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Ele não quer que ninguém tenha dúvidas. “Eu sou o melhor quarterback deste”, responde Josh Rosen à entrevista da ESPN Magazine. Numa classe tão rica na posição – talvez a com mais nomes de peso desde 2012 – Rosen coloca-se na linha de tiro ao demonstrar confiança. Ou seria arrogância?

Com tantos nomes – ele, Sam Darnold (USC), Baker Mayfield (Oklahoma), Lamar Jackson (Louisville), Josh Allen (Wyoming) – naturalmente o filtro será maior. Separar o “joio do trigo” se faz ainda mais necessário. E, nesse escrutínio mais profundo, o “pensar demais” aparece. “Achar pelo em ovo”. Chame como for: fato é que em todos esses nomes, há algo para coçar a cabeça.

Não é diferente no caso de Rosen. Se você assistir atentamente ao tape dele – sobretudo em partidas nas quais a linha ofensiva não ajudou – perceberá alguns problemas que precisam ser melhorados. Exemplo: seu relógio interno de pressão. Por vezes, Rosen segura a bola demais no pocket. As lesões também preocupam – ele não tem o corpo de Josh Allen e foi um dos que mais apanharam nas duas últimas temporadas.

Quando a coisa apertava, Rosen foi interceptado ou teve passes incompletos em janelas que “expiravam”. Enfim, muita coisa sobre seu jogo até pode ser dita – e o que você leu acima é plenamente “consertável”. Não é uma sujeira que não possa ser limpa. Diversos outros quarterbacks que chegam ao carregam consigo problemas semelhantes. E, considerando os times que Josh teve em UCLA, até que fez demais.

A arrogância

Quarterbacks são, indiscutivelmente, seres humanos especiais. São retratados em filmes da Sessão da Tarde como os mais populares do colégio. O protótipo da posição – atlético e alto – combina com o que a sociedade espera de um homem bonito. Pare e pense: quando a conversa vai nesse rumo, quantos quarterbacks são mencionados e quantos jogadores de outras posições o são?

“Josh Rosen, me liga”

Não, não pretendo transformar este texto num artigo da revista Capricho. Fato é que a frase do Tio Ben pode muito bem ser invertida para os quarterbacks desde a época de ensino médio (High School). “Com grandes responsabilidades, vêm grandes poderes”. Rosen é a epítome do quarterback de filme da Sessão da Tarde. Se você duvida, a imagem acima e a imagem abaixo ilustram melhor do que qualquer parágrafo que eu diga.

Sim, Rosen tinha uma banheira no quarto – a foto obviamente não foi vista com bons olhos, até porque foi idiota. Não, a garota segurando a placa na primeira foto não é a mesma da segunda. Fato é que esse episódio da “banheira do Gugu” em seu apartamento estudantil fez Rosen aparecer para a grande imprensa mais do que seu jogo por si. “Da onde ele tira dinheiro para isso?”. Bom, seus pais são ricos. “Ah, é um playboy idiota filhinho de papai então”. Isso, somado a algumas declarações polêmicas, fez com que a luz amarela acendesse: será que esse cara não vai detonar um vestiário? Será que ele não é confiante ao ponto de ser prepotente?

A narrativa principal sobre Josh Rosen, no que tange às suas “fraquezas” enquanto prospecto, tornou-se essa. “Ele automaticamente assume que é a pessoa mais inteligente em qualquer conversa. Ele vai amadurecer e deixar os técnicos lhe treinarem? Nossos jogadores veteranos lidarão bem com ele?”, disse um general manager da NFL que preferiu ficar anônimo.

“Ele precisa ser desafiado intelectualmente ou ficará entediado. Ele é um millennial. Ele quer saber o por quê das coisas. Uma vez que sabe, ele tá de boa. Josh tem outros interesses na vida. Se você manter seu nível de foco e concentração no futebol americano por alguns anos, ele vai atear fogo no mundo”, disse Jim Mora, técnico de Rosen em UCLA.

As duas declarações somadas àquela no topo deste artigo dão a entender que Josh Rosen é um imenso babaca. A declaração de Mora, aliás, pode ser lida de muitas formas diferentes. Afinal: é bom ou ruim que ele queira ser desafiado intelectualmente?

“Eu sou o melhor quarterback deste

A meu ver, é bom. Josh Rosen não é para qualquer equipe. As comparações (enquanto prospecto, frise-se) com Aaron Rodgers são as melhores que consigo pensar. Rodgers tinha excelente precisão em passes intermediários enquanto jogador universitário e a principal narrativa é que ele não era “treinável”. Que ele era arrogante. Resultado? Os 49ers tremeram na base e o passaram. Rodgers caiu até a 24ª escolha do 2005, quando foi escolhido pelo Green Bay Packers.

