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Começamos hoje uma série de textos sobre o Fantasy Football. Se você acha que fantasy se refere a magos como a imagem que ilustra este post… Bem, chegou a hora de explicar que não tem nada a ver com Game of Thrones. Esta será a série de textos sobre fantasy mais completa já feita em nosso site e com o objetivo de você manjar tudo de fantasy. Quem ler, garantimos, mandará muito bem e poderá zoar todos os amigos durante a temporada. 

A temporada do futebol americano profissional coloca à prova as 32 equipes da NFL, todas visando a pós-temporada e cobiçando o troféu Vince Lombardi após a conquista do Super Bowl. Jogadores, técnicos, assistentes, general managers, preparadores físicos, scouts são submetidos à pressão da tomada de decisões que podem fazer a diferença entre uma vitória e uma derrota, um título ou o retorno para casa com as mãos abanando.

Mas não são apenas os profissionais envolvidos com a NFL que podem experimentar como é ter o controle do seu próprio elenco e tomar as decisões para a sua equipe triunfar. Com o Fantasy Football, os fãs podem competir dentro da sua própria liga contra outros jogadores, propor trocas, selecionar aquele free agent que pode fazer a diferença no seu elenco, enfim – tudo o que for necessário para vencer o campeonato virtual. Vamos ao texto introdutório sobre o que é Fantasy Football, qual a lógica por trás do jogo e o que faz dele especial e o sucesso que é.

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Afinal, o que é Fantasy Football?

Fantasy Football é o jogo virtual nos quais os jogadores simulam o controle de equipes profissionais dentro de uma liga. Os atletas que integram cada elenco são selecionados através de um draft, e os pontos feitos pelos atletas é baseado na perfomance deles dentro de campo.

A flexibilidade do Fantasy Football é um dos aspectos mais fascinantes do jogo. Há diversas variações em cada aspecto, como diferenças em padrões de pontuação, estilos de draft, número de jogadores na liga, enfim – tudo que for do melhor interesse da liga. Como a competição se dá dentro de ligas particulares, as regras podem ser adaptadas de acordo com a vontade dos membros, sem a obrigatoriedade de estar conformes parâmetros pré-estabelecidos.

Um pouco da história

O Fantasy Football como conhecemos hoje se popularizou em meados da década de 90. Entretanto, o jogo tem uma história bem mais antiga, começando nos anos 60. O empresário e sócio do Oakland Raiders, Wilfred Winkenbach, numa viagem para Nova York com o responsável pelas relações públicas da equipe, Bill Tunnel e o repórter Scotty Stirling, desenvolveram um sistema de organização e um manual de regras que serviria como a base para o Fantasy Football como conhecemos hoje. Eles formaram uma liga composta por oito membros, denominada GOPPPL (Greater Oakland Professional Pigskin Prognosticators League) e realizaram o primeiro draft em 1963. À época, o elenco de cada um dos membros era composto por dois quarterbacks, dois fullbacks, quatro offensive ends, dois retornadores, dois kickers,  dois defensive backs ou linebackers e dois jogadores de linha defensiva. Atualmente, essa liga escala dois quarterback, quatro halfbacks, seis wide receivers ou tight ends, dois kickers, dois defensive backs, um time para retorno e uma escolha adicional para qualquer posição.

Em 1969, Andy Mousalimas, um dos fundadores da GOPPPL, trouxe o jogo para seu bar dedicado a esportes, em Oakland, onde ele criou algumas novas ligas. Quando donos de outros bares descobriram sobre o jogo, eles levaram a novidade para seus próprios estabelecimentos. Aos poucos, o Fantasy Football foi se espalhando, o que era extremamente penoso na época, devido à necessidade de dedicação ao jogo e dificuldade em aplicar o sistema de pontuação às perfomances.

Com o advento da internet, tudo mudou. A CBS, em 1997, lançou a primeira plataforma de Fantasy Football virtual, que arrebatou o mercado. Dentro de poucos anos, todas as principais redes de esportes já teriam lançado suas próprias versões das plataformas. A própria NFL o fez em 2010, observando como o Fantasy poderia ajudar na propagação do esporte. A NBC estima que 19 milhões de pessoas competem anualmente em ligas públicas e privadas, isso só no território dos Estados Unidos.

O elenco e a pontuação

A formação do elenco do Fantasy Football se dá pelo draft de jogadores. Tal como na NFL, os membros da liga estabelecem uma ordem de escolha e selecionam os jogadores para composição das suas equipes. Todos os jogadores estão disponíveis na primeira escolha, e as poucos os times vão se formando de acordo com o juízo dos participantes. Ao final do draft, ninguém terá nenhum jogador compartilhado, mas uma equipe única dentro daquela liga. Se, por exemplo, o Antony Curti selecionar o Antonio Brown como primeira escolha do draft, eu (infelizmente) não terei a oportunidade de selecionar o camisa 84 do Pittsburgh Steelers para minha equipe. Assim, terei que selecionar qualquer outro jogador disponível. Se eu selecionar o running back Todd Gurley do Los Angeles Rams com a segunda escolha, o João Maurício Souza terá que escolher alguém além dos já selecionados – e assim por diante até o final do draft e do preenchimento de todas as lacunas do elenco.

