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A NFL é cíclica. Se em vez de 2006, o início do boom da liga no Brasil tivesse acontecido em 1980, talvez tivéssemos mais fãs tristes com o Cleveland Browns. É difícil para o fã atual entender isso, mas os Browns na década de 1980 eram bons.

Bons não, eram ótimos. Para o torcedor do time, tal década não podia começar melhor senão com Cleveland indo aos playoffs de maneira emocionante e com aquele clássico “teste para cardiáco” a cada partida da temporada regular. “Cardíaco”, nos esportes americanos, como você pode perceber, é um termo bem notório. O Carolina Panthers de 2003 tinha o apelido de Cardiac Cats por conta das inúmeras prorrogações e jogos apertados que enfrentou até o Super Bowl XXXVIII – cujo último quarto, aliás, foi um mega teste para cardíaco.

Os Kardiac Kids – As Crianças Cardíacas, em referência ao elenco jovem – foram os primeiros a terem esse apelido. Era o Cleveland Browns de 1980. Ganharam esse nome por ter decidido vários jogos nos momentos finais  – naquele ano, Cleveland chegou ao primeiro título da AFC Central (hoje AFC North) desde 1971, vencendo por critérios de desempate o Houston Oilers.

Seis foram os jogos que fizeram com que aquele time fosse “teste pra cardíaco”.  Seis foram os momentos em que tudo esteve por um fio. Vamos a eles e, se você for fluente em inglês, há um documentário sobre – o qual colocamos abaixo.

Na semana 7, a equipe marrom enfrentaria o Green Bay Packers. Com apenas 16 segundos no cronômetro e uma 3rd and 20, os Packers viram o quarterback de Cleveland, Brian Sipe, completar um passe de 46 jardas. Hail Mary. Na semana seguinte, era hora de rivalidade contra o Pittsburgh Steelers. 26-14 virou vitória numa arrancada fenomenal. Era o fim da dinastia – essa acabou mesmo – do aço na AFC Central. A equipe de Pittsburgh era a atual campeã da NFL. Os Browns seriam os campeões daquela divisão. Finalmente.

Mais uma franquia histórica na linha. Chicago Bears em casa. Brian Sipe, nesse jogo, lançou para 298 jardas – e uma corrida de 56 jardas de Mike Pruitt venceu a partida. 27 a 21. Os Steelers teriam sua vingança na semana 11. Com 11 segundos no cronômetro, Pittsburgh venceu de virada – marcando mais uma derrota para Cleveland no Three Rivers Stadium.

Numa outra derrota, os Vikings venceram a equipe de Ohio com um Hail Mary. É mole? Isso depois do Browns estar vencendo por 23-9. Finalmente, no último jogo, uma vitória com o Field Goal nos momentos finais sacramentou o título da AFC Central contra os Bengals. Chegaria a hora dos playoffs.

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Red Right 88: a primeira das muitas decepções daquela década

Numa fria tarde, Raiders e Browns se enfrentariam com os desejos dos fãs de Cleveland colocados a prova: a chance de vencer uma partida no final, de novo.

Perdendo por 14 a 12 nos Divisional Round da Conferência Americana, os Browns conseguiram conduzir uma campanha de 72 jardas. Conseguiram chegar numa posição confortável, plenamente em alcance para field goal: linha de 13 jardas. Dali, seria um chute de apenas 30. Era segunda descida. Bastava correr e colocar a bola mais centralizada no campo. Bastava chutar. Bastava isso para carimbar o passaporte rumo a San Diego, onde a melhor campanha da AFC, os Chargers, sediariam a final da conferência. Bastava.

Só que se você acompanha o Cleveland Browns – ou a cidade de Cleveland com seus times de esportes americanos – sabe que nada ali é fácil. O kicker de Cleveland, Don Cockroft, já havia errado dois chutes naquela partida, devido ao vento. O técnico dos Browns, Sam Rutigliano, escolheu ser mais agressivo e tentar o .

Rutigliano chamou a jogada icônica: Red Right 88. O objetivo era conectar um passe com um dos melhores tight ends da história – hoje general manager no Baltimore Ravens – Ozzie Newsome.

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Aí você pensa: se o vento atrapalhou os field goals, por que não atrapalharia um quarterback? Foi o que aconteceu. Uma interceptação por Mike Davis em cima de Sipe encerrou aquela temporada mágica para Cleveland. 77 mil corações pararam por um segundo no Municipal Stadium. Não seria a primeira vez que uma decepção lhes magoaria nos anos 1980. Tampouco seria a última ida para os playoffs naquela década. Em 1986 e 1987 o time chegaria até o final da Conferência Americana contra o Denver Broncos – mas isso é história para outro dia.

A saga das tragédias de Cleveland continuou nos anos posteriores, com a mudança para Baltimore em 1995 e os 27 quarterbacks titulares desde 1999. Mas aquela temporada, de 1980, ficou marcada até que de maneira positiva. Brian Sipe foi eleito o jogador mais valioso (MVP) da temporada e Sam Rutigliano foi eleito o técnico do ano – mesmo com a controversa decisão. Mesmo com fim triste, tudo o que o torcedor dos Browns quer é voltar aos playoffs. Mas quando?

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“RODAPE"