A resposta

No mesmo artigo da ESPN Magazine em que se autointitula como o melhor quarterback do, Rosen foi perguntado sobre sua potencial culpa em ter criado uma imagem de prepotência e arrogância. “Eu era arrogante. Eles deram a chave de uma universidade competindo pelo título para um cara de 18 anos. Eu fiz umas besteiras, disse coisas que não queria e isso fica como uma sombra. Você tem apenas uma chance de causar uma boa primeira impressão e eu gerei a impressão errada”, disse.

Ainda, a reportagem deu a chance para que Josh respondesse a essa impressão. Que ele é arrogante, que tem “opiniões demais”, que é rico e não se importa para o dinheiro que vem com o esporte, que é inteligente demais, que tem interesses “demais” fora do futebol americano. Rosen respondeu um por um.



Sobre sua família ser rica – os dois pais estudaram em universidades da Ivy League – Josh disse que sua paixão pelo jogo reside no jogo em si, não na necessidade de jogar para prover sua família e pessoas próximas. Sobre a arrogância, a resposta foi honesta ao máximo. “Você tem que ser”. Sobre a foto com a banheira no quarto, Rosen abriu o jogo e assumiu que, em 2018, não parece nada maduro postar uma foto com uma colega de faculdade. “Sou um modelo para crianças. Foi estúpido e preciso refinar o que passo para as pessoas”. Sobre os colegas de time…

“Ele precisa ser desafiado intelectualmente ou ficará entediado. Ele é um millennial

“A vida imita a arte”, diria o ditado. O filme com Kevin Costner como general manager do Cleveland Browns foi lançado há quatro anos – você pode ver minha análise dele aqui – e finalmente ecoa no da vida real. Não quanto aos Browns, mas quanto ao “melhor prospecto/quarterback” do filme: Bo Callahan. Aparentemente sem falhas em seu jogo, Callahan não teve nenhum companheiro de time na festa de aniversário.

“Pergunte isso aos meus colegas de time, eles me am…. Bom, eu não quero nem dizer isso, seria otário de minha parte dizer “Sou f*** e meus colegas de equipe reafirmariam isso porque sou f*** pra c****”. Fale com eles. Acredito que eles reconheçam quanto eu me importo com eles”, falou.

Josh Rosen não é para qualquer time

Minha análise sobre Josh é a seguinte: ele pode ser Aaron Rodgers ou Jay Cutler. Tenso, né? Rodgers passava a impressão de que era arrogante e confiante demais. Cutler, de que não se importava se não fosse intelectualmente desafiado.

O próprio Rosen sabe disso. Na entrevista, além de “melhor quarterback do”, ele se qualifica como material radioativo. “Mas [o material radioativo] pode ser muito poderoso quando apontado na direção certa”. É justamente esse o ponto.

Dentro de campo, para mim, Josh Rosen é o melhor quarterback deste. Acho isso há algum tempo, mesmo no auge da empolgação por Sam Darnold ser afetada pela tonelada de turnovers que aconteceram e alçaram Rosen ao topo de muitos boards. Acima de tudo, eu entendo Josh Rosen. Passei a mesma impressão que ele passa por diversas vezes. Já ouvi que sou arrogante, que me desinteresso fácil quando não sou intelectualmente desafiado. Eu realmente ouvi ao pé da letra isso tudo. E sei que, em parte, eram verdades nos momentos em que essas palavras foram ditas.

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Rosen percebeu que eram verdades. E parece se esforçar para deixar para trás esses aspectos ruins, porque sabe que em seu novo posto – como franchise de uma equipe da NFL – ele não pode passar a mesma impressão. Guardadas as proporções, porque o que faço é infinitamente menos importante do que ele faz da vida, quando comecei a comentar os jogos na TV a questão pela qual passei foi a mesma.

Ainda me acham arrogante – nada que eu possa fazer sobre, não há como agradar a todos. Josh passará, em infinitas maiores proporções, pelo mesmo processo. Millennials arrogantes costumam passar por isso. E a geração anterior, indubitavelmente, tem preconceito com essa postura… Curiosa, digamos, que alguns daqueles nascidos na primeira metade da década de 1990 possuem.


Enfim, longe de fazer este artigo ser sobre mim e não sobre ele. “Eu quero ser o quarterback mais f*** que eu possa ser”, disse ao final da entrevista. Potencial, ele tem. Será? Rosen precisará do casamento perfeito entre técnico e quarterback. Não é qualquer um que mexe com urânio. Mas se souber lidar, pode construir uma arma que arrasará a NFL nos próximos anos.

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