Naturalmente, o seu elenco não é imutável até o final da temporada. Haverá jogadores que não serão selecionados, e estes estão disponíveis como free agent. Assim, os integrantes da liga podem tentar trazer esse atletas disponíveis para a equipe, submetendo um pedido de waiver. Esse pedido será colocado numa lista elaborada de acordo com a prioridade de cada jogador naquela semana. Essa prioridade se dá de acordo com as regras particulares da liga, podendo ser desde total de pontos, número de derrotas, enfim: o ponto é que, via de regra, o jogador em pior situação na liga vai ter melhores chances de selecionar os agentes livres mais cobiçados primeiro – e, acredite, isso faz a diferença. Quando Jamaal Charles se machucou em 2015, houve uma corrida pelo seu reserva, Charcandrick West. Nos debruçaremos sobre as particularidades do waiver em textos futuros, pois é um dos assuntos mais complexos do Fantasy Football.

Leia mais:   🔒 Podcast, Fantasy: 12 Prateleiras com os rankings de running backs

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O ponto que deve ser internalizado é o seguinte: o campeonato nunca está ganho após o draft; a manutenção do seu time é essencial para o sucesso. Lesões e questões de produtividade minariam completamente a produção desses jogadores, e se você não fizesse nada para reverter esse quadro, você provavelmente seria o último da sua liga.

O número de jogadores por equipe varia de acordo com a liga. Há quem coloque muitos espaços no banco de reserva; há quem prefira limitar esse número para aumentar o dinamismo na troca por agentes livres ao longo da temporada. Com poucos espaços no banco, você terá que deixar aquele jogador lesionado sair da sua equipe para dar espaço às necessidades. Nas semanas de bye week dos seus titulares, isso torna a decisão ainda mais difícil para o jogador de Fantasy Football.

Na hora de escalar sua equipe, o número de jogadores em cada posição varia de acordo com a liga. O padrão do site da NFL é o seguinte: um quarterback, dois running backs, dois wide receivers, um tight end, um flex (podendo ser um running back ou wide receiver, em algumas ligas até outro tight end), uma defesa/times especiais e um kicker. É uma escalação que considera apenas posições ofensivas com especificidade, sendo a seleção por uma defesa única. Há formatos de liga que escalam jogadores específicos de defesa, denominados IDP (Individual Defensive Players), que ao invés de uma perfomance geral da defesa, os jogadores pontuam individualmente tal com os de defesa.

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A pontuação também varia de acordo de acordo com a liga. Os jogadores, de acordo com suas perfomances dentro de campo, somam (ou subtraem, em algumas situações) pontos para sua equipe. Os valores da pontuação standard variam de acordo com a posição: quarterbacks recebem menos pontos por touchdowns do que wide receivers, por exemplo. Destrincharemos as peculiaridades acerca de cada pontuação em textos sobre formatos de pontuação, mas antecipamos que a pontuação é absolutamente flexível. Cada liga pode adotar critérios particulares para premiar jogadores por feitos específicos dentro de campo, ou decrescer em certos aspectos que julgam injustos – pontuação do kicker, por exemplo, que pode ser reduzida pela aleatoriedade das perfomances nessa posição.

Adiantamos que uma das alterações mais populares em formatos de pontuação é a premiação por recepção. As ligas que adotam o modelo PPR (Points Per Reception), premiam com pontos adicionais, geralmente 0.5 pontos ou 1 pontos inteiro, a cada recepção pelo jogador que as fizer. Além da pontuação atribuída às jardas conquistadas e touchdowns, os jogadores recebem adicionais pelo número de recepções. Esse formato premia jogadores que recebem volume no jogo aéreo, e reduzem o gap entre running backs de elite e running backs utilizados em situações de passe.

Modalidades das ligas

As ligas também tem suas particularidades. Tratamos aqui considerando as ligas head-to-head, nas quais dois jogadores se enfrentam naquela semana e quem conquistar mais pontos vence. Entretanto, as ligas podem variar drasticamente em vários aspectos.

Veja aqui o índice completo da “Semana Fantasy”, com o guia para você bombar no Cartola FC de NFL.

O primeiro dele é em relação ao draft. As auction leagues não fazem a seleção de jogadores de maneira ordenada, mas por meio de leilões. Cada integrante da liga recebe um número determinado de dinheiro, e devem dar seu lances para trazer o jogador mencionado para sua equipe. A cada escolha, um jogador nomeia o atleta que será o alvo do leilão. Nesse formato, muito se deve ao controle de não pagar enormidades por certos jogadores para montar um elenco mais equilibrado.

Outro estilo de liga que oferece diferenças quanto ao draft são as keeper leagues. Nelas, os integrantes tem a faculdade de manter um certo número de jogadores do ano anterior para o novo ano do Fantasy Football, premiando aquelas escolhas no final do draft ou seleções de agentes livres que tiveram grandes desempenhos. Na mesma linha, existem as dynasty leagues, nas quais não há uma seleção anual de todos os jogadores, mas apenas dos calouros naquela temporada. Nesse tipo de liga, há uma enorme ênfase em free agents e trocas entre jogadores. Há uma grande sensação de controle de fato de uma equipe ao passar dos anos.

As variações são inúmeras. Desde que exista alguém disposto a experimentar novas mecânicas, o Fantasy Football sempre se reinventa, trazendo novas estratégias e filosofias de jogo. Esse texto introdutório foi para aquecer os motores para a temporada do futebol americano virtual. A cobertura do Pro Football Brasil está começando, e mergulharemos em profundidade em todos os aspectos do jogo virtual: estratégias para o draft, abordagens de acordo com o tipo de liga, além de textos explicativos acerca dos modelos mais populares de liga e draft.

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