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Aconteceu o que todo mundo já considerava favas contadas há muito tempo: Drew Brees se tornou o recordista de jardas aéreas da história da NFL, ultrapassando a marca estabelecida anteriormente por Peyton Manning.

Embora não seja nenhuma surpresa, afinal o signal caller de New Orleans lança mais de 4,500 jardas em praticamente todas as temporadas como se não fosse nada demais, o feito nem de longe será menos incrível por sua aparente “naturalidade”.

Como não poderíamos deixar tal fato histórico passar batido, ainda mais para alguém como Brees que muitas vezes é ofuscado por fazer parte da mesma geração de Manning, Tom Brady e Aaron Rodgers, este texto será nossa homenagem.

Contudo, não falaremos sobre estatísticas, porque elas são fáceis de encontrar por aí na internet e você talvez já esteja cansado de ouvir os incríveis números de Brees. Ao invés disso, vamos abordar o lado mais humano do ídolo, mostrando os motivos que causaram sua saída dos Chargers e, principalmente, explicando porque ele é um personagem gigantesco dentro e fora do campo. É difícil encontrar uma ligação tão forte entre jogador e cidade/comunidade quanto a de Brees com New Orleans, e é isso que o torna mais especial ainda.

Oício em San Diego

Ex-aluno da Universidade de Purdue, Drew Brees foi selecionado pelos Chargers com a 32ª escolha geral do Draft de 2001. A missão não era nada simples: substituir o lendário Ryan Leaf, um dos maiores fiascos da história da NFL.

Entrou em campo uma única vez em sua temporada de calouro – derrota diante dos Chiefs na semana 8 -, permanecendo o tempo inteiro como reserva do veterano Doug Flutie. Em 2002, contudo, Brees finalmente ganhou espaço e assumiu a titularidade da equipe, condição mantida até 2005, seu último ano na Califórnia.

Durante suas temporadas com os Chargers, o jovem signal caller não foi o jogador fantástico que conhecemos, aquele que lança anualmente 5000 jardas aéreas como se não fosse nada demais, contudo seu rendimento vinha crescendo ano a ano e ele parecia estar destinado a ser o franchise que San Diego tanto buscava.

Apenas um parêntese antes de continuarmos: no ano de 2004, os Chargers decidiram que iriam draftar outro quarterback na primeira rodada do recrutamento e escolheram Eli Manning.

Eli, como se sabe, não queria jogar em San Diego e por isso a franquia foi obrigada a costurar um acordo com os Giants, terminando com Philip Rivers. Seja como for, o fato é que os Chargers não estavam totalmente confiantes no futuro com Brees. Ainda assim, ele venceu a concorrência com Rivers e o deixou no banco por duas temporadas. Sim, é uma história bem confusa, mas confusão era sinônimo de San Diego Chargers noício da última década.

Foi então que chegou 2005. Brees estava no último ano do seu contrato de calouro e ninguém sabia se ele continuaria com a equipe ou não. Dentro da franquia, instaurou-se uma guerra civil por causa do quarterback. No final das contas, entretanto, uma infelicidade resolveu a questão e fez com que tudo acabasse dando certo para todas as partes.

O fumble que quase encerrou uma carreira

No dia 31 de dezembro de 2005, os Chargers receberam os Broncos em um duelo que não valia nada para o time da Califórnia, já que ele não tinha mais chance de chegar aos playoffs. Poderia então ser a oportunidade de colocar os reservas em campo e poupar os titulares? Poderia sim, mas o head coach Marty Schottenheimer tinha alguns motivos para pensar diferente, sobretudo no que dizia respeito a Drew Brees.

De acordo com relatos da época, Schottennheimer e A. J. Smith, antigo general manager da franquia, viviam uma queda de braço em 2005 porúmeros motivos, entre eles a posição de quarterback do time. O primeiro estava fechado com Brees, enquanto o segundo era a favor de Rivers receber mais chances entre os titulares – até mesmo para justificar sua escolha no Draft. Por conta da briga entre ambos, Drew entrou em campo naquele jogo contra Denver, já que o treinador não queria dar o braço a torcer e oferecer uma chance de Philip Rivers começar a partida e jogar bem.

A teimosia de Schottennheimer, se é que podemos chamar assim, custou caro e quase acabou com a carreira de seu quarterback. Em uma jogada próxima de sua própria linha de gol, Brees não percebeu a chegada do safety John Lynch, sofreu um tackle e soltou a bola; ao tentar recuperá-la, jogou-se no chão embaixo de uma pilha de jogadores e viu, ou melhor sentiu, o defensive Gerard Warren cair sobre seu ombro direito.

O signal caller sofreu uma lesão gravíssima em uma cartilagem da articulação do ombro direito, justamente o usado para lançar a bola.

A lesão foi tão séria que colocou em xeque sua carreira, além de decretar sua saída dos Chargers, pois o time ficou receoso que ele nunca mais pudesse recuperar a forma – era a mesma preocupação que todos nós tivemos com Andrew Luck recentemente. Assim, por força das circunstâncias, San Diego se viu obrigado a seguir em frente com Philip Rivers, abrindo caminho para Brees se tornar free agent na intertemporada de 2006.

A rejeição dos Dolphins e o acerto com New Orleans

Por conta das dúvidas causadas pela lesão, Brees não recebeu muitas propostas de emprego – ou pelo menos as que recebia não eram satisfatórias. As duas equipes que mais se interessaram pelos seus serviços foram os Dolphins e os Saints.

