas com uma grande facilidade.

É o melhor guard puro da próxima classe, por isso está saindo na primeira rodada. Apostando tanto no jogo terrestre, os Bills vão adorar o estilo de Crowder abrindo espaço aos corredores de Clemson. Ele dificilmente perde bloqueios e é difícil de se mover. Precisa trabalhar melhor os pés visto que perde algumas vezes o equilíbrio.

32 – Philadelphia Eagles (7-1) – Calvin Ridley (Jr.) Wide receiver – Alabama

Eu acho que as chances de Philadelphia escolher nessa posição são pequenas. Dito isto, vamos analisar em si a escolha realizada. Philadelphia será a equipe no fim do Draft que estará mais focada em conseguir um trade down para acumular escolhas. Eles não possuem escolhas nem de segunda nem de terceira rodadas, logo faz todo sentido ser o alvo de algum general manager em uma corrida desenfreada por quarterbacks.

Caso mantenham a escolha, não vejo outro cenário a não ser aquele em que a franquia vai atrás de um offensive tackle ou um wide receiver – running back seria uma opção antes da troca de terça-feira. Por um lado Jason Peters pode ter encerrado sua carreira quando sofreu a lesão no joelho (e não dá para saber se Halapoulivaati Vaitai vai aguentar a pressão). Por outro lado, a aquisição de Ronald Darby, Jay Ajayi e Timmy Jernigan (além da renovação de Nigel Bradham) vão forçar o salary cap em 2018. Por causa disso, as chances de Alshon Jeffery e Torrey Smith voltarem para a Philadelphia devem ser pequenas – a não ser que Howie Roseman faça um milagre.

Com Nelson Agholor e Mack Hollins sobrando, os Eagles vão precisar buscar adicionar outro alvo para Carson Wentz. Calvin Ridley não é tão talentoso (fisicamente) como Amari Cooper (outro recebedor que jogou em Alabama), mas é muito técnico. Bom correndo rotas, seguro nas recepções. Me lembra muito Jeremy Maclin saindo de Missouri.

É claro que Philadelphia iria querer reforçar a linha ofensiva, mas no momento não há qualquer prospecto que valha a pena investir uma escolha de primeira rodada. Decisões de reach já deram errado no passado (com Marcus Smith II) e esta diretoria deve estar pensando em manter a filosofia do melhor jogador disponível.

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“RODAPE"