Draft

Tentando entender o estranho Draft dos Giants em 2017

Um time de playoff com uma defesa sólida e extremamente competitiva. Um ataque comandado por um quarterback bicampeão do Super Bowl e um dos melhores wide receivers da liga. Ainda assim, os Giants chegaram no último Draft repletos de carências e perguntas a serem respondidas, sobretudo no que diz respeito a montagem de um elenco mais profundo de talento.

New York, entretanto, ao invés de oferecer respostas preferiu aumentar os questionamentos. Veja bem, não foi um Draft péssimo nem nada do tipo, mas sem dúvida foi confuso e difícil de entender em vários momentos. Por exemplo, quando o nome de Evan Engram foi anunciado como a escolha de primeira rodada, muitas pessoas devem ter pensado “o que diabo os Giants estão fazendo?”. Não foi a primeira vez que isso aconteceu, aliás – ano passado foi igual com Eli Apple.

Terminado o recrutamento, a sensação é que as principais carências da franquia não foram resolvidas – e isso está longe de ser o ideal. Ademais, o plano de ação definido pelo front office também não ficou muito claro.

Draftar por necessidade, seguir a filosofia do melhor jogador disponível ou nenhuma das duas coisas?

Normalmente, existem duas maneiras de uma equipe trabalhar no Draft: selecionar jogadores por necessidade ou apostar no maior talento disponível. Os Giants não fizeram nenhuma das coisas com as suas duas primeiras escolhas.

Fazia sentido para New York pegar um tight end na primeira rodada? Sim, era uma necessidade – embora não fosse a principal carência do time. Mas por que Evan Engram? Além de ter sido um reach, afinal o ex-Ole Miss estava cotado para sair na segunda rodada, a franquia o selecionou a frente de David Njoku, que ainda estava na mesa e era considerado um prospecto melhor e com um “teto mais alto” na posição.

Engram foi um excelente recebedor no College Football e com certeza será uma adição valiosa para o ataque aéreo dos Giants, porém existem dúvidas sobre seu futuro na NFL como um tight end tradicional, pois ele é pequeno para atuar na função e não é um grande bloqueador. Assim, seria utilizado quase exclusivamente para receber passes e, talvez, até mesmo se transformaria em um wide receiver em tempo integral. Caso isto se confirme, a escolha será ainda mais questionável, já que os Giants estão bem servidos na posição por vários anos com Odell Beckham Jr. e Sterling Shepard.

Tal decisão foi um exemplo claro de uma equipe que se apaixonou por um prospecto e o selecionou de qualquer maneira, não importando o preço. No melhor dos cenários, Engram ganhará uns 10 quilos e se tornará o novo Jordan Reed. No pior, New York se precipitou para pegar um wide receiver que jogou como tight end na faculdade.

Na segunda rodada, a pick foi gasta em Dalvin Tomlinson, defensive tackle ex-Alabama. Foi uma escolha coerente, Tomlinson ajudará a compensar a saída de Johnathan Hankins e dará mais profundidade para a linha defensiva, porém por que não apostar em Zach Cunningham? O linebacker era considerado por alguns analistas um talento de primeira rodada, portanto seria quase um steal no final da segunda, e poderia suprir a eterna carência que os Giants têm na posição. Seria o casamento ideal entre best player available e escolher por necessidade. Mesmo assim, eles optaram por seguir outro caminho.

E os reforços para a linha ofensiva?

Além de ignorar completamente o corpo de linebackers, a franquia também negligenciou a linha ofensiva, apontada por muitos como o pior setor do time. Havia um “mantra” dizendo que os Giants deveriam buscar um novo left tackle, pois assim poderiam mover Ereck Flowers para o lado direito. Ou quem sabe selecionar um novo guard para brigar pela titularidade.

No final das contas, New York só trouxe alguém para a linha ofensiva na sexta rodada, com a sua última pick do recrutamento. O tackle Adam Bisnowaty é um bom valor nessa altura do Draft, porém chega para ser reserva e no máximo jogar em situações de emergência, não sendo um grande upgrade para o problemático setor. Tudo bem, sabemos que a classe de offensive linemen não era das melhores em 2017, mas o general manager Jerry Reese pode se arrepender amargamente dessa decisão, sobretudo se Flowers não mostrar nenhum sinal de desenvolvimento.

Publicidade




Nem tudo, porém, são críticas

Antes que nos acusem de má vontade, vale dizer que a equipe fez um trabalho bem melhor com as suas escolhas mais baixas. Na terceira rodada, os Giants selecionaram o quarterback Davis Webb. Muito havia sido dito sobre a possibilidade do time buscar um novo signal caller nos dois primeiros dias de Draft. Faz todo o sentindo do mundo quando pensamos que a carreira de Eli Manning está chegando ao fim e é preciso preparar em um substituto.

Webb é uma opção interessante e uma aposta válida no final do third round. Vindo de uma spread offense pirotécnica em Cal – assim como Jared Goff -, ele terá dificuldades para se adaptar ao nível profissional, contudo a expectativa é que, depois de alguns anos como reserva e aprendendo, possa se tornar um titular na NFL. É isso que o espera em New York. Ademais, Ben McAdoo tem experiência trabalhando no desenvolvimento de quarterbacks.

Na quarta rodada, o escolhido foi o running back Wayne Gallman. O jovem ex-Clemson chegará para dividir carregadas com Paul Perkins e dar mais profundidade ao backfield não muito confiável da equipe. Gallman não é espetacular, mas é um corredor forte, consistente e capaz de contribuir imediatamente.

Na sequência, a equipe selecionou o defensive end Avery Moss, um bom achado na quinta rodada. Oriundo de uma universidade pequena (Youngstown St.), Moss é um especialista em pass rush com potencial a ser lapidado. Por ora, ele deve apenas participar da rotação defensiva e jogar em descidas mais óbvias de passe. No futuro, dependendo da sua evolução, pode assumir um papel mais importante no time.

Poderia ter sido melhor

É impossível falar se uma classe é boa ou ruim antes mesmo dela entrar em campo, então nosso objetivo aqui é analisar mais as decisões tomadas pelo front office do que os próprios jogadores. Nesse caso, o veredicto é que os Giants poderiam ter feito um trabalho um pouco melhor, sobretudo para consertar os maiores buracos em seu elenco – por exemplo, linha ofensiva e o grupo de linebackers. Enfim, como já dissemos antes, não foi um Draft horroroso, mas algumas opções feitas pelos dirigentes da franquia devem ser questionadas.

Comentários? Feedback? Siga-me no Twitter em @MoralezPFB, ou nosso site em @profootballbr e curta-nos no Facebook.


“RODAPE"

Tentando entender o estranho Draft dos Giants em 2017

Mais lidas da Semana

To Top