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O quarterback ficou muito próximo de levar seus talentos para South Beach, mas acabou sendo vetado pelos médicos de Miami, os quais disseram que ele tinha apenas 25% de chances de voltar a jogar. Ao invés de Brees, os Dolphins preferiram apostar em Daunte Culpepper, uma decisão que assombra os torcedores até hoje e com certeza os faz pensar “Meu Deus do céu, o que foi que nós fizemos?”

Sobraram os Saints, uma franquia sem histórico de sucesso na NFL, em reconstrução com um novo head coach e vinda de uma temporada com um deprimente record 3-13, já que não pôde jogar em Nova Orleans por conta dos estragos causados na cidade pelo furacão Katrina. Ainda enfrentando desconfiança quanto ao seu futuro, Brees assinou um contrato de 6 anos e 60 milhões de dólares com a equipe no dia 14 de março de 2006.

A volta por cima veio em New Orleans. O primeiro jogo de Drew Brees no Superdome como quarterback titular de New Orleans foi mágico. Não há outra palavra para definir aquele Monday Night Football disputado entre Saints e Falcons no dia 25 de setembro de 2006. O duelo marcou a reabertura do Superdome após ele servir de abrigo para as vítimas do Katrina. Além disso, também significou que os Saints enfim haviam voltado para casa depois de muito tempo.

Essa foi a famosa partida em que Steve Gleason bloqueou um punt dos Falcons com menos de 90 segundos no relógio e, em seguida, Curtis Deloatch levou a bola até a end, anotando os pontos do lance que posteriormente ficou conhecido como o “renascimento” de New Orleans – tanto do time quanto da cidade. No final, os Saints triunfaram por 23-3, naquele que com certeza foi um dos jogos mais emblemáticos da história.

A grandiosa noite acabou sendo um ótimo aperitivo para tudo de bom que iria acontecer com Drew Brees e Sean Payton no comando. O trabalho de ambos ajudou a transformar uma franquia fracassada e com apenas uma vitória nos playoffs até 2005 em uma potência da NFL.

O resto da história todo mundo já conhece: primeiro veio aédita ida ao NFC Championship Game em 2006 mesmo. Depois, a primeira conquista de Super Bowl, derrotando o todo poderoso Indianapolis Colts de Peyton Manning em 2009. Tudo isso sempre com Drew Brees empilhando jardas e mais jardas aéreas, passes para e recordes, muitas vezes carregando nas costas um elenco que não possuía um talento equivalente ao seu. O único feito que ele não conseguiu atingir até agora, já que a eleição ao Hall da Fama é uma certeza, foi ganhar o prêmio de MVP da temporada, uma injustiça que possivelmente nunca será corrigida.

Todavia, engana-se quem acredita que a importância e o legado do quarterback se resumem “apenas” a títulos e estatísticas. Drew Brees representa muito mais do que isso para a cidade de Nova Orleans.


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Drew Brees é muito mais do que vitórias e estatísticas

Imagine uma cidade destruída e debaixo d’água, repleta de pessoas feridas e desabrigadas, as quais tiveram que viver momentaneamente em um estádio de futebol americano. Essa era a dura realidade de Nova Orleans em 2005 e 2006. Inúmeras pessoas perderam seus entes queridos e tudo o que tinham durante aqueles dias terríveis.

O futebol americano curou todas as feridas e resolveu todos os problemas? É óbvio que não. Contudo, passado o pior e com a vida aos poucos voltando ao normal, o esporte pôde sim ser um meio de dar novo ânimo à uma cidade machucada.

O sucesso da equipe local ajudou a reerguer a moral do lugar, com cada vitória dos Saints sendo encarada como uma vitória do povo de Nova Orleans, que tentava reconstruir a vida após o desastre natural. A grande apoteose veio com o título de Super Bowl, um capítulo fundamental na luta para superar o trauma do Katrina.

Logo depois da tragédia, começaram os boatos de que os Saints poderiam deixar Nova Orleans. Lugares como Los Angeles e San Antonio foram apontados como possíveis destinos. A mudança da franquia seria um novo baque e mais um golpe na ainda frágil autoestima da cidade. Entretanto, com a equipe sendo acolhida pelos torcedores e achando o caminho das vitórias, arrumar as malas e ir embora deixou de ser uma opção.

Drew Brees fez parte de todo este processo de duas maneiras. Primeiro, foi o quarterback, líder e principal jogador do time. Obviamente ele não fez tudo sozinho; seus companheiros e técnicos também merecem todos os aplausos, mas é inegável que Brees foi o principal símbolo das conquistas.

Em segundo lugar, assim como foi abraçado pelos fãs, Brees abraçou Nova Orleans, investindo seu tempo livre e recursos em causas sociais importantes para a cidade. Por exemplo, sua fundação de caridade, a Brees Dreams Foundation, ajudou a reconstruir casas, instalações acadêmicas, parques e escolas, além de até hoje regularmente prover recursos para pesquisas médicas e outras coisas. O quarterback também empresta sua imagem para muitas outras campanhas de caridade e conscientização, sendo um dos atletas da NFL mais participativos da comunidade.

Por conta de tudo o que foi falado, ou seja, a importância tanto dentro quanto fora de campo, é difícil não considerar Brees como a contratação de maior sucesso da história da liga. Outros jogadores como Reggie White, Deion Sanders etc. também tiveram um impacto gigante ao mudar de time, porém, analisando o conjunto da obra, Brees é especial. Vencer um Super Bowl e quebrar recordes atrás de recordes é legal, mas sua grandeza, principalmente para Nova Orleans, vai muito além disso.

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E pensar que, se não fosse por uma perigosa lesão no ombro, talvez tudo fosse diferente. Quem sabe o que teria ocorrido se Brees continuasse em San Diego? Impossível dizer. A única certeza é que uma das histórias esportivas mais incríveis de todos os tempos poderia não ter acontecido.

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