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A maioria absoluta dos jogadores da NFL é oriunda dos grandes programas de futebol americano universitário, vindo principalmente das equipes que pertencem ao Power 5, o grupo das cinco principais conferências mais fortes do College Football (Big Ten, SEC, ACC, Big 12 e Pac-12).

Contudo, vez por outra, atletas de universidades menores conseguem se sobressair durante o processo pré-Draft, ganham espaço e aparecem no meio dos nomes com “melhores referências” – muitos deles, aliás, acabam tendo longas e produtivas carreiras na NFL. Não importa se é a FCS, Divisão II ou mesmo a Divisão III, sempre é possível garimpar algum talento perdido em faculdades pouco badaladas ou nos níveis mais baixos do College.

Em 2018, por exemplo, temos vários prospectos que valem a pena ser mencionados e acompanhados de perto durante o recrutamento. Separamos alguns deles e fizemos uma breve explanação de seus pontos fortes e fracos, sempre que possível comparando com algum atleta atualmente na NFL. Quem sabe um desses nomes quase desconhecidos não é a solução que o seu time tanto busca em uma determinada posição?

Kyle Lauletta, QB – Richmond

Cansado de só ouvir sobre Darnold, Rosen e cia.? Pois bem, temos então um nome bem mais obscuro para você colocar na sua lista de quarterbacks a serem observados: Kyle Lauletta.

Assim como Carson Wentz, Lauletta brilhou na FCS, ou seja, o segundo patamar do futebol americano universitário. Titular dos Spiders por três temporadas, foi convidado a participar do último Senior Bowl, onde se destacou durante a semana de treinos e foi eleito o MVP da partida, o que o ajudou a entrar definitivamente no mapa do Draft. Kyle não possui um braço de elite e nem chama muito a atenção por um atributo específico, mas, no geral, é sólido em diversas características como precisão, mecânica e mobilidade, além de ter atuado em um esquema de jogo similar ao utilizado no nível profissional em Richmond. Ele também é visto como um líder dentro do vestiário – sua graduação, aliás, é em estudos sobre liderança, seja lá o que isso signifique.

Lauletta deve ser uma escolha de terceiro dia, cotado para sair entre a quarta e sexta rodada. Ele definitivamente não chega pronto para ser titular na liga e, antes de mais nada, deverá brigar para assegurar um lugar no elenco de alguma franquia, nem que seja como terceira opção. Em todo o caso, Kyle parece ser um bom protótipo de quarterback reserva na NFL com potencial de eventualmente ser titular no futuro.

Daurice Fountain, WR – Northern Iowa

Embora tenha sido eleito o MVP ofensivo do East-West Shrine Game, uma das principais partidas de exibição/scout da pós-temporada universitária, Fountain ainda assim surpreendentemente não foi convidado para participar do Combine. Deste modo, o recebedor não teve a chance de impressionar outra vez os olheiros com o seu maior atributo: a habilidade atlética.

Fountain é muito veloz e explosivo, sendo uma ameaça em lançamentos profundos ou então com a bola nas mãos, podendo transformar um passe curto em um grande avanço. Seu potencial como playmaker certamente chamará a atenção das equipes, contudo, por ainda precisar de mais refinamento técnico, é provável que em um primeiro momento ele seja usado quase exclusivamente nos times de especialistas.

Alguns dos melhores momentos de Daurice com os Panthers nos fizeram lembrar um pouco de Stefon Diggs. Para quem não se recorda, o atual wide receiver dos Vikings foi uma escolha de quinta rodada pouquíssimo comentada no Draft 2015. Fountain também deve ser uma pick de terceiro dia e, com desenvolvimento, talvez chegue a um patamar similar ao de Diggs.

Darius Leonard, LB – South Carolina State

Em nossa humilde opinião, Leonard é o melhor prospecto desta lista e pode inclusive acabar se tornando um dos grandes steals do Draft. Linebacker moderno ao estilo de Deion Jones e Telvin Smith, o jovem defensor possui velocidade e agilidade para cobrir o campo inteiro. Ele tem tudo para ser um jogador de 100 tackles por temporada entre os profissionais, ao estilo de Jones e Smith, e de quebra ainda é acima da média defendendo o passe.



Resumindo, Leonard é o que os coordenadores defensivos procuram nos linebackers de hoje em dia. Por outro lado, existem preocupações por conta do seu tamanho (96 kg) e o nível de competição que ele enfrentou atuando por South Carolina State. Mesmo assim, Darius tem boas chances de ser selecionado na metade de cima da segunda rodada – poderia ser até melhor, se a classe de linebackers não fosse tão profunda em 2018.

Dallas Goedert, TE – South Dakota State

Assim como Gerald Everett e Adam Shaheen em 2017, Goedert é mais um exemplo de tight end formado em uma universidade pequena que se destaca pelo seu potencial como recebedor. Sua combinação de altura (1,96m), velocidade, agilidade e habilidade para fazer recepções contestadas rendeu comparações com Travis Kelce, estrela do Kansas City Chiefs e o melhor tight end da NFL não chamado Rob Gronkowski.

Embora tenha sido especulado por alguns analistas como um possível sleeper no final da primeira rodada, Goedert é um prospecto de segundo ou terceiro round, pendendo no momento mais para o lado de aposta do que de realidade. Tight ends costumam precisar de um tempo de adaptação antes de contribuírem efetivamente como recebedores na NFL, casos como o de Evan Engram são a exceção e não a regra, portanto não espere grandes números de Goedert logo de cara, até porque o nível na NFL será muito superior ao encontrado por ele no College.

Ja’Von Rolland-Jones, OLB – Arkansas State

Em termos de produção, poucos atletas na história do College Football se saíram tão bem quanto Rolland-Jones. Ao longo de quatro anos com Arkansas State, o defensive end somou 63 tackles para perda de jardas, 42 sacks e 10 fumbles forçados. Entretanto, ele provavelmente acabará precisando mudar de posição na NFL, tornando-se outside linebacker, pois não possui o porte físico ideal para jogar na linha defensiva (1,88m e 110 kg).

Rolland-Jones tem instintos e boa técnica como pass rusher, mas suas características físicas e a desconfiança com os adversários dos Red Wolves não o fazem ser um prospecto de elite. Seja como for, além de poder contribuir logo de cara nos times especiais, ele é uma opção interessante para as franquias que quiserem um especialista em pass rush no terceiro dia de recrutamento, sendo o tipo de jogador a ser utilizado em situações óbvias de passe ou formações diferenciadas.

Nathan Shepherd, DT – Fort Hays State

Shepherd tem como principal chamativo ser um defensive tackle que consegue pressionar consistentemente o quarterback, algo não tão simples de encontrar – veja, por exemplo, a importância e o impacto de Aaron Donald na defesa dos Rams. Claro que a competição na divisão II do College Football não era das maiores, mas Nathan conseguia se impor fisicamente contra qualquer bloqueador, tanto que somou 10 sacks e 27 tackles para perda de jardas nas últimas três temporadas.

O jovem ainda é bastante cru e precisará de um período de adaptação antes de ser titular na NFL, mas pode acabar se tornando bom defensive tackle ou defensive end 3-4 no nível profissional. Shepherd estava tendo uma ótima participação no Senior Bowl até quebrar a mão e precisar abandonar as atividades. A lesão, contudo, não o deixou fora de combate por muito tempo e ele se recuperou a tempo do Combine. A expectativa é que Nathan seja escolhido por volta da quarta rodada.

Alex Cappa, OT – Humboldt State

Cappa não é exatamente o offensive tackle mais veloz e ágil do mundo, o que pode fazê-lo se transformar em guard na NFL – ademais, sua maior virtude é no jogo terrestre e não na proteção para o passe -, contudo ele compensa a falta de mobilidade com bloqueios cheios de força e energia. Mesmo que eventualmente nunca chegue a ser titular absoluto na NFL, o prospecto de Humbold State deve ter espaço no elenco das equipes como reserva.



De novo, a maior preocupação é quanto a falta de competição encontrada na segunda divisão do College, mas Cappa se saiu bem no Senior Bowl encarando defensores mais qualificados, o que com certeza ajudou a melhorar seu status diante dos olheiros. Ele deve ser selecionado no começo do terceiro dia de Draft, até porque não estamos falando de uma classe de offensive linemen tão prolífica assim.

Justin Watson, WR – Penn

Com 1,90m, 96kg e não muita habilidade atlética, Watson parece estar mais para tight end do que wide receiver. Ele é o recebedor mais produtivo da história de Penn (286 recepções, 3,777 jardas e 33 touchdowns) e dominou as defesas da FCS nas últimas temporadas.

A falta de velocidade e a consequente incapacidade de conseguir separação dos defensores o impedirá de ser um wide receiver número 1 na NFL, mas Watson pode se transformar em um possession receiver interessante saindo do slot e em jogadas na red zone. Mal comparando, talvez ele seja uma espécie de Cameron Brate 2.0 – atual tight end de Tampa Bay, Brate também saiu da FCS e virou uma arma perigosíssima na red zone. Justin, entretanto, só deverá ouvir seu nome ser chamado no final do Draft, provavelmente após a quinta rodada.

Marcus Davenport, OLB – UTSA

Por fim, temos o prospecto desta lista com as maiores chances de ser escolhido na primeira rodada: Marcus Davenport. Já falamos mais detalhadamente sobre ele em outro texto, então para não chover no molhado vamos ser sucintos aqui.

Davenport tem todos os atributos físicos para ter sucesso na NFL (altura, força, velocidade, explosão etc.), mas ainda é bastante cru em aspectos técnicos, sobretudo como pass rusher. Ou seja, ele precisará de tempo para ser um fator na liga, o que não é nenhuma novidade, afinal todo ano temos edge rushers com exatamente estas características – puxando pela memória lembramos de exemplos recentes como Noah Spence, Taco Charlton, Takkarist McKinley etc.



O jovem ex-UTSA (University of Texas at San Antonio, para quem estiver se perguntando o que significa essa sigla) não é um prospecto excepcional, mas a carência de pass rushers acima da média em 2018 inflacionou sua cotação e provavelmente o fará ser selecionado no primeiro dia de recrutamento.

O Draft ocorre nos dias 26, 27 e 28 de abril em Dallas, TX. Para o Brasil, o evento tem transmissão da ESPN + na quinta (1ª rodada, 21h) e sexta (2ª e 3ª rodada